Couples on Fire
67 Capítulo 67
Notas iniciais
Joanne se afasta olhando parra John, como se ele fosse um fantasma. “Não pode ser.”
– Não, acho que você se enganou, assim como eu. — Ela se vira e desce a escada atordoada.
– Calma aí, calma aí... Esse cabelo e olhos. Não tem como não ser você. Jo. — John desce atrás dela.
– Eu não queria reencontrar você John. Não foi pra isso que vim aqui. — Joanne olha para ele.
– Então diga o motivo... — John para e olha ela, que estava linda por sinal. Ele ajeita o óculos e suspira.
– A cantora... Queria conhecê-la.
– Anne? Claro, ela virá a noite. — John explica e sorri.
– Então eu volto mais tarde. — Ela sorri de lado.
– Ah... Ah... Tudo bem... — John gagueja um pouco, demonstrando nervosismo.
– É um bonito lugar. — Joanne olha para ele. — Conseguiu o que sempre quis.
– Obrigado. Quer uma bebida? Vem... — ele sorri e espera que ela o acompanhe.
Joanne sorri e acompanha ele. "Estou ficando maluca!"
– E como está depois de quase 18 anos? — John comenta terminando de descer as escadas.
– Bem. — Ela sorri. — E você e a Ellen?
– Nos divorciamos há pouco mais de um mês. — John olha ela e suspira.
– Nossa, sério? — Joanne olha para ele e tenta não sorrir.
– Sim, digamos que Ellen teve uma atitude drástica por conta de um problema particular e estragou tudo. — John fala.
– Nossa, que péssimo. Vocês se amavam muito.
– Bem, isso já foi a muito tempo. — John passa pelo balcão do bar e abrindo o freezer, ele apanha uma garrafa de uísque.
– John... Hum... E a Anne? Como ela é?
– Bem, ela é maravilhosa, loira, tem os olhos parecidos com os seus. Ela é gentil, amorosa, todos gostam dela. Estava passando por uma fase de conflitos internos, mas ela é uma pessoa incrível. — John explica e vê Jo se entusiasmar com o assunto.
– Mesmo? E ela estuda? Mora sozinha? Ou ela só canta aqui? — Joanne olha para ele com os olhos brilhando e sente uma esperança crescer em seu coração.
– Ela faz faculdade de Direito. Mora com mais umas 4 pessoas numa república. E bem, ela trabalha aqui a mais de 3 anos, cantar faz apenas 1. — ele estranha a animação dela.
– Direito. "Como o pai."– Joanne sorri. — E ela namora?
– Isso me estranha... Porque esse interesse? — John olha interrogativo.
– Ah eu só queria saber sobre ela... — A voz da mulher afina um pouco, mostrando que ela escondia algo e John sabia como interpretar isso.
– O que está me escondendo, Jo? — ele entrega uma dose a ela e vira a dele.
– Na...nada. — Joanne desconversa e vira a bebida.
– Uma hora sei que vai me contar. — John mantinha a mesma tranquilidade de sempre.
– Preciso ir John. Meu filho está me esperando no carro.
– Ah...Ah... Tudo bem. — John sorri um pouco confuso.
– Tchau John. Foi bom te ver. — Joanne sorri.
– Tchau Jo. Também foi bom revê-lo. — John se aproxima dela para dar um abraço.
Joanne se aproxima e o abraça. Ela respira fundo e sente o perfume dele, John ainda usava o mesmo perfume que Joanne tinha dado para ele quando eles namoraram na adolescência. "Seria um sinal?"
John sente algo extremamente envolvente no abraço dela, lápsos de memórias invadem sua mente e ele se vê de uma certa forma desejoso de que aquele abraço não acabasse tão cedo.
Joanne sorri ao sentir ele envolve-la. Mesmo tendo seguido sua vida com outro homem e se tornado viúva, John nunca saiu da cabeça dela, e hoje ela tinha certeza que o queria de volta.
Ele cessa o abraço e tenta disfarçar o sorriso bobo crescente em seus lábios.
– Até mais tarde John. — Joanne se afasta dele e sai da boate indo para seu carro.
– Jo! — John grita por ela.
– Eu? — Ela se vira e olha para ele.
– Está linda. — ele elogia.
– Obrigada, você também. — Ela sorri e volta para o carro. — Vamos Damien?
– Mas que demora... — Damien resmunga deitado no banco de trás com os pés no vidro da janela.
– Você está muito reclamão. — Joanne ri e liga o GPS para ir até a nova casa deles.
– O morador da casa vai sair hoje, né? — Damien questiona e vê que já se passavam das 4 da tarde.
– Sim. Você gostou da casa?
