Crazy Bout' You
39 Capítulo 39 - Warning
Notas iniciais
Matt havia ficado mais uma vez no Vórtex, deixando Peter furioso em encontrar novamente os dois em sua cama. Sendo a gota d'água para ele, Peter arranjou um acordo em que sua cama poderia ficar para eles, se alojando por fim na de Harry. Peter não teria mais coragem de tocar naquele colchão.
A noite não havia sido das melhores para ele também. Apesar de fazer os dois vestirem uma roupa antes de dormirem, Harry não parava de provocar Matt. Peter tinha de apertar muito bem o travesseiro contra suas orelhas para não ouvi-los. No dia seguinte, o moreno agradeceu por ser sábado. Ele levantou de sua nova cama olhando para o lado e vendo Matt se arrumar em silêncio, enquanto Harry dormia.
– Sempre fugia das suas namoradas assim? — indagou Peter.
– Algumas vezes — disse Matt colocando os sapatos. — Eu preciso ir numa palestra hoje, mas o Harry não entende que a faculdade é uma coisa importante e que eu não posso ficar com ele.
– É, ele está fazendo de tudo pra não ficar um tempo sozinho. Mas pode ir tranquilo, eu fico com ele.
– Valeu.
– Isso é estranho, não é? O Harry dependendo de você — sorriu Peter.
– Aterrorizante — zombou Matt, se levantando da cama já pronto.
– Matt... vê se toma cuidado com isso, você sabe que o Harry tá te usando, né?
– Depois de hoje acho que ele vai se tocar que não pode me controlar.
Peter balançou a cabeça em concordância, se despedindo do amigo e logo em seguida ouvindo seu celular tocar. O toque acordara Harry que resmungava para Peter fazer o barulho parar.
– Alô?
– Parker! Ligue a TV agora! — dizia a voz estridente de Jameson do outro lado da linha.
Peter piscou algumas vezes, atordoado, mas logo pegou o celular de Harry, ligando a TV digital que tinha nele.
A manchete "Mercenário ataca Nova York" em letras maiúsculas despertaram o seu interesse, o deixando assustado ao ver a transmissão.
Ele não estava exatamente atacando pessoas inocentes. Deadpool estava sendo atacado. Dois homens vestidos completamente de preto com máscaras típicas de bandidos o cercavam, lutando com ele avidamente. Carros de polícia começaram a cercar o local e Deadpool olhou ao redor um pouco nervoso. Ele saiu correndo para a primeira rua que viu para despistá-los, sendo seguido pelos atacantes e pela polícia, e foi ali que as câmeras não puderam mais transmitir nada já que não haviam helicópteros naquele momento. Peter estava tão chocado com tudo, que havia se esquecido de Jameson na linha.
– Posso saber porque ainda não está lá tirando fotos?! — exclamou Jameson. — Brock já está lá faz tempo!
– C-Claro — falou Peter, levantando-se imediatamente da cama.
Ele desligou a chamada, devolvendo o celular de Harry e começando a se trocar depressa. Tudo o que ele pensava naquele momento era o quanto Wade ouviria dele. O que ele achava que estava fazendo se vestindo de Deadpool naquele estado?
Harry se remexeu na cama, abrindo os olhos por fim e sentindo a falta de alguém ao seu lado.
– Matt foi para a palestra — dizia Peter, fechando o zíper da calça jeans.
– Onde você vai? — perguntou Harry com uma voz manhosa e meio desesperada que fez Peter arquear a sobrancelha, surpreso.
– Jameson me ligou, eu preciso tirar umas fotos.
– Quando o Matt volta?
– Não sei, é provavel que não volte aqui hoje.
– E você?
– Desculpa, Harry, eu vou demorar também. Wade está com problemas.
– Eu também estou com problemas.
– Os do Wade são maiores.
– Mas sou seu melhor amigo.
– Harry... — suspirou Peter.
– Quer saber? Deixa pra lá — bufou Harry.
