Crazy Bout' You

32 Capítulo 32 - Light Me Up


Notas iniciais
Hi guys, começo essas notas dizendo q eu tô bem sad, tô d tpm cm direito a tsunamis no estômago e ainda nem to em casa --' Odeio. Dormir. Fora. c: Como não sei qnd p#rras vou voltar pra casa e domingo vou passar o dia todo fora (pq vou no Anime Friends, YAY!) Ñ tenho ideia qnd sai o próximo, pfvr tenham paciência cm esta pobre condenada. Obg, dnd. Título do capítulo tirado da música Light Me Up da Birdy. Espero q gostem e tenham uma boa leitura.

Harry acordou sentindo um peso em seu peito. Ele abriu os olhos, vendo ser Sam ressonando em cima dele, e não pôde deixar de sorrir recordando-se da noite passada. Ele, Harry Osborn, agora era um cara comprometido. Aquelas palavras poderiam assustá-lo há um ano atrás, talvez, mas agora ele se sentia muito bem em dizer aquilo, contanto que seu parceiro fosse Sam.

Harry ouviu uma batida abafada de música eletrônica vinda do andar debaixo. Ele franziu o cenho, confuso, perguntando-se que horas eram. Harry olhou para a janela notando a claridade do dia e se esticou até a cômoda ao lado, pegando seu celular e verificando a hora. O visor anunciava serem onze da manhã.

Sam, que estava com a cabeça apoiada do peito do outro, acabou acordando com o movimento dele e abriu os olhos vagarosamente, sentindo a claridade da janela fazer seus olhos arderem.

– Que horas são? — indagou, sonolento.

– Onze horas — respondeu Harry num tom estranho.

– Que foi? — perguntou Sam, observando a expressão confusa de Harry.

– Tá ouvindo? — disse o maior ficando em silêncio.

Sam ouviu a música eletrônica aumentar e logo entendeu a confusão de Harry.

– Não acredito que essa festa ainda tá rolando — admirou-se Sam, sentando na cama.

– Não acredito que perdemos essa virada — enfatizou Harry.

Sam revirou os olhos, pegou seu óculos e levantou-se, indo até o canto do quarto onde suas roupas estavam jogadas. Ele vestiu sua cueca com rapidez, ainda sentindo certa vergonha de ficar nú na frente de Harry que esboçou um sorriso malicioso enquanto o observava se vestir.

– Para com esse sorriso, parece um maníaco tarado.

Harry soltou uma gargalhada divertida, levantando para se vestir também.

Após se vestirem, ambos fizeram sua higiene pessoal e desceram as escadas, curiosos em ver o que havia restado da festa.

Harry fechou a cara observando o sofá onde Matt ressonava com a cabeça apoiada no encosto. Peter também dormia encostado em Matt e um cara meio gordinho encostado em Peter.

– Fala sério — bufou Harry, andando reto até a porta da república que estava aberta.

Lá fora podiam-se ver alguns estudantes tontos dançando e caindo de sono, alguns já dormiam no chão e outros ainda bebiam, mas o mais catastrófico era a bagunça no chão e toda a tinta espalhada tanto nos estudantes, quanto no chão.

– Mas o que é isso? — indagou Sam, vendo todo mundo sem camisa com tinta no corpo.

– Deve ser spray que o Ian comprou — suspirou Harry. — Falando nele...

Harry apontou para a esquerda onde Ian se encontrava todo descabelado, sem camisa com o corpo todo pintado de rosa e azul, enquanto beijava Darcy, encostados numa árvore.

O DJ já não estava mais lá, mas um estudante cuidava do lugar dele, tocando um remix de Hero da Jessie J. Harry se perguntava como ele ainda conseguia estar de pé, pois olheiras bem grossas pesavam embaixo dos olhos dele.

– Vamos — chamou Harry levando Sam para dentro da república.

– A gente não devia arrumar aquela bagunça?

– Eu? Arrumar aquilo? — repudiou Harry. — Eu contratei um pessoal pra arrumar, é só eu ligar pra eles.

– Claro que contratou.

Harry olhou mais uma vez para o sofá, se irritando com aquela cena. Ele foi até a cozinha e pegou uma frigideira e uma colher, voltando para a sala com um sorriso maligno nos lábios.

