Crônicas de uma galáxia
12 Juntos
Depois de um tempo, decidimos que “Guapo” e “Guapa” era o nosso correspondente secreto a “namorado” e “namorada” ou “amor”. Como eu simplesmente não podia chegar à escola de manhã cedo, o abraçar e dizer “Bom dia meu amor”, eu me contentava em parar ao lado dele, sorrir e soltar um “Bom dia Guapo”.
Nós também já falávamos “Eu te amo”. Era a coisa mais natural do mundo, e parecia que eu dizia isso para ele a minha vida inteira.
A primeira vez veio um dia depois do começo do namoro, numa mensagem:
“Amor, pode me lembrar amanhã de revisar meu trabalho da faculdade? Capaz de eu esquecer. Obrigado. Eu te amo.”
E foi assim. E eu amava amar ele. Era um sentimento intenso e calmo, quente e interminável. Pra mim, era como se fosse infinito e em expansão, tal qual o universo. Finalmente, éramos uma galáxia. E eu amava a nossa galáxia.
Gostava de vê-la girar quando estávamos juntos, e observar a dança complexa das nossas estrelas, que se davam tão maravilhosamente bem. Era um espetáculo a parte, que só nós dois podíamos ver, mas eu estava louca para mostrar para o mundo todo.
Com o passar dos dias, entramos no último mês de aula. Eu passava todos os momentos possíveis ao lado dele, ouvindo aquela risada. Matava aula para ficar mais tempo com ele no pátio. Era a primeira aluna a sair e a última a entrar. Vivia doente, indo ao banheiro e tomando água.
Passei a ser mais descuidada em esconder o que tínhamos, mas não ligava mais também.
Dezembro era meu último mês. Era o último mês dele. Era o nosso último mês. E eu o amava tanto.
Quando tínhamos menos de duas semanas juntos antes que eu me mudasse, escrevi uma carta. Três folhas de ofício com tudo que eu já havia dito para ele, e o que eu não havia dito ainda. Chorei um pouco escrevendo, mas felizmente as lágrimas não mancharam o papel.
Não escrevi a carta toda de uma vez. Escrevia somente quando estava inspirada. Foram várias tardes rascunhando, riscando e reescrevendo antes de achá-la perfeita e digna.
Ia deixar para entrega-la no último dia.
E enquanto isso, eu me preocupava apenas em gravar o som daquela voz, e da sua risada. E o jeito como ele vestia a jaqueta. E arrumava o cabelo. E andava. E todos os seus movimentos. Eu não queria perder um detalhe. Não queria esquecer nem uma coisa. Queria eternizá-lo na minha mente, para quando estivéssemos separados.
E os dias passaram.
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