– Pelas fotos é bastante grande e aconchegante, fica ao lado de uma república. — Damien fala. — E estaremos mais perto de encontrarmos Anne.
– Não seria uma grande ironia se a casa fosse ao lado da casa da Anne? — Joanne olha para ele pelo retrovisor.
– É uma república, talvez ela faça alguma faculdade e more junto com outros universitários. Um gay, uma atleta e uma hippie quem sabe. — Damien ri.
– Credo Damien. — Joanne ri.
– Espero que ela não use drogas... — Damien arqueia uma sobrancelha voltando a sentar no banco.
– Eu duvido que ela use. — Joanne olha para ele pelo retrovisor. — Porque está falando isso? Está com ciúmes?
– Claro que não. Não vejo a hora de conhecer... Minha maninha!
– Eu também. Só fico com medo dela não nos aceitar... — Joanne engole seco.
– Ela vai aceitar, mas vamos com calma. Você é biomãe dela. — Damien sorri.
– Eu não poderia ter outro filho melhor que você. — Joanne sorri.
– Calma Myle... Ele fez bem em te trazer aqui, seria pior prá você vê-lo fazer as malas. — Jack fala a amiga.
Myle estava no sofá desolada, Anne e Blair ao seu lado consolando-a.
– Não dá pra ficar calma, ele tá indo embora. Adam foi o único homem que me tratou como mulher durante a minha vida! E se ele não voltar? E se acontecer algo? E se... — Myle abraça suas pernas e chora desesperadamente.
– Ande logo com esse chá, Li. — Jack pediu.
– To chegando. — Lia sai da cozinha e vai até a sala com uma bandeja com canecas de chá para todos.
– Calma My, ele vai voltar, não vai acontecer nada. — Anne olha para ela. A loira tenta acalmar a ruiva lutando para não desabar como a amiga.
Jack não conseguia ver a amiga daquela forma, ela precisava de algo, ele ficou estático próximo a parede pensando em algo.
Lia entrega as canecas para todos e Anne e Blair forçam Myle a tomar o chá. Lia se aproxima de Jack e entrega uma caneca para ele.
– Tudo bem? — Ela olha para ele.
– Mais ou menos, amor... Preciso fazer algo prá ela. — Jack estava tão preocupado com Myle que mal notou chamar Lia de "amor". Ele pegou a xícara.
– Podemos levá-la pra dar uma volta e depois voltamos quando o Adam tiver indo. O que acha?
– Sei para onde levá-la, mas posso só ir eu e ela? De certa forma, vai me ajudar também. — Jack suspira.
– Se quiser pode ir com meu carro. — Lia olha para ele. — Posso te dar um abraço? — Ela pergunta sem graça.
– Eu ficaria grato se fizesse isso. — Jack abre os braços com uma expressão fofa.
Lia se aproxima de Jack e o abraça carinhosamente.
Jack já sente os corpos deles se aquecerem fortemente.
– Vai ficar tudo bem. — Ela sussurra para ele.
– Prá todos nós, né? — Jack olha ela.
– É o que eu espero. — Lia sorri.
– Obrigado. — Jack suspira.
– Não precisa agradecer Jack. — Lia dá um beijo no rosto dele e se afasta.
– Eu vou lá! — Myle levanta do sofá e vai até a porta.
– Não! Você não vai! — Anne segura ela.
– Me solta Anne! Me deixa ficar lá com ele!
– Myle para! — Anne balança a amiga. — Volta em si! Do mesmo jeito que você está sofrendo o Adam também está! Respeite a dor dele por mais difícil que seja e respeite também a minha dor!
– Mas, mas...
– Vai ficar tudo bem Myle, eu prometo, ok?!
– Ok. — Myle abraça a amiga e as duas choram juntas.
– Anne, libera ela um pouco... Vamos sair amor. — Jack olha Myle.
Anne solta Myle e volta a sentar no sofá.
– Não. O Adam vai embora logo e eu quero estar aqui. — Myle olha para Jack.
– Ele vai embora as 18. Vem... — Jack estende a mão a amiga.
Myle segura na mão de Jack e com a mão livre ela limpa o rosto.
Jack olha lia e espera ela jogar a chave. Enquanto faz carinha na mão de Myle.
Lia pega a chave e joga para Jack enquanto vai até o sofá e abraça Anne.
– Blair cuide delas, certo? — Jack faz continência.
– Entendido. — Blair bate continência e sorri para Jack.
Jack ainda de mãos dadas com Myle, vai levando ela para perto do carro de Lia. Ele destrava o carro e abre a porta para que ela entre.
Myle olha para a casa de Adam e suspira. Ela entra no carro e fecha os olhos ao encostar a cabeça no banco.
Jack dá a volta e abrindo a porta, entrou e deu a partida.
