Notas iniciais
Esse cap é narrado pela Waverly, ok? — Ah! Para quem não sabe do que me chamar e me chama de "Astronauta"... prazer, eu sou a Brandi. haha Eu devia ter me apresentado no primeiro capítulo, né? Desculpa. Bom capítulo para vocês —----

Waverly

Sai do tribunal arrasada, o juiz não deu habeas corpus para Wynonna, mesmo depois do depoimento das outras pessoas. Ele disse que poderia solicitar mudança de local, fiquei de dar uma resposta até o final da semana.

Cheguei na delegacia, não vi a Nicole. Queria contar para ela o que aconteceu. Dolls entrou na sala do Nedley e perguntou se a oficial Haught estava de patrulha, o Xerife disse que ela não tinha aparecido.

— Achei que vocês tinham brigado no tribunal e ela tivesse vindo trabalhar. — Comentou Dolls, saindo da sala do xerife.

— Por que você achou que ela ia para lá? — Perguntei.

— Porque ontem eu a convenci de ir e quando eu sai da casa dela hoje de manhã ela me disse que ia.

— Por que você estava na casa dela hoje de manhã?

— Isso não vem ao caso agora, Earp. — Tirou o celular do bolso — Vou ligar para ela.

— Já tentei. Nada. — Disse o Nedley saindo da sala dele.

— Eu vou à casa dela então. — Avisei virando as costas.

— Ahn, Waverly. Melhor você ir ao Shorty's e a outros lugares que ela poderia estar, deixa que eu vou a casa dela. — Não entendi qual era o problema em eu ir a casa dela.

— Você sabe de alguma coisa. Fala. — Virei para ele e cruzei os braços.

— A gente ouviu alguns barulhos estranhos ontem, então se tiver algo ou alguém lá é melhor você não ir. — Ele tentou me dizer cautelosamente.

— Há, agora que eu vou mesmo. Se tiver alguém lá que saiba onde ela esteja eu quero ver quem é. — Virei as costas e sai da sala.

— Waverly! — Ouvi Dolls gritar atrás de mim. Passei na sala da BBD e peguei minha arma.

Toquei a campainha dela e nada. Dolls deu a volta na casa e encontrou o celular dela destruído, além do carro que ainda estava estacionado. Sybil me viu e começou a escalar a tela de proteção tentando sair da casa. Peguei a chave reserva da porta dos fundos, embaixo de um vaso e entrei. Chamei. Nada. Fui até o armário dela e contei quantos uniformes tinham, para saber se ela tinha ido trabalhar ou não. Coloquei mais água para Sybil e saímos. Olhamos com mais atenção para o chão, sangue. Gelei. Era pouco, mas ainda assim era sangue. Dolls pegou um saco para colher amostra.

— Eu vou ali na obra perguntar se eles viram algo. — Aviso Dolls correndo para o lado leste. Liguei para o Xerife pedir para bloquearem as saídas da cidade, isso se já não tivesse saído. Abri o carro dela e vi que a Ammolite estava lá. Ótimo, poderia ser retornado, demônio ou humano. Dolls voltou e disse que eles tiveram uma reunião até as 9 am, que não tinham visto nada.

— Nicole pode ter achado que o carro era de um deles. A marca do pneu que tem rastro para esse lado não é de nenhum deles.

Dolls me levou para a casa da Mattie e foi encontrar com a Rosita para analisarem as amostras de sangue.

Feitiço de localização, vimos apenas um lugar escuro.

Estava correndo tanto desde a hora que eu acordei que comecei a passar mal. Mattie me obrigou a sentar, comer e conversar sobre e o que eu estava sentindo.

— Você acha que é melhor transferir a Wynonna? — Perguntou fazendo algo no fogão.

— Não sei, a Gus ficou de me dizer o que achava melhor, mas se acontecer alguma coisa eu estou perto para correr até ela. O que você faria?

— Wynonna vai arrumar confusão em qualquer lugar que ela for. Ela conhece essa Megan, todo mundo sabe que sua irmã ficou com o namorado dela, então essa briga foi mais do que esperada. Wynonna vai conseguir se sair bem, o problema é se nem todas que estiverem lá forem totalmente humanas. Nesse caso eu perguntaria, mas vocês ainda não estão liberados para vê-la...

— Mas ela pode me ligar ou falar com o advogado.

— Come. — Colocou um prato com um pouco de comida na mesa e cruzou os braços.

— Não estou com fome, M. — Afastei o prato.

— Não foi uma pergunta. — Deu dois passos em minha direção, ela não parecia que vinha me abraçar. Peguei o prato e dei uma garfada na comida a contra gosto. Mattie deu um meio sorriso, descruzou os braços e se sentou. Terminei de comer e ela se levantou. — A Constance pode te ajudar. — Tirou meu prato e colocou na pia. Me levantei e esperei que ela continuasse a falar. Nada.

