Crazy Bout' You

37 Capítulo 37 - Perfect Crush


Notas iniciais
Matt é maior que o Harry? É. Matt é mais em forma que o Harry? É. Matt tem cara de ativo? Tem. Mas isso serve pro Harry? NÃO! Começo essas notas dizendo que ninguém nesse mundo vai me fazer imaginar o Harry sendo passivo (pelo menos o meu, já que o do TASM 2 é uma verdadeira passiva msm). O Matt pode até ter um porte meio ativão, mas ele não passa de um "ME NOTA SENPAI, ME NOTA" Ps1:. Título do capítulo tirado da música Perfect Crush da Kerli. Ps2:. O capítulo tem alguns flashbacks e eles começarão e terminarão a partir das "aspas" (me desculpem, mas tô pelo celular, não dá pra colocar em itálico aqui). Tenham uma boa leitura ^^

Peter prendeu a respiração não sabendo o que fazer. Matt sentiu o ambiente ficar hostil e uma terceira presença no local. Ele não ficaria surpreso se fosse Harry quem estivesse ali, julgando o nervosismo de Peter. O problema mesmo era o que ele faria se realmente fosse.

Harry fez sinal para que Peter fosse até ele e o moreno negou com a cabeça, fazendo sinal para que Harry fosse embora, mas Harry ameaçou entrar no quarto e Peter logo se levantou.

– Matt eu já volto — disse Peter indo até o corredor.

Peter sentiu o cheiro de bebida assim que se aproximou de Harry, notando o estado deplorável do amigo.

– O que aconteceu com você? — indagou, preocupado.

– Terminei com o Sam — respondeu num tom sombrio.

– O quê? Por quê?

– Ele me traiu com o Daniels.

Peter arregalou os olhos, chocado.

– Não é possível...

– Ele mesmo me disse, e quer saber? Foi melhor assim, me poupou de assumir uma pessoa que agora percebi mal conhecer.

– Ele deve ter ficado confuso, Harry.

– Não defenda ele, Peter.

– Só tô tentando entender.

– Então entenda o meu lado! Ele é um... um idiota! Eu o odeio e, como meu melhor amigo, você deve me apoiar!

– Chega, Harry, você tá bêbado, nem tá pensando direito.

– Eu estou ótimo — bufou Harry, quase caindo ao ajeitar-se contra a parede.

– Estou vendo. Como conseguiu andar na rua assim?

– Meu pai me trouxe de volta.

– Seu pai? — surpreendeu-se Peter. — Como assim?

– Ontém eu saí com o Sam na rua, de mãos dadas e essas coisas. Eu estava pronto pra contar isso pro mundo, mas depois que o trouxe ele me traiu com o Daniels e hoje meu pai veio tirar satisfações sobre as notícias na internet.

– Não acredito que fez isso...

– Fiz — deu de ombros -, não tô nem aí pra ele.

– Harry, eu preciso voltar.

– Hã-hã — disse Harry segurando o braço de Peter. — Você sai. Quero falar com ele.

– O quê? Nem pensar!

– Por quê? Que eu saiba o assunto é entre eu e ele agora.

– Você ouviu coisas que nem era pra você ouvir! — falou num tom acusatório. — Além do mais, você está bêbado. Vai pro quarto do Loki, sei lá, mas fica longe do Matt.

– Escuta aqui, já chega de proteger seu bebezinho, tá bom? Se quiser que eu saia, vai ter que me arrastar daqui — desdenhou Harry cruzando os braços.

– Ótimo! — disse Peter puxando a gola da camiseta de Harry, pronto para arrastá-lo pelos corredores.

– Será que dá pra vocês pararem? — falou Matt na porta do quarto. Ele havia escutado a conversa toda, já que os dois não tinham o menor senso de discrição.

– Mas...

– Tudo bem, Peter, eu falo com ele — disse Matt.

Peter arqueou a sobrancelha um pouco surpreso com a calma de Matt. Na verdade, desde que ele o reencontrara, Matt mantinha uma calma descomunal com as coisas ao redor, até mesmo depois de apanhar de Wade. Ele só havia perdido a compostura de verdade no dia seguinte da briga, quando Harry o provocara, e, se somente Harry conseguia o fazer perder a paciência, Peter não achava sensato os deixarem a sós.

