Crazy Bout' You
4 Capítulo 4 - Deadpool
Notas iniciais
– A few times I've been around that track, so it's not just gonna happen like that. 'Cause I ain't no hollaback girl, I ain't no hollaback girl!
– Para com essa merda! — Berrou Flash com um travesseiro em cada orelha tentando abafar o maldito som do rádio de Wade, e é claro, a voz dele que cantava junto.
– Ooh, ooh, this is my shit, this is my shit — Cantava Wade rolando de um lado pro outro da própria cama.
– Eu quero dormir caramba!
– O que foi? — Indagou Sam aparecendo na entrada do quarto — Dá pra escutar isso lá debaixo.
Wade levantou-se da cama começando a dançar feito um retardado.
– Let me hear you say this shit! Is bananas, B-a-n-a-n-a-s. This shit is bananas, B-a-n-a-n-a-s!
– Ele não para de cantar essa porcaria desde que acordou — Resmungou Flash afundando a cabeça no travesseiro fazendo sua voz sair abafada.
– Essa porcaria se chama hollaback girl da Gwen Stefani — Disse Wade fazendo careta para o loiro — E já passou da hora de você levantar essa sua bunda dessa cama.
– Foda-se! — Retrucou Flash.
Sam suspirou revirando os olhos.
– Vem Wade, o café está pronto, se quiser trás esse rádio pra baixo e você canta lá.
– Vai incentivar esse maluco? — Indagou Flash.
– Eu uso meu fone — Disse Wade pegando o celular — Ah, esqueci de dizer, eu comprei uma câmera nova pro Petey.
– O quê?! — Exclamou Flash levantando-se em disparada. Mas Wade e Sam já desciam às escadas deixando-o só.
O loiro saiu do quarto seguindo os dois, já começando o dia com um mau humor iminente.
– Por quê fez isso?!
– Não foi justo quebrar a câmera dele — Justificou Wade.
– Não interessa! Você não pode fazer isso!
Wade deu de ombros sentando-se à mesa e colocando os fones no ouvido.
– Está me escutando?! — Gritou Flash.
– I heard that you were talking shit, and you didn't think that I would hear it...
– Perdi alguma coisa? — Indagou Hogun olhando de Wade cantando à Flash raivoso.
– Boiei nessa conversa também — Disse Sam sentando-se e se servindo de pães.
– Dá próxima vez que você se meter nos meus assuntos...!
– People hear you talking like that,
Getting everybody fired up...
Flash deu um soco na mesa com força finalmente ganhando a atenção de Wade que se levantou e ficou frente a frente com o loiro.
– Mas já, a essa hora da manhã? — Disse Hogun vendo a tensão entre os dois.
– Escuta aqui, só porque você está no seu ciclo menstrual não quer dizer que você tenha que descontar em mim — Disse Wade banalmente.
Flash pegou Wade pela gola do pijama, mas Wade fora mais rápido afastando as mãos dele de si batendo com força nos pulsos dele e logo em seguida dando uma veloz rasteira. Flash caiu com tudo de costas, mas quando tentou puxar a perna de Wade pra baixo, o loiro pulou os braços do outro como se fosse amarelinha e após pisar propositalmente nos dedos de Flash, Wade subiu às escadas cantarolando.
– A few times I've been around that track, so it's not just gonna happen like that, 'Cause I ain't no hollaback girl, I ain't no hollaback girl.
– Ele é bom... — Comentou Sam quebrando o silêncio que havia se manifestado após a briga.
oOo
– Ah, vamos lá Peter! Vem com a gente pra Oscorp. Vai querer ficar aí sozinho? Se você quiser eu te deixo mexer nos arquivos confidenciais.
– O sr. Osborn não deixa nem o Harry mexer, duvido que você consiga — Zombou Peter — E eu não posso Gwen, hoje vou trabalhar no Clarim Diário.
– Argh, não sei como aguenta aquele Jameson — Disse a loira num tom reprovador — Eu enlouqueceria.
– Não é um trabalho diário, eu só vou quando ele chama, e eu bem to precisando de um dinheiro extra. Além do mais, eu gosto de tirar fotos.
– Okay né — Desistiu Gwen — Até mais.
– Até — Despediu-se Peter indo em direção à saída da universidade.
Peter pegou um táxi, e nervoso, teve de aguentar um tenebroso trânsito que o atrasou por meia hora.
– Atrasado Parker! — Repreendeu Jameson lendo um jornal jogado em sua cadeira rolante com os pés apoiados em cima da mesa.
– Desculpe, trânsito.
– Não me interessa, podia vir antes.
– Eu tenho faculdade, não podia chegar antes.