— Por que você só me disse isso agora? — Peguei minha bolsa e comecei a andar para a porta, com o celular na mão.

— Alguém tem que cuidar de você. — Pegou a chave do carro dela. — Doc está te esperando. Entramos no carro e ela sorriu para o vidro da frente. — Você realmente ia a pé? Está nevando.

— Eu faria qualquer coisa por ela.

Ela parou o carro em frente a uma loja de ferramentas e me olhou.

— Eu sei que esse não é o melhor momento da sua vida, mas como você está se sentindo? — Eu abri a boca para responder, mas eu não sabia o que dizer, logo senti uma dor no estômago e meus olhos começaram a embaçar. — Ei, — Se inclinou um pouco em minha direção e me abraçou. Enchi a blusa dela com lágrimas. — vocês vão conseguir encontrá-la, vão conseguir tirar sua irmã da prisão, vão conseguir fazer tudo o que precisam.

Quanto mais ela falava, mas eu chorava. Eu não queria chorar. Não queria perder meu tempo chorando. Queria correr atrás da Nicole. Queria achá-la. Mattie não tinha que ter me feito lembrar que além de me preocupar com os outros eu tinha que lembrar que também tinha que sentir algo. Eu não precisava. Não naquele momento. O que eu precisava era parar de chorar e ficar racional. Eu ia desenterrar a Constance Clootie em troca dela me dizer onde Nicole estava. Isso se o acordo fosse fácil. O problema era que eu ainda estava abraçando a Mattie com toda a força e ensopando sua blusa, fazendo barulhos com a boca de um choro desesperado. Não era só por causa da Nicole ou por causa da Wynonna ou por causa da meiose não-humana, era todo o emaranhado que tinha se formado e se juntado. Mattie me segurou firme pelos ombros depois de algum tempo e me encarou.

— Você já chorou, já colocou para fora o que poderia te atrapalhar. Agora seque seu rosto, porque todo mundo vai precisar de você inteira e não dá para brincar com a Constance. — Apontou para o outro lado da calçada, Doc estava parado lá, olhando para gente e fumando. — Respira. Respira fundo. — Respirei junto com ela — Agora vai. — Ligou o carro e ficou me esperando sair.

— Obrigada por não me deixar eu me sentir sozinha. — Sorri e abri a porta.

— Sempre o que você precisar... — Fechei a porta e contornei o carro.- Espera. — Fui até o vidro. — Aprendi uma coisa com minha irmã e eu acho que vai ser útil para você. Sempre seja clara com os acordos que você faz, não ache que pedindo uma coisa outra vai acontecer, porque não vai e pode alguma coisa ou tudo dar errado.

— Ok. — Corri até o Doc — Como que meu carro chegou aqui inteiro com você dirigindo? — Estendi a mão esperando as chaves.

— Auto escola é para os covardes, mas você vai precisar de uma caixa de correio nova. — Deu uma última tragada e se sentou no banco carona, deixando duas pás no banco de trás. Ele ia me dando mais ou menos a direção até o local. — A gente vai usar a Cece para procurar a Nicole e soltar a Wynonna ou só a Nicole?

— Você acha que consegue mais de um acordo? A gente sabe que ela quer sair de lá, mas o que a gente tem que possa interessar a ela?

— A gente pergunta. Sempre tem algo que ela possa querer. — Doc tentava não transparecer, mas ele estava tão preocupado quanto eu. — Se você tivesse que escolher entre salvar uma e a outra?

— Ainda bem que eu não tenho que escolher. — Olhei séria para ele, mas ele me devolveu o olhar.

— Mas e SE... ?

— Wynonna. — Respondi sem pensar duas vezes.- Mas a gente sabe onde ela está e que tem alguém que vai ajudar a protegê-la. Eu não sei nada da Nicole, ela deve estar precisando de mim. — Respirei fundo e parei o carro. Constance estava enterrada do pescoço para baixo. Como o sal diminuia seus poderes, aquela tinha sido uma brilhante solução.

— Você quer que eu fale? — Perguntou Henry descendo do carro.

— Volta para o carro, deixa que eu falo. Esqueceu que vocês se odeiam? — Sai do carro e Constance abriu os olhos. Cheguei perto dela e me abaixei. — Preciso encontrar a Nicole, você pode me ajudar?

— Vamos por partes, pequena Cryderman. — Mexeu um pouco o pescoço e me olhou. — Qual sua proposta?

— Eu te tiro daqui e você me ajuda.

— É um bom começo, me tirar daqui, mas e quando eu sair, quem garante que eu vou te ajudar?

— Dini está presa, Bobo não pode chegar perto de ammolite, Mattie e quilos e quilos de sal.