– Não ouviu? — indagou Harry com um sorrisinho cínico.

Peter grunhiu, sentindo uma vontade enorme de bater em Harry. Ele sempre ficava um mala depois de beber muito.

– Tem certeza? — indagou Peter ainda incerto. — Eu posso ficar lá na sala, ou aqui mesmo se quiser.

– Tá tudo bem, Peter — afirmou Matt.

– É, vai lá ver seu namoradinho — disse Harry -, e mande lembranças ao Sam por mim.

Peter balançou a cabeça em negação, mas ir conversar com Sam realmente não era uma má ideia. Aquele término ainda era muito estranho pra ele.

Depois que Peter foi embora, Matt voltou a entrar no quarto sendo seguido por Harry. Sentou-se na cama de Peter, esperando que Harry o zoasse, se vangloriasse ou qualquer coisa do tipo, mas ele ficou em silêncio por um bom tempo.

Harry estava numa confusão interna tentando entender aquilo. Para ele faria muito mais sentido que Matt nutrice sentimentos por Peter, mas por ele? Por que ele? Ele nunca gostara do moreno. Será que Matt era masoquista?

– Fez toda essa confusão com o Peter pra ficar me encarando? — indagou Matt sentindo o peso do olhar de Harry.

– Por quê? — perguntou Harry, ajeitando-se ao lado de Matt. Ficar em pé já estava o deixando tonto, se não sentasse cairia no chão com toda certeza.

– Também gostaria de saber — Matt sorriu fracamente -, você é a pior pessoa que eu conheci na vida.

Harry arqueou a sobrancelha, começando a duvidar do que ouvira há minutos atrás.

– Pelo menos comigo você faz questão de ser assim.

– Não tenho culpa se você é um metido a coitadinho que quer toda a atenção do Peter pra você.

– Está vendo? Você é muito infantil, e um cego também, bem mais que eu.

– Só porque eu não notei? Meio difícil com você na cola do Peter.

– Você sabe muito bem que isso é coisa do Peter, eu mesmo já tentei pedir a sua ajuda pra fazer o Peter ser menos protetor já que ele não me ouvia, e o que você fazia? Me ignorava como sempre e me odiava ainda mais.

– Achei que você estivesse zoando com a minha cara.

– Nem todo mundo é como você.

Harry suspirou, se lembrando desse dia em particular. Eles tinham uns onze ou doze anos se ele não se enganava, e Matt parecia realmente aflito, mas o ciúme que ele sentia realmente o cegara, o fazendo pensar que aquilo era uma maneira de Matt jogar na cara dele que Peter preferia ele.

– No meu primeiro dia de aula a primeira pessoa que eu realmente quis ser amigo foi você — disse Matt.

– Eu lembro — sorriu Harry -, você estava assustado com o Peter.

"Matt estava sentindo-se um tanto sufocado com Peter. Desde que havia chegado a escola nova, a diretora havia decretado que Peter o ajudaria a conhecer o lugar, e quem sabe, como colega de turma, fosse seu amigo. Matt havia gostado de saber que alguém estava disposto a ser seu amigo, mesmo com ele sendo cego, não era uma tarefa muito fácil e ele sabia, já que ainda tentava se acostumar com a nova condição.

Depois de se apresentarem e contarem parte de suas histórias um para o outro, Matt começou a se irritar com a proteção exagerada de Peter. Ele segurava seu braço com força e cuidado, como se fosse feito de vidro. Toda vez que alguém chegava perto deles, Peter quase berrava um "cuidado", e também insistia avidamente que ele retirasse seu óculos escuro.

Na sala de aula, Peter o apresentou à Harry, mas eles mal trocaram palavras, começaram a conversar mesmo na hora do recreio. Harry havia pedido para que Peter pegasse os lanches e Matt respirou mais aliviado ao sentir Peter se afastar.

– Ele levou mesmo a sério isso de guia, né? — brincou Harry.

– Muito — riu Matt -, é bom poder ficar livre uns instantes.

– Não esquenta, eu falo pra ele pegar mais leve depois.

– Valeu.

– Mas e então, você é de Hell's Kitchen, né?

– Sim.

– Por que se mudou?

– Meu pai morreu e eu não quis ficar mais lá.

– Ah... sinto muito.

– Tudo bem.

Matt e Harry ficaram conversando algum tempo sobre família e Matt descobriu que assim como ele, Harry também não tinha mãe, e apesar de ter um pai, ele era totalmente ausente. Apesar de Peter também ter perdido os pais, ele tinha o carinho dos tios e era como se ele não os tivesse perdido. Já Harry parecia bem infeliz na casa dele, e Matt se identificou com a tristeza, já que, apesar de viver com o tio, a falta que sentia de seu pai era devastadora.

Depois daquela conversa melancólica, Matt sentiu uma grande vontade de se aproximar de Harry, ser amigo dele e ajudá-lo a ser uma pessoa mais alegre, pois por mais que ele fizesse piadas, Matt enxergava e compreendia a tristeza que havia dentro dele.

É claro que depois de Matt tentar puxar mais assuntos com Harry, Peter apareceu com os lanches, voltando a dar uma exagerada atenção à ele. Matt notou que Harry começava a se sentir desconfortável com o jeito que Peter o tratava e passou a ser hostil com ele no final das aulas.

– Hey, Matt, amanhã eu e o Harry vamos almoçar lá em casa, tia May vai fazer lasanha, você quer ir?

Matt achara a ideia interessante, mas antes que pudesse responder, Harry respondeu por ele.

– Melhor não, Matt não vai te aguentar por mais tempo.

– Como assim? — indagou Peter.

– Ele não quer — disse Harry num tom de voz cortante -, e você não deveria convidar desconhecidos para a sua casa, Peter.

– Matt é nosso amigo agora, Harry, para de implicar com ele.

– Fale por si — falou Harry simplesmente antes de sair andando, indo até o motorista que o esperava.

Daquele dia em diante, toda vez que Matt tentava uma aproximação, Harry agia grosseira ou cinicamente com ele, deixando Peter ainda mais zangado, o que desencadeava ainda mais ódio de Harry por Matt."

– Como o aguentou todo aquele tempo? — indagou Harry.

– Acabei me acostumando com o jeito protetor, realmente me salvou bastante dos valentões, mas Peter amadureceu bastante com o tempo, ele é um cara muito legal, não tem como não gostar dele.

– E quando percebeu? Que... gostava de mim.

Matt se remexeu na cama, fingindo ajeitar-se melhor quando na verdade era uma ação de puro nervosismo.

– Acho que foi na oitava série, na sétima eu havia descoberto, mas fiquei em fase de negação. Acreditava que eu estava confuso e que aquilo logo passaria, mas na oitava que confirmei o que eu sentia e acabei me conformando.

– Então gostou de mim por todos esses anos? — indagou Harry, surpreso.

– Não exagera, depois que saí daquela escola tive alguns relacionamentos no médio, e acredite, eu esqueci da sua existência, mas quando vim pra cá e soube que você estudava aqui... — Matt suspirou, frustrado — tudo veio à tona.

Harry se levantou, indo até seu armário e pegando algo que escondia atrás de suas roupas. Matt ouviu o barulho de vidro batendo contra a madeira do armário.

– O que é isso?

– Whisky, eu guardo uma garrafa aqui atrás. Me lembrei dela agora, isso tudo é muita coisa pra eu digerir em menos de uma hora — disse Harry abrindo a garrafa e ingerindo boa quantidade da bebida forte. — Você quer?

Matt estendeu a mão, aceitando. Ele não costumava beber muito, mas, considerando o fato de que ele estava ali, contando absolutamente tudo o que sentia pro próprio Harry Osborn, era demais pra ele; talvez beber um pouco afastaria seu nervosismo.

Harry arqueou a sobrancelha ao observar Matt beber o whisky, geralmente as pessoas não aceitavam quando ele oferecia bebida. Talvez pelo fato dele estar cercado de pessoas metidas a certinhas, mas Matt também era uma delas.

