Couples on Fire
68 Capítulo 68
Notas iniciais
– Acho melhor irmos prá casa... — Jack fala ainda abraçado a Anne e olha Lia e Blair.
– Vamos sim. — Lia olha para Jack e depois vai até Niky e Deborah. — Vamos entrar. Vou fazer um café para nós.
Jack vai levando Anne para dentro e ao se aproximar de Blair dá a mão para ela também.
– Tudo bem, obrigado Li. — Niky fala a ela e vai entrando também.
– Vou levar a Myle. — Blair sorri para Jack e ao soltar da mão dele, ela vai até a ruiva. — Vamos entrar.
– Vamos sim. — Myle limpa o rosto. — Obrigada Blair.
– Não precisa agradecer. — Blair sorri e entra na república com Myle.
– Chegamos. — Joanne estaciona na frente da casa de Adam.
– Uou, a casa é bonita. — Damien exclama do banco de trás.
– Eu sei, eu que escolhi. — Joanne brinca e desliga o carro.
– Que ego... — Damien resmunga e sai do carro também com a mochila nas costas.
– Até parece que não me conhece. — Joanne ri e começa a tirar as malas do carro.
– Nossa... Que rápidos. — Blair olha para os novos vizinhos pela janela.
– O que? — Anne olha para Blair.
– Os novos vizinhos...
– Eles já chegaram?
– Sim, acabaram de chegar.
– Só pode ser brincadeira! — Anne se levanta irritada e vai para fora da república.
– Isso não vai acabar bem. — Lia segue a amiga. — Anne!
– Adam já deve ter colocado a casa a venda no dia em que leu a carta. — Jack comenta e vai atrás delas.
Niky fica admirado, mas permanece ali, ele não iria digerir tão rápido a ideia de novas pessoas na casa que antes era de seu melhor amigo.
– Anne! — Lia tenta impedir a amiga.
– Me solta! Eles não podem simplesmente chegar assim! — Anne se solta de Lia e vai até a casa de Adam. — Qual é o problema de vocês? — Ela esbraveja ao ver Damien.
– Nenhum, ué, estamos nos mudando para a casa que compramos. — Damien não reconheceu Anne de primeira vista.
– Anne, deixa disso... — Jack fala vindo atrás da amiga.
– Deixa? Deixa o caramba! Vocês nem esperaram o Adam ir embora direto! Isso não é justo!
Damien nem sabe ao certo o que responder a vizinha. Ele somente a olha estranhando.
– Anne por favor... Desculpem nossa amiga, ela ainda está abalada. — Jack sorri sem graça.
– Parecem até urubus em cima da carniça!
– Anne chega! — Lia puxa Anne para voltarem para a república.
– Mas o que está acontecendo aqui? — Joanne sai da casa e vê a garçonete. — Anne?
Damien se condena por não ter percebido a tempo. "Claro, é ela! Mas como? Quer dizer... É o destino", pensa sorrindo.
Jack fica estático, tentando entender a cena.
– Não. O coelhinho da páscoa. — Anne revira os olhos. — Isso é um absurdo! — Ela se afasta de Lia e Jack e vai para a república.
– Desculpem, o Adam era o melhor amigo dela, não justifica, mas ela ainda não superou e nem vai superar tão cedo. — Lia se desculpa pela amiga.
– Tu...tudo bem. — Joanne sorri ainda paralisada ao ver Anne.
– Me desculpem e... — Jack analisa a beleza da mulher — Licença... — ele fala saindo dali.
– Da licença. — Lia vai atrás de Jack.
– Mãe... — Damien olha ela.
– Eu? — Joanne olha para Damien.
– Você, você... — Damien não sabe o que falar, mas Jo entende que ele estava se referindo a Anne.
– É ela. — Joanne sorri. — Encontramos a sua irmã!
– Isso é o destino! Sermos... Vizinhos dela! Só pode. — Damien olha ela.
– Pode até ser, mas ela odeia a gente. — Joanne balança a cabeça.