— Oh, — fez cara de nojo- Mattie. Que seja. Considere aceito. Esse sal todo está estragando minha pele. — Virou o rosto de lado e parou de me olhar. Me levantei para pegar a pá e chamar o Doc. Foi fácil. Talvez tivesse algo errado. A tiramos de lá e a amarramos. Antes de chegar na casa da Mattie, Constance resolveu falar.

— A Dini está grávida. — A olhei pelo espelho retrovisor, tentando entender o motivo dela ter dito. — A Dini é uma retornada e ficou grávida do Jerry que é um demônio, o mesmo demônio que possuiu o Clootie.

— Então esse Jerry que está com o demônio original? — Perguntei estacionando o carro.

— Não, mas para o que eu preciso não faz diferença. Ela me ajudou, então eu vou ajudá-la. Vocês me ajudam e eu ajudo vocês.

— Então do que você precisa? Tirar ela de lá a gente não vai.

— O bebê a está matando aos poucos, ela não vai durar os nove meses, mas quer ter o bebê. Eu perdi os meus dois filhos para o Wyatt, não vou deixar ela perder o dela.

— Você... não é tão má quanto eu achei que fosse. — Comentei, mais para mim do que para ela.

— Ela me deixou num poço por 130 anos. — Comentou Henry.

— Se dependesse de mim ainda estaria lá.

— Uhn, — Não soube o que responder. — Sai do carro e a puxei para fora. Mattie abriu o portão e nos deixou entrar pela garagem. Mattie pegou uma mangueira.

— Esse lugar é pequeno demais para nós duas. — Ligou a mangueira, esperou o Doc amarrar a inimiga no portão e começou a jogar água na Constance Clootie.

— As duas vão ficar fazendo campeonato de camiseta molhada enquanto minha namorada pode estar ferida? — Revirei os olhos.

— Sua avó não funciona com temperada, lembra? — Disse Doc tentando não rir da cara da Constance. Entrei na casa e peguei uma toalha.

— Já chega! — Gritou Constance, tentando se soltar.

— Confere se saiu tudo, senão a gente providencia outro banho. — Andei até elas e soltei uma das mãos dela.

— Você sabe que tá fazendo -19ºC, né? — Perguntei para Mattie, entregando a toalha para Cece.

— Não é como se ela fosse morrer. — Guardou a mangueira e entrou em casa.

— Do que você precisa?

— De tempo. Ainda estou sob efeito do sal.

— Então me ensina. — E ela ensinou. Pratiquei por horas e não consegui reproduzir. Doc havia soltado ela, mas ficava constantemente apontando uma arma para sua cabeça.

O xerife tinha colocado algumas pessoas para procurarem a Nicole, mas como não tinha passado de 24 horas eles não poderiam formalizar uma denúncia ou protocolo.

Acabei dormindo, exausta no sofá da Mattie. Acordei com o Sol já batendo na janela e o meu celular vibrando. Clarissa.

"Ei, Waverly. Não consigo falar com a Nicole desde ontem. Está tudo bem?"

"Ela não foi trabalhar ontem, ninguém sabe onde ela está, mas o celular dela está comigo e quebrado."

"Meu irmão tentou falar com ela ontem sobre a Wynonna. Será que a Nicole está na casa da mãe dela?"

"O que tem a Wynonna?"

"Bom, a Megan foi assassinada ontem a noite e como ela teve outra briga com a Wynonna, parece que ela é uma das suspeitas."

"E mais essa agora? Obrigada por ligar, quando eu souber da Nicole eu te aviso." — Desliguei, liguei para o tio Viktor e ele me disse que eu poderia ir visita a Wynonna e que a briga que ela teve tinha sido verbal, não física.

Fui até a cozinha e encontrei Constance e Doc. Ela empurrou o mapa com um círculo.

— Olha que ironia, se o Doc não saísse do poço, ele já teria encontrado a Nicole. — Olhei para ele e depois para ela esperando uma confirmação.

— O que?

— Eu já avisei o Dolls e o Xerife. A gente tentou te acordar, mas foi impossível. Já estão atrás dela, pode ficar tranquila.- Informou Dolls.

— Como eu vou ficar tranquila se eu não sei como ela está? Quem jogou ela no poço? Wynonna vai ser acusada de assassinato, tem um monte de gente morrendo e eu não sei mais o que eu estou fazendo. — Me encostei na parede com a mão na testa, tentando respirar. Mattie entrou na cozinha com o telefone residencial na mão.

— O Dickenson disse que tem um homem lá na delegacia perguntando da Nicole.

— Não estou com cabeça para isso. Eu preciso ir ao presídio. — Tentei passar, mas ela não deixou.