Matt sentiu certa tontura só com dois goles, então devolveu a garrafa a Harry, resolvendo parar por ali.

– Acho melhor eu ir — disse Matt.

– Jura? — indagou Harry dando mais um gole da bebida antes de depositá-la sobre uma mesinha. — Você me conta isso tudo e não vai tentar nada?

Matt franziu o cenho, meio incrédulo e confuso.

– Você... você acabou de terminar um relacionamento.

– E você conhece o Sam por acaso?

– Não.

– Então não vejo o por quê de você precisar ter um pingo de respeito por ele.

– Mas você...

– Eu tô ótimo! — falou Harry com uma voz arrastada.

– Olha, você está bêbado, eu realmente preciso ir — disse Matt se levantando.

Harry se levantou, puxando a mão de Matt e o impulsionando de volta. Matt se assustou com o impulso repentino, sentindo seu corpo bater contra o do outro e lábios tomarem os seus, enquanto mãos seguravam sua cintura.

Matt sentiu seu corpo ser virado bruscamente enquanto suas costas encostavam no macio do colchão da cama. Percebeu Harry retirando os seus óculos e começando a beijar seu pescoço habilidosamente. Ele ainda estava tentando processar tudo aquilo enquanto a língua de Harry perpassava por sua pele vagarosamente. Podia muito bem parar com tudo aquilo, é claro, era mais forte do que Harry, mas seria burrice, certo? Ele estava ali! Harry Osborn estava solteiro e disposto a correspondê-lo, aquilo talvez nunca mais aconteceria de novo, então por que não aproveitar?

Harry tinha a mente completamente nublada, não tinha forças para pensar no que estava fazendo, só queria muito transar com Matt, talvez por raiva de Sam ou até de si mesmo por não ter notado o que o moreno sentia, e não importava o quanto seu coração doía ao lembrar-se de Sam. Naquele momento Matt era dele.

– Espera... — disse Matt empurrando de leve o peito de Harry, o afastando um pouco.

– Ah não, lucidez agora não, Murdock — resmungou Harry voltando a beijá-lo.

Matt o afastou novamente, rindo um pouco da pressa de Harry.

– Eu só quero fazer uma coisa antes — falou Matt.

– O quê? — bufou Harry, impaciente.

Matt levou as duas mãos ao rosto de Harry, começando a percorrê-las lentamente pelas bochechas, nariz, cabelo, sobrancelhas e boca.

"- Peter, como é o Harry? — indagou Matt.

– Quê? — disse Peter, meio distraído enquanto andava pelos corredores.

– Perguntei como o Harry é.

– Por que isso agora? — questionou Peter, confuso. — Em cinco anos você nunca quis saber disso.

– Só curiosidade — afirmou Matt dando de ombros.

– Bem... — começou Peter, pensando em como dizer. — Ele é magro, tem o cabelo bem liso e um penteado bem ridículo — riu.

– Que cor é o cabelo dele?

– Castanho, mas às vezes clareia, como se fosse um loiro escuro. A pele dele é bem clara e os olhos são azuis claros.

– Ele parece bonito.

– É, ele é — disse Peter dando de ombros -, mas por que queria saber?

– Ah, sei lá, em cinco anos eu nunca soube como ele é, é estranho pra mim não conhecer as pessoas direito. E do jeito como ele me odeia, nunca deixaria eu ver com as minhas mãos.

– Realmente, mas não liga pra ele, isso tudo é infantilidade. Um dia ele vai se arrepender de ser tão injusto com você."

Harry ficou o tempo todo parado, lembrando-se de quando ele via Matt fazer aquilo com Peter. Ele achava completamente ridículo na época, mas vendo por outra perspectiva era a única maneira que o moreno tinha de enxergar as pessoas. Matt gostava dele mesmo nem o conhecendo fisicamente, mesmo sendo tratado mal como ele o tratava.

– Desculpe — pediu Harry espontaneamente.

– Pelo quê?

– Sei lá, por tudo. — Harry deu de ombros.