– Você vai sobreviver algumas horas sozinho. "A dor precisa ser sentida".
– Não vi graça — resmungou.
Peter saiu do quarto se despedindo de Harry, que suspirou se jogando na cama.
oOo
Peter chegou ao local do alvoroço encontrando vários repórteres e algumas viaturas. Ele encontrou Eddie e Gwen perto da calçada e foi em direção dos dois.
– O que aconteceu? Pegaram ele?
– Ainda não — contou Eddie -, mas estão rondando a cidade toda. Aliás você tem sorte que Gwen veio pra cá.
– Tirei algumas fotos pra você. Não sou muito boa com isso, mas devem ter ficado aceitáveis — disse a loira.
– Obrigado, Gwen. Jameson me ligou em cima da hora.
– Típico dele, é de propósito — falou Eddie.
– Eddie, preciso falar com o Peter um minuto, tudo bem? — indagou Gwen se afastando um pouco enquanto levava Peter junto. — Não pense que me esqueci da sua amizade com esse cara!
– Ele não fez nada, Gwen! — cochichou Peter.
– Como pode saber? Você nem estava aqui!
– E você viu ele fazer alguma coisa por acaso?
– Não, mas eu vi ele espancar aqueles dois caras estranhos que estavam o perseguindo e aquilo foi assustador! Vai saber do que ele é capaz.
– Ele não é mau, Gwen, ele estava sendo perseguido, é óbvio que ele ia se defender.
– Na frente de todo mundo?! Vestido daquele jeito ainda? E se ele estava sendo perseguido é porque alguma coisa ele fez, não?
Peter não havia pensado por aquele lado. O que será que Wade havia feito dessa vez?
[...]
O barulho das viaturas parecia mais próximo. Era como se nem todo o seu fôlego bastasse para correr o suficiente. Deadpool parou, por fim, olhando para cima e começando a escalar uma parede; dali a polícia não o seguiria.
No telhado, Deadpool pôde recuperar seu fôlego enquanto espiava as viaturas passarem por baixo, na rua onde ele estava há pouco. Ele suspirou, aliviado, sentindo seus músculos relaxarem. Ele não havia entendido direito o porquê de tudo aquilo estar acontecendo. Ele estava apenas rondando a cidade, nada demais, não faria nenhum serviço sujo ou alguma outra coisa que comprometesse sua sanidade, mas de repente chegaram dois homens de preto, mascarados, alegando estarem fazendo um serviço para alguém. Alegando estarem dando-lhe apenas um aviso.
– Olha só quem encontramos de novo... — anunciou um dos caras.
Deadpool se manteve em alerta, virando-se rapidamente e encontrando novamente os dois homens que havia brigado.
– Bem que nos avisaram que você se esconderia aqui — disse o outro.
– O que vocês querem?! — exclamou Deadpool, apertando seu coldre com força, pronto para sacar a arma.
– Relaxa, o que devíamos fazer já fizemos.
– Pena que não dá pra ver o nosso trabalho — zombou o outro se referindo às feridas de Deadpool cobertas pelo traje vermelho. — Só viemos finalizar o serviço, isso foi um aviso de que Cable está de volta.
– Nate...? — indagou Wade, espantado. — Mas ele...
– Havia sumido, mas voltou por sua causa.
– É bom você correr — disse o outro cara, sacando uma arma e apontando para Deadpool, que se jogou dali de cima calculadamente, caindo sobre vários sacos de lixo que amorteceram sua queda.
[...]
Depois de entregar as fotos e a reportagem de Brock para o Clarim, Peter, Eddie e Gwen resolveram voltar para a universidade. Eddie e Gwen decidiram de última hora comer alguma coisa em alguma lanchonete, mas Peter recusou o convite, tanto por estar preocupado em procurar Wade, quanto por não querer ficar de vela.