– Sinto muito mesmo que tenha que passar por isso.
– Só pode ser um castigo por eu ter traído ele.
– Num pense assim Myle, por favor.
– Vou pensar como Jack? Não era pra ser assim!
– A males que vem prá bem. Você está lotada de emoções, não só sobre isso e quero te ajudar com isso.
– Como pretende me ajudar Jay?
– Vou te levar prá um lugar que ninguém vai te ouvir. Ai você vai poder liberar tudo que está sentindo. — Jack olha ela.
– Que lugar é esse? — Myle olha para ele.
– Prometo que vai amar. Chama Hilltop, alguns amigos me mostraram uma vez. — Jack sorri a ela e faz carinha na mão dela.
– Acho que só de estar com você me sinto melhor. — Myle sorri.
– Myle você não faz ideia do quão bem faz a mim. — Jack continua segurando na mão dela.
De acordo com os conhecimentos dele, Hilltop estava próximo.
– Eu digo o mesmo Jack. — Ela segura na mão dele. — Obrigada.
– Não me agradece até voltarmos. — Jack acelera e vai em direção dos morros que contornavam o lado leste de Parksville.
Myle suspira e olha para fora, observando os morros e as árvores.
Após entrarem numa estrada de terra cercada por arvoredos, Jack pegou uma segunda via na qual ia se estreitando a medida que eles ia subindo o morro.
– Fez as pazes com a Lia? — Myle olha para Jack.
– Não sou de ficar de mal, mas... Bem, acho que estar preocupado contigo nos uniu.
– Tanto que fez você chamá-la de amor. — Myle sorri de lado.
– Realmente, fui perceber isso depois. Mas, o que importa é que vou conseguir te deixar melhor. — ele para o carro fronte a uma clareia, o resto da caminhada seria a pé.
– Já está fazendo. — Myle respira fundo e desce do carro.
Jack sai do carro e sorri vendo que estava próximo de Hilltop. Ele havia sido apresentado ao lugar por alguns amigos da Faculdade. Depois acabou abraçando o lugar como um ponto de desabafo.
– É bonito aqui. — Myle caminha com Jack. — Porque aqui Jay?
– Por ser longe, quieto. Ninguém precisa ouvir o que vamos falar aqui. — a trilha termina a beira de um penhasco, eles conseguem ver grande parte da orla da praia e alguns pontos conhecidos de Parksville. — Bem vinda ao Hilltop.
– Uou. — Myle olha para o penhasco e para a orla da cidade.
– Lindo não é? — Jack olha ao redor admirando. Não deveria nem ser 17 da tarde, ele teria tempo para ajudar Myle.
– Perfeito. — Myle sorri e cruza os braços.
– Assim como você, eu também tenho meus problemas e muitas vezes a gente guarda eles no mais apertado lugar, nosso coração. — Jack começa.
– Acho que o meu não aguenta mais tanta coisa que está guardada aqui. — Myle olha para Jack e depois para a orla.
– E às vezes é bom liberarmos... Tipo... — Jack se aproxima do penhasco — Por que meus pais morreram?! — Jack berrou.
Myle olha para ele e entende o que Jack queria que ela fizesse.
– Porque minha família me odeia sendo que eu só queria ajudá-los?! — Ela grita.
– Por que perdi minha tia? Por que mal tive tempo de ver ela como minha mãe?! — Jack continua e já sente os olhos marejados.
– Por que meu pai disse ter nojo de mim e minha mãe nem conseguia olhar nos meus olhos? — Myle limpa umas lágrimas que já escorriam pelo rosto dela. — Eu sou orfã de pais vivos!
– Por que Clark nunca fica comigo? Seria eu um peso para ele carregar?! Eu amo tanto ele! — Jack berra e se ajoelha, chorando.
Myle se ajoelha ao lado de Jack e o abraça.
– Você não é um peso pra ninguém Jay.
– Desabafe My... — Jack sorri ao ver o quanto os dois se preocupavam um com um outro.
– Eu me odeio por não conseguir me decidir entre o Adam, Niky e o Duncan!
– Eu odeio quando eu sei que nunca dará certo e me mesmo assim me envolvo no amor! — Jack berra ainda mais forte, era boa a sensação de descarregamento.
– Eu odeio amar o Duncan e não conseguir admitir isso! — Myle berra e coloca a mão na boca. — Meu Deus!
– Eu odeio o fato da Lia ter encostado a boca no Adam, no John, no meu tio, ou em qualquer outra pessoa na face dessa terra! — Jack berra e se levanta, vendo que estava ficando melhor.
– Eu odeio o fato do Adam estar indo embora e eu ser tão ligada a ele!
– Eu odeio o fato de te ver assim Myle! — Jack olha ela.