– Nunca pensei que viveria pra ouvir isso de você — zombou.

– Cala a boca, eu tô bêbado — disse Harry.

Matt riu, sendo calado pelos lábios de Harry que tinha o gosto do whisky e o beijava com pressa. Matt deixou que Harry retirasse apressado suas roupas, jogando-as no chão.

– Você mudou demais, Murdock — comentou Harry hipnotizado com o corpo bem delineado de Matt. Ele tinha tudo no lugar, até mesmo um abdômen definido.

Matt sentia seu coração bater forte com o peso do olhar de Harry sobre si, ele já podia sentir seu rosto se esquentar de vergonha, mas Harry pareceu não notar já que não havia feito nenhum comentário zombando.

– Vire-se — disse Harry.

Matt engoliu em seco, obedecendo. Ele nunca havia feito aquilo com um homem antes, Harry havia sido o único cara do qual ele nutria sentimentos.

Harry começou a tirar as próprias roupas, se atrapalhando e ficando tonto ao retirar a camiseta. Maldito whisky, sempre o deixava tonto. Após tirar a cueca e se livrar de quaisquer resquício de tecido, Harry começou a beijar as costas de Matt, mordendo algumas partes da pele exposta, fazendo o moreno se arrepiar.

Matt se ergueu um pouco, ficando de quatro enquanto a mão de Harry se fechava sob o seu membro. Matt prendeu a respiração, nervoso, mas assim que a mão de Harry começara a massageá-lo ele relaxou, sentindo aos poucos seu membro endurecer.

Harry ouvia Matt grunhir, mas não parecia o bastante para ele. Ele observou o moreno mordendo os lábios, provavelmente tentando conter os gemidos, o que o deixou totalmente contrariado, ele queria "o queridinho do Peter" gemendo para ele.

– Anda, Mudorck, eu quero ouvir você — Harry sussurrou no ouvido de Matt, mordendo o lóbulo da orelha dele e acelerando os movimentos de sua mão.

Matt não conseguiu mais conter-se, a mão de Harry o masturbava na velocidade exata, enquanto ele sentia o membro excitado de Harry roçar em seu traseiro.

– O-oh...

Harry ouvia os gemidos de Matt, estimulado. Logo um líquido quente preencheu sua mão e um gemido alto e extasiado de Matt preencheu o quarto. O moreno parecia ofegante e disposto a se deitar na cama, mas Harry não deixou, afastando as pernas de Matt mais um pouco e introduzindo um dedo lubrificado com o gozo no canal do rapaz.

– Harry...

– Não achou que eu faria só metade do serviço, não é? — indagou Harry com um sorriso sacana. Matt mordeu o lábio inferior com força, tentando aguentar a sensação incômoda do dedo de Harry, que logo introduziu mais um, piorando a situação.

Harry começou a mover seus dedos por alguns segundos até ver que Matt havia se acostumado com a sensação. Assim que os tirou de dentro do moreno, Harry se posicionou, começando a empurrar-se contra o ânus de Matt.

Matt apertou os olhos, sentindo a dor começar a invadí-lo. Apesar de Harry ir devagar, parecia prolongar ainda mais a dor.

Harry gemeu extasiado ao sentir as entradas de Matt contraírem-se e tornar tudo mais apertado. Ele começou a movimentar-se antes que o prazer se sobrepusesse e tornasse dor, deixando escapar mais gemidos.

Matt apertou o lençol do colchão com força, enquanto Harry passava a estocar mais rápido. Os gemidos de Harry aumentavam, voltando a deixá-lo excitado, mas o que realmente tornou Matt a ficar completamente duro foi uma estocada de Harry que o fizera sentir um dos maiores prazeres que ele havia sentido na vida.

– Ah!

Harry passou a estocar no mesmo ponto onde Matt parecia ter gostado, desencadeando uma série de gemidos ensandecidos do moreno.

– Harry... aa-ah!

Harry sentiu seu membro pulsar ao ouvir Matt gemer seu nome. Ele já estava suando e ficando cansado, mas seu pênis latejava, o fazendo ir até o fim.