– Não faz isso, Harry — suspirou Sam.

Harry bateu com força a colher contra a panela, assustando os três que dormiam, fazendo-os dar um pulo no sofá.

– Porra! — gritou Foggy, sentindo seu coração acelerado com o susto. — Qual é, cara?

– Quem é você? — indagou Harry num tom de desprezo.

– Esse é o Foggy, amigo do Matt — disse Peter. — E qual é o seu problema, Harry? Que saco, a gente tava dormindo.

– É, eu vi muito bem como estava bom aí com o Matt — falou Harry cruzando os braços.

Matt deu riso abafado, notando raiva na voz de Harry assim que pronunciou seu nome.

– Tá achando engraçado, Murdock? — rosnou Harry.

– Você é engraçado — disse Matt dando de ombros.

Harry arqueou a sobrancelha, em dúvida se ele o insultou ou não.

– Tá zoando com a minha cara?

– Vou deixar a resposta no ar — disse Matt se levantando do sofá.

Harry apertou os punhos, avançando em Matt, furioso. Matt, porém, previu que Harry atacaria e logo o puxou pelos braços, fazendo com que se encostasse no sofá, ficando de costas para ele com os braços para trás, paralisando-o.

Peter se levantou num pulo e Sam se aproximou dos dois, alarmado.

– Solta ele! — ordenou Sam.

– Isso foi pra você entender que agora eu sei me defender — cochichou Matt fazendo só Harry o ouvir, apertando os pulsos dele para logo depois soltá-lo.

Harry encarou Matt mais furioso e frustrado que nunca.

– Eu já vou. Vamos, Foggy.

Foggy se levantou, sendo o primeiro a sair da república e de toda aquela hostilidade.

– Tchau, Peter.

– Tchau... — disse Peter ainda surpreso com a velocidade de Matt em imobilizar Harry.

– Você, hein? Não tô mais te entendendo, sabia? — anunciou Harry encarando Peter.

– Tá falando do quê? — indagou Peter.

– "Do quê?" — repetiu Harry sorrindo fracamente. — Disso tudo! Você, Matt e Wade. Eu te avisei que era perigoso se envolver com o Wade, mas você era o primeiro a defender ele, achei que você gostasse dele, mas é só o Matthew chegar que você esquece. Você não pode descartar as pessoas assim, Peter.

Peter abriu e fechou a boca, chocado com as palavras de Harry.

– Matt é meu amigo, Harry e você sabe porque eu fiquei com raiva do Wade. Eu até fui me desculpar, mas ele quis me proibir de ver o Matt, ele está piorando e isso quase resultou numa morte ontém! E não venha me dizer como eu me sinto porque eu sei muito bem!

Peter saiu da república, fechando a porta atrás de si num estrondo.

– Você tá parecendo o Wade, sabia? — disse Sam de braços cruzados.

– Vai defender ele agora?!

– Vou sim! Porque vocês dois estão o obrigando a escolher entre vocês e o Matt, isso é covardia. E se você não confia nele, deixe-o em paz.

– É, talvez eu faça isso — bufou Harry.

oOo

Após a briga com Harry, Peter havia ido até a Aesir procurar por Wade. Não porque achava que Harry estava certo, mas porque tinha aquilo em mente desde que beijara Matt.

Peter havia sim ficado com medo de Wade por não ter controle sob si mesmo e nem pedir ajuda profissional, mas, por mais que ele tenha tentado se afastar de todo aquele caos, ele pôde perceber naquele beijo com Matt, que ele sentia uma imensa falta do loiro. Infelizmente, Hogun havia lhe dito que Wade saíra de manhã e não havia dito onde ia.

– Você não me parece bem — disse May servindo mais macarrão para o sobrinho que viera almoçar em casa.

– Briguei com o Harry.

– Jura? Vocês quase nunca brigam, qual o problema?

– Matthew Murdock.

– Oh... — falou May se recordando. — O jovem Matt, que perdeu a visão. Lembro que o Harry ficava furioso quando você trazia ele pra cá.

– Pois é, parece que alguns hábitos nunca mudam.

– É só ciúmes, querido.

– Isso não é desculpa pra ele ser grosseiro comigo e se meter na minha vida pessoal.

– Vida pessoal?