– Eu odeio o fato de te ver assim Jack! — Myle olha para ele e o abraça.
Jack retribui o abraço de Myle, acabou, ambos estavam mais leves, o fato de gritar os problemas, dava a eles a oportunidade de expelir tudo aquilo que os comprimia.
– Obrigada Jack. — Myle sussurra para ele.
– Relaxa Myle, é assim que mostro que estou aqui por você. — Jack fala e sorri a ela.
– Eu sempre vou estar aqui com você Jay. — Myle olha nos olhos dele. — Sempre.
– Isso... Sempre. — Jack beija a mão dela e sorri lindamente.
Leon sai do elevador e bate suavemente na porta do escritório de Carol. Ele sabia que não seria fácil convencer a sogra, mas lutaria bravamente por uma chance de ajudar aquelas crianças.
– Pode entrar! — Carol gritou de dentro do escritório. — Não... Isso, três meses. Tudo bem. Até mais. — Ela desliga o telefone e sorri ao ver Leon entrar no escritório. — Leo
– Oi Car, tudo bem? – Leon sorriu para ela. "Como covencê-la? Como?"
– Tudo ótimo genrinho, e com você? — Ela sorri e cruza as mãos em cima da mesa.
– Estou bem, sogrinha. — ele decide entrar na brincadeira para o clima ficar mais leve.
– E a Debs? Não veio com você?
– Dessa vez não. Digamos que estou numa missão pessoal. — Leon sorri.
– Hum... E posso saber qual é?
– Digamos que tenho uma proposta de trabalho para você e a agência. — Leon inicia.
– Sério? Qual seria?
– Bem, digamos que seria um desfile... — ele pausa e teme pela continuação — Beneficente.
– Beneficente? — Carol olha para ele. — Você acha que eu tenho cara de quem faz caridade?
– Poxa, Carol, é prá ajudar as crianças do hospital. A área oncológica precisa disso.
– E o que eu ganho com isso? — Carol olha para ele friamente. — Dor de cabeça pra nada?
Leon fica em silêncio, precisava pensar em algo que fosse de certa forma motivadora a ela.
– Foi o que eu pensei... — Carol olha para ele e sorri.
– Sinceramente, eu acredito que uma campanha assim seria algo maravilhoso para a imagem da agência. — Leon começa vendo nisso uma forma de convencê-la.
– É, tem umas agencias que fizeram umas coisas beneficentes e se deram bem... — Carol passa a mão no queixo e pensa um pouco. — E?
– Fora sua imagem pessoal. Já consigo ver enormes manchetes, em negrito, em negrito eu disse. — Leon vai atrás dela e esticando o braço — A grande Carol Stone mostra um surpreendente ato de bondade ao realizar um desfile beneficente em prol da Oncologia.
– Ai Leon... — Carol suspira. — Ta bom. Faremos esse desfile. Você e minha filha como os modelos principais é claro.
– Certo. E Carol... Gostaria de promover uma nova design, ela é criativa, faz umas roupas maravilhosas. — Leon conteve os gritos de alegria.
– Mais alguma coisa? — Carol olha para ele. — Ai Leon, você me coloca em cada uma!
– Você vai gostar Carol, sei que vai. Ah! Marcaremos uma reunião com a direção do hospital a fim de definir o planejamento e todos outros interesses. — Leon estava eufórico, iria ajudar Kat e as crianças e agora mostrar o talento da irmã.
– Tudo bem. Tente marcar essa reunião para amanhã e já iremos preparar esse desfile. — Carol sorri.
– Obrigado Car, sua linda! — Leon não se aguenta e beija a sogra empolgado.
– Calma Leon. — Carol gargalha e abraça ele.
– Obrigado mesmo, aquelas crianças serão eternamente gratas
– Não precisa agradecer Leo. — Carol sorri. — Hora de preparar um desfile.
– Mãos a massa. — ele sorri — Acho que a agência precisava de um desses.
– Mãos na massa. — Carol sorri e pega sua agenda com todos seus contatos.
– Bem, vou te deixar a vontade... — Leon sorri e vai saindo — E sogrinha, mais uma vez, obrigado.
– De nada Leon. — Carol sorri e acena para ele.
– Ok, e agora o que eu faço? — Niky olha Deborah sorridente.
– Apenas fique a vontade. — Deborah sorri e tira uma foto dele de surpresa.
– Hey! — Niky exibe seu lindo sorriso e olha ela — Avise.
Deborah tira outra e sorri ao ver a foto.
– Essa ficou linda!
– E assim. — Ele coloca a mão atrás do pescoço e pisca para a câmera dela.
– Perfeito! — Deborah clica ele e se aproxima dele. — X! — Ela ri e tira uma foto dos dois.