Matt sentiu a mão de Harry voltando a marturbá-lo e ele se sentiu aliviado por isso já que tinha de se segurar naquela posição com as duas mãos. Ele não demorou muito para gozar novamente, já que os gemidos de Harry o estimulavam muito e logo ele sentiu um líquido quente preenchê-lo, indicando que Harry havia chegado à seu orgasmo.

Os dois deitaram-se na cama se espremendo um pouco. Harry recuperava o fôlego, enquanto sentia os olhos pesarem pelo cansaço.

– Eu queria deixar uma coisa clara — pronunciou-se Matt, ganhando a atenção de Harry. — Isso não significa que eu vá criar algum tipo de expectativa, ok? Não precisa se preocupar quanto à isso.

– Achei que gostasse de mim — disse Harry arqueando a sobrancelha.

– E gosto, mas você gosta do Sam.

Harry fechou a cara, não gostando do rumo da conversa.

– Vou aprender a esquecê-lo.

– Posso fazer uma pergunta pessoal?

– Fala.

– Você ama ele?

Harry suspirou, voltando a sentir aquela maldita dor que sentira ao ouvir sobre a traição.

– Sim, mas eu terminei com ele, não precisa ficar tão na defensiva.

– E você terminou justamente por ele estar dividido, não?

– Ouviu toda a minha conversa com o Peter, não ouviu?

– Não posso fazer nada se vocês falam alto. — Matt deu de ombros.

– Tá legal, já entendi onde você quer chegar.

– É melhor não tentar se a pessoa não está totalmente segura sobre isso.

– Você parece bem resolvido a respeito disso.

– Digamos que eu já me acostumei a não esperar nada de você — disse Matt.

Harry se ajeitou na cama, cansado daquela conversa. A bebida junto com o cansaço do sexo começavam a causar um efeito sonífero nele e em poucos minutos, dormiu.

Matt ficou mais algum tempo acordado. Ele não era bem resolvido de jeito nenhum, ele só não gostava de demonstrar o que sentia por Harry e o que ele queria saber acabara de ser confirmado. Harry amava Sam, e antes que a dor pudesse começar a destruí-lo, Matt se rendeu ao sono.

oOo

Peter depois de sair do Vórtex foi até a Aesir, sendo recebido por Wade que reclamou por ele tê-lo feito perder uma partida de guitar hero com Ian para abrir a porta.

– O Sam tá aqui? — indagou Peter.

– Não sei, vai ver ele tá com o Harry — disse Wade.

– Eles terminaram.

– O quê?! — exclamou Wade, chocado.

– Sério que você não se deu ao trabalho de ver se não tinha ninguém lá em cima? — dizia Peter subindo às escadas.

– Ei! — falou Ian, vendo que Wade seguiria Peter. — E o jogo?

– Depois eu continuo — disse Wade indo atrás de Peter.

Peter parou em frente ao quarto de Sam, vendo que a porta estava trancada. Ele bateu na porta três vezes antes de Sam gritar um "vai embora Christopher" em seguida.

– Sam, é o Peter.

Sam pareceu ter ficado em silêncio por alguns instantes, mas logo o barulho da chave destrancando a porta foi audível e um Sam com os olhos inchados e um nariz vermelho abriu a porta.

Ele deixou que Peter e Wade entrassem no quarto, fechando a porta e sentando-se na cama. Não foi preciso um pedido direto de Peter para que Sam começasse a explicar o que havia acontecido e, à cada palavra dita novamente, ele se sentia pior e merecedor do sofrimento que estava passando.

– Quando aquele cara aparecer por aqui eu vou acabar com a raça dele — disse Wade.

– Não, Wade, Sam também tem culpa nessa história — devolveu Peter.

– Mas o Chris não tem o direito de sair agarrando ele assim!

– Um chute o teria feito se afastar na mesma hora.

– Mas...

– Chega, Wade, o Peter tá certo — suspirou Sam. — A culpa é minha.

– Apesar do que aconteceu, eu te entendo. Você e esse Chris parecem ter uma história inacabada, não dava pra seguir adiante com o Harry nessa situação — disse Peter.

