Crazy Bout' You
27 Capítulo 27 - Finally Out
Notas iniciais
Wade estava sentado, encolhido num canto do quarto onde antes era de Hogun. Ele tinha a cabeça pousada sob os joelhos e as mãos nas orelhas tentando bloquear os próprios pensamentos.
(Acho que ele não ficou muito feliz com a nossa volta.)
[Quem se importa? Somos todos a mesma pessoa.]
– Eu não sou vocês — disse Wade abafando a voz sob os joelhos.
(É claro que é, não seja mais retardado do que já é.)
[Tô doido pra por minhas mãos no Petey.]
(Ele é tão mordível!)
[Essa palavra existe?]
(Não sei, mas eu quero descobrir na prática.)
– SILÊNCIO! — berrou Wade começando a bater a cabeça na parede do quarto.
[Vai acabar nos matando...]
(Para com isso, não pode se livrar da gente)
– Já me livrei uma vez.
[Aquela terapeuta não pode com a gente]
(Ela é ridícula. Podíamos matá-la...)
[Sim...]
Wade bateu a cabeça com mais força contra a parede, sentindo uma forte tontura dominá-lo.
– Wade! — chamou Hogun batendo na porta do quarto. — Você tá bem aí?
– Tô!
– Seu pai tá lá embaixo na sala!
– O quê?
– Vai logo!
Wade ouviu os passos de Hogun se afastando e ele se levantou com certa dificuldade, ainda sentindo-se tonto. Wade abriu a porta do quarto e desceu até a sala encontrando Rick de pé, com os braços cruzados e andando de um lado pro outro.
– Eu disse pra você não vir.
– Você me liga dizendo que sua doença piorou e quer que eu trabalhe assim? Eu consegui uma licença — disse Rick. — Como isso aconteceu?
– Flash bateu no Petey.
– Flash? Aquele valentão que você chama de amigo?
– Ele não é mais meu amigo. Flash acabou com o Petey, ele foi parar no hospital, tá todo machucado. Eu não aguentei ver ele daquele jeito. Foi tudo minha culpa.
(Foi mesmo.)
[Deveria ter vergonha, Wade...]
– Eu sei! — exclamou o loiro pondo as mãos no rosto em desespero.
(Talvez o baby boy nem consiga mais respirar direito.)
[Ele merecia alguém melhor.]
(Sim, claro, mas antes precisamos abusar um pouco dele.)
[Aquele corpinho todo machucado... quanto desperdício...]
– Seus pervertidos de merda — sussurrou Wade.
(Nossa, que estresse.)
[Você precisa relaxar, mas fica difícil nesse lugar todo engomadinho, sinto falta do covil.]
– Silêncio vocês dois!
Rick assistia Wade brigando consigo mesmo, um tanto quanto frustrado. Ele já havia passado por aquilo, era um verdadeiro estresse, mas depois que a terapeuta ajudou Wade a se livrar daquelas vozes, ele achou que finalmente o loiro teria paz. Ledo engano.
– Wade...
– Elas só falam, eu to bem.
Rick não acreditou nas palavras de Wade. Era só uma questão de tempo até elas voltarem a dominá-lo. Na época em que ele conheceu Wade, às vezes o loiro tinha seus momentos de lucidez, mas na maior parte do tempo ele conversava com as vozes, fazia o que elas pediam e não eram coisas muito boas.
– Talvez seja melhor você voltar para a clínica.
– Eu não vou ficar preso lá de novo!
– Você não pode morar com outras pessoas nesse estado! — disse Rick num tom autoritário.
– Eu vou me controlar!
– Se alguma coisa acontecer, você vai direto pra sua terapeuta.
– Tá, tá... — concordou Wade indo até a porta.
– Onde você vai?
– Vou ver o Petey.
– Vou com você então, caso algo aconteça.
Wade odiava aquele tipo de tratamento, era só isso que aquelas vozes idiotas traziam para ele. A desconfiança e o medo dos outros. Rick e Wade foram de viatura até o hospital onde Peter estava, chegando na recepção e encontrando May, provavelmente à caminho do quarto de Peter.
– Ah... você voltou. Ótimo, preciso mesmo saber quem você é.
– Rick, essa é a May, tia do Peter.
– Prazer — disse Rick estendendo a mão, sendo correspondido com o aperto. — Ela não sabe de vocês...?
– Não. — Wade sorriu tentando disfarçar.