A modelo olha nos olhos dele e sorri de lado ao sentir a respiração dele próxima a ela. Niky aproveita a deixa e beija a bochecha dela, esperando que ela clique. Deborah tira a foto e ri.
– Você nasceu pra isso. — Ela continua sorrindo, mas logo fica séria ao ouvir o telefone. — Tudo que é bom dura pouco...
– Espera aí, já volto. — ele apanha o celular e se surpreende ao ver a foto da Anne.
– Hey Niky.... — Anne cumprimenta ele.
– An! — Niky exclama, depois de estar um pouquinho longe de Deborah — Tudo bem?
– Na medida do possível. E com você? Tudo bem?
– Sim, estou ótimo. Você parece aflita. Aconteceu algo em posso te ajudar? — Niky questiona.
– Acho melhor você vim pra cá. — Anne suspira. — O Adam está indo embora Niky. Ele foi convocado novamente. — Ela volta a chorar.
– O quê?! Não... Para Anne, não fala isso... — Niky olha para Deborah chocado.
– Eu queria muito que fosse mentira, mas não é Niky. Vem pra cá... — A voz de Anne começava a falhar novamente, ela chorava ainda mais. — Ele vai embora às 18.
Deborah se aproxima de Niky ao ver como ele estava.
– Tudo bem? — Ela pergunta sem emitir som.
Niky num consegue falar mais nada para Anne, ele fica pasmo e estático. Muito menos responde Deborah.
Deborah pega o celular dele e fala com Anne.
– O que aconteceu?
– Deborah? O que você... Deixa pra lá. Apenas traga o Niky pra cá. — Anne encerra a ligação.
– Ok... — Deborah desliga o celular e estala os dedos na frente de Niky. — Niky? Fala comigo.
– Ad... Ele simplesmente... Não pode ir embora! — Niky esbraveja quando consegue falar.
– Calma. Vamos pra lá. — Deborah olha para ele.
– Você me leva, por que do jeito que estou vou acabar atropelando idosos na faixa de pedestres... — Niky parecia inconformado.
– Claro, vem. — Deborah olha para ele sem saber o que falar ou fazer. Ela o acompanha até o carro e assim que eles entram, a modelo liga o carro e vai para a casa de Adam.
Adam suspira ao terminar a última mala e dá uma longa olhada pela casa, sentiria falta dela, de ser vizinho da república, de namorar Myle e ser melhor amigo de Niky. Niky. Adam não conseguia ligar para o amigo. Seria doloroso demais.
– Toc toc... — Anne bate na porta e olha para Adam.
– Hey! — ele sorri vendo ela — Legal você já ir entrando assim...
– Pensei que eu já fosse de casa. — Anne sorri sem graça.
– É brincadeira sua boba, vem aqui. — ele abre os braços prá ela.
Anne vai até ele e o abraça forte, se controlando para não voltar a chorar.
– Para de chorar, sua boca aberta... — Adam ri e faz carinho nela.
– Desculpa. — Ela sussurra. — Eu avisei o Niky.
– Obrigado, eu não... — Adam não consegue terminar de falar.
– Não fala nada. — Anne abraça ele mais forte.
– Desculpa, mas será que eu posso interromper? — Lia bate na porta e olha para eles
– Pode... — Adam sorri ao ver Lia entrando. Era bom ver ela ali, deixava o clima mais leve.
– Vou deixar vocês conversarem. — Anne se afasta de Adam e vai para fora.
– Obrigada An. — Lia sorri para a amiga e vai até Adam. — E então? Preparado?
– Não, não tive coragem nem de ligar para Niky. — Adam confessa.
– Você não pode simplesmente ficar?
– Infelizmente, isso é uma violação. Preciso servir ao meu país. — Adam suspira.
Lia se aproxima dele e o abraça.
– Vou sentir saudade Adam.
– Eu sentirei ainda mais, foi bom tudo o que passamos juntos. — Adam sorri ao abraçá-la.
– Você fez eu me arriscar e me ajudou a ser mais segura de si. — Lia olha nos olhos dele. — Obrigada Adam.
– Caramba, eu nem sei o que te dizer, não sabia que tinha sido tão importante assim. — os olhos de Adam parecem brilhar ao olhar ela.
– Você não imagina o quanto foi importante na minha vida. — Lia sorri. — Promete que vai voltar e sempre que puder vai mandar uma carta ou ligar. Sei lá, apenas converse conosco. — Lia não se segura e deixa umas lágrimas escorrerem pelo rosto dela.
– Prometo voltar prá vocês e é claro, vou mandar correspondências. — ele abraça ela lindamente. Estava difícil se controlar com as meninas, imagine quando Niky chegasse.
