Crazy Bout' You
33 Capítulo 33 - Shadows Of Past
Notas iniciais
No dia seguinte, Peter acordou num pulo, lembrando-se de que não havia posto um despertador para acordá-lo. Ele olhou as horas em seu celular e deu um longo suspiro, frustrado. Já passavam das dez e ele havia perdido aula.
– Anda, Wade, acorda! — disse o menor sacudindo o loiro ao seu lado. Wade afundou ainda mais a cabeça contra o travesseiro e resmungou algo que Peter não pôde entender.
– A gente perdeu aula, sabia?
– Hmm... — respondeu Wade.
Peter revirou os olhos e se levantou, indo fazer sua higiene matinal. O moreno se perguntou o porquê de sua tia May não tê-lo acordado, até que lembrou que ela entrava no hospital às cinco da manhã nas segundas. Peter terminava de escovar seus dentes, enxaguando sua boca. Alguns segundos depois ele sentiu mãos rodearem sua cintura e logo ele levantou a cabeça vendo Wade pelo reflexo do espelho.
– Por que sua tia não acordou a gente?
– Ela saiu muito cedo hoje.
– Então estamos sozinhos? — indagou o maior com um sorriso malicioso.
– A gente negocia depois que você escovar esses dentes — disse Peter esquivando-se do loiro e saindo do banheiro.
Wade arqueou a sobrancelha, dando uma baforada na própria mão, não sentindo nenhum cheiro tão ruim assim. Ele deu de ombros e resolveu escovar os dentes de vez.
No andar debaixo, Peter fazia dois sanduíches para o café da manhã. Ele improvisou colocando tudo o que tinha na geladeira dentro dos sanduíches e provou sua obra de arte fazendo uma certa careta. Havia exagerado na mostarda.
Logo Wade descia às escadas, indo até a cozinha e encontrando Peter tentando engolir o pedaço do sanduíche que havia feito.
– Nossa! O que você colocou aí dentro, a geladeira toda? — riu Wade vendo o tamanho exagerado do recheio do sanduíche.
– Tipo isso — respondeu Peter largando o seu sanduíche num prato, desistindo de comer aquilo. Wade arqueou a sobrancelha, curioso.
– Ah, você não vai querer fazer isso... — disse Peter observando o loiro pegar o sanduíche que havia feito para ele.
Wade deu de ombros, dando uma grande mordida no sanduíche.
– Hum... é bom! Caprichou na mostarda, gosto assim.
– Se você diz... — anuiu o moreno fazendo uma careta de nojo ao observar Wade devorar o sanduíche horrível que havia feito.
Enquanto Wade devorava os dois sanduíches, Peter resolveu fazer uma omelete para ele e logo os dois comiam na mesa. O silêncio era confortável, Peter sentia-se aliviado em ver Wade bem e sem nenhum tipo de rancor pelo o que ele fez na festa, porém era sempre bom garantir o bem estar.
– Vou ligar pro Rick pra marcar com a sua terapeuta.
– Ah não Petey... — disse Wade fazendo birra como uma criança de cinco anos.
– Não começa.
– Eu tô bem — bufou o loiro, zangado.
Peter não respondeu, terminando seu café e se levantando para pegar o celular, porém Wade fora mais rápido, passando por Peter e subindo às escadas correndo.
– Wade! — gritou o moreno, correndo atrás dele.
Wade chegou no quarto do menor, pegando o celular dele e erguendo a mão. Peter chegou ofegante, o encarando, furioso.
– Devolve! — exclamou pulando e tentando pegar o celular inutilmente, Wade era muito alto.
– Só se você conseguir pegar — riu o loiro se divertindo com aquilo.
Peter se xingou mentalmente por só ter o número de Rick gravado em seu celular. Ele tentou subir na cama para conseguir pegar o aparelho, mas Wade se afastou, o que não o impediu de pular dali mesmo na direção do maior, atacando-o de supetão.