– Saber o quê exatamente? — indagou May. — E quem é o senhor?
– Sou pai do Wade.
– Se o Petey não contou, não sou eu que vou falar — disse Wade dando de ombros.
– Ah, já chega! Vamos agora naquele quarto! — declarou May, perdendo a paciência que tinha, indo em direção ao quarto de Peter.
Harry, Gwen e Sam ainda estavam lá, rindo todos de algo dito por Harry, mas o clima ameno fora interrompido por uma May séria.
– Peter Benjamin Parker!
– Ai... tô ferrado... — gemeu Peter, olhando em direção da porta, surpreso em ver Wade e Rick.
– Petey! — exclamou Wade se aproximando da cama. — Você tá bem?
– Depende — disse Peter encarando a tia, assustado -, o que ela sabe?
– Nada.
– Eu quero explicações! Vocês todos estão me escondendo alguma coisa!
– Ih... tô fora — disse Harry saindo do quarto, sendo seguido por Sam e Gwen, que também não estavam nem um pouco afim de ouvir aquela conversa.
May fechou a porta com certa violência, ainda aborrecida.
– Tia May... — começou Peter -, há um tempo atrás eu era muito afim da Mary Jane, a senhora sabe... mas ela nunca me deu bola.
– Sim, aquela garota quem perde, você é um bom menino.
– Tia May, eu já sou um adulto.
– Ainda é meu menino.
Wade pôs a mão na boca, disfarçando a risada em vão. Peter o fuzilou com seus olhos inchados.
– Daí eu fiquei com o Harry — disparou o moreno, depressa.
– Ficou? Ficou como? — perguntou May, ainda confusa.
– Acho que ele quis dizer que o beijou — disse Rick.
– Beijou? Na boca? — indagou May, meio atordoada.
– É... ele quem me beijou, mas eu deixei. Foi só pra experimentar, sabe? E não foi ruim.
– Meu menino beijou outro menino...? — falou May para si mesma.
– Tia May! — advertiu Peter, novamente insatisfeito com o "menino".
– Isso tá ficando interessante — disse Wade.
– Fica quieto! Enfim, depois disso o Wade me beijou e disse que gostava de mim, eu descobri que também gosto dele e a agora estamos namorando. Moral da história, eu sou gay — completou Peter rápida e nervosamente.
– O quê...? — sussurrou May olhando de um rapaz para o outro. — Vocês estão namorando? O senhor sabe disso?
– Sim — disse Rick -, eu estou de acordo, mas também concordo que a senhora deva saber de tudo.
– Tudo?! — questionou Wade, incerto.
Peter fechou os olhos, engolindo em seco.
– Wade tem esquizofrenia — disse Rick.
– Meu... meu menino namora um garoto esquizofrênico...?
– Quem a senhora chamou de garoto? — indagou Wade arqueando a sobrancelha.
– Tia May...
– Isso... Isso é muito pra minha cabeça por agora... — interrompeu May, prestes a sair dali.
– Mas, tia May...
– Depois, Peter, depois... — cortou May, saindo do quarto atordoada.
Peter gemeu em frustração, pondo as mãos no rosto e sentindo seu olho inchado doer.
– Eu vou deixar vocês sozinhos — disse Rick saindo do quarto também, deixando a porta encostada.
– Desculpa, Petey — lamentou Wade.
– Não... — interrompeu Peter. — Tudo bem, a culpa foi minha. Devia ter dito a tia May antes.
– Chega pra lá — disse o loiro subindo na cama onde Peter estava deitado.
Peter se apertou um pouco na cama para que Wade deitasse ao seu lado. Os dois ficaram um olhando para o outro até Peter cortar o silêncio, corroído pela curiosidade.
– Por que você saiu? — indagou o moreno.
– Como assim?
– Gwen, Harry e Sam disseram que você veio aqui, mas foi embora quando soube que foi o Flash que me bateu. O que você fez?
– Ele mereceu — respondeu Wade num tom sério.
– Wade, você pode ser expulso!
– Mas não fui eu, tecnicamente. Deadpool quem cuidou dele, e bem longe da universidade. Não precisa mais se preocupar com ele, Petey, eu o avisei que se chegar perto de você de novo ele tá morto.
– Espera, Flash sabe que eu conheço o Deadpool, é isso? Tem noção do perigo?
– Ele que se atreva a espalhar alguma coisa, eu acabo com ele.
Peter suspirou, desistindo de tentar por um pouco de juízo na cabeça do maior.