– Vou esperar ansiosa por você. — Lia sorri retribuindo ao abraço.
– Niky! Espera! — Deborah grita pelo amigo ao ver ele sair correndo do carro.
– Adam! AD! Seu filho da mãe! — ele rompe a porta e fica parado ao ver Adam.
– Sanders... — Adam fala ao ver Niky.
Os dois ficam parados por um tempo, mas depois vão em busca de um forte abraço. Niky chora, assim como Adam.
Lia se afasta deles e vai até Anne.
Deborah sai do carro e se aproxima das garotas.
– Podem me explicar o que está acontecendo?
– O Adam foi convocado para o exercito novamente.
– Meu Deus Lia! — A modelo coloca a mão na boca e se encosta no carro. — Por isso o Niky ficou assim...
– O que me faz perguntar, porque vocês estavam juntos?
– Anne, Niky e eu somos amigos e eu estava tirando umas fotos dele. Quero ajudá-lo a ser modelo. Ele leva jeito pra coisa. — Deborah explica.
– Entendi. — Anne volta a abraçar Lia.
Niky interrompe o braço e dá um murro no ombro de Adam.
– Isso é por não ter me avisado. — Niky olha ele.
– Não é assim...
– É assim, sim! Você não pode ir, irmão. — Niky ainda estava inconformado — Não vou deixar aqueles putos te levarem.
Adam sorri.
– Para homem! É necessário que eu vá, ou melhor, obrigatório. E analisando de uma forma torta, talvez há algo positivo nessa minha ida.
– Não, agora é você que vai parar. Olha o que você está falando... — Niky revira os olhos.
Adam suspira, sabia que seria difícil colocar algo na cabeça de Niky, mas isso era de longe o que mais Adam gostava no amigo, esse jeitão meio cabeça dura.
– Pô Ad! Fica irmão... Será aqueles quengos não entendem! Você tem uma vida aqui, uma família! Amigos! Eles não podem simplesmente mandar uma cartinha e destruir tudo. — Niky fala andando pela sala.
Adam ouvia a tudo e sorria, lembrando de vários momentos como este, uma lágrima escorre em seu rosto. Ele perderia isso. O Niky.
– Fala alguma coisa! — Niky olha ela — Fala que você não quer ir! Fale! Ai podemos pegar um carro e fugir, tá, eu sei, seremos perseguidos e tudo mais, mas cara, estaremos juntos! E...
– Cala a boca, Niky. — Adam ria — Irmão, não dá. É certo que eu vá, não há como mudar isso. Aceite! — Adam fala enquanto segura a cabeça do amigo.
Myle olha para Jack e respira fundo.
– Eu não vou conseguir falar adeus pra ele Jay.
– Vai sim... Eu também achei que não conseguia falar para Clark. Precisamos confiar em nossas forças. — Jack pega na mão dela e estaciona o carro atrás do Deborah.
– Obrigada Jack. — Myle sorri e sai do carro com ele. — O que ela está fazendo aqui? — A ruiva cochicha para Jack ao ver Deborah encostada no carro.
– Sei lá, nunca vi ela com o Adam. — Jack devolve o cochicho estranhando — Mas, ela embeleza o ambiente.
– Menos Jack. — Myle revira os olhos.
– Oi Jack, Myle. — Deborah sorri.
– Oi Deb sensual. A que devemos a honra da visita? — Jack pergunta e solta a mão de Myle.
– Oi. — Myle acena para Deborah e vai até Anne e Lia.
– Vim trazer o Niky. Eu estava fotografando ele, mas aí a Anne ligou e contou sobre o Adam. — Deborah abraça Jack.
– Caramba, Niky não vai ficar bem. — Jack abraça Deborah.
– Ele está desolado. — Deborah suspira e faz careta. — Que perfume é esse Jack?
– Bem, é um que a Anne me deu. — Jack sorri e estranha a pergunta.
– É horrível. — Ela se afasta dele.
– Eita... — Jack fica surpreso e mal sabe o que fala
– Desculpa Jay. Não sei o que está acontecendo, mas estou enjoada demais ultimamente.
– Sério? Mas você já foi ao médico? — Jack olha ela.
– Não, mas não é nada sério. E eu odeio médicos.
– Deb, mas você precisa verificar isso. Há tantos vírus e bactérias nesse mundo... — Jack fez uma careta, talvez teria assustado-a.
– Para Jack. Vira essa boca pra lá . — Deborah olha para ele. — Não é nada de grave, só nervosismo. Minha mãe sabe como me deixar maluca.
– Desculpe. Não queria te assustar, mas é que fiquei preocupado. — Jack olha ela.
– Vai ficar tudo bem. — Deborah sorri.
