Crônicas de Arkauss

5 Capítulo 5 - Calmaria na Tormenta


Notas iniciais
Fala galera! Desculpem a demora, mas ai vai mais um capítulo dessa história que esta cada vez melhor, espero que gostem. Abraços!

Connor acorda com um raio de sol o atingindo no rosto através da fresta deixada pela madeira da janela. Mais um dia amanheceu. A imagem da princesa Susana no jardim do palácio aparece em sua mente como um lampejo, mas logo ela se estingue, dando lugar à imagem de Luna. Um calor toma conta de seu peito com a expectativa de vê-la.

O jovem se veste e sai do quarto, deixando o dinheiro na pequena recepção. Já na rua, ele encontra seu cavalo amarrado ao pequeno poste, encarando-o como se já soubesse que iriam andar bastante nesse dia. Connor pensava que muitas vezes seu companheiro era mais humano que cavalo.

— Hey, não me olhe assim – diz o jovem sorrindo – você vai gostar de quem vamos visitar.

O cavalo relincha e parece mudar de expressão para uma mais alegre, ou menos amarrada. Por fim, o animal permite que o cavaleiro ponha as suas coisas no seu lombo. Assim que elas estão ajeitadas, os dois partem da pequena cidade em direção à que a pequena bruxa se encontrava.

O caminho até o pequeno vilarejo é coberto por estradas de terra batida e plantações de cevada. Ao passar por uma moita de flores silvestres roxas, Connor se pega imaginando Luna em sua frente dentro do quarto da pousada a qual ele a deixara. Mas as cores fixas na memória do jovem o fazem lembrar também da linda mulher de cabelos dourados.

Como companheiras de viagem, as memórias de ambas o seguem por toda sua jornada.

Assim que atingem os arredores do vilarejo com o Sol já a meio caminho de se pôr, seu coração dispara de expectativa. Como será que ela deve estar? Será que fugiu por não se acostumar àquele lugar? Será que está magoada por ele não ter se despedido? As perguntas se amontoam em seus pensamentos até que chega à entrada do vilarejo, que agora parecia estranho: Suas casas e ruas de pedra e terra pareciam diferentes do lugar que ele lembrava, mas a disposição das ruas deixava claro que ele não tinha errado o lugar, era lá mesmo.

Assim que adentra o piso pavimentado rusticamente do vilarejo, Connor desce do seu cavalo e começa a caminhar a passos temerosos olhando para os lados. À medida que andava, as pessoas iam aparecendo de dentro de becos ou de trás de suas portas e janelas. Com isso, pouco a pouco a cidade ia ganhando vida novamente.

Ao contrario do resto da cidade, a pousada lhe pareceu familiar e o senhor que saia dela também. Ela ainda estava próxima à entrada e ainda parecia velha, mas robusta. Assim que Connor viu o homem, acenou e este o respondeu também acenando com a cabeça e sorrindo, o jovem então andou na direção a ele, que o cumprimentou.

— Senhor Arkauss! Que bom vê-lo novamente, soube que agora será um guarda real.

— As notícias correm rápido por esse reino não? – Responde o jovem sorrindo.

— São os mercadores senhor, eles fazem todo esse trabalho. – O homem cruza os braços e fica o mais ereto que pode, ficando maior que o jovem cavaleiro.

— Sim é verdade, mas deixando isso de lado, a garota que me acompanhava da ultima vez que eu vim, — Connor hesita por um instante temendo a reposta — ela ainda está por aqui?

— Sim, sim. – Responde o senhor animadamente.

— Posso falar com ela? – Diz Connor com o rosto se iluminando.

— Infelizmente não senhor Arkauss, ela está não está lá dentro agora.

— Como? – Os ombros do jovem caem repentinamente, causando uma risada estrondosa do dono da pousada.

— Ela saiu agora a pouco para comprar algumas coisas, mas não deve demorar, quer esperar por ela lá dentro?

— Se não foi incomodar... – diz o jovem meio chateado com a notícia, mas ainda sim esperançoso.

— Ah, de maneira nenhuma, é uma honra receber um guarda real na minha humilde hospedaria.

— Err... Futuro guarda real senhor – diz Connor meio sem jeito.

— Detalhes, detalhes – brinca o homem gesticulando dramática e exageradamente.

Os dois entram e o jovem se direciona para o quarto em que ela ficava. Ao entrar, Connor se depara com um quarto muito bem organizado e limpo. “Como já era de se esperar” ele pensa. Andando mais alguns passos, ele encontra a tina e a tigela na qual ela tomou banho daquela vez, a visão desse objeto faz com que os pensamentos confusos e rápidos passem novamente pela cabeça do cavaleiro, que os afasta sorrindo e desvia o olhar para a janela, que dava vista para a pradaria por onde chegaram.

Então ele escuta a porta ranger atrás de si. Quando se vira, a vê entrando com uma sacola de pano nas mãos em que frutas e verduras se amontoava zelosamente. Seu olhar, apesar de distante e fixo no chão, está mais vivo e suas roupas estão novas, mas conservam o tom de sempre. Connor se sente muito feliz ao ver que ela está melhor do que a ultima vez que ele a viu, mas ela ainda não percebeu sua presença ali.

— Olá, Luna – Diz Connor olhando em sua direção fixamente.

A garota olha para frente e vê o jovem encostado na janela. Seus olhos antes distantes focam em seu rosto e se arregalam como se fossem engolir a imagem do rapaz de uma só vez. Sua boca se abre como se ela fosse dizer algo, mas as palavras não saem, suas mãos então soltam a sacola, que cai espalhando todas as compras pelo chão.

