Crônicas de uma galáxia
13 Primeira Despedida
No meu último dia de aula, eu sentia como se fosse morrer.
Todos os professores resolveram dar uma folga aos Alunos, e todas as turmas ficaram assistindo filmes ou vadiando pelo pátio da escola. Nós, considerando as opções, assistimos a um filme.
Sentamos sobre algumas mesas no fundo da sala, atrás de todos os Alunos, e eu escorei minha cabeça em seu ombro, cruzando os braços. Sentia seus dedos correndo pela manga do meu moletom e tocando levemente a minha pele, e aquilo tirava completamente a minha concentração. Tentava prestar atenção nas cenas: uma mulher tentando superar o marido morto que a enviava cartas. Mas em pouco tempo, a sensação do corpo dele tão próximo do meu foi mais importante, e eu me concentrei em gravar aquele toque, e transformá-lo numa memória para ser revivida depois.
Muitos dos meus colegas assinaram a minha camiseta do uniforme, lamentando que eu não estivesse com eles ano que vem e que sentiriam minha falta. Marco fez questão de assinar também, escrevendo “Guapa, love you so much, from now to forever” no meio da blusa.
Passamos o resto da manhã sentados no mesmo muro de sempre, observando todas as outras constelações comemorando o fim do ano letivo e o fim de um regime escolar. Mais de uma vez tive que ir ao banheiro chorar.
Enquanto, para todos os alunos da rede estadual, era um dia feliz, para mim se resumia no dia em que eu seria privada da atual razão da minha existência. Era como se um ser maligno indefinido, enorme e assustador estendesse suas garras sobre mim e ameaçasse arrancar meu coração. E ele iria, e eu sabia disso.
Nas últimas duas horas, nós decidimos deixar a discrição de lado, e nos abraçamos. E ficamos abraçados, conversando com Isabella e meus outros colegas e amigos. Ás vezes, ele me beijava o rosto ou o topo da cabeça, enquanto eu fechava os olhos e prendia aquele momento na minha memória, desejando que durasse para sempre.
Quando, por fim, o sinal bateu avisando que a aula estava acabada, uma multidão de constelação foram todas na mesma direção, colidindo umas com as outras. Eu me despedi de muitas pessoas, pessoas que nem lembro mais os nomes, os rostos ou o que fizeram pelo tempo em que estavam na minha vida.
Marco se despediu também, com um dos braços sobre os meus ombros enquanto eu mantinha um dos braços na sua cintura. Alguns dos Alunos comentaram, mas eu não os ouvi. Estava em uma corda bamba, e a qualquer momento me desequilibraria e cairia no abismo.
Quando Isabella foi se despedir de mim, nós nos abraçamos e choramos como duas crianças. Prometi a ela que escreveria, e que nos falaríamos todos os dias, e que eu mandaria fotos e que eu nunca a esqueceria, e que seríamos melhores amigas para sempre.
Aos poucos, a escola foi se esvaziando. Os amigos que eu fiz na escola se despediram de mim, e eu chorei mais. E então, eu tive que me despedir do Marco.
O abracei, mas não consegui chorar. Mesmo que quisesse, eu tinha certeza de que éramos para sempre e nada nos separaria, nem tempo nem distância. Então, só o abracei. O abracei uma última vez. Ouvi sua voz uma última vez, prometendo que me amaria pra sempre. E, como antes, coloquei a carta em sua jaqueta e o fiz prometer que só leria em casa.
Enquanto me afastava dele em direção ao ônibus, sentia que aquele monstro finalmente tinha arrancado meu coração.
Eu queria correr. Correr pra ele, abandonar tudo e me aconchegar nos seus braços, e ser feliz pra sempre. Queria a presença dele todos os dias, e queria poder dizer que o amava pessoalmente todos os dias, e queria poder beijá-lo e gritar para todo mundo que ele era meu e nada o tiraria de mim.
E, enquanto o carro se afastava da escola e eu o perdia de vista, eu chorei.
Dias depois, entrei num avião.
Em uma hora e quinze minutos, estávamos a 1184 quilômetros de distância.
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