– Ah não... — Anne vê o táxi chegar e abraça Lia.
Blair se aproxima das garotas e abraça Myle.
– Vai ficar tudo bem ruiva.
Niky sai pela porta com uma expressão triste e esta só piora com a visualização do táxi.
– Droga...
Jack olha para trás e ao ver o táxi parece que compartilha da emoção do momento e uma lágrima escorre em seu rosto.
Adam sai para fora com as malas em seus braços e ao olhar todos ali se me emociona.
Anne se afasta de Lia, assim como Myle de Blair. As duas limpam o rosto, mas de nada adianta, lagrimas teimosas escorrem pelos rostos delas.
Jack e Deborah se aproximam um pouco mais.
– Acho que é hora de ir... — Adam olha um por um e vai até Deborah — Tchau e cuide do meu Sanders... — Adam sorri a ruiva e a abraça.
– Vou cuidar, deixa comigo. — Deborah sorri e retribui ao abraço. — Boa sorte e volte logo.
Myle vai até o táxi e se encosta nele. Anne fica um pouco a frente de Myle, olhando para Adam.
– Voltarei. — Adam sorri lindamente a Deborah e vendo Jack o abraça.
– Vou sentir sua falta, Adam. — Jack diz sincero.
– Também vou sentir, Ripper. Me lembre de nunca mais escolhê-lo para jogar vôlei em meu time. — Adam gargalha.
– Certo! — Jack também ri e lembrando do dia na praia sente um leve desconforto em perceber que um amigo em potencial estava indo.
Posteriormente Adam vai até Lia.
– Hey, sua linda...
– Só volta logo. — A voz dela falha e Lia o abraça apertado.
Adam retribui ao abraço de Lia e beija sua testa 3 vezes.
– Eu volto... Se acalme, você precisa ajudar a Myle e Anne. — Adam olha ela.
– To fazendo o possível. — Lia sorri.
– Sei que consegue. Obrigado por tudo. — Adam sorri e se afasta dela.
– Eu que agradeço por tudo. — Lia sorri para ele.
Adam se aproxima de Blair.
– Que pena, será um oi e um tchau. — Adam faz uma careta por isso.
– Muito estranho, mas... — A garota sorri sem graça e o abraça. — Tenha cuidado. É um pedido sem noção pra quem está indo pra guerra, mas você entendeu...
– Tomarei. Acho que daria muitas risadas com você. — Adam comenta, abraçando-a.
– As pessoas se divertem comigo. — Blair sorri.
– Me espera, viu? — Adam encerra o abraço.
– Pode deixar. — Blair sorri. — Boa viagem.
Niky e Jack vão colocando as malas que Adam não havia carregado no táxi.
– Valeu. — Adam pisca a ela e suspira vendo Anne e depois Myle.
Anne olha para Adam e respira fundo ao abraça-lo.
– Obrigado, sem você isso tudo estaria mais denso. – Adam diz ao retribuir o abraço e beijar a testa dela e a abraçando mais forte.
– Eu vou sentir muito a sua falta. — Anne sussurra. — Muito mesmo.
– Nem me fale nisso. — Adam chora — Foi tão bom meus momentos de conselhereiro com você.
– Eu não poderia ter um conselheiro melhor. — Anne limpa o rosto dele e sorri. — Eu te amo Adam.
– Também amo você, Anne. — ele sorri ao ouvir aquilo.
– Tenha cuidado e se der pra voltar antes, não pense nem duas vezes e volte, ok? — Ela olha para ele sorrindo.
– Sim, capitã. — Adam bate continência e dá um beijo demorado na testa de Anne. Posteriormente ele visualiza Myle e Niky.
Jack se aproxima de Anne e abraça a amiga vendo a inconsolada. Anne abraça Jack e chora no ombro do amigo.
Myle cruza os braços e abaixa a cabeça. Ela não queria olhar para Adam, não queria se despedir dele.
– My... — Adam coloca o indicador no queixo dela.
– Não... — Ela sussurra sem olhar para ele.
– Myle... — ele começa a levantar o queixo dela.
Myle olha nos olhos de Adam e volta a chorar.
Adam chora assim como Myle e a abraça fortemente como se nesse abraço coletaria um pedaço da namorada para levar consigo.
Myle retribui ao abraço de Adam e não consegue falar nada. Ela sabia que se pedisse novamente para ele não ir, seria em vão, por isso ela preferiu ficar em silêncio e apenas abraça-lo.
– Eu te amo, Myle Bodegard, guardarei você eterna e fixamente na memória. — Adam diz próximo ao ouvido dela.
– Ah Adam... — Myle deita a cabeça no ombro dele. — Eu te amo tanto. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
– E isso é recíproco. Te amarei de janeiro a janeiro, My. Palavra de Adam Wolf. — Adam levanta a mão em sinal de juramento e sorri.