– A garota disse, meio que estamos tirando o amigo dela daqui, no lugar dela, eu tacaria pedras nos novos vizinhos também. — Damien brinca.
– Ainda bem que ela não é tão rebelde como você. — Joanne brinca e bagunça o cabelo do filho. — Vamos entrar.
– Hey, Jack. — Lia segura o braço dele.
– Li? — Jack olha ela.
– Impressão minha, ou a vizinha se parece com a Anne?
– O que? Como assim? — Jack olha Lia.
– O olhar, o nariz. Posso estar louca, mas elas são parecidas.
– Espera, o nariz realmente parece... — Jack coloca a mão na boca — Mas onde quer chegar?
– Não sei, mas elas... Deixa pra lá. — Lia sorri. — Vamos entrar.
– Vamos sim... Mas, assim... — Jack cochicha ao entrarem — Como ela sabia o nome da Anne?
– Com o vídeo na internet, acho que todos conhecem a Anne. — Lia cochicha de volta.
– Você tem razão, estamos loucos. — Jack sorri a ela.
– Um pouco mais do que já somos. — Lia sorri. — Cadê a Anne?
– Subiu. — Deborah aponta para a escada. — O que aconteceu lá fora?
– Os novos vizinhos chegaram e Anne surtou. — Jack explica e senta ao lado de Deb.
Niky se levanta e vai andando em direção a varanda, precisava respirar um pouco.
– É, ela era bem próxima a ele, né? — Deborah começa a conversar com Jack.
Myle estava na cozinha lavando umas coisas e fazendo algo para o pessoal comer, ela queria ocupar a mente com algo. Lia logo foi ajudar a amiga, queria estar presente nesse momento difícil para todos ali.
Blair foi até a varanda e levou um copo de água para Niky.
– Vai ficar tudo bem.
– Obrigado. — Niky olha ela e sorri — Você é a?
– Blair Howell. — Ela estende a mão para comprimentá-lo. — Irmã do Leon.
– Prazer. Está morando com eles? — Niky se escora no batente e bebe a água.
– Sim. A Anne me convidou pra morar aqui. Vou fazer faculdade. — Ela sorri.
– Ainda vai ingressar na faculdade? — Há um tom de surpresa na voz de Niky.
– Vou começar esse ano. Por quê? — Blair estranha a surpresa dele.
– Achei que tivesse uma idade próxima a de Anne e os outros. — Niky olha ela de cima a baixo, descaradamente.
– Nossa, tenho cara de velha? — Blair faz bico e olha para ele. — Hey, psiu. Nos meus olhos.
– Não, é isso. Mulheres... — ele revira os olhos já que não conseguiria responder sem que ela achasse mais algo para questionar.
– Homens... — Ela revira os olhos. — E você? Quem é?
– Sou Nikolas Sanders, melhor amigo do Adam e conheço o pessoal ali. Mas, me chame de Niky. — Niky sorri vendo que ela também revirou os olhos.
– Ah, você é o famoso Niky. — Blair sorri e senta na varanda.
– Falaram de mim? — Niky sorri e senta ao lado dela. "Se fosse mais velha..."
– Sim. O pessoal falou. — Blair sorri sem graça.
– E já sabe o que vai cursar? — Niky olha ela.
– Moda. — Ela sorri. — Você faz faculdade também?
– Não, eu tentei fazer administração, não gostei e tranquei ela. — Niky levanta os ombros.
– E não se interessou por nenhum outro curso?
– Prá ser sincero, não... — Niky suspira. Ele sabia que haveria algo para ele, mas ele ainda não havia descoberto. Talvez fosse a música o que sempre desejou, ou não.
– Mas, nada nada?
Ele balança a cabeça negativamente.
– Não me julgue, por favor. Mas, é que... É complicado.
– Quem sou eu pra julgar alguém? — Blair se finge de ofendida. — Cada um sabe o que fazer da sua vida, e quais escolhas e caminhos seguir. — Ela sorri.
– Você parece ser legal Blair, qualquer dia te levo prá conhecer o lado bom de Parksville. — Niky sorri a ela.