Wade dava gargalhadas com o modo selvagem que Peter tentava lhe atacar. O menor estava pendurado com as pernas em volta de sua cintura enquanto a mão esquerda se apoiava em seu ombro e a direita tentava pegar o celular com afinco; o loiro estava surpreso com a facilidade que Peter tinha de escalar ele daquele jeito. Wade deslizou o celular para debaixo da cama e agarrou o menor, prensando-o contra a parede.
Peter olhou nos olhos maliciosos de Wade enxergando as segundas intenções naquele momento. Ele mordeu o lábio inferior, sentindo seu corpo corresponder e então capturou os lábios do maior, resolvendo deixar a ligação para depois.
Wade gostou da atitude de Peter, correspondendo ao beijo com urgência. Apesar da última vez não ter dado certo, o moreno não se deixou abalar, pondo na própria cabeça que Wade estava bem, pelo menos naquele momento e principalmente, que ele queria muito aquilo. Peter desceu do maior, fazendo-o gemer frustrado, mas logo Wade abriu um sorriso ao ver o menor se despindo e logo tratou de fazer o mesmo.
Peter ficou só de cueca e assim que Wade também ficara, ele voltara a beijá-lo na mesma intensidade de antes.
Wade foi andando para atrás, sendo guiado por Peter até sentir a cama desequilibrá-lo e fazê-lo se deitar. Peter subia em cima dele enquanto retirava seus óculos e o guardava sob a mesinha do lado da cama. Wade se ajeitou melhor na cama, ansioso com o que Peter tinha em mente, normalmente era ele quem tinha as iniciativas e ver Peter finalmente tomando uma era excitante.
Peter ficou por cima do maior buscando imediatamente os lábios dele. Ele sentiu as mãos de Wade rodearem sua cintura enquanto se apoiava na cama para não ficar completamente em cima do loiro. Era um trabalho um tanto difícil ficar por cima, mas Peter queria um pouco de controle sobre a coisa.
Wade mordiscava ora ou outra os lábios de Peter durante o beijo, enquanto o menor relutava-se a separar seus lábios dos do loiro. Quando por fim finalizara o beijo, Peter desceu sua boca até o pescoço do maior chupando e mordendo a área que logo julgou ser sensível pelos grunhidos de Wade.
Peter desceu seus lábios para o peito, passando também as mãos pelo abdômen dele sentindo a temperatura quente daquela região, a pele de Wade parecia pegar fogo e ele já podia sentir o próprio corpo se contagiar com a temperatura. O moreno desceu ainda mais os lábios, deixando um rastro de saliva pelos gomos do abdômen do loiro, até que por fim chegou até a cueca box verde, abaixando-a com cuidado.
Wade observava à tudo em expectativa. Deu um gemido rouco assim que sentiu as mãos de Peter em torno de seu membro já excitado e começou a movimentar-se, pedindo em silêncio para que Peter começasse a masturbação, mas não foi exatamente isso o que ele fez.
– O-oh...
Wade arqueou as costas, gemendo, sentindo algo molhado sugar seu membro. Ele olhou para baixo vendo Peter lambendo e chupando-o. Era uma das visões mais excitantes que havia visto.
Peter nunca havia feito aquilo, só havia recebido de Wade, mas sabia mais ou menos como funcionava, então fez como achava que era, sugando e chupando o membro do maior em movimentos inicialmente lentos que logo se aceleraram.
Wade gemia com a voz meio rouca, agradando aos ouvidos de Peter que continuava com afinco. Wade colocou as duas mãos sob a cabeça do menor, acariciando os fios castanhos e ditando a velocidade que mais lhe excitava.
Depois de alguns minutos naquela situação, Wade fez com que Peter parasse assim que sentiu que iria gozar. Ele observou maravilhado os lábios avermelhados do moreno e a respiração ofegante do mesmo. Achara a visão dele tão perfeita que não se conteve em puxá-lo para si e roubar-lhe um beijo necessitado.
Peter sentiu Wade trocar as posições, pousando seu corpo sob a cama e uma mão boba entrar em baixo de sua cueca. Ele já ficara excitado no momento em que Wade gemia enquanto ele o sugava, mas naquele momento seu membro já latejava com a mão do loiro contra sua glande sendo pressionada pela cueca ainda vestida.