Quando Peter chegou à universidade, pensou em voltar para o local onde tudo havia acontecido para procurar Wade, já que Eddie e Gwen não estavam junto, mas, assim que vacilou em entregar seu cartão ao porteiro, avistou Wade do lado de dentro da universidade, com a cabeça meio baixa e o rosto coberto pela toca da blusa que vestia. Peter entrou rapidamente, indo em direção do loiro.
– O que aconteceu? — indagou o moreno.
– Aqui não, vamos pra Aesir.
Peter seguiu Wade até a república em silêncio. Ele parecia tenso e um pouco hostil. Quando chegaram ao local, Wade o levou até o quarto dele, trancando a porta com rapidez.
– E então?
Wade suspirou, retirando a blusa e consequentemente a touca, revelando algumas marcas vermelhas em seu rosto.
– O quê... — dizia Peter se aproximando do maior, enquanto examimava os machucados com as próprias mãos. — Eles fizeram isso?
Wade assentiu.
– Tá doendo?
– Eu já cuidei delas, Petey.
– E por que eles fizeram isso com você? Não, melhor ainda, por que você saiu por aí vestido de Deadpool?!
– Eu não aguento mais ser só o Wade! Eu me sinto mais livre sendo o Deadpool.
– Sendo um mercenário que machuca pessoas — corrigiu Peter.
– Eu só estava rondando a cidade — defendeu-se o loiro.
– Então o que foi aquilo? Sabia que até na TV você estava?
– Foi um aviso — disse Wade num tom sombrio. — De vingança.
– O quê?
– Isso tudo foi coisa do Nate.
– Quem é Nate? — indagou Peter, confuso.
Wade suspirou, remexendo os próprios cabelos em desespero. Ele fez Peter se sentar em sua cama, sentando-se em frente a ele em seguida.
– Nate me salvou das ruas — começou. — Você se lembra quando eu te contei minha história?
– Sim, sobre seu pai.
– Depois que eu fugi dele eu não tinha para onde ir, então fiquei nas ruas, mas eu era pequeno, indefeso, não sabia de nada, nem como faria dali em diante. Eu passei dois dias sobrevivendo como podia até encontrar um galpão abandonado.
– Galpão...?
– Sim, aquele em que te levei. Quando eu o encontrei ele parecia abandonado. Eu durmi lá, mas no dia seguinte acordei amarrado numa cadeira enquanto cinco caras me olhavam, eram adolescentes, mas eu fiquei com medo já que eu era só uma criança. Eles estavam decidindo o que fazer comigo, fizeram um interrogatório sobre como os encontrei e se eu era de alguma gangue inimiga. Depois de contar minha história que eu o conheci.
"Nate estava lá o tempo todo, nos observando. Ele estava sentado atrás de uma mesa me analisando e disse que só acreditaria na minha história se eu aceitasse entrar pra gangue deles. Como eu não tinha mesmo onde ficar, resolvi aceitar. Nate era o líder dali, ele me ensinou quase tudo o que sei sobre luta, ficamos muito amigos, ele dizia que a minha loucura era o meu trunfo."
– E o que aconteceu pra ele querer te machucar desse jeito?
– Fiquei amigo do Rick, é claro — disse Wade sorrindo fraco. — Passei poucas e boas com aqueles caras, mas teve um dia em que não conseguimos escapar. Fomos todos presos. Foi quando conheci o Rick. Nate não gostava do interesse que ele tinha em me ajudar. Cada vez que eu me aproximava do Rick, Nate dizia que eu os estava traindo. Eu sabia que nem Nate e nem os caras foram uma boa influência pra mim, mas eu tinha uma dívida com eles.
Apesar de tudo, acabei indo com Rick, principalmente depois dele ter me levado às terapias. Eu saí da prisão e os deixei para trás, até hoje estão todos presos, menos um.
– Nate — disse Peter.
– Ele fugiu logo depois que Rick conseguiu a minha guarda. Nós nunca mais nos vimos.
– Mas como ele sabia que era você?