– Eu ficaria honrada. — Blair sorri. — E olha, se precisar, to aqui.
– Obrigado mesmo. Mas, me fale de você, o que gosta de fazer? — ele realmente estava gostando da conversa.
– Eu? Hum... Ler, ouvir músicas, ver filmes. Adoro caminhar também.
– Gosta de ler. Somos dois. E músicas nem preciso falar. Gosto de malhar e cantar também. — Niky sorri.
– Ah eu sou um desastre pra cantar, mas de vez em quando eu arrisco algumas notas.
– Assim comigo... With arms wide open, under the sunlight. Welcome to this place... (Com os braços bem abertos, sob a luz do sol, bem vindo a esse lugar.)– Niky inicia e olha para ela continuar, ele achou que cantar seria uma maneira de aliviar.
– I'll show you everything, with arms wide open. With arms wide open. (Eu vou te mostrar tudo, com os braços bem abertos, com os braços bem abertos.)– Blair arrisca e sorri como se desculpasse por não cantar bem.
– Well I don't if I'm ready, to be the man I have to be. I'll take a breath, I'll take her by my side...( Bem, eu não sei se estou preparado pra ser o homem que tenho de ser. Vou respirar fundo, trazê-la pro meu lado)– Niky prossegue se levantando e segurando na mão dela.
– We stand in awe, we've created life. With arms wide open under the sunlight. Welcome to this place... ( Ficamos maravilhados, acabamos de criar vida. De braços bem abertos, sob a luz do sol, bem-vindo à esse lugar)– Blair segura na mão dele e dança com ele.
– I'll show you everything ( Vou te mostrar tudo) — Niky continua – With arms wide open, now everything has changed. I'll show you love, I'll show you everything ( De braços bem abertos, agora tudo mudou. Vou te mostrar o amor, vou te mostrar tudo.) – Niky e Blair cantam juntos, enquanto dançam.
– If I had just one wish, only one demand. I hope he's not like me, I hope he understands. ( Se eu tivesse apenas um desejo, um pedido só. Eu torceria pra ele não ser igual a mim, espero que ele compreenda.)– Blair abraça Niky e deita a cabeça no ombro dele. — That he can take this life and hold it by the hand and he can greet the world. With arms wide open. ( Que ele pode tomar esta vida segure-o pela mão e ele pode cumprimentar o mundo com os braços bem abertos.)
– With arms wide open under the sunlight. Welcome to this place, I'll show you everything. ( De braços bem abertos, sob a luz do sol. Bem-vindo à esse lugar, vou te mostrar tudo)– Niky abraça ela e pensa em seu amigo, nos momentos com ele. Blair parecia estar acalmando ele de alguma forma, ele gostou do abraço — With arms wide open, now everything has changed, I'll show you love, I'll show you everything... With arms wide open... ( De braços bem abertos agora tudo mudou. Vou te mostrar o amor, vou te mostrar tudo, com os braços bem abertos)– ambos cantam.
– With arms wide open, I'll show you everything oh yeah. With arms wide open, wide open. ( Com os braços bem abertos, vou te mostrar tudo. Com os braços bem abertos, bem abertos)– Blair finaliza a canção e olha sorrindo nos olhos de Niky.
Niky sente o clima e fica sem graça, ele se afasta dela.
– É, acho que já podemos gravar o primeiro single.
– É, também acho. — Ela sorri e volta a se sentar.
"Não, Niky. Ela é só uma criança, não seria legal você beijá-la". Niky pensa olhando ela.
– Niky? — Blair estrala os dedos na frente dele. — Viajou?
– Oi? Ah, tava pensando em umas coisas aqui. — ele coça o cabelo um tanto sem graça.
– Percebi. — Blair ri. — Você vai na boate hoje? Desculpa, sou péssima pra puxar conversa.
– Acho que sim, mas calma... Você vai? — Niky questiona.
– Niky, eu tenho 18 já, se essa é sua preocupação. Eu não sou uma criança.