– Não, eu estava ótimo, eu...

– Você cedeu, Sam, já parou pra pensar que essa atitude foi por ter enterrado um tipo de rancor em cima de tudo o que você sente por ele?

– Não é maior do que o que eu sinto pelo Harry.

– Isso é ótimo, talvez devesse reconquistá-lo.

– E como ele está? — indagou Sam.

– Bêbado — suspirou Peter -, ele encheu a cara num bar aqui perto. Parece que o pai dele foi tirar satisfação sobre umas notícias da internet.

– O quê? O pai dele? O que aconteceu? — perguntava Sam, preocupado.

– Não sei exatamente, mas pelo estado dele deve ter dito poucas e boas pro senhor Osborn.

– Falando em poucas e boas... descobriu de quem o Matt gosta? — indagou Wade.

– Wade, não é hora agora — resmungou Peter.

– Ah não, pode me dizer agora! — disse Wade cruzando os braços.

– Não posso te dizer.

– Como é que é?

– É um segredo dele! Não vou contar.

Wade gemeu, frustrado e inquieto, enquanto Sam os encarava, confuso.

Naquele instante a porta do quarto se abriu e Wade se levantou na mesma hora ao observar quem era. Peter se levantou, segurando os pulsos do loiro por precaução, enquanto Chris dava toda a atenção a Sam, que parecia ter chorado bastante.

– Aconteceu alguma coisa? — indagou Chris.

– Se aconteceu alguma coisa?! — exclamou Wade. — Me diz você!

– Wade, calma, vamos deixar eles sozinhos.

– Ficou maluco, Petey? Ele vai agarrar o Sammy de novo!

– Isso não é da sua conta, anda! Eles precisam conversar — dizia Peter empurrando Wade para fora do quarto.

Chris fechou a porta do quarto, aproximando-se de Sam. Ele permanecia parado, sentado na cama com os olhos meio perdidos. Era a primeira vez que ele não fugia dele desde o beijo, mas o estado do moreno não tornava aquilo um alívio.

– O que aconteceu? — indagou novamente.

– Harry terminou comigo — disse Sam num tom frio. — Feliz agora?

– Contou pra ele? — perguntou Chris, surpreso.

Sam encarou Chris com incredulidade, perdendo a paciência que lhe sobrara.

– É claro que eu contei! Não sou um falso medíocre como você!

Chris suspirou, cansado daquela mesma conversa. Ele falava qualquer coisa, Sam o xingava, ele ouvia e fim de papo. Não dessa vez.

– Pois bem, e você já parou pra pensar o porquê dele ter feito isso? Ou você também vai jogar em cima de mim o fato de ter me correspondido?

– Eu não devia ter feito aquilo — disse Sam abaixando a cabeça.

Chris se aproximou, sentando-se ao lado de Sam. Ele pôs a mão sob o queixo do moreno, fazendo-o levantar a cabeça cabisbaixa e encará-lo.

– Mas fez, e se fez é porque sente algo.

Sam sorriu com aquelas palavras, todos pareciam lhe dizer a mesma coisa, mas ouvir aquilo de Chris pareceu finalmente ter o feito compreendido, se libertado.

– Você está enganado, Christopher. Eu já te amei sim, muito aliás, mas o que aconteceu... foi um tapa na minha cara para eu acordar pra realidade.

– Realidade? — indagou Chris, confuso.

– Mesmo que eu tenha correspondido, qual a importância nisso? Eu sei muito bem que nunca vou querer voltar com você, tanto por medo quanto por ter vivido outra história, uma história muito melhor do que a que você me deu. Eu posso ter me deslumbrado com você, sim, mas isso não passou de um desejo adolescente, um sentimento que morreu assim que o Harry terminou comigo. Porque foi nessa hora que eu percebi que quem eu realmente amo é ele.

Chris não soube o que dizer, apenas encarou os olhos vermelhos do moreno, que pareciam estarem certos do que estava falando. Ele tentou se aproximar para beijá-lo e provar que aquilo era mentira, mas Sam virou o rosto, se levantando e saindo do quarto, deixando-o sozinho, atordoado.

oOo

– Wade... para... olha o Ian! — dizia Peter, tentando afastar o loiro que se encontrava em cima dele em um dos sofás, beijando seu pescoço.

