Crazy Bout' You
36 Capítulo 36 - Broken Strings
Notas iniciais
Sam encarava Chris com um semblante assustado. Aquilo tudo era errado, aquela confusão em sua cabeça não deveria existir, só Harry deveria existir, só o desejo pelo seu namorado, porque era o que ele era.
Chris tocou em sua nuca, fazendo seus pêlos se arrepiarem e uniu mais uma vez os lábios de ambos num beijo mais lento, mais provocante.
Aquele sim era um beijo pelo qual Sam daria tudo para conseguir no passado. Nem quando eles eram namorados Chris o beijara daquele jeito apaixonado, era extremamente perturbador e excitante. Sam colou seu corpo ao do maior, implorando por mais daquele contato. Ele sentiu as mãos quentes do maior levantarem sua camiseta do Star Trek. Ele não se lembrava de tê-la usado aquele dia, mas aquele era um detalhe banal que pouco lhe importava no momento. Sam deixou que sua camiseta fosse retirada e fez o mesmo com o loiro, suspirando ao ver o corpo musculoso de Chris que parecia bem mais em forma que no ensino médio.
Chris o deitou sobre a cama, abrindo com pressa o zíper da própria calça. Sam por algum motivo não estava assustado nem receoso e, por mais que tudo aquilo soasse bizarro em sua mente, seu corpo agia por conta própria, abaixando as próprias calças também, até que ambos encontraram-se só de cuecas.
Os dois voltaram a se beijar, sedentos pelo gosto um do outro. Sam arranhava a pele exposta das costas de Chris, enquanto o loiro massageava atrevidamente o membro do moreno por cima da cueca. A cada investida mais ousada, Sam fincava as unhas na pele quente com mais força, enquanto leves gemidos saíam de sua boca.
Um barulho foi audível na porta do quarto e Sam paralisou, assustado. Ele olhou para Chris que mantinha uma expressão serena e divertida.
– Não se preocupe, eu trouxe um convidado.
– C-Convidado? — indagou Sam sentindo seu coração acelerado.
– Pode entrar — disse Chris ao mesmo tempo em que Sam tapou a boca do loiro, incrédulo com a atitude.
– Tá maluco?!
Sam ouviu a porta se abrir e sentiu todo o seu corpo estremecer ao ver a figura meio tremeluzida de Harry entrar no quarto. Ele olhou desesperado para o seu estado, se vendo completamente nú na cama com Christopher Daniels.
Quando foi que eles tiraram as cuecas?
Sam levantou-se da cama encarando Harry de modo curioso. Ele esperava no mínimo que Harry ficasse chocado, mas Harry apenas os encarava de modo indiferente, enquanto fechava a porta do quarto cuidadosamente.
Sam franziu o cenho ainda mais confuso ao observar Harry começar a tirar as próprias roupas também. Harry não faria o absurdo que sua mente estava pensando, certo? Errado.
As mãos quentes de Chris voltaram a percorrer pelo seu corpo por trás, enquanto ele ainda observava Harry de modo atônito, ele queria dizer alguma coisa, mas estava chocado demais para falar.
Sam sentiu os lábios de Chris beijarem suas costas até sua nuca, enquanto ele sentia o membro excitado do loiro roçar em seu traseiro. Ele sentiu todo o seu rosto ficar quente, envergonhado por Harry estar assistindo tudo àquilo e mais envergonhado por Harry estar parecendo gostar do show.
Ele tentou dar um passo à frente para fazer Chris parar com tudo aquilo, mas o loiro o impediu, fechando a mão direita sob seu membro um pouco acordado, começando a massageá-lo.
Sam soltou um gemido rouco sentindo a aspereza da mão de Chris massageá-lo, mas o que realmente o havia excitado era Harry que agora se aproximava dele com aquele casual sorriso malicioso.
– O que... o que deu em vocês dois...? — indagou Sam, sentindo agora os lábios de Harry atacarem seu pescoço.
– Você não consegue se decidir — disse Chris.
Sam sentiu o membro do loiro agora começar a forçar entrada contra ele e por algum motivo ele não sentia a dor, só o prazer. Sam tentou conter o gemido, mas Chris investia com força contra ele.