– Mas, sei lá... — ele fecha os olhos pensando que ela ficaria irritada.
– Não vou discutir com você. — Blair revira os olhos e entra na república.
– Droga Niky... — ele bate no batente e bufa.
– Bom, já deu minha hora. — Deborah se levanta.
– Mas ainda está cedo. — Jack olha ela.
– É melhor, e mais tarde vocês irão trabalhar. Não quero incomodar mais.
– Aparece na boate, leva o Leon... — Jack sorri a ela.
– Vou fazer isso. — Deborah sorri. — Foi bom conversar com você Jack. Senti falta disso.
– Também, acho que mesmo depois de tudo é bom ver que nos damos bem. Sua gostosa. — ele morde o lábio e ri.
– Mas é um palhaço mesmo. — Deborah ri e vai até a varanda. — Vamos Niky?
– Partiu. Falou, Jack, um abraço. — Niky diz e cumprimenta o barman.
– Vai lá. — Jack responde. As diferenças com Niky tinham acabado e ele gostava disso.
– Tchau Jay. — Deborah dá um selinho no barman e abraça ele.
– Tchau Deb. — Jack retribui ao selinho e fica na porta acenando a eles quando descem as escadas da varanda.
– Tchau Jack. — Blair passa por ele assim que Deborah e Niky vão embora. — Vou correr um pouco.
– Eita! — Jack estranha a pressa da garota, mas acena — Tchau. Se não estivermos em casa, estamos na Fire. E cuidado prá não perder a rua da casa! — Jack se recorda que ela nasceu e foi criada aqui, talvez não se perderia.
– Tudo bem, não se preocupe. — Blair acena e ao colocar os fones ela começa a correr.
– Bora tomar banho, suas lindas! — Jack berra batendo palmas, enquanto sobe as escadas.
– Com você? To indo! — Myle ri e segue Jack.
– Chega junto. — Jack já vai removendo a camiseta de manga comprida que estava
– Vou não, se não a Lia me mata. — Myle cochicha para Jack e ri.
– Ah rá, extremamente engraçada. — Jack revira os olhos e entrando em seu quarto começa a se despir.
– Desculpa. — Myle corre para o banheiro. — Perdeu Jay.
– Mas, que droga. — Jack deita em sua cama e coloca a toalha por cima de sua nudez, teria que esperar Myle.
Anne vai até o quarto de Jack e deita ao lado dele.
– Obrigada.
– Opa, calma aê... — Jack envolve a toalha em seu corpo — Não foi nada An, ainda sou seu porto seguro.
– Por isso estou agradecendo. — Ela abraça ele.
– Cuidado, cuidado... — ele ri e abraça ela.
– Bobo. — Ela sorri.
– E o Leon, esqueceu?
– O que tem ele? — Anne olha para Jack sem entender.
– Já está melhor em relação a ele? — Jack faz carinho no cabelo dela.
– Ah, ele seguiu a vida dele, ele está feliz com a Deborah. E eu to bem. — Anne suspira.
– Gostei de ver o quanto você cresceu, de certa forma, com essa história. — Jack continua acariciando a amiga.
– Isso me fez bem né? — Anne sorri e se aconchega mais em Jack.
– Sua mente abriu. Acho que namorar uma "celebridade", — Jack reproduz as aspas — não estava te deixando tranquila.
– Tem razão. Mas, e você? Como está?
– Sinceramente, quebrado. Depois de ver meu amor por você voar e entregar Deborah para Leon, estou em guerra com o amor que sinto pela Lia.
– Uou! — Anne se levanta um pouco e olha para Jack. — Mas porque em guerra?
– Ela beijou o Clark. — ele olha ela e esperava que ela entendesse seu lado.
– Não acredito! — Anne abre a boca surpresa. — Lia não tinha esse direito!
– Banheiro livre! — Myle grita ao sair do banheiro e ir para seu quarto.
– Tudo bem Anne, mas sabe, isso me faz desacreditar no amor. Por que com você, não era prá ser e agora com a Li, é prá ser? — Jack olha ela e ao ouvir Myle se levanta.