– Ah, ele nem tá prestando atenção — disse Wade.

De fato Ian estava jogando videogame, com os olhos vidrados na tela da TV, mas Peter não se sentia confortável com aquilo.

– Mesmo assim.

– Ele nem deve estar escutando a gente agora. Fala pro Petey que você não está escutando, Ian.

– Eu não tô escutando o Peter gemer enquanto você fica aí mordendo o pescoço dele — disse Ian ainda com os olhos focados na TV.

– Está vendo!

– Filho da mãe! — bufou Wade. — Então vamos pro Vórtex.

– Já está de noite, Wade.

– Melhor ainda — sussurrou o loiro no ouvido de Peter.

– Ah, tá, vamos logo! — rendeu-se Peter. — Você vem, Ian?

– Nem pensar, tá sentindo esse cheiro? Hogun tá fazendo omelete, não aguento mais a comida do Loki.

Peter riu, saindo da república com Wade.

– Não vai se animando muito porque é bem provável que o que você vai encontrar no meu quarto é o Harry totalmente bêbado e na fossa — avisou Peter.

– Eu expulso ele — disse Wade dando de ombros.

– Insensível.

Ao chegar Peter pegou sua chave, abrindo a porta da república e entrando com Wade. Loki parecia não estar lá e tudo estava silecioso demais. O telefone indicava uma mensagem na caixa postal e Peter foi logo ao mesmo, ligando-o.

"Gente, aqui é o Loki, só tô avisando que não vou dormir aí hoje. Se virem com o jantar, tem pizza aí e... PARA, THOR! Espera eu terminar aqui! Bem, é isso, tchau."

Wade riu com o recado e Peter apenas revirou os olhos. Os dois subiram às escadas, indo em direção ao quarto, e ao abrir a porta de seu quarto, Peter se deparou com a cena mais improvável de sua vida. Harry e Matt estavam dormindo juntos, de conchinha, com um lençol os cobrindo e Peter tinha certeza que eles estavam completamente nús.

– Mas o que...

Peter tapou a boca de Wade, fechando a porta do quarto, o afastando dali antes que ele acordasse um deles.

– Shh!

– Você viu aquilo?! — cochichou o loiro.

– Claro que eu vi! Eles estão... eles fizeram... NA MINHA CAMA! — exclamou baixo.

– Nuzinhos na sua cama...

– Eu sei!

– O Harry e o ceguinho...

– Matt — corrigiu Peter.

– Nuzinhos...

– Wade!

– Então era o Harry... ele gostava do Harry esse tempo todo... — dizia Wade meio estático. — Aquele filho da mãe...

– O que? Vai ter ciúmes do Harry agora?

– Não é isso, é pelo Sammy.

– Ah, faça-me o favor, eles já terminaram, Harry pode até amar o Sam, mas que ele faria uma coisa dessas não é novidade. Eu só não esperava que o Matt aceitaria.

– Quem diria, hein? O ceguinho transando com o seu melhor amigo na sua cama! — disse Wade caindo na gargalhada.

– Eu vou queimar aqueles lençóis — disse Peter gemendo em frustração. — E cala essa boca! Vai acabar acordando eles.

– Onde você vai dormir agora?

– No quarto do Loki, eu é que não fico lá com aqueles dois.

– E eu posso ficar também? — indagou Wade.

– Pode — disse Peter. — Vem, vamos comer... se é que eu vou ter estômago pra isso depois de ver aquela cena.

Wade riu, ainda surpreso com a revelação ao vivo do tão misterioso rapaz que Matt gostava. Nem em um milhão de anos ele chutaria que fosse Harry Osborn. Aquele ceguinho era mais esperto do que ele imaginara.

Notas finais
Sorry leitores que imaginam o James Franco como Harry. Passei toda a fanfic tentando descrevê-lo o menos possível pra ficar da escolha de vcs o Harry q vcs preferem, mas tive que descrever o Dane nesse capítulo.