— Parece que ele sabia que alguém ia fazer algo com ela, mas não quer falar com o segurança. A delegacia está vazia. — Pensei por alguns segundos.

— Liga para o Dolls, pergunta como anda a busca, explica o que está acontecendo. Pode ser que ele consiga mandar alguém para delegacia. — Peguei minha bolsa e abri a porta. — Eu preciso ver minha irmã. Quando você conseguir falar com o Dolls me avisa.

"Nada de contato físico, apenas um abraço curto quando entrar e quando sair"

Wynonna estava com alguns hematomas no rosto, arranhões nos braços e pescoço, exceto isso ainda estava igual a antes.

— Você sabe quem foi que matou a Megan? — Estavamos sentadas com uma mesa nos separando.

— Ai, babygirl. Megan foi tomar banho e nunca mais voltou. O problema é que foram duas no mesmo dia, a primeira foi uma das seguranças.

— Onde você estava quando aconteceu?

— Dormindo, como todo mundo. Ela sempre acordava antes para não pegar fila.

— Então tem como provar que você não saiu do quarto.

— Da minha cela, você quer dizer? — Fez uma pausa para me encarar — Então, ter até tem, mas se alguém quiser me culpar vai ser fácil de conseguir. Ter provas já é outra coisa. Qualquer uma delas, — apontou para a entrada do presídio. — pode ser comprada com um cigarro. Ninguém sabe quem foi, mas todo mundo viu eu brigando com ela, porque ela estava atormentando uma das garotas, a Bianca, que dormem do mesmo cativeiro que eu.

— Por que ela estava "atormentando" ela?

— Aparece que ela estava implorando desculpas por ter feito a Bianca ir para a solitária na semana retrasada. Bianca disse "não" e ela surtou.

— A Gus quer te transferir. O que você acha?

— Acho que se me transferirem agora vão achar que eu tenho culpa, então...

— Ok. — Me encostei na cadeira. Você está bem mesmo? Apesar de tudo?

— Levando, não é como se eu não tivesse previsto isso, né? E você e a Nicole? Estão bem? — Eu não queria mentir para minha irmã.

— Eu preciso ir, o advogado está esperando para vocês conversarem. — Me levantei e a abracei. Eu estava arrasada, mas ela não precisava ver. — Tenta não arrumar confusão, ok?- Nos soltamos. — Todo mundo que te ama está tentando te tirar daqui. Seja forte. Te amo. — A olhei por mais um instante e sai. Peguei meu celular, 11 horas em ponto.

X (10:11): Acabamos de falar com o rapaz na delegacia, já identificamos os culpados, aparentemente.

Nedley (10:36): Encontramos a Oficial Haught.

Nedley (10:54): Estamos levando a Nicole para o hospital do centro, mas não estamos conseguindo falar com ninguém da família dela. Você tem algum outro telefone?

Nedley (11:00): O Dolls conseguiu um telefone.

W (11:01): Ela está bem?

Quando cheguei no hospital, Dolls estava explicando a situação da Nicole para alguém. Ele não deixou eu passar pela recepção. Cruzei os braços e fiquei de frente para ele para ouvir.

"Não, a gente não conseguiu falar com ninguém da família dela além de você e a situação é ruim, muito ruim."

Olhei para ele novamente e tentei passar e ele não deixou, me segurando com o braço e uma das mãos pela cintura. Eu estava impaciente e cada vez mais assustada.

"Eu sei que é uma viagem longa." "Em 5 horas? Ok." — Desligou e me olhou tentando criar coragem para falar. Passou a mão no rosto e se encostou na parede.

— O Nedley disse que encontraram ela num poço. Dentro dele. Amarrada.

— A parte do poço eu já sabia, eu quero saber como ela está. Não tenta amenizar a situação, só fala.

— Acabaram de levá-la para o centro cirúrgico, pelo que os policiais disseram, ela deve ter passado horas apanhando e provavelmente acharam que ela tinha morrido e jogaram ela lá, com a água quase congelada. Quando a acharam ela estava consciente, chamou o Nedley pelo nome inclusive, mas não temos como saber o tamanho do estrago sem examinarem ela antes. É possível que você não consiga vê-la hoje. — Eu ouvia ele falar, mas estava em estado de choque. Não conseguia raciocinar nada por vários minutos. — Waverly? Waverly? — Eu mantinha o contato visual, mas eu estava ausente.

Notas finais
------------ O que acharam do cap com a narração da Waves e do cap no geral? Tenho um aviso para fazer antes de me despedir. Não vou colocar uma data para o próximo capítulo. Motivo: A fanfic está acabando e eu vou terminar de fazer os caps para voltar a postar. Porque se eu escrever algo que eu queria mudar, se eu postar não vou ter como, então pode ser que eu poste na próxima terça ou não. Bjs, Brandi