Wade abaixou o tecido, deixando enfim Peter nú. Ele o fez abrir as pernas e dobrar os joelhos, enquanto se posicionava no meio delas, não parando de masturbá-lo.
Peter arqueava as costas, gemendo palavras desconexas. Ele olhou para baixo vendo Wade posicionar o membro contra seu ânus e fechou os olhos, pronto para sentir a incômoda dor do começo.
Wade se empurrou devagar contra o menor, torturando a si mesmo para que não machucasse Peter, era um verdadeiro sufoco controlar seu pênis excitado de se enterrar por completo. Wade observava as feições de Peter para se certificar do quão doloroso estava, mas Peter parecia neutro até então, ele até mesmo acenou em confirmação para que pudesse entrar mais e foi o que Wade fez.
Wade era grande demais, literalmente, e Peter estava sim sentindo certa dor, mas segurava o máximo que podia de seus gemidos, ele queria-o dentro de si, queria ter o prazer e sabia que se demonstrasse qualquer desconforto, Wade poderia parar por trauma. Logo Peter sentiu todo o membro do loiro dentro de si, inquieto, apertado. Peter rebolou o traseiro permitindo que Wade se mexesse e o loiro o acatou, começando os movimentos de vai e vem.
Peter pegou no próprio membro, passando a se masturbar enquanto Wade afundava-se mais forte contra si. Era inevitável não se excitar com a expressão extasiada do loiro que por vezes ia mais devagar para aproveitar as sensações do canal o esmagando. Peter passou a gemer mais alto, estimulando com rapidez a própria glande.
Wade se abaixou selando os lábios aos de Peter, abafando os gemidos. Peter acelerou seus movimentos, tanto da mão quanto do traseiro, enquanto usava a mão esquerda para aprofundar o beijo e puxar os fios loiros da nuca de Wade.
Os beijos do loiro foram abaixando até o pescoço de Peter, mordendo forte aquela região. Peter gemeu de dor, mas logo sentiu a língua quente do loiro acariciar sua pele já sensível. Wade acelerou mais seus movimentos, pronto para ter seu orgasmo, e afundou a cabeça na curva do pescoço de Peter, enterrando-se com força até que por fim gemeu em êxtase, sentindo todo o corpo tensionar enquanto gozava.
– A-ah...! Hu-um...
Peter mordia com força o lábio inferior enquanto se masturbava, chegando ao seu ápice, derramando-se sob o próprio peito.
Wade saiu de dentro de Peter, sentando-se na cama, ofegante. Os dois se olharam completamente cansados, mas com um sorriso satisfeito estampado no rosto de cada um.
– Eu preciso de um banho — disse Peter se levantando da cama.
– E se a gente tomasse banho junto...? — propôs Wade se levantando também.
Peter estreitou os olhos, fazendo suspense para a cara de cachorro abandonado do loiro.
– Tá bom, vai indo na frente.
– Yeah! — comemorou Wade dando um selinho no moreno antes de sair do quarto depressa.
Peter deu um sorriso vitorioso se abaixando e esticando o braço debaixo da cama, pegando enfim o celular. Ele foi até a lista de contatos e discou o nome de quem queria, alguns segundos depois, ele foi atendido.
– Alô, Rick? Sim... é o Peter. Você poderia ligar pra terapeuta do Wade?
oOo
Assim que finalmente havia acabado de anotar o que estava na lousa, Sam arrumou seu material com pressa, pois já estava atrasado. Ele havia combinado com Hogun de estar na Aesir assim que sua aula acabasse, mas ele era um pouco lento para escrever e isso acabara o atrasando.
Sam andava à passos rápidos pelo corredor, dando de cara com Harry assim que saíra do prédio.
– Onde você estava? Te procurei no refeitório e não te vi.
– Preciso ir pra Aesir rápido — disse Sam puxando-o pela mão, levando-o junto.
– Posso saber o motivo?