– Ele sabe do meu traje, mostrei meus desenhos à ele quando éramos amigos. Ele também conhece meu nome, todos nós tínhamos um nome. O meu, Deadpool, e o dele, Cable.
– E agora, do nada, ele resolveu se vingar?
– Não foi do nada, apesar do meu trabalho, eu sempre mantive sigilo sobre mim e ele não deve ter coragem de ir até a casa do Rick, ele pode ser preso de novo. Com certeza depois que ele fugiu, ele deve ter saído da cidade por um tempo. Ele deve ter visto minhas fotos no Clarim Diário e veio atrás de mim.
– Então a culpa é minha.
– Não, Petey, você nem sabia, até eu já havia me esquecido dele.
– De qualquer forma você tá correndo perigo!
– Eu to bem, Petey, não vai acontecer nada.
– Você tá proibido de usar esse traje, ouviu? Eu não sei nem o que eu faria com esse cara se ele te machucasse!
Wade arqueou a sobrancelha em desdém, fazendo Peter o encarar com mais autoritarismo.
(Ele tá preocupado, é isso mesmo?)
[SIM!]
(Por quê?)
[Não é óbvio?]
(Ainda custo a acreditar)
[Custe mesmo, porque você foi horrível com ele, ou já se esqueceu?]
(Ele gostou que eu sei)
[Ele te odeia]
(Não odeia, não!)
– Vai ficar me olhando estranho desse jeito mesmo? — indagou Peter.
Wade queria dizer alguma coisa, mas sua cabeça parecia nunca ter ido tanto à mil.
[Isso que eu ouvi foi lamentação?]
(Fica na sua)
[Você também ama ele!]
(Não...)
[Obviamente eu amo mais]
(Mas quem ele ama sou eu)
[E quem te disse isso?]
(Os gemidos que ele deu pra mim)
– Wade!
O loiro abriu os olhos percebendo que eles estavam apertados antes, suas mãos estavam pressionadas em suas orelhas e sua cabeça estava baixa.
– São elas?
Wade assentiu, não conseguindo ainda dizer alguma coisa. Era como se ele ainda não tivesse total controle de si.
– Ainda não entendi o padrão nisso tudo, sabia? Ou elas aparecem quando bem entendem, ou é algo que eu falo.
– [É o que você fala].
Peter sentiu-se sendo abruptamente agarrado pelos braços de Wade, que o deitaram na cama enquanto lábios roçavam a pele de seu pescoço, causando-lhe arrepios.
– Q-Qual delas é...? — indagou Peter, nervoso. Ele ainda tinha certo trauma da última personalidade que havia se apossado de Wade.
Peter segurou a respiração quando os lábios de Wade chegaram até sua orelha, mordendo-lhe o lóbulo.
– [A que te ama] — sussurrou o loiro.
Peter soltou o ar por fim, observando os olhos brilhantes do loiro o encarando. Não eram como da outra vez, com certeza aquela era a outra personalidade.
Peter se atreveu a levar as duas mãos sob o rosto de Wade, acariciando a bochecha dele com os polegares, enquanto o loiro fazia o mesmo.
Wade beijou o menor, sendo correspondido. O beijo era lento e proveitoso, como se os dois estivessem se conhecendo novamente, como se fosse o primeiro beijo. Wade foi baixando seus lábios até o pescoço do menor, começando a mordiscar e chupar aquela área. Ele sentia as mãos de Peter percorrerem seu corpo, enlouquecidas. Enquanto o loiro mantinha sua atenção na pele sensível, ele podia sentir sua calça sendo retirada pelas mãos e pelos pés do menor com destreza. Ele sorriu de modo convencido, tirando a camiseta que Peter usava.
O loiro passou a beijar cada parte exposta dos ombros, peito e abdômen de Peter. O moreno achou o gesto doce e meio estranho, apesar de saber que Wade também fazia do tipo romântico. Ainda assim era uma outra personalidade ali, Peter não sabia direito o que esperar dela.