– Espero que isso tudo tenha valido a pena pelo menos. Ele saiu bem machucado?
Wade sorriu de modo sádico, assentindo.
– O ápice foi a arma que eu apontei na cabeça dele.
– Meu Deus, Wade! — exclamou Peter, assustado.
– Foi só pra dramatizar as coisas. Tinha que ver a cara dele... — riu o loiro.
Peter balançou a cabeça em negação, tentando conter a risada só de imaginar Flash se borrando de medo de Deadpool.
– A culpa foi minha, Petey, se eu não tivesse irritado o Flash...
– Ele tem esse ódio por mim desde sempre, não foi culpa sua, Wade.
– Mas eu sinto que é.
Peter se aproximou mais de Wade, depositando um beijo na testa do loiro, que aconchegou a cabeça no peito do menor. Peter acariciou os fios loiros de Wade, enquanto o maior o envolvia pela cintura num abraço.
Do outro lado, May observava a cena pela fresta da porta encostada, decidindo não atrapalhar os dois naquele momento e ficando ainda mais confusa diante da situação.
(Ele é tão quentinho...)
[E cheiroso, levou uma surra e ainda tá cheiroso.]
(Dá vontade de agarrar.)
[E se a gente trancasse aquela porta e...]
– Não! — gritou Wade se sentando na cama, atordoado.
– Wade, o que foi? — perguntou Peter, confuso.
– T-Tem uma coisa sobre mim que eu não contei.
Peter franziu o cenho, confuso, esperando que o outro continuasse.
– Você deve saber né, pessoas esquizofrênicas costumam ter ilusões.
– Sei.
– As minhas são duas vozes. Duas malditas vozes que já me ferraram muito.
– Vozes...?
– Sim — assentiu o loiro -, elas são outras partes de mim, entende? Não é como se eu ocupasse meu corpo com mais gente.
– E você esteve assim todo esse tempo e não me disse nada?
– Não, Petey, elas tinham parado antes de eu entrar em Columbia, minha terapeuta conseguiu fazer elas sumirem, mas... quando eu te vi desse jeito... quando eu fui atrás do Flash eu surtei! E elas voltaram! E estão mais pervertidas do que nunca.
– Pervertidas? — indagou Peter rindo nervosamente. — Como assim?
– Elas querem você, digamos assim.
– E elas gostam de mim? — Riu Peter.
– É claro que gostam, elas são parte de mim e eu gosto de você.
(Eu nunca disse que gosto dele, e você?)
[Também não, ficou maluco, Wade?]
(Hahaha. Essa foi boa!)
Wade balançou a cabeça tentando não pirar naquele momento.
– O problema é que agora eu vou ficar mais estranho, sabe? Falando sozinho. Eu não consigo ignorá-las.
Peter puxou a mão de Wade o fazendo se deitar novamente.
– A gente dá um jeito de fazer elas colaborarem.
(Boa sorte, baby boy.)
[Olha, eu até colaboro se você tirar essa roupa aí.]
– Elas também são cruéis, Petey. Eu queria muito ter atirado no Flash, ele teve sorte de eu ainda conseguir me controlar.
Peter engoliu em seco diante da confissão de Wade.
Naquele momento, May entrou no quarto com uma bandeja de comida para Peter. Os dois a encararam incertos, e tudo o que ela fez foi encará-los de volta com uma expressão indecifrável.
– Eu ainda não sei o que pensar dessa sua escolha, Peter.
– Tia May...
– Não me interrompa, ainda não terminei — disse num tom autoritário. — Porém, não há nada que eu possa fazer, eu não vou te impedir de ficar com esse garoto.
Wade ia reclamar novamente quanto a questão do "garoto", mas May o fuzilou com os olhos, fazendo-o se calar.
– Eu espero que os dois saibam o que estão fazendo.
– Obrigado, tia May — disse Peter, sincero.
– É, valeu — falou Wade dando um sorriso exageradamente aberto.
– Quando eu vou poder sair? — indagou Peter.
– Assim que comer — disse May colocando a badeja no colo do sobrinho.
– Argh... odeio comida de hospital.
– Nem me fale — disse Wade torcendo o nariz para a bandeja.
– Anda, se quiser mesmo sair vai ter que comer.
Peter suspirou, derrotado, começando a ingerir a horrível comida de hospital.