– Hogun disse que o novo cara vai chegar e eu preciso estar lá, ele fez intercâmbio em Londres e agora voltou.
– E daí? Você precisa estar lá pra quê? Mostrar o quarto pra ele? — zombou Harry.
– Hogun nem sabe quem ele é, o reitor quem escolheu o hóspede, o problema é que como ele não conhece a universidade, alguém vai ter que ajudar ele no começo e esse alguém sou eu.
– Ótimo — resmungou Harry -, só porque eu ia te levar pra almoçar fora.
– Que eu saiba não podemos ser vistos, lembra?
– Acontece que eu não ligo mais pra isso — respondeu Harry.
Sam parou de andar no exato instante que Harry havia dito aquilo, ficando de frente para ele.
– Mas o seu pai vai descobrir.
– Sam, não dá pra gente ficar se escondendo, eu não te pedi em namoro pra ficarmos como antes, eu quero bem mais que isso.
Sam ficava pasmo a cada vez que Harry o surpreendia mais. Ele sentiu uma coisa se aquecer dentro dele ao ouvir aquilo, Harry parecia bem certo de que assumiria o namoro deles em público, até mesmo ao pai dele.
– V-Você tem certeza?
Harry encarou o menor, com uma feição entediada, como se a resposta fosse óbvia.
– Claro que eu tenho — falou Harry pousando sua mão sob a bochecha de Sam que se encontrava um pouco avermelhada. Ele ajeitou o óculos do menor, se aproximando e depositando um beijo nos lábios dele.
Sam aprofundou o beijo, enlaçando Harry pela nuca. Ele sentiu as mãos do maior percorrerem por debaixo de sua camiseta e ele logo cortou o beijo antes que as coisas se aprofundassem mais.
– Eu tenho que ir.
Harry bufou, batendo o pé e cruzando os braços, e Sam riu do quão infantil aquilo soara.
– Eu vou com você — disse Harry.
Sam deu de ombros, concordando e logo os dois foram rumo à república. Enquanto andavam, Sam sentiu a mão de Harry buscar pela sua e ele deixou que o maior entrelaçasse seus dedos aos dele. Sam olhou para Harry que sorria pra ele de modo sereno e o moreno não pôde deixar de retribuir o sorriso, ficando até sem graça.
Quando ambos chegaram à república, Sam abriu a porta deparando-se imediatamente com um Hogun na entrada, com as duas mãos na cintura e um olhar reprovador.
– Tá atrasado — declarou o asiático, autoritário.
– Foi mal, eu...
– Foi minha culpa — interrompeu Harry.
– Tinha que ser — disse Hogun. — Eu só não vou ser chato com os dois porque o problema aqui é sério.
– Do que está falando? — indagou Sam, confuso.
Hogun fechou a porta, dando um longo suspiro antes de virar-se para o casal com um olhar pesaroso.
– Eu nem sei como dizer isso pra vocês... — começou, nervoso — principalmente pra você, Sam.
– Tá começando a me assustar, desenbucha — falou Sam num tom sério.
– É sobre o cara novo, ele...
– Ele já está aqui? — cortou Sam olhando de esguelha para a cozinha.
– Sim, mas acontece que você já conhece ele.
– Como assim? — disseram Harry e Sam em uníssono.
Naquele momento alguém descia às escadas, falando descontraído.
– Hogun, eu já arrumei tudo lá no quarto e...
Sam paralisou ao ouvir aquela voz, ao ver aquele cara. Ele também se calara ao bater os olhos em Sam e os dois ficaram daquela maneira por algum tempo, se encarando, estáticos, surpresos e acima de tudo, constrangidos.
Harry franziu o cenho não entendendo a reação dos dois. Ele sentiu Sam apertar sua mão com urgência e naquele instante soube que algo estava muito errado ali.
– Isso... isso não é possível... — disse Sam ainda encarando o rapaz à sua frente. Os familiares cabelos loiros, os olhos azuis, intensos e maliciosos de sempre, e o ar de superioridade na postura, ele não mudara em nada.
– Sam... — começou Hogun.