– Então você terá os dois — completou Harry, dando um selinho nele antes de se ajoelhar e começar a chupá-lo.
– A-aah... vocês... aa-ah!
Sam desistiu de tentar entender e conter seus gemidos. Harry o sugava habilidosamente, cobrindo todo o seu membro com a boca. Sam podia sentir sua glande pulsando contra a garganta dele e sua mente se nublava submetendo-se ao prazer daquela sensação. Já Chris continuava as estocadas rápidas, ficando cada vez mais excitado. Os dentes do maior mordiam seu ombro pálido, enquanto a voz masculina preenchia o quarto de gemidos.
Sam apoiou a cabeça no ombro de Chris, chegando ao seu limite. Ele deu um gemido alto, chegando a seu orgasmo. Harry parecia decidido a engolir tudo e o moreno mordia os lábios enquanto seu prazer se prolongava.
Harry se levantou por fim, o encarando enquanto limpava a boca com as costas das mãos e Sam não pôde deixar de puxá-lo para um beijo que foi avidamente correspondido.
Chris parecia ter chegado à seu ápice enfim, e Sam sentiu-se finalmente mais leve quando o loiro saiu de dentro dele. Harry partiu o beijo assim que Chris se juntou à eles. Chris capturou os lábios de Sam dando continuação ao beijo e logo, numa absurda situação, os três davam um beijo triplo.
"Isso não é real" pensou Sam, cortando aquele beijo.
Tudo ficou cinza e a imagem dos dois ficava cada vez mais distante de sua visão até tudo ficar escuro e um lampejo de luz do sol acordá-lo.
– Sammy... Sammy!
Sam abriu os olhos, cobrindo o rosto do sol que a janela aberta da sala trazia.
– O que foi...? — falou bocejando.
– Você dormiu no sofá? — indagou Wade.
– Hm... sim.
– Por quê?
– Não aguentava mais o Chris.
– Se quiser eu dou um jeito nele.
– Não precisa — disse o moreno com um sorriso fraco -, mas obrigado mesmo assim.
Wade assentiu, indo até a cozinha e deixando Sam na sala. Uma noite de sono definitivamente não o ajudara em nada, o peso de suas ações na noite passada agora vinham com força em sua mente enquanto a culpa voltava a destruí-lo. Seu coração estava pesado e acelerado e tudo o que ele podia sentir era nojo. Nojo de si mesmo.
Aquele sonho bizarro também o deixava com raiva de si mesmo. Ele poderia muito bem sonhar apenas com Harry, mas sua maldita mente insana tinha de colocar Chris no meio daquilo, nem nos sonhos ele tinha paz, se é que aquilo poderia ser chamado de sonho considerando as circunstâncias.
Depois do beijo que ele e Chris deram, Sam sentiu uma terrível culpa assolá-lo e nada do que Chris dizia amenizava as coisas. Depois de ouvir tantas baboseiras do loiro, que alegava sentir alguma coisa por ele, Sam pegou cobertor e travesseiro, e rumou porta à fora, dormindo no sofá. Ele demorara um bom tempo até conseguir dormir, pensando em como aquilo era injusto com Harry, no quanto ele havia agido com o mesmo nível de covardia ou até pior do que Chris.
Sam respirou fundo, ouvindo passos descendo às escadas. Ele se sentiu aliviado em ver Hogun descendo junto com Chris, isso o pouparia de qualquer conversa que o loiro quisesse ter em particular com ele. Sam aproveitou o momento para subir às escadas e se arrumar em seu quarto com a porta trancada, demorando enquanto sua mente o torturava por suas ações.
Ao colocar a mochila no ombro direito, Sam abriu a porta do quarto pronto para ir à aula, mas paralisou ao encontrar Chris apoiado na parede, com os braços cruzados enquanto provavelmente o esperava sair.
– Não vai comer nada?
– Não estou com fome — disse Sam tentando sair dali, mas Chris colocou-se em sua frente o impedindo de passar.
– Acho que temos uma conversa pendente, não?
– Eu não tenho nada pra falar com você, agora será que dá pra dar licença?
– Não, não dou! Para de ficar me evitando porque isso já está ridículo! Aceita logo que me correspondeu e ponto.
Sam arqueou a sobrancelha, sorrindo ironicamente.
– E só por causa disso acha que eu estou a fim de você? Me poupe.
– Sim, eu acho. Pra você isso era importante, ou já se esqueceu?
– Acho que ainda não entendeu que você destruiu o que eu era. Eu não acredito mais em você, não importa quantas vezes você tente me beijar! — exclamou o moreno, empurrando o loiro e descendo às escadas.
Sam correu até a porta da república, abrindo-a e saindo para fora. Ele respirou fundo, sentindo seu estômago embrulhar, ele achava que não existia sensação pior do que aquela até ele levantar a cabeça e ver a figura de Harry vindo em sua direção.
– Você está bem? Está passando mal? — indagou Harry, preocupado.
Sam não aguentou sustentar o olhar por muito tempo, abaixando a cabeça e assentindo.
– Eu só... só não tomei café.
– Tá com fome? Eu posso...
– Não — interrompeu o menor -, está tudo bem.
Harry apenas deu de ombros, colocando o braço por cima dos ombros do menor.
– Vamos, eu te levo até a sua sala.
– Não está atrasado? — perguntou Sam, tentando se livrar de Harry. A presença dele o massacrava.
– Como se eu ligasse pra isso — riu o maior o acompanhando por fim.
Sam ficou calado o caminho inteiro. Harry tentava puxar um assunto ou outro sobre mais matérias que havia lido sobre os dois na internet, mas o moreno estava aéreo demais para prestar qualquer atenção. O braço de Harry sobre seus ombros o incomodava tanto que pareciam estar em brasa. Ele não conseguia ficar tão perto do maior lembrando-se da burrada que havia feito na noite anterior. Ele precisava contar, ou explodiria de tanta culpa. Harry não merecia que ele escondesse aquilo, Harry merecia a verdade.
– Tem certeza que está bem? Tá tão calado...
– Harry... e-eu preciso te dizer uma coisa...
– Diga.
Os dois já estavam se aproximando da sala do moreno e Sam achou melhor não jogar toda aquela informação assim do nada, seria melhor prepará-lo primeiro.
– Quando as aulas acabarem me encontra na Aesir, eu preciso te dizer uma coisa muito séria.
Harry arqueou a sobrancelha, desconfiado.
– O que o Daniels fez com você? — disparou.
Sam paralisou, engolindo em seco. Seus músculos estavam tão tensos que chegava a doer.
– Depois, Harry, depois — disse rapidamente, adentrando à sala sem dar uma chance para Harry responder.
Harry continuou a observar o ponto vazio onde Sam se encontrava há poucos segundos. Sua cabeça começava a trabalhar, tentando desvendar o que Sam queria dizer à ele. Apesar da possibilidade de um término vindo no menor, ele não via um motivo real para isso, a não ser que Sam estivesse assustado com a mídia. Porém algo lhe dizia que o assunto era bem mais complexo do que simples papparazzis, e tinha nome e sobrenome. Christopher Daniels.
Apesar de amar suas aulas de Filosofia, Sam não conseguira prestar atenção às explicações de seu professor. Sua mente não parava de bolar mil e uma maneiras de contar à Harry sobre a traição. Traição. Aquela palavra o assustava. Ele nunca imaginara estar numa situação como aquela, traindo uma pessoa que tanto gostava.
Depois de começar a anotar em seu caderno as possíveis reações de Harry, ele parou para analisar suas anotações.
"Reação nº 1: ele irá entender, afinal já fizera isso antes com certeza e Chris era um bastardo gato.
Reação nº 2: ele irá gritar, bater em Chris, terminar e dizer o quão filho da puta ele era, e um hipócrita também.
Reação nº 3: ele ficará decepcionado, magoado e irá terminar."
Sam temia mais a última reação. Seria melhor ouvir um rápido perdão, por mais absurdos que fossem os motivos, ou ouví-lo gritar e extravasar a raiva nele, do que enxergar nos olhos de Harry a mágoa e a decepção.
Sam abaixou a cabeça sob o caderno, desistindo de vez de tentar prestar atenção na aula. Ele apenas aconchegou a cabeça sob os braços cruzados, apoiados à carteira e fechou os olhos.
Pareciam ter se passado cinco minutos desde que caiu no sono, mas Sam foi acordado por um colega de turma que o sacudiu alegando ser hora do almoço. Sam agradeceu, aliviado por não ter sido o professor que com certeza lhe daria um sermão, mas seu alívio logo se dissipou dando lugar ao pânico. Estava na hora de dizer tudo à Harry.
Sam saiu do prédio à passos lentos, tentando adiar ao máximo aquele momento. Ele pensava quais palavras usar e quantas vezes deveria pedir desculpas. Nunca seria o suficiente, ele sabia, nada justificava o quão irresponsável e fraco havia sido.
Ele começava a ficar próximo a república, aflito e com a garganta apertada até que avistou Harry já em frente da mesma, sentado, esperando por ele.
– Está há muito tempo aí? — perguntou Sam.
– Não fui pra aula.
– O quê? Tá aí desde que te disse pra me esperar? — indagou incrédulo.
Harry assentiu, se levantando.
– Você me deixou nervoso, não ia conseguir assistir aula nenhuma.
Sam se sentiu ainda pior depois daquela declaração, se é que aquilo era possível. Ele apenas limitou-se a puxar a mão de Harry e o levar para dentro da república.
– Isso tem que ser rápido, não quero que os outros nos ouçam e logo eles voltam do refeitório — disse Sam fechando a porta ao entrar e subindo às escadas, levando Harry até seu quarto.
Harry ficou nervoso com todo o desespero visível no rosto de Sam. Assim que o moreno fechou a porta do quarto, ele virou-se o encarando com um semblante de culpa estampado no rosto.
– E-eu não sei bem como te dizer isso...
– Sam... — sussurrou Harry já ofegante, ele estava começando a adivinhar.
– Depois que nos despedimos noite passada eu fui pro quarto — começou. — Chris estava jogando algum jogo no celular, mas logo quando me viu começou a me encher a paciência se metendo na minha vida, falando do quanto estou errando de novo ao ficar com você.
– Eu mato ele! — disse Harry entredentes.
– Ele disse que eu ainda gostava dele. — contou Sam, fechando os olhos — Não te disse porque tive vergonha, mas uma vez ele chegou muito perto e... eu quase cedi, me desculpe.
– O quê?
Sam apertou os olhos tentando ignorar o tom de voz incrédulo de Harry, continuando:
– Depois disso Chris botou na cabeça que eu ainda gosto dele. Ontém ele me encurralou na porta do quarto e me beijou.
Sam abriu os olhos vendo o rosto impassível de Harry. Ele estava sério, sério até demais.
– E o que você fez? — indagou num tom seco, enfatizando o "você".
Sam pôs as mãos no rosto, secando algumas lágrimas que insistiam em embaçar seus olhos e seu óculos.
– Eu correspondi...
– E você gostou? — questionou Harry agora num tom um tanto irônico.
– Que tipo de pergunta é essa?
– É só uma única pergunta que pode mudar tudo, só isso! — dizia Harry aumentando seu tom de voz.
Sam notou o tremor na voz do maior. Havia falhado alguns tons, ele provavelmente estava guardando uma possível explosão, ou pior, um choro.
– Eu não sei.
– Não mente pra mim — cuspiu Harry, ficando furioso.
– Não estou mentindo! Eu não sei o que tá acontecendo comigo!
– Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? — sorriu Harry desesperadamente. — Eu tive tanto trabalho pra conquistar você, te fazer confiar em mim, esquecer o que aquele... aquele imbecil fez com você, pra no final ele voltar e te fazer rastejar por ele de novo em dois tempos.
– Isso não é verdade...
– Ah não? — indagou Harry fingindo sentir pena. — Então beijou ele por quê? Acorda, Sam! Alguma coisa você sente por ele! Você me traiu!
Sam começava a acreditar que Harry só ficaria revoltado até aquele momento. Harry se sentou na cama cobrindo o rosto com as mãos, enquanto tentava respirar normalmente. Sam arriscou chegar perto dele, mas Harry logo se levantou, afastando-se e ficando de costas para o moreno.
– Eu devo merecer isso, não é? Já fiz isso com algumas garotas, só não sabia que era tão doloroso.
– Harry...
– Eu arrisquei tudo, Sam, tudo. Você consegue entender isso? Eu te... — suspirou — eu te amo.
Harry pôde ouvir Sam começar a chorar depois de dito aquilo. Ele não iria tentar amenizar nada, estava muito machucado, queria que Sam também sentisse aquilo. Logo ele também pôde sentir lágrimas quentes caírem por seus olhos, mas ele sorriu surpreso com aquilo. Surpreso com o quanto Sam mexia com ele a ponto de fazê-lo chorar.
Quando Harry se virou, Sam pôde ver o estrago que havia feito. Os olhos marejados de Harry não eram nem de longe comparados ao olhar magoado e ferido que ele lhe lançava.
– A gente acaba aqui — disse Harry.
– Não! Harry, por favor... me desculpe!
– Não posso te desculpar se eu sei que você vai fazer de novo. Você pode não entender, mas eu entendo. Você gosta dele, isso ainda não acabou e nem sei se vai, não quero que se sinta obrigado a ficar comigo.
– Mas eu não me sinto obrigado, caramba! Eu cedi, mas, seja o que for que eu sinta por ele, sequer chega aos pés do que eu sinto por você!
– Chega, Sam, eu não consigo nem olhar pra você — disse Harry num tom de desprezo.
Sam segurou o pulso de Harry antes que ele saísse do quarto.
– Não me deixa... por favor — sussurrou.
– Também não quero ter um namorado que esteja dividido, eu nem sei ao certo o que você sente por mim. Pra falar a verdade, perdi toda a confiança em você. Agora me solta!
Com muita relutância, Sam o soltou. Harry saiu do quarto e bateu a porta com força, fazendo Sam se sentar na cama imediatamente e se encolher, enquanto chorava. A dor que sentia era maior que qualquer outra já sentida antes, maior do que a dor de ser enganado por Chris e ele sabia muito bem o motivo. Apesar de nunca ter dito com palavras, ele amava Harry.
oOo
– Tudo bem, o que você acha que é isso?
Wade olhou a mancha na folha, inclinando a cabeça exageradamente para o lado direito, tentando entender o desenho.
– É um sapo-borboleta mutante?
– Não... é um esquilo.
– Fala sério, Petey, por que tá fazendo isso? Eu já sou diagnosticado com esquizofrenia — falou o loiro revirando os olhos.
– Só estava testando — disse Peter dando de ombros.
– Eu não vou melhorar, se é o que você pensa.
– Você é muito negativo.
– Sabe que eu já tô me acostumando com as vozes? Elas nem me pertubam tanto.
– Não pense que isso vai te livrar da terapia — avisou Peter autoritário.
– Com o tanto que você continue sendo o terapeuta — disse o loiro num tom malicioso.
Peter balançou a cabeça em negação, sendo rapidamente agarrado pelas mãos de Wade que o fez se deitar em sua cama.
– Wade... o Harry pode chegar...
– Ele deve tá com o Sammy — falou Wade depositando beijos pelo pescoço de Peter que mordeu o lábio inferior, cedendo.
Wade se ajeitou entre as pernas de Peter, se animando, mas antes que ele pudesse pensar em tirar as roupas do namorado, Ian entrou no quarto sem bater.
– Opa!
Peter sentou-se rapidamente, se afastando numa distância considerável de Wade.
– Que droga, hein! — resmungou o loiro.
– Foi mal, é que o Loki comprou algumas pizzas e eu vim perguntar se vocês não querem.
– Pizza? Claro! — disse Wade levantando-se imediatamente.
– Mas acabamos de almoçar — constatou Peter.
– Almoça de novo, é pizza!
– Vão lá então, depois eu desço, tenho que mandar uma mensagem pro Matt.
– Vai chamar ele de novo? — indagou Wade num tom nada satisfeito.
– Sim, ele é meu amigo — enfatizou Peter. — E quando ele chegar é pra você sair, quero falar com ele sobre esse cara que ele gosta e ele não vai me contar nada com você aqui.
– Só se você me falar quem é depois.
– Eu falo se ele deixar eu falar, agora vai lá comer sua pizza.
Wade bufou, saindo do quarto à resmungos.
oOo
– Mais uma, por favor.
– O senhor não acha que já bebeu demais? — indagou o barman, colocando mais uma dose de whisky no copo.
– A sua função é servir seus clientes, então cala a boca e me obedeça — disse Harry num tom grosseiro.
Depois de sair da Aesir, Harry andou por muito tempo pelo campus, pensando em tudo o que havia acontecido em apenas um dia. Ele estava chocado. Em hipótese alguma ele imaginara ser traído por Sam. Depois de tudo o que Chris havia feito com ele, o mínimo que ele esperava era desprezo.
Apesar de sentir ciúmes desde a chegada do loiro, ele sabia que Sam tinha princípios e, acima de tudo, orgulho. Ele confiara no moreno, confiara que ele suportaria viver no mesmo teto que Chris, mas ele havia cedido tão rápido. Harry ainda não conseguia acreditar, aquilo não era do feitio de Sam. Quem era Samuel White afinal?
Harry começara a sentir uma forte raiva de Sam e tudo o que ele queria era sumir, então resolvera sair da universidade, entrando no primeiro bar que encontrara e começando a encher a cara, era afinal o que ele fazia de melhor.
– Mais uma — pediu Harry.
O barman o olhou com um semblante preocupado, enquanto enchia mais uma vez o copo.
– Onde estão os seus pais, garoto?
– Já sou maior de idade — falou Harry, virando o copo de whisky em seguida.
– E o que te levou até aqui?
– Minhas pernas? — disse Harry num tom irônico.
– Quem te magoou? — indagou o barman sendo direto.
Harry fechou a cara, pegando a garrafa de vidro das mãos do barman e enchendo bastante o próprio copo.
– Isso não é da sua conta.
O barman balançou a cabeça em negação e logo se afastou indo atender outro cliente.
Harry se ajeitou sob o balcão, passando a beber direto da garrafa, ele queria ficar bêbado o suficiente para esquecer de tudo, até mesmo de si próprio.
– Harry.
Harry paralisou ao ouvir aquela voz autoritária. Ele virou-se vagarosamente implorando que fosse coisa da sua cabeça, mas ele estava ali, atrás dele, com um celular a mostra onde havia uma das matérias sobre sua homossexualidade.
– Pai? Como foi que me achou?
– Não foi muito difícil, considerando que pedi para dois seguranças te seguirem desde que soube desse absurdo! — falou Norman, apontando a tela do celular com desgosto. — O que significa isso, Harold?
– É a verdade — disse Harry dando de ombros. Já estava tão bêbado que pouco se importava com o que seu pai pensava dele.
– Se isso é algum jeito de chamar a minha atenção...
– Eu não preciso da sua atenção, só preciso do seu dinheiro! — rebateu. — E sim, eu também gosto de homens, são bem mais interessantes pra transar, sabia? — provocou.
Harry sorriu ao ver seu pai ficando vermelho de tanta raiva, era engraçado provocá-lo.
– Onde ele está? — indagou Norman entredentes.
– Pra quê? Pra você suborná-lo a se afastar de mim como fez com algumas modelos?
– Elas iriam arrancar todo o meu dinheiro. Você é estúpido Harold, estúpido e ingênuo. Eu espero que você pare com isso, vai arruinar a nossa imagem! Não me importo se isso é uma fase, quero que pare já!
– Você não me leva a sério mesmo, não é? Não é uma fase, é a realidade. Eu estou apaixonado por ele como nunca estive por ninguém.
– Pare já de dizer isso! — exclamou Norman o segurando pelo braço enquanto o tirava daquele bar.
Harry se deixou ser levado, já que não tinha forças para se livrar do aperto forte de seu pai. Ele o levou até o carro onde Harry praticamente se jogou no banco, encostando a cabeça no vidro escuro da janela.
– Para Columbia, Louis — disse Norman ao motorista. Ele se sentou no banco de trás ao lado de Harry, ainda furioso com tudo aquilo. — Quem é ele? Peter Parker?
Harry deu uma risada fraca.
– Não, mas eu já peguei ele também.
Norman olhou incrédulo para o filho, que parecia se divertir às suas custas, como sempre.
– Não precisa se preocupar quanto à isso, nós terminamos — disse Harry dando um suspiro.
– Ótimo, e eu espero que você não volte a fazer isso.
– Qual o problema em eu ser gay?
– Você não é gay.
– Tudo bem pai, pode se iludir se quiser, mas saiba que você não tem nenhum direito sobre o meu pênis e a minha bunda.
– Harold! — exclamou Norman.
Harry riu, descontroladamente, sentindo uma necessidade gigantesca de curtir mais com a cara de seu pai.
Louis finalmente parou o carro, chegando à Columbia. Harry não pensou duas vezes antes de abrir rapidamente a porta e sair.
– Ótima conversa! Tchau! — disse Harry indo até portaria enquanto seu pai berrava mais alguma coisa que ele não estava nem um pouco a fim de prestar atenção.
oOo
No Vórtex, Peter tentava convencer Matt a contar de quem ele gostava, mas era frustrante, pois toda que ele avançava algum passo, Matt o fazia voltar à estaca zero.
– Eu juro que não conto pra ninguém! Por favor... — implorava Peter.
– Peter eu estou tentando esquecer isso, me entende? Pra isso eu preciso que você desencane desse assunto.
– Mas quem sabe eu possa te ajudar?
– Mesmo que você tentasse, não dá, é impossível.
– Mas é um homem, certo?
– Certo.
– Eu conheço, certo?
– Sim.
– Ele estudava com a gente?
– Chega — interrompeu Matt.
– Ah, está vendo? Você não me deixa nem adivinhar!
– Eu não vou nem discutir... — riu Matt.
– Você não confia em mim?
– Chantagem emocional? Eu já te disse meus motivos.
– Pois é, acontece que eu não vou parar de falar nisso até você me contar.
– Você está parecendo o seu namorado.
– Não, isso já é questão de honra, eu já respeitei seu silêncio por tempo demais, você não pode me esconder uma coisa tão importante assim.
Matt suspirou, gemendo em frustração.
– Peter, eu também tenho vergonha.
– Por quê? Ele é tão ruim assim?
– Não, mas ao mesmo tempo é.
– Você vai me contar ou não? Tem sempre o amanhã pra eu te encher — disse Peter dando de ombros.
Matt pôs as mãos ao rosto num gesto de desespero. Ele respirou fundo e resolveu despejar tudo logo. De qualquer maneira, Peter não o deixaria em paz e, quem sabe depois de contar, ele não o entenderia?
– A porta está trancada? — indagou Matt.
– Não, tá um pouco aberta, mas não se preocupe, acho que Harry está com o Sam por aí. Wade levou Ian pra jogar videogame na Aesir e Loki saiu pra ver o Thor. Não tem ninguém aqui.
Matt assentiu, meio nervoso.
– Eu acho que gosto dele desde sempre, só nunca notei que era "gostar" entende? Eu achava que era só vontade de ser amigo dele, mas era mais do que isso. Apesar da nossa relação não muito amigável.
– Espera...! — interrompeu Peter tão nervoso quanto Matt. Ele encarou o amigo com um semblante surpreso, já adivinhando o que viria a seguir.
– É Peter, eu gosto do Harry.
Os lábios de Peter se abriram formando um perfeito "O", enquanto algo do outro lado da porta pareceu ter caído no chão.
– O que foi isso? — indagou Matt.
Peter olhou para a fresta da porta, paralisando no mesmo instante. Harry estava de pé, encarando Matt tão chocado quanto ele. Harry havia escutado boa parte da conversa.
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