Na recepção, Harry, Sam e Gwen ainda esperavam por notícias junto a Rick. Depois de vários minutos esperando, os quatro avistaram Wade e May ajudando Peter a andar em direção deles.
– Eu to bem — disse Peter -, sei andar sozinho.
– Se você ficar se mexendo demais vai abrir seus machucados e piorar os internos — disse May -, talvez seja melhor eu levá-lo pra casa.
– Não, tia May, por favor, eu vou ficar de repouso, juro!
– É saudades minhas — disse Wade, convencido -, ele não vive sem mim.
– Não abusa da sua sorte, Wilson — resmungou Peter.
– Abusar de quê? Mesmo inteiro você não conseguiria me derrubar.
Peter cerrou os olhos, afim de bater em Wade, mas May logo os interrompeu.
– E é assim que os dois namoram? Escuta aqui garoto, cuide bem do meu menino! Senão vai se ver comigo!
– Sim, senhora — respondeu Wade rapidamente com uma voz meio afinada, fazendo Harry e Peter segurarem a risada.
– Vamos — disse Harry.
May deu um beijo na bochecha de Peter, despedindo-se dos outros também e os deixando ir.
– Bem, daqui eu volto pra delegacia, foi um prazer conhecê-la, Gwen — disse Rick apertando a mão da loira.
– Avisa pro meu pai que o Peter tá bem.
– E você, me avise quando piorar — disse Rick para Wade num tom autoritário.
Wade apenas dignou-se a assentir, incerto se realmente faria aquilo.
Depois de despedir-se de Rick, todos foram até o carro de Harry, acomodando-se e voltando para a universidade.
– Eu acho bom você obedecer as ordens da sua tia, Peter — disse Gwen.
– Vai ser um pouco difícil burlar com vocês no meu pé — bufou o moreno.
– Eu te passo as matérias atrasadas.
Após Harry estacionar na universidade, os três foram rindo até o Campus de um Peter irado sendo carregado por um Wade sorridente.
– Eu sei andar! — exclamou Peter pela milésima vez, sentindo a mão boba de Wade passar pelo seu traseiro descaradamente.
Wade ria da indignação do menor, até observar a carranca de Peter mudar para uma expressão séria. Wade, Harry, Gwen e Sam olharam para trás na mesma direção que fizera Peter se calar, vendo Flash totalmente machucado, meio andando e meio mancando na mesma direção deles.
Os cinco pararam, mas Flash continuou andando, sem olhar para trás, com uma expressão de ódio estampada no rosto.
– Uau, você acabou mesmo com ele — disse Harry, surpreso.
– Ele nem te afrontou, Wade — disse Sam, confuso.
– Eu sei intimidar as pessoas — sorriu o loiro de modo convencido. — Aqui, Osborn, a mercadoria é sua agora, eu preciso ir na Aesir caso o Flash queira descontar no Hogun.
– Aaah! Me soltem vocês dois!
Harry riu, pegando Peter no colo.
– Eu vou com ele — disse Sam.
– E o meu beijo? — indagou Harry fazendo bico.
Sam riu balançando a cabeça em negação, enquanto se aproximava de Harry, dando um beijo nele.
– Argh... — gemeu Peter no meio daquilo, avistando o beijo de camarote. — O cara tá com pressa Harry, tira essa língua daí.
Sam finalizou o beijo, rindo da situação de Peter. Ele e Wade voltaram para a Aesir enquanto Gwen, Harry e Peter foram para o Vórtex.
Wade e Sam já chegaram na república ouvindo a fúria de Flash contra Hogun, mas ele não estava o batendo, os dois discutiam aos berros.
– Isso não é justo! Olha só pra mim! E a culpa foi toda dele! — berrou Flash apontando para Wade, que arqueou a sobrancelha confuso em relação ao assunto. — Não se faz de idiota, Wilson! Você mandou aquele cara pra me bater!
– Mandei mesmo, você mereceu!
– Não quero saber, Thompson, você fez uma pessoa parar no hospital por um motivo ridículo! — devolveu Hogun.
– O que tá acontecendo aqui? — perguntou Sam.
– Eu expulsei ele da Aesir — disse Hogun -, e não adianta reclamar, essa república é minha e eu digo quem fica ou sai. Já arrumei suas coisas, pega as malas e some daqui.
– Ótimo! Eu não queria mesmo viver com vocês! São todos uns imbecis! Uns bichinhas de merda! — berrou o loiro.
Flash pegou suas coisas, saindo da república e batendo a porta com força atrás de si.
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