– Isso é uma pegadinha? — indagou o moreno com a voz mais firme e evidentemente raivosa.
– Não, eu sinto muito — disse Hogun.
Harry gemeu, sentindo as unhas de Sam cravando em sua mão com força. Ele observou o novo hóspede com mais atenção e foi aí que ele se deu conta de quem aquele cara era. Ele não pôde deixar de sentir uma grande vontade de socar a cara dele.
– Você é o Chris Daniels? — disse Harry por fim.
– Parece que eu já sou famoso aqui, não é?
Chris arqueou a sobrancelha ao notar a mão de Sam entrelaçada a daquele cara. Ele deixou um sorriso transparecer ao ver que Sam o encarava com ódio.
– Mundo pequeno, não é, White? A última vez que eu te vi foi no ensino médio, se lembra?
– Meio difícil esquecer — devolveu Sam entredentes.
– Espero que não guarde nenhum rancor, sabe? Já que agora somos colegas de quarto.
– Não — disse Harry rapidamente, trazendo Sam mais para perto de si como se aquilo fosse o deixar longe do loiro para sempre -, você pode ficar no Vórtex se quiser.
Sam sentiu uma grande vontade de aceitar a proposta de Harry, mas logo Hogun pronunciou-se.
– Desculpe, Sam, se quiser que eu seja o guia dele...
– Acho que isso não vai ser possível — disse Chris encostando-se no muro na escada. — O reitor disse que eu escolheria o meu guia e eu fico com a recomendação do reitor, já conheço o Sam mesmo, vai ser... divertido.
Harry deu um passo à frente bruscamente e Sam logo o segurou sabendo que ele iria pra cima de Chris.
– O que você quer com isso, hein, Chris? Você sabe que eu te odeio, não sabe? — indagava Sam, irritado, enquanto se mantinha à frente de Harry para que ele não fizesse alguma besteira.
– Por isso mesmo, nós vamos ficar na mesma república, no mesmo quarto, então é melhor a gente resolver nossas diferenças pras coisas não ficarem chatas.
Sam semicerrou os olhos, desacreditando nas "boas intenções" do loiro.
– É uma boa, não é? — disse Hogun.
– Ah, pelo amor de Deus! — exclamou Harry. — Esse cara é um estúpido e ele só quer piorar ainda mais as coisas!
– Quem é você mesmo? — indagou Chris, com arrogância.
– Harry Osborn — disse Harry com mais arrogância ainda. Ao ver os olhos de Chris se arregalarem um pouco ao saber quem ele era, Harry deu um sorrisinho de canto, convencido.
Sam revirou os olhos, tentando se decidir quem era o mais egocêntrico dos dois.
– Sou o namorado do Sam.
Chris deu um sorriso de canto, encarando Sam que agora desviara o olhar dele.
– Namorado, é? Esqueceu de mim tão fácil? — provocou. — É melhor ir dormir com ele mesmo, talvez seja perigoso dormir no mesmo quarto que eu, vai que você tem uma recaída.
Harry apertava os punhos, completamente fora de si, tentando se controlar com afinco para não empurrar Sam da sua frente e acabar com Chris.
– Ah, me poupe! Você não vai me tirar do meu quarto por isso, até porque eu tô muito bem com o Harry e você é desprezível — Sam cuspiu as palavras com total escárnio, fazendo Chris fechar a cara pelo tom de voz dele.
Chris não sentia nada por Sam, disso ele tinha certeza, mas, apesar de tudo, ele queria consertar as coisas. Era por isso que ele insistia em Sam ser o seu guia. Ele fora imaturo e cruel no ensino médio, não se orgulhava do que havia feito ao moreno, mas também não significava que ele tinha algum tipo de simpatia por Sam. Ele só queria resolver aquilo e pronto. Aliás, ele nem sabia que Sam estudava ali. Havia sido uma completa surpresa vê-lo ali parado o encarando assim que descera às escadas, o reitor não havia dito o nome de quem seria seu guia, alegando que Hogun os apresentaria.