Wade continuou sua trilha, chegando até a calça do menor e a retirando de imediato, querendo o menos possível de tecido ali. Ele queria desfrutar de cada parte de Peter.
Já Peter, se sentou sob a cama para fazer melhor o serviço de retirar a camiseta de Wade. Ele a jogou junto às outras peças de roupa no chão e juntou seus lábios aos dele novamente, abraçando-o com força.
Wade voltou a deitá-lo na cama, se livrando das cuecas de ambos, as últimas peças de roupas que restavam tirar, apreciando a beleza do corpo do menor.
Peter dessa vez não se sentiu envergonhado com o fato de estar sendo observando. Wade lhe observava com tanta apreciação que ele sentiu seu peito de encher de auto-estima.
– [Você é perfeito, baby boy] — disse o loiro, voltando beijá-lo.
Peter acariciava a nuca de Wade, brincando com os fios loiros, enquanto Wade começava a posicionar-se sobre o menor. Peter abriu bem as pernas, deixando que Wade começasse a se encaixar sobre ele. O membro do loiro já encontrava-se úmido, facilitando a entrada mesmo que sem preparo. De qualquer forma, Peter não se importou.
Wade sentiu o canal do menor apertá-lo, mas isso não o impediu de continuar até entrar por inteiro dentro de Peter. O moreno cruzou suas pernas sob a cintura do loiro, aprofundando a sensação de ter Wade dentro de si.
Os dois começaram a se mover lentamente, no mesmo ritmo, tentando não machucar um ao outro. Wade se esticou um pouco para capturar os lábios quentes de Peter, mordendo-os de leve, provocando-o.
Peter sentia Wade aumentar a velocidade dos movimentos, enterrando sua cabeça sob a curva do pescoço dele, abraçando-o.
Wade podia ouvir os primeiros gemidos de Peter, abafados sob sua pele. Seu corpo começava a se aquecer com as primeiras sensações de prazer e seu pênis latejava por mais.
Peter passou a se masturbar, gemendo um pouco mais alto. Wade também gemia, extasiado, enquanto depositava beijos em seu pescoço e seu rosto. Quando Peter sentiu o próprio pênis endurecer de prazer, gemeu o nome de Wade baixinho, fazendo o loiro acelerar os movimentos sentindo o orgasmo à caminho.
Os dois gozaram juntos, abafando os gemidos enquanto se beijavam e deixando o prazer os invadir, sentindo-se completos um com o outro. Wade beijou a testa de Peter no fim, o acolhendo em seus braços, enquanto os dois se ajeitavam sobre a cama.
oOo
Harry passara boa parte de seu dia trancado no quarto. Peter e Matt estavam ocupados, Ian havia saído com Darcy, e Loki havia sumido com Thor. Ele estava completamente atordoado. Flashes de Sam beijando Chris começavam a vir em sua mente, que não parava de pensar como aquela cena seria. Se Sam havia voltado com ele, se estaria feliz com ele, se os dois já estivessem namorando.
Harry apertou os olhos, balançando a cabeça para espantar aqueles pensamentos. Quando olhou para o relógio e percebeu serem 4hrs da tarde, resolveu se levantar.
Depois de se vestir, Harry desceu até a cozinha procurando algo para comer, porém não havia nada que ele quisesse ali. Harry suspirou, indo pegar sua carteira em seu quarto e voltando, pronto para comer fora.
Ao sair do Vórtex, Harry caminhou em direção a portaria da universidade sentindo uma estranha sensação de estar sendo seguido. Ele podia ouvir passos, mesmo que cautelosos, atrás de si, mas, sempre que olhava para trás, não havia ninguém. Enquanto chegava perto do porteiro, Harry começava a se questionar se algum paparazzi não havia se infiltrado dentro da universidade para segui-lo.
– Pode ir, senhor Osborn — disse o porteiro.
Harry guardou o cartão em seu bolso e saiu, porém resolveu esperar mais algum tempo encostado na parede ao lado do portão para ver se alguém viria mesmo atrás dele.
– Tudo certo, senhor White.
"White?" indagou-se Harry, surpreso.
Harry se espremeu mais contra a pilastra da parede que podia esconder todo o seu corpo. Ele espiou por uma falha do concreto Sam olhar para os dois lados, meio frustrado.
– Droga, onde será que ele foi agora? — perguntou-se Sam em voz alta.
Harry arqueou a sobrancelha, deixando escapar um sorriso de divertimento em saber que Sam estava o seguindo.
Assim que Sam se virou para o outro lado, Harry saiu de seu esconderijo, se aproximando do menor que estava distraído.
– Posso saber por que está me seguindo?
Sam sentiu todos os músculos de seu corpo tensionarem ao ouvir a voz de Harry. Ele se virou lentamente, encontrando Harry de braços cruzados o encarando com cara de poucos amigos. Sam ficou frustrado em ser pego tão depressa.
– E-Eu... é que... eu preciso falar com você.
– Jura? — falou Harry rindo em descrença. — E que horas você pretendia fazer isso?
Sam abriu e fechou a boca, sem ter o que dizer. Harry havia dado o xeque mate.
– Okay! Eu estava te seguindo! — emburrou-se o menor. — Mas eu preciso mesmo falar com você.
– Não antes de me dizer o porquê disso.
– Eu só queria saber se você ia se encontrar com ele — disse Sam entredentes. Era um pouco humilhante admitir aquilo.
– Ele quem? O Matt? — indagou Harry se divertindo com aquilo.
– Não, o papa.
Harry fechou a cara com a resposta do moreno, desistindo de ser ao menos simpático.
– Escuta aqui, você não tem o menor direito de sair por aí me seguindo, ok? O que eu tenho com o Matt não é da sua conta, se é sobre isso que quer conversar.
– É sobre isso sim! Você me julga, mas está aí, beijando outro cara já. Aposto que você já beijou ele logo depois que terminou comigo — dizia Sam num tom magoado.
– Você me traiu! Ainda estávamos juntos! Eu pelo menos tive a decência de terminar com você antes de fazer qualquer merda, não nos compare. E quer saber mais? Não fiquei só nos beijos com Matt. Transei com ele naquele mesmo dia — dizia Harry, num tom prazeroso, cheio de ódio.
Sam entreabriu a boca, chocado com a notícia recebida tão abruptamente.
– E transei duas vezes já, mais do que já fizemos, não?
– Por que tá fazendo isso? — indagou Sam com a voz mais baixa.
– Só estou mostrando pra você o que você fez comigo. Dói, não é?
Sam segurava o máximo a vontade de desabar na frente de Harry. Seus olhos começavam a embaçar, mas ele não derramaria uma lágrima.
– Então é esse o motivo disso tudo? Está usando o Matt pra me atingir? Você não tem vergonha de ser tão baixo?
– Não seja idiota, o Matt me ajuda a te esquecer. Ele gosta de mim. Talvez com ele na minha vida tudo se resolva.
– Ah é? E você me esqueceu?
Harry passou a mão nos cabelos num gesto de desespero.
– Por que ainda quer saber? Você não me traiu pra ficar com aquele imbecil? Não gosta dele? Então me deixa em paz!
– Eu não gosto do Chris!
– E por que beijou ele?!
– Eu não sei, eu... eu fiquei confuso! Eu sei que o que eu fiz foi muito, muito errado, ok? Eu me arrependo de ter feito isso, se eu ao menos gostasse mesmo dele ainda... mas não. Harry, eu t-
– Cala a boca — interrompeu Harry -, eu não quero ouvir mais nada.
– Mas eu...
– Me deixa em paz — suspirou Harry se afastando.
Sam o observava ir sem saber o que fazer. Harry não queria escutá-lo. Derrotado, Sam resolveu voltar para a universidade, mas ele não desistiria. Ele teria Harry de volta.
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