Myle sorri olhando para Adam e o beija apaixonadamente que retribui.
Niky sorri vendo eles e suspira, pegando as malas que Adam deixou no chão e colocou no porta malas.
Adam chorou em meio ao beijo, sabia que seu namoro com Myle acabaria ali, algo dizia isso a ele. Ele sofreria, mas tinha fé que um dia a felicidade o abraçaria e ficaria fixa a ele.
Myle se afasta de Adam e se permite chorar novamente.
– Eu te amo Adam, e sempre vou te amar.
Adam segura nas mãos dela e sorri lindamente ao ouvir aquilo, era sincero, mas Adam sabia que o amor dela, estava diferente do seu.
– Eu também te amo.
Niky se aproximou do casal, como se dissesse que era a hora de ele ir.
Myle olha para Niky e depois para Adam.
– Boa viagem. — Ela engole seco ao falar aquilo.
– Obrigado... — Adam limpa o rosto e envolve o ombro de Niky, este começa a chorar.
Adam olha para cada um ali, Blair e Lia, Deborah, Jack abraçado a Anne que não parava de chorar e depois Myle. Um sorriso pintou sua face posteriormente ele foi se dirigindo ao táxi com Niky.
– Adam? — Myle segurou a mão de Adam antes dele se afastar com Niky.
– Oi? — Adam se vira.
Niky sorri vendo os 2.
– E como nós ficamos? — Ela limpa o rosto e olha para ele.
– Acho que devemos seguir nossas vidas, My. — Adam suspira. Niky entende ele.
– Como quiser. — Myle concorda com Adam e solta a mão dele.
– Seja feliz, meu amor. — Adam sorri a ela.
– Você também. — Myle abraça ele mais uma vez e se afasta indo até Jack e Anne para que Adam possa se despedir de Niky.
Niky o escoltou até a porta do táxi.
– Tchau seu lindo. — Adam sorriu a ele.
– Para seu puto, ainda estou bravo por não topar minha ideia de fugir por aí. — Niky ri.
Adam sorriu e chorou ao mesmo tempo, não teria mais as loucuras de Niky consigo. Seria uma perca grande.
– Ele não pode ir! — Anne sussurra para Jack. — Não posso deixar ele fazer isso! E se ele não voltar? — Anne tenta ir até Adam, mas Jack e Myle seguram ela. — Me soltem!
– Anne, acalme-se... — Jack fala ao segurá-la.
Adam olha Anne.
– Vai grandão, antes que isso fique mais difícil. — Niky olha Adam.
– Mas, gato...
– Vai... — Niky fala de maneira firme.
Adam entende e dá um abraço no amigo. Niky não deixa o abraço se estender muito, mesmo que quisesse.
– Te amo, irmão. — Niky disse.
– Também te amo.
Niky cessou o abraço e foi se afastando de Adam, ele se aproximou de Deborah e deu a mão para a amiga. Chorou.
– Não dá! — Anne vê Adam entrar no carro e fica de costas para ele abraçando Jack.
Deborah acena para Adam e abraça Niky.
– Vou estar aqui sempre, ok?! — A modelo sussurra para o amigo.
– Obrigado Deb. — Niky abraça ela.
Adam coloca o fone de ouvido e All We Are — One Republic começa a tocar. O taxista liga o veículo e vai saindo dali.
– Every single day that I can breathe, you changed my philosophy, I'm never gonna let you pass me by. ( Posso respirar todo santo dia você mudou a minha filosofia nunca deixarei você apenas passar por mim).– A letra da música, a melodia mais calma e serena, deram a Adam um estímulo maior ao choro. "Por que agora?". Ele pensou já chorando. Quando o táxi se aproximou da esquina, ele abriu a janela, seria sua ultima olhada para aquelas pessoas por um bom tempo.
– EU AMO VOCÊS! — Adam berrou fortemente, ao colocar a cabeça para fora da janela. Seu rosto exibia uma mescla de choro e alegria por vê-los ali ainda parados, acompanhando o táxi.
– Nós também te amamos! — Anne berrou ao olhar para o amigo.
Niky volta a olhar para o amigo e não se aguenta começa a chorar forte.
– So don't say your goodbyes, you know it's better that way. We won't break, we won't die it's just a moment of change. (Nós não nos despediremos, você sabe que é melhor assim. Nós não quebraremos, não morreremos é apenas um momento de mudança).– Enquanto o refrão ecoa nos ouvidos de Adam deixando-o ainda mais destruído pelo momento.
Deborah abraça Niky mais forte enquanto Myle se senta na escada da casa de Adam e abraça suas pernas chorando desolada.
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