– Você não vai mesmo fazer isso, não é? — indagou Harry, desacreditando.
Sam olhou para Harry e suspirou, levando as mãos ao rosto. Ele pegou na mão de Harry e o levou até a cozinha para que ficassem a sós. Harry não pôde deixar de esbarrar seu ombro contra o de Chris no caminho, enquanto o loiro lhe enviava um sorrisinho vitorioso.
– Harry, eu preciso ficar.
– Mas Sam...!
– Eu não posso dar o braço a torcer! Eu seria um fraco se fugisse dele!
– Isso não se trata do seu orgulho e sim da sua sanidade, você vai mesmo conviver com o cara que fez tudo aquilo com você? Você é masoquista?
– Você não entende — suspirou Sam -, não é só orgulho, é dignidade. O cara chega e me tira da república assim? Só porque ele pensa que causa algum efeito sobre mim? Não, eu não vou sair daqui e se for preciso eu serei, sim, o guia dele.
Harry grunhiu, furioso. Ele sabia que Sam tinha razão e era por estar errado que ele sentia raiva. Não queria o menor perto daquele cara, não por insegurança ou algo do tipo, mas era porque ele não queria que Sam revivesse aquilo tudo, olhasse pra cara de Chris todos os dias com a lembrança do que teve de viver. Havia sido muito difícil quebrar as barreiras que Sam impunha em si mesmo e a volta de Chris talvez dificultasse ainda mais as coisas.
– Eu não quero que você sofra de novo.
Sam deu um sorriso fraco, porém sincero, dando um abraço em Harry em seguida.
– Eu não vou — disse Sam tentando passar confiança para Harry. Torcia para que tivesse consigo, pois nem ele próprio tinha certeza daquilo.
Harry pareceu se conformar com a nova situação de Sam, ele não queria ser um namorado pegajoso ou ciumento, não fazia parte de sua natureza. Logo os dois voltaram para a sala onde Hogun e Chris conversavam sentados no sofá, e Sam pronunciou-se:
– Eu aceito.
– Tem certeza? Sabe que não é obrigado a isso, né? — falou Hogun, incerto.
– É por não ser obrigado que eu vou fazer.
Hogun deu de ombros, assentindo, e Chris deu um sorrisinho vitorioso que fez Harry puxar Sam pela cintura de modo possessivo.
– Agora que tá tudo resolvido, a gente podia almoçar juntos, né? — propôs Harry.
Sam assentiu com um sorriso largo, pensando na hipótese de andar por aí de mãos dadas com Harry sem mais se esconder.
– Infelizmente eu vou ter que estragar os planos de vocês — disse Hogun.
– Argh... o que é dessa vez?! — indagou Harry, impaciente.
– Eu acabei de chegar, preciso do meu guia agora — disse Chris.
– Nem pensar, babaca — retrucou Harry rudemente.
– Harry... — repreendeu Sam.
– O único babaca aqui é você — disse Chris -, que foi? Não confia no seu namoradinho?
Sam segurou os braços de Harry que tinha intenções de partir pra cima de Chris. Já o loiro ria das ações do outro, principalmente por ele ser bem mais forte do que Harry e consideravelmente mais alto. Harry não tinha muitas chances contra ele.
– Por favor, Harry — disse Sam tentando tranquilizá-lo. — Não escuta esse idiota.
Harry bufou, tentando se acalmar, ele cruzou os braços e voltou a prestar atenção em Sam.
– Você vai ficar?
Sam abriu a boca, mas logo a fechou não sabendo o que responder. Ele encarou Chris que acenou para ele, cinicamente e voltou a olhar para Harry que deu um suspiro derrotado.
– Quer saber? Fica. Já cansei de insistir.
Harry deu meia volta e foi até a porta a abrindo e saindo do local. Sam encarou Chris com ódio antes de correr atrás de Harry.
– Harry, espera! — Sam alcançou o maior, tomando fôlego antes de prosseguir. — Me desculpe, se quiser eu posso...
– Tá tudo bem, Sam, pode voltar, eu não tô bravo com você, você nem tem culpa de nada.