– Largasse a faculdade — Respondeu Jameson banalmente dando uma mordida numa maçã enquanto virava a página do jornal.
Peter como sempre se sentiu incomodado com as atitudes de Jameson. Ele tinha uma mania insuportável de conversar com ele sem realmente prestar atenção.
– O que tem pra mim hoje?
– Vá pra rua e fotografe qualquer homem suspeito! Qualquer um! Preciso de uma notícia pra primeira página ainda hoje. Não sei o que está acontecendo com essa cidade, ninguém morre!
Peter suspirou assentindo e indo à saída. Ele olhou para os lados decidindo por onde começaria, seria uma longa tarde.
Como Jameson havia dito, nada estava acontecendo. Nova York parecia não ter nada para ele aquele dia, mas Peter não podia voltar sem nenhuma notícia. Enquanto caminhava perto de um parque, o moreno pensou seriamente em se vestir de ladrão e tirar algumas fotos de si mesmo, mas antes que realmente se rendesse a ideia, ouviu uma voz masculina alterada e amedrontada.
– Me solta!
– Eu fico me perguntando o porquê das pessoas sempre dizerem isso quando são capturadas, quer dizer, eu até entendo que a frase sai automaticamente, mas não é como se eu fosse realmente soltá-los, quer dizer, pra quê então eu me dei ao trabalho de chamar sua atenção? A não ser que você acredite... Pobrezinho... — Disse num tom realmente de pena — Eu sinto muito... Quer que eu afrouxe? A gente pode sentar e tomar um café e conversar sobre a sua vida. Ah! Não, já ia me esquecendo, eu tenho um trabalho a fazer.
Peter ouvia a conversa notando que as vozes vinham do lado de uma doceria em frente ao parque. Havia uma fresta entre a doceria e o mercado que poderia ser considerado uma beco. Ou uma viela bem estreita. Peter se aproximou o suficiente escondendo-se na parede da loja de doces e continuando a ouvir tudo.
– Eu n-não fiz nada! Quem é você? O que você quer?
– Ah, essa é uma ótima pergunta! — Disse o outro num tom animado — Eu adoraria respondê-la, de verdade, mas sou eu quem faz as perguntas aqui. Você é... — O cara pegou um papel no bolso lendo com dificuldade a caligrafia — Honsil Loncositir...?
– Não... — Respondeu a vítima confusa — Meu nome é Hansel, Hansel Lancaster.
Peter aproveitou o momento confuso da situação para dar uma espiada se arriscando a ser visto, mas ele não foi, pois eles pareciam dar atenção ao papel agora. Peter achou estranho o fato de um homem que parecia ter uns trinta anos estar de costas pra parede, prensado por um cara alto que trajava um conjunto de roupa (calça e blusa) de couro na cor vermelha com faixas pretas em cada lado. Usava botas pretas, tinha uma arma presa no coldre do cinto e o mais bizarro, uma máscara vermelha com esferas na cor preta sob os olhos.
– Tanto faz — Disse o mascarado por fim jogando o papel por cima do ombro — Você deve alguma coisa para Eric Sawyer?
– Eric...? — Repetiu a vítima ficando com o rosto pálido — Você é um capanga dele...?
– Assim você me ofende — Disse o mascarado depositando a mão direita no próprio peito em ultraje — Ele me ofereceu uma grana e eu topei, não é nada pessoal, sabe? São apenas negócios — Deu de ombros.
– Socorro! — Berrou.
O mascarado tapou a boca de Hansel com força ficando nervoso.
– Isso foi muita falta de educação Honsil — Sussurrou o mascarado ameaçadoramente — Vou ter que te levar pro Eric.
– Hmmm!!!
Hansel tentava se debater e gritar inultimente. Peter pegou sua câmera rapidamente deixando no modo silencioso e tirando algumas fotos. Apesar de não fazer muito barulho, o mascarado virou-se na direção de Peter fazendo com que o moreno se encondesse apressado.
Peter respirava com dificuldade sentindo seu coração palpitar. Deu uma espiada novamente e pôde ver o mascarado junto a Hansel subindo uma escada até o teto de algum estabelecimento. O mascarado olhou na direção dele e os olhos se encontraram por uns segundos antes que ele desaparecesse, e Peter saísse dali correndo antes que ele decidisse voltar.
– Espero que tenha trazido algo Parker! Ou o demito nesse exato instante! — Disse Jameson ao notar que o rapaz havia voltado.
– E onde conseguiria outro fotógrafo? — Desdenhou Peter. Ele sabia que ninguém tinha saco além dele pra suportar Jameson, pelo menos ninguém que queira um cargo instável de fotógrafo.
– Minha ex-esposa talvez! Aposto que ela traria resultados melhores que os seus!
– Ou tiraria mais dinheiro de você — Zombou.
– Isso também!
– Aqui estão — Peter jogou na mesa as fotos que havia conseguido. Jameson as pegou desinteressado, mas a expressão dele mudou ao observar o mascarado prensando Hansel no beco.
– Nunca o vi em nenhum jornal, onde ele estava?
– No beco entre a loja de doces e o mercado em frente ao parque. Não ouvi ele dizendo quem era.
– Continue! — Disse Jameson anotando tudo.
– Ele disse que um tal de Eric Sawyer queria esse homem. Disse que não era capanga, ele está mais pra mercenário. E o homem que foi sequestrado se chama Hansel Lancaster.
– Muito bom! — Disse Jameson levantando-se e abrindo a porta de sua sala procurando por alguém — Betty! Tome essas fotos, publique na primeira página, "Mercenário assassino aterroriza Nova York!"
– Mas ele não matou...
– Calado Parker! Está dispensado! Pegue seu salário com a secretária.
Peter bufou revirando os olhos e saindo da sala do Jameson, pegou seu salário com a secretária e foi porta à fora.
As nuvens começavam a escurecer anunciando uma chuva iminente, Peter apertou seu casaco marrom contra o corpo acelerando o passo. Os pingos de chuvas começavam a atingir o chão de concreto da calçada atingindo alguns fios de cabelo do moreno que agora corria encolhido em seu casaco, mas antes que ele pudesse continuar, sentiu uma mão forte agarrar seu braço quando passou despercebido pelo mesmo beco onde havia visto o mercenário mascarado.
– Shh... — Sussurrou alguém em seu ouvido enquanto ele tentava se debater assustado — Não vou te machucar.
Peter arregalou os olhos ao ver que era o mercenário, as lentes de seu óculos estavam meio embaçadas, mas ele podia ver claramente o homem em sua frente.
– Sabia que é muito feio ouvir as conversas alheias?
Peter olhou para os lados vendo um pedaço de madeira jogado em seu lado esquerdo.
– Quem é você? — Indagou Peter tentando distraí-lo.
– A última pessoa que você vai ver na sua vida — Respondeu sombriamente. Ao ver que o moreno havia arregalado os olhos esperando o pior, o mascarado gargalhou — Tô brincando com você, relaxa.
Peter abaixou-se rapidamente pegando o pedaço cilíndrico de madeira e tentou bater na cabeça do mercenário com o objeto, mas antes que ele pudesse ver a madeira chocando-se no crânio dele, Peter sentiu a mão dele o impedindo com facilidade. Ele tinha ótimos reflexos. O mascarado virou seu corpo o deixando de cara contra a parede e sentiu o corpo dele encostar-se no seu.
– Nada de gracinhas. Qual o seu nome?
– Qual o seu nome! — Retrucou.
– Pode me chamar de Deadpool.
– Peter Parker... Será que dá pra me largar?!
Deadpool virou-o de frente novamente continuando a segurá-los pelos braços.
– Então... Peteyr... — Engasgou dizendo o nome — Mandou aquelas fotos pra quem?
– O que aconteceu com o Hansel?
– Ele vai ficar bem... — Disse Deadpool num tom não muito convencido — Ele é esperto, o Honsil, vai dar um jeito. Voltando às fotos... Se não me disser eu pego a câmera que está nessa sua mochila e sumo com ela.
– Preciso das fotos pra trabalhar.
– Trabalhar do quê?
– No Clarim Diário... — Respondeu vacilante.
– O QUÊ? Tá brincando!
– Ah, qual é, acha mesmo que não ia chamar atenção mais cedo ou mais tarde trajando essa coisa vermelha e esse capuz bizarro?
– Bizarro?! Isso aqui é um dos melhores couros de Coríntio, tá legal?
Peter fez uma careta não acreditando naquela figura.
– Você é maluco, sabia?
– Minha analista concorda em número e grau, mas mamãe dizia que eu era especial — Disse num tom dramático de criança — Mas vamos falar sério agora, se isso me prejudicar de algum jeito eu vou saber onde te encontrar.
Peter ficou estático por uns instantes, nem havia percebido que havia sido solto. Pôde jurar ter visto um sorriso por baixo daquela máscara e Deadpool saiu andando pela rua como se fosse normal estar vestido daquele jeito em público. Peter o observou dobrar a esquina enquanto ele cantarolava uma música tão estranha quanto ele.
– Let me hear you say this shit! Is bananas, B-a-n-a-n-a-s. This shit is bananas, B-a-n-a-n-a-s!
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