– Briguei com o Wade também.

May suspirou notando o quanto Peter parecia abatido.

– Quer conversar?

– Não — suspirou Peter. — Eu tô bem, tia May — disse dando um sorriso torto e forçado.

May sabia que Peter estava mentindo, mas ele não queria mesmo conversar, então ela resolveu deixá-lo sozinho, voltando a cuidar de passar suas roupas.

Assim que acabara de almoçar, Peter ficou um tempo pensando onde Wade poderia ter ido e logo a palavra "Deadpool" invadiu seus pensamentos. Ele não iria ver Rick, não naquele estado. Rick perceberia que ele havia piorado e tudo o que restara para o loiro era apenas Deadpool. Peter sentiu sua barriga revirar-se com a lembrança de não tê-lo dado o devido apoio, mas do jeito que Wade estava seria mesmo uma boa ideia ter permanecido ao lado dele? Afinal, ele quase fora atacado naquele quarto de novo.

Peter balançou a cabeça, tentando focar no que lhe interessava. Encontrar Wade. Foi então que ele se lembrou do beco onde eles se conheceram. Seria possível Wade estar por lá?

– Tia May, eu já tô indo!

– Mas já? — indagou May um pouco decepcionada. — Não quer dormir aqui hoje?

– Tia May...

– Qual o problema? É só uma noite.

– Tudo bem — rendeu-se Peter -, mas eu vou sair. Preciso falar com o Wade.

– Achei que estivessem brigados — disse May arqueando a sobrancelha.

– Pois é, mas eu não vou descansar até achar ele.

– Está bem — concordou ela.

Peter sorriu, dando um beijo na tia e saindo da casa.

Para a sorte de Peter o beco não ficava muito longe dali. Ele andou alguns quarteirões e finalmente pôde avistar a calçada que o levaria ao beco, mas, antes, Peter entrou na loja de doces para comprar algo que talvez acalmasse Wade.

Ele saiu da loja com uma sacola na mão e continuou a andar sentindo uma certa ansiedade, um nervoso. Se Wade não estivesse ali ele não saberia onde mais procurar e temeria por qualquer trabalho que Deadpool estivesse fazendo naquele estado, mas para o alívio e surpresa de Peter, assim que ele chegara ao beco, Deadpool estava sentado no chão, com a cabeça encostada na parede e olhando para o nada.

Wade nem percebeu a presença de Peter, continuando a observar a parede à sua frente com interesse.

(Isso é ridículo.)

[O que deu nele? A gente tá vendo essa maldita parede há dias!]

(Horas...)

[Que seja, parecem dias!]

(Quando eu digo que é retardado... e aquela terapeuta ainda diz que nós é quem somos malucos.)

[Huh, pode crer.]

(Eu vou dar um jeito nisso...)

Wade enfiou o rosto entre os joelhos tentando manter sua meditação. Ele olhava para a parede justamente para tentar se controlar, manter a calma, mas aquilo não parecia funcionar, ele estava prestes a perder o controle e ele não podia sucumbir de novo, não depois da noite anterior.

Wade ficara completamente abalado depois da surra que dera em Matt. Ele não queria ter tentado matá-lo, mas sua raiva era muito grande, ela o consumia. Ele não queria ser mais daquele jeito, ele só queria ser um cara normal, um cara digno pro Peter, ele sentia muita falta dele.

– W-Wade?

Wade levantou a cabeça rapidamente, achando estar delirando, mas Peter estava ali, parado, o encarando. Ele levantou-se ainda surpreso em ver Peter e se aproximou do menor ainda duvidando ser uma ilusão de sua mente.

– Petey...? Tá fazendo o quê aqui?

– Eu... eu vim te dizer uma coisa... — disse Peter apertando os olhos, com medo da reação do loiro, mas estava decidido a ser sincero. Ele iria dizer o que havia acontecido entre ele e Matt.

Wade prendeu a respiração, apavorado.

[Ele vai terminar com a gente...]

(Já vai tarde, esse traidor.)

[Ele não pode deixar a gente!]

(Aposto que ele vai, todos sempre abandonam a gente.)

Wade estava meio eufórico, temendo o pior, e, desesperado, envolveu seus braços na cintura de Peter de modo possessivo, apertando-o com força.