– Sério?
– Sim — afirmou Harry -, mas se ele tentar alguma coisa...
– Tá falando do quê?
– Você sabe!
– Ele é hetero, Harry. — Sam revirou os olhos.
– Ninguém em sã consciência é hétero perto de você.
Sam não pôde deixar de rir do comentário. Harry era mesmo cego por ele.
– Eu sei me cuidar, você mais do que ninguém sabe disso.
– Se sei... minha cabeça ainda lateja, sabia?
Sam sorriu, divertido, puxando o maior pela nuca e o beijando. Harry colou seu corpo ao do moreno, aprofundando o beijo até que lhes faltasse ar.
– Eu tenho que voltar — disse Sam ofegante.
Harry assentiu, dando um selinho no menor e deixando-o partir, para voltar aos braços de Chris Daniels.
"Eu vou enlouquecer desse jeito" pensou.
Na república Aesir, Sam bateu a porta com força atrás de si ao entrar, encontrando apenas Hogun no andar debaixo.
– Cadê aquele imbecil? — disse entredentes.
– Lá em cima.
Sam subiu às escadas de dois em dois, chegando ao andar de cima rapidamente. Ele abriu a porta de seu quarto encontrando Chris Daniels sentado em sua nova cama, provavelmente o esperando.
– Que merda você quer de mim?! — Exclamou.
– Tô vendo que você não superou.
– Você acabou comigo — disse com rancor.
Chris fechou os olhos dando um longo suspiro.
– Eu sinto muito, Sam.
– Não venha bancar o arrependido! O que você fez comigo já prova que você não tem um pingo de sentimentos!
– Olha, eu sei que eu fui cruel com você e eu posso não merecer o seu perdão, o que eu fiz não tem mesmo perdão, mas eu quero conviver em paz aqui.
– Jura? Porque não pareceu há uns minutos atrás quando você provocava o Harry.
– É inevitável, aquele cara nem confia em você.
– E o que você entende disso? Você nunca foi amado na vida.
Sam reparou a feição de desdém do loiro se esvair. Ele mantia uma expressão séria agora, até mesmo um pouco triste. Sam sabia que suas palavras haviam sido duras, mas ele não ligava nem pouco.
– Continua bem letal com as palavras pelo que parece.
– Fiquei pior depois do que você me fez.
– Você não pretende levantar a bandeira branca, não é?
– Nunca. Eu vou te suportar, mas nunca te aceitar. E vê se me escuta bem, fica longe do Harry, eu não quero você de papo com ele e só me chame quando realmente precisar.
– E acha mesmo que isso vai dar certo?
– Deu muito certo com o cara que morava aqui antes de você — disse Sam por fim.
Chris resolveu não insistir no assunto. Sam o odiava e aquilo não mudaria, chegava até a ser cômico pensar que um dia o moreno havia gostado dele. No restante da tarde, Sam apenas lhe explicou teoricamente com a ajuda de um mapa as áreas da universidade, já que o moreno não estava com saco pra sair por aí com ele ao ar livre. Chris tentou guardar todas as informações, mas era difícil, então Sam prometera que quando estivesse disposto mostraria tudo à ele pessoalmente. O problema é que "Sam disposto com ele" não era uma frase a se levar muito a sério.
oOo
Harry encarava o teto do quarto alheio aos berros de Loki no andar debaixo, ordenando que ele descesse para jantar. Ele estava apreensivo e... inseguro? Não, aquilo era impossível. Eram sensações que ele nunca havia sentido, nem mesmo quando gostava de Mary Jane. Mas ele não apenas gostava de Sam, era bem mais e pensar na hipótese dele dormir no mesmo quarto que Chris Daniels o deixava maluco.
Ele ouviu a porta do quarto se abrir e logo pensou no que diria do modo mais grosseiro que pôde no momento.
– Vai embora, Loki! Não tô com fome!
– Não é o Loki — disse uma voz familiar que fez Harry suspirar cansado.
– Não te vejo desde ontem, posso saber onde esteve?
Peter fechou a porta do quarto, indo até a própria cama, enquanto tirava os tênis.
– Agora se preocupa comigo? Achei que eu era um monstro "que descarta as pessoas".
– Eu falei de cabeça quente, Peter, me desculpe.
Peter arqueou a sobrancelha não sabendo se o desculpava tão fácil assim.
– Estava com o Wade, dormimos lá em casa.
– Jura? Tia May deixou?
Peter assentiu.
– Então vocês voltaram?
– Sim.
– Que bom, fala isso pro Murdock depois.
Peter bateu na cama, chamando a atenção de Harry e o encarando em reprovação.
– Tá, tá! Foi mal, eu só acho bom garantir.
– Você está péssimo — disse Peter.
– Claro que estou, do nada o ex do Sam aparece aqui na universidade.
– Como é que é?!
Harry se sentou na própria cama, começando a contar tudo o que acontecera para Peter, que o ouvia atento. Após terminar seu relato, Harry encarava o moreno com expectativa, afim de saber o que ele achava de tudo aquilo.
– Isso é terrível, sinceramente.
– Me conta uma novidade — devolveu sarcástico.
– Fala sério Harry, Sam é o cara mais certinho da face da terra. Chris acabou com ele, e você, Harry Osborn, está mesmo inseguro? E por causa disso? Não tem motivo algum pra você se sentir assim.
– É... você tem razão — disse Harry, pensativo.
– É claro que eu tenho, o inteligente sou eu.
– Tá me chamando de burro? — indagou Harry, se levantando e jogando-se em cima do moreno que caiu de costas na própria cama.
– Sai de cima! — grunhiu Peter tentando empurrar Harry para o lado.
– Só se você me desculpar! — gargalhou Harry, sentindo aos mãos de Peter lhe fazendo cócegas para ele se levantar.
– Tá bom! — rendeu-se Peter abafadamente, procurando por ar assim que Harry saíra de cima de si.
Harry se deitou ao lado de Peter, voltando a olhar para o teto, mas dessa vez de outro ângulo do quarto.
– Você acha que um loiro musculoso pode ser melhor do que eu?
– Ah, para com isso, eu namoro um loiro musculoso.
Harry riu, tendo de admitir que a opinião de Peter não seria justa.
– Mas se isso te consola, você chega sim no nível do Wade, com ou sem músculos.
– Sexualmente falando? — indagou Harry para garantir.
– Sexualmente falando — garantiu.
Harry deu um sorriso de canto, vitorioso.
– Sabia que não se esqueceria de mim tão fácil.
Peter deu um tapa no braço de Harry, que ria do modo como o amigo ainda ficava envergonhado com essas insinuações.
– Hoje eu ia levá-lo pra almoçar fora — disse Harry.
– Jura? — indagou Peter, surpreso.
– Eu acho que já estou pronto pra enfrentar meu pai, sabe?
– Isso é ótimo, Harry — disse Peter ainda esboçando uma surpresa exagerada. — Posso saber se você bebeu hoje?
Harry deu uma cotovelada em Peter que ria dele.
– Isso não tem graça, eu posso perder tudo o que eu tenho por isso.
– Você é um idiota mesmo — Peter rolou os olhos -, você já é maior de idade, tem seus direitos sob parte dos bens da sua família.
– É, não é?
– Se quiser podemos conversar com o Matt sobre isso.
– Não, obrigado, Hogun também faz direito.
– Mas como você é chato, hein? Matt é um cara muito legal, você é quem perde.
– Não vai conseguir me fazer ser amigo dele Peter, desiste — disse Harry se levantando e voltando para a própria cama.
– Enfim, eu vou jantar, Loki fez macarrão com queijo, você vem? — dizia Peter se levantando e indo até a porta.
Harry sentiu seu estômago começar a roncar e logo forçou-se a levantar. Durante o jantar ficou alheio às conversas de Loki, Ian e Peter e quando foi subir para dormir, pensou em Sam, percebendo que mais do que insegurança, ele tinha um mal pressentimento sobre a volta de Chris Daniels.
Fale com o autor