— Connor... Connor... você realmente... voltou... – disse ela com os olhos se enchendo de lágrimas em meio a algo que se tornava lentamente um sorriso.

— Eu te disse que iria voltar, não disse? – O jovem diz isso e caminha em direção a ela.

— Mas... – Ela parecia confusa em sua alegria.

— Ei, eu sei que isso pode soar novo para você, mas eu prometi que não te deixaria e é isso que eu vou fazer.

Ela então avança sobre ele e o abraça, tão apertado que ele sente que suas preocupações desapareciam junto com suas costelas.

Ele a sente soluçar de leve.

Connor a aperta mais um pouco em seu abraço e depois a afasta um pouco, apenas o suficiente para encarar seu rosto por algum tempo, prestando atenção em suas feições enquanto ela para de soluçar. Sem desviar o olhar de seus olhos castanhos o rapaz limpa uma lágrima que penosamente descia em sua bochecha e diz:

— Não precisa mais chorar Luna, você não está mais sozinha.

Ela então sorri de leve e se solta do abraço. Assim que vira as costas, limpa os olhos e se abaixa para começar a recolher as compras do chão. Connor vai a seu lado sem dizer nada e a ajuda. Repentinamente o olhar do rapaz brilha e ele rompe o silêncio:

— Tive uma ideia! -Fala ele com o olhar em chamas

— O que? – Pergunta Luna levantando uma sobrancelha.

— Você gostou de andar a cavalo quando viemos para cá, não é?

— Sim... – Luna ainda se envergonhava por ter ficado com medo de acompanhar o jovem.

— Então, o que você acha de aprender a andar sozinha a cavalo? Se você se sentisse entediada aqui, poderia andar com algum, que tal?

Os olhos de Luna ascendem de uma maneira que ele nunca tinha visto, ele não precisava de uma resposta, já tinha a sua.

— Muito bem, amanhã de manhã vamos tratar disso.

— Tudo bem! – Responde ela – e Connor...

— Hum? – Ele para e a olha com um tomate nas mãos.

Luna desvia o olhar.

— Obrigada... por tudo.

Connor sorri de leve, ele não sabia o que dizer em seguida, apenas continuava sorrindo.

Os dois logo terminam de recolher tudo e passam o resto do dia conversando, falando sobre o que aconteceu com cada um nesse curto período de tempo longe um do outro.

Ao cair da noite, ceiam juntos no quarto de Luna e o jovem decide se deitar no quarto ao lado, cedido pelo senhorio do lugar de bom grado.

— Será uma ótima propaganda para minha hospedaria – diz o senhor acenando de costas para Connor.

O jovem sorri e se despede de Luna, que apesar de sonolenta, se esforçava para se manter firme até a saída do rapaz.

— Amanhã vai ser um ótimo dia – ele diz.

— Vai sim – ela responde sorrindo à luz da lareira.

O jovem por fim entra em seu quarto e se deita ainda com as roupas, as retirando preguiçosamente sem se levantar e as amontoando ao lado da cama. Apenas sua armadura estava zelosamente posta sobre a mesa.

Assim que o dia amanhece, começam os preparativos. Passariam quatro dias fora da cidade acampando no campo. Assim saíram da pousada, um homem emprestou o cavalo que tinha em troca de duas moedas para Connor treinar Luna e os mantimentos foram comprados mais cedo, antes da metade da manhã tudo estava pronto.

— Muito bem – começou Connor assim que se alinharam fora do vilarejo – sua primeira missão será me seguir até chegarmos ao destino, você vai conseguir?

— Vou sim – respondeu ela enquanto montava com certa dificuldade.

— Fique tranquila, vou pegar leve com você. – Diz o rapaz de forma cortês.

Ao ouvir essas palavras, a postura da garota mudou e ela rangeu um pouco os dentes, soltando um sorriso misterioso.

— Já disse que não preciso de sua pena! – Ela dispara na frente, deixando o cavaleiro sem reação e de olhos arregalados.

Os dois disparam pelo campo, ela com certa dificuldade, ameaçando cair por várias vezes, mas sem parar enquanto ele se deixava ficar um pouco atrás para monitorá-la disfarçadamente.

Assim que chegaram à arvore em que pararam da última vez pelo caminho mais longo e sinuoso possível, já era quase noite. O sol se tornava avermelhado e o vento soprava frio pela plantação de trigo. Acabam por decidir suspender o treinamento até o outro dia e acendem uma fogueira para se aquecer durante a noite.

Connor arruma os sacos de dormir de ambos perto da fogueira de troncos enquanto Luna coloca a comida assando. Logo que acabam, os dois se sentam ao pé da árvore e olham o céu, cada qual pensando em algo diferente.

Luna rompe o silêncio:

— Connor, você está feliz com o que aconteceu?

— Como assim? – Pergunta o jovem ainda fitando o céu noturno.

— Com a promoção na guarda real.

— Estou sim, por que a pergunta?

— Não, nada, isso deve ser bom, não é? – Ela parecia chateada com algo, Connor sentia isso.

— Eu creio que sim, você não acha? — Connor agora tinha deixado de fitar o céu e a olhava ainda mantendo o topo da cabeça encostado na árvore.

— Sim, olha a comida está pronta. – Desconversa a garota.

Os dois ceiam sob as estrelas sem trocar palavras e se deitam ao pé da arvore, onde a garota adormece rapidamente. Connor, por outro lado, ainda procurava entender o motivo de a garota parecer triste com sua promoção. Ele ligava as estrelas em sua mente enquanto traçava algo para o misterioso comportamento de Luna.

Por fim, adormece antes de conseguir uma resposta.

Notas finais
Fala galera! Gostaram? Até o próximo capítulo que promete fortes emoções. Abraços!