– Por favor, Petey, não termina comigo — implorou o loiro.

(Mas o quê?! Vai nos humilhar desse jeito?!)

[Implora meeesmo!]

– Desculpa por ter batido no seu amigo, eu juro que vou me controlar!

Peter ficou paralisado, deixando a sacola cair e sentindo sua garganta apertar com o desespero do outro.

– Mas de onde você tirou isso? — indagou Peter afastando-o um pouco de si.

– A gente só briga agora, eu achei que... sei lá, você não gostasse mais de mim.

– É claro que eu gosto de você. Wade, eu não vou terminar.

Wade sorriu, muito aliviado, retirando a máscara de Deadpool para unir seus lábios aos de Peter.

Peter permitiu que a língua de Wade invadisse sua boca e logo ele se viu num beijo sedento e necessitado. Wade apertava suas cochas com força, enquanto ele segurava o rosto do loiro, unindo seu corpo para mais perto do dele. Peter sentiu o loiro o erguer, levando-o até a parede e apoiando-o nela. Peter enlaçou suas pernas na cintura de Wade, com medo de cair, mas era segurado com firmeza. Ele poderia ficar sentindo os lábios de Wade contra os seus o dia inteiro, matando a saudade que eles sentiam, mas Peter logo recordou-se de seu objetivo naquele momento.

Wade passou a descer sua boca até o pescoço do menor e ouviu um suspiro vindo dele, mas Wade sentiu as mãos de Peter contra seu peito o fazendo parar.

– O que foi?

– Eu preciso mesmo falar com você, Wade.

Wade bufou chateado pela interrupção, mas soltou Peter, que arrumou sua blusa, encarando o loiro com um olhar sério.

– Eu fiz uma coisa ontém... — começou.

(Já até sei...)

[Sabe o quê?! O que ele fez?!]

– Uma coisa errada, mas que no final me fez perceber uma coisa boa — continuou.

– Então não deve ser errado — disse Wade.

(Cala a boca, seu inútil, você nem sabe o que é.)

Peter engoiu em seco e deu um longo suspiro antes de falar:

– Eu e o Matt, nós... nós nos beijamos.

Peter prendeu a respiração, encarando Wade com o medo visível estampado no rosto.

[O QUÊ?!]

(Tá vendo? Eu sabia que aquele cara era encrenca! O ceguinho não me engana!)

[Ele traiu a gente...]

(Para de choramingar, ele não liga pra gente. Ele é um traidor e ele vai pagar por isso.)

Wade deu dois passos para trás, abaixando a cabeça, desacreditando.

– Me desculpe, eu...

– (Eu estava certo) — disse Wade num tom frio.

– Wade...

Peter sentiu seu braço esquerdo sendo segurado com força e olhou nos olhos de Wade, vendo aquela faísca de insanidade no olhar dele. Peter engoliu em seco, temeroso.

– (Você não vai mais chegar perto, nem falar e nem pensar mais nele, você me entendeu?) — dizia o loiro num tom ameaçador, encurralando o menor.

Peter sentiu suas costas sob a parede novamente, mas dessa vez seus pulsos estavam contra ela também, sendo violentamente pressionados contra a mesma.

– Tá me machucando!

– (Você me traiu!)

– Eu ainda não acabei de falar!

– (Ah, e tem mais? Me conta, você foi pra cama com o ceguinho também? Foi bom pra você? Ele conseguiu achar a sua...)

– Wade! — exclamou Peter, perplexo, sentindo-se completamente ofendido.

– (Fala logo antes que eu perca a minha paciência com você).

Peter estava surpreso com o modo como Wade agia. Com certeza era o mesmo Wade que havia o violado, aquele olhar insano era inesquecível.

– Eu beijei ele, mas não era ele quem estava na minha cabeça, era você. Eu beijei ele pensando em você e só em você.

Peter sentiu seus pulsos se afrouxarem pelo aperto, mas as mãos de Wade ainda o prendiam. O olhar do maior ainda demonstrava decepção e raiva, e, apesar do que havia dito, Peter estava começando a duvidar que as coisas se resolveriam.

– (Vai me dizer que quando foi beijá-lo me viu nele também?) — repudiou.

Peter gaguejou, não sabendo o que responder. Ele havia se sentido atraído por Matt no começo, não dava para negar, mas aquela atração momentânea não chegava nem aos pés do que ele sentia pelo loiro. O problema era fazer com que Wade percebesse isso.

Wade soltou Peter por fim, mas não deixou de encará-lo de modo assassino. Ele esperava que Peter se assustasse e saísse correndo como sempre fazia, mas Peter fez o contrário, surpreendendo o loiro. Peter chegou perto dele e o abraçou.

– Me desculpe — disse o menor de modo abafado.

Peter afundou seu rosto na curva do pescoço do loiro, apertando os olhos para que eles não se enchessem d'água. Ele não queria chorar naquele momento, seria bobo e apelativo. Só não queria que Wade o deixasse, ele não aguentaria. Foi naquele instante que Peter percebeu o quanto o loiro era extremamente importante pra ele.

– (Para, baby boy, isso não vai te ajudar. Você me trocou por ele).

Peter largou o maior, cansando daquilo. Wade praticamente o fazia repetir a mesma coisa sempre.

– Matt é meu amigo e ele sempre será! — confrontou. — E eu vou sempre estar aqui quando você precisar, me desculpe por fugir de você, eu me assustei, mas agora vai ser diferente, eu quero te ajudar.

– (Eu estou ótimo!)

– Não tá, não. Você está violento e insano.

Wade deu um sorrisinho em desdém, chegando perigosamente perto do moreno e sussurando em seu ouvido:

– (E você morre de medo).

Peter sentiu um arrepio pela voz rouca e fria de Wade lhe sussurrando aquilo.

– Não mais — disse o moreno, convicto. — Eu quero te ajudar.

– (Não preciso da sua ajuda, não precisei dela enquanto você beijava o ceguinho e não vou precisar agora).

[O que você tá fazendo, seu inútil!]

– Tudo bem, então vai ter que me aguentar por mal mesmo.

– (Hein?)

– É isso aí — confirmou Peter cruzando os braços. — Quem vai te perseguir agora sou eu.

[E não ouse protestar, babaca.]

– (Cala a boca).

– Quê?

[Vem fazer!]

– (Estúpido).

– Wade!

[Sua mãe!]

Wade pôs as mãos na cabeça e apertou os olhos, fazendo Peter se preocupar.

– Wade, você está bem? — indagou o moreno se aproximando dele.

O loiro se encolheu, ficando alguns segundos em silêncio, até que abriu os olhos desfocados, encarando o chão por um momento e finalmente encarando o moreno em seguida.

– Petey...

Wade agarrou o menor, abraçando-o apertado.

– Essas suas mudanças de humor estão me matando, tem certeza que não tem bipolaridade envolvida aí? — dizia Peter de modo abafado, com sua cabeça toda sendo praticamente sufocada pelo abraço.

– Por que você fez isso? — indagou Wade ainda apertando o menor contra ele. — Você também gosta dele?

– Não — respondeu Peter, se afastando e fazendo o loiro olhar em seus olhos -, Wade, foi um engano, eu não sei explicar, eu quis beijar o Matt, mas não foi o suficiente.

– Não entendi.

– O que eu estou tentando dizer é que eu te amo, Wade.

[Ele ama a gente!]

(Ele é maluco...)

[ELE AMA A GENTE!]

(Eu já entendi!)

Wade ficou sem palavras, apenas encarava hipnotizado os olhos castanhos de Peter. Ele parecia esperar alguma reação sua, mas o loiro já lidava com uma confusão interna. Ele sentia todo o seu corpo irradiar calor e seu coração bater bem forte. As vozes pareciam tão extasiadas quanto ele em ouvir aquilo e o frio em sua barriga aumentava.

– N-Ninguém nunca me disse isso — disse o loiro de modo abobado. — Além da minha mãe, é claro — acrescentou.

Peter riu, se virando e pegando do chão a sacola que havia deixado cair.

– Eu trouxe uma coisa pra você.

Wade pegou a sacola que Peter lhe entregava e abriu um grande sorriso ao olhar o conteúdo.

– Sorvete de pistache! Se você tá tentando me comprar com isso, parabéns, você conseguiu.

– Ah, então eu acabar de me declarar não é nada comparado a sorvete de pistache? — indagou o moreno pondo as mãos na cintura.

Wade, que ignorava o que Peter dizia, abriu o pote de sorvete e comeu com a língua mesmo servindo como colher. Assim que Peter acabara de falar ele olhou para cima, com a boca toda lambuzada de sorvete.

– Quê?

– Não ouviu nada que eu disse, né?

– Claro que eu ouvi — desconversou o loiro.

Peter revirou os olhos, dando um riso abafado.

– Sabia que tem uma colher aí na sacola?

– Tem é? — indagou o loiro verificando. Havia mesmo uma colher de plástico vermelha. — Ah...

Wade limpou a boca com as luvas do uniforme e logo as tirou, pegando na mão de Peter e o puxando para o local onde ele antes estava, fazendo-o sentar-se ao seu lado.

– Então, você me perdoa? — questionou Peter.

– Não sei, Petey, eu não consigo aceitar que você continue falando com aquele cara — disse Wade com uma carranca.

– Então não confia mais em mim — choramingou Peter, abaixando a cabeça.

Wade deu um riso fraco, fazendo Peter levantar a cabeça para encará-lo.

– Eu sempre vou confiar em você, mesmo depois do que aconteceu, porque eu sou louco por você. Eu também te amo, Petey, muito.

Peter sorriu, puxando o loiro para um beijo. O beijo era gelado e evidentemente com gosto de pistache. Wade pousou o pote que segurava no chão e trouxe Peter mais para perto dele, fazendo-o sentar-se em seu colo de frente pra ele. Peter passeava os dedos de suas mãos nos fios loiros de Wade, enquanto ele se atrevia a passar a mão por debaixo de sua camiseta.

Wade começou a sentir seu membro acordar assim que Peter começara a se remexer durante o beijo, fazendo-o parar no mesmo instante.

– Chega, antes que eu perca a minha cabeça com você, baby boy.

Peter sorriu, feliz em ver que Wade tentava se controlar, já era um grande avanço. Ele saiu do colo do loiro, voltando a sentar-se ao lado dele.

– O que você acha da gente ligar pra sua terapeuta amanhã? — sugeriu Peter.

Wade fechou a cara não gostando do assunto.

– Não quero.

– Por quê? Do que você tem medo?

– De ser trancado de novo! De não estar bem! Eu nunca tô bem! — Exclamou Wade, desabafando.

– É claro que está, senão nunca teria sido aceito na universidade — disse Peter pegando na mão do loiro. — E eu vou te ajudar, Wade, ninguém vai te trancar.

Wade assentiu, confiando nas palavras de Peter. Os dois ainda ficaram ali o resto da tarde, comendo sorvete de pistache e conversando sobre assuntos aleatórios que somente Wade tinha a capacidade de deixá-los confusos e engraçados. Assim que o sol se pôs e a noite dominava a cidade, Peter levantou-se com dificuldades, seguido por Wade.

– Vou colocar minhas roupas por cima e já voltamos — dizia o loiro vestindo uma camiseta por cima do uniforme de Deadpool.

– Ah, é! Eu vou dormir lá em casa hoje, na tia May.

– Mas eu ia te convidar pra dormir comigo hoje — resmungou Wade fazendo bico.

Peter riu daquilo, ficando pensativo por alguns instantes.

– Podia ir comi...

– Sério?! — disse Wade de modo empolgado antes mesmo do menor terminar a frase.

– Tá, mas temos que ver se a minha tia está de acordo.

– Ah, isso é moleza, sua tia já me ama — constatou Wade dando de ombros.

Peter o observava vestindo uma calça jeans por cima do couro, enquanto pensava se Wade estava brincando ou se iludindo mesmo. Não que May não gostasse de Wade, mas ela também não havia evidenciado nenhuma empatia com ele.

Os casal voltou andando para a casa de Peter, que ficava há poucas ruas dali. Logo Wade se viu em frente a uma bela casa com um quintal bem arrumado e simples. As luzes estavam acesas do lado de dentro e um cheiro bom de comida emanava do local. Os dois entraram, encontrando May tirando algo do forno.

– Peter, até que enfim! Já estava achando que você tinha voltado pra universidade — dizia May colocando um frango assado em cima da mesa. Ela olhou para Wade não muito surpresa em vê-lo ali. — Boa noite, Wade.

– Boa noite.

– Não vai falar nada? — indagou Peter arqueando a sobrancelha.

– Já sabia que o traria aqui.

– Maneiro, minha mãe também era vidente — comentou o loiro.

– Ele pode dormir aqui?

– Ah, Peter... — relutou May.

– Não se preocupe, não vamos fazer nada — garantiu Wade.

– É o mínimo que eu exijo — disse May pondo as mãos na cintura.

– Então ele pode...? — implorava Peter fazendo cara de cachorro abandonado.

May revirou os olhos, assentindo com a cabeça. Depois de o casal comemorar e tentar agarrá-la e beijá-la, May os fez sentarem para comer. Ela perguntou o motivo da briga de ambos, mas eles ficaram tensos e não responderam. Ela achou estranho, mas deixou aquela passar. Conforme eles comiam, tia May tentava ter um diálogo normal com Wade, mas desistiu, não só pelo fato dele falar com a boca completamente cheia, mas também porque ele falava rápido demais, e dizia coisas estranhas e sem sentido algum.

Após o jantar, Peter e Wade inventaram a desculpa de estarem muito cansados, alegando que já iriam dormir. Peter levou Wade até o andar de cima em seu quarto, que se encontrava do mesmo jeito que havia deixado.

A cama de solteiro perfeitamente arrumada, suas coisas apesar de serem mexidas por May que as limpava, continuavam com a mesma organização. Ele sentiu-se nostálgico observando aquele quarto, lhe lembravam de sua infância e principalmente de seu tio Ben.

– Petey...? Alô? Terra chamando...

Peter olhou para Wade, balançando a cabeça e saindo de seus devaneios.

– Quê?

– Perguntei como a gente vai fazer aqui, a cama é pequena, mas eu não me importo de me espremer nela com você.

– Não precisa, tem dois colchões nela.

Wade deixou os ombros caírem, meio frustrado, mas logo Peter completou:

– Colocamos os dois no chão e dormimos juntos.

Peter riu do sorriso enorme estampado no rosto de Wade e logo o loiro o ajudava a arrumar os colchões no chão. Depois que tudo ficou pronto, foram para baixo das cobertas e Peter se aconchegou perto de Wade, ficando de frente pra ele.

Wade puxou o menor pela cintura para mais perto dele, fazendo com que seus narizes se tocassem. Peter pareceu gostar, perpassando o nariz contra o dele devagar, de olhos fechados. Wade não aguentou muito, unindo seus lábios aos de Peter, começando um beijo lento.

Peter passou a mão direita na nuca de Wade aprofundando o beijo, enquanto o loiro apertava seu traseiro sem cerimônias. Peter passou a brincar com a orelha de Wade, passando seus dedos quentes sob a orelha gelada, acariciando. Wade continuava a dar atenção ao traseiro do menor, tentando abaixar as calças de Peter, mas logo ele o impediu de continuar.

– Prometemos a tia May...

– Só um pouquinho... — implorou o maior. — Eu faço em você.

– Não, Wade.

– E que tal uma mast-

– Não.

– Só a cabecinha? — sugeriu no desespero.

– Não! — disse Peter rindo logo em seguida. — Sei bem como isso termina.

– Com o pau inteiro.

– Exatamente — riu o moreno.

Os dois ainda passaram metade da noite conversando um com o outro. Peter contou a Wade sobre sua briga com Harry e Wade disse apenas para que ele tivesse paciência com Harry já que ele mesmo o entendia. Algumas horas depois os dois já sentiam-se cansados, ficando num silêncio confortável. Peter apoiou a cabeça no peito de Wade, fechando os olhos e concentrando-se na respiração calma do loiro.

– Petey...

– Hm...?

– Você me promete que vai sempre me avisar quando for ver o ceguinho?

– Matt — corrigiu o moreno.

– Sim, o ceguinho.

Peter suspirou desistindo de fazer Wade parar de chamá-lo assim.

– Tudo bem — disse numa voz sonolenta, bocejando em seguida.

– Boa noite, Petey.

– Boa noite, Wade.

Wade deu um beijo na testa de Peter, sussurrando bem baixinho no ouvido dele:

– Eu te amo.

Peter se aconchegou ainda mais no maior, pronunciando um "eu também" antes de pegar no sono.