– Coisas do destino, mas não deixe de acreditar no amor Jack. — Anne se senta na cama e olha para ele.
– Tá difícil An... Que carona hoje? — Jack fala antes de sair do quarto dele.
– Por favor. — Anne sorri e vai para seu quarto.
Jack entra no chuveiro e deixa a leveza da água caindo sobre seu corpo apaziguar seus pensamentos. Quando tudo parecia estar certo, o destino mais uma vez o deixava sem perspectiva.
Blair continuava correndo pelas ruas do bairro. "Criança? Palhaçada."
Damien andava com seu fone pela calçada o ritmo era marcado pelo movimento de sua cabeça. Ele queria um tempo só dele e a nova rua, vizinhança, cidade.
Blair esbarra em Damien e cai no chão.
– Argh! Não olha por onde anda não?!
– Você que esbarrou em mim, sua louca. — Damien fala se recompondo.
– Na boa, me erra! — Blair se levanta. — Obrigada por ajudar. — Ela fala irônica.
– Foda-se. — ele dá de ombros, desejando nem vê-la mais. No entanto, mal sabe ele que ela dorme na janela ao lado.
– Espera. Você é o rapaz que está morando ao lado da minha casa. — Blair cruza os braços olhando para ele. — Os insensíveis...
– Insensíveis? Poupe-me! Gastamos nosso dinheiro e só queríamos usufruir disso o mais rápido possível, temos um motivo prá isso. Espera um pouco... Não lhe devo satisfações. — ele exibe uma marra maciça.
– Eu não pedi satisfação. — Blair dá de ombros. — Eu não conhecia o rapaz que morava lá, mas vocês podiam ter esperado um pouco antes de se mudarem não?
– Sério que perderei meu tempo discutindo com você... Sua grossa. — ele fala as últimas palavras de maneira ríspida. O olhar penetrando Blair.
– Grossa? Eu? Ah vai ver se eu to na esquina! — Blair esbarra nele ao se afastar. — Idiota.
Damien vê que a vontade de andar pela cidade havia esvaído e irritado ele segue a mesma direção rumo a sua casa.
– Vai me seguir? — Blair olha séria para ele.
– Infelizmente minha casa é na mesma direção. — ele revira os olhos.
– Vai ser um porre ter você como vizinho.
– Vendo pelo lado positivo, parece que terei mais motivos para ficar longe de casa.
– Com certeza eu ficarei muito tempo na faculdade e a noite vou ficar na Fire com meus amigos.
– Interessante, mas não questionei sobre sua rotina. Parece que alguém quer manter a conversa. — Damien sorri.
– Não precisava ser estúpido também.
Damien se silencia, talvez estivesse sendo um imbecil. Mas, estava marrento demais para se desculpar.
– Sei que não quer papo e que não te interessa, mas me chamo Blair Howell.
– Damien Blake... Se for relevante a você.
Definitivamente, ambos queriam uma conversa.
– Muito prazer Damien. – Blair sorri.
Damien ri.
– O prazer é todo meu. — Damien mantém o sorriso. "Louquinha..."
– Então... Por que vocês se mudaram pra cá?
Ele pensa por um bom tempo e não encontra uma resposta melhor.
– Ainda não sei... Minha mãe anda misteriosa quanto a isso.
– Sua mãe é bonita. E seu pai? Não veio junto?
– Eles se divorciaram... — relutante Damien se aproxima dela.
– Oh, nossa, me desculpe. — Blair olha para o chão sem graça.
– Já se faz muito tempo... Fique tranquilo. Até que você tem algo legal por debaixo de tanta grosseria.
– Digo o mesmo sobre você. — Blair sorri.
Damien sorri.
– Até que beijaria, se estivesse bêbado.
– Nossa, você é péssimo em cantadas. — Ela revira os olhos.
– Acho legal a forma com que você se irrita fácil. — Damien olha ela e admite que também gosta das expressões que ela faz ao se irritar.
– Mais incrível ainda é a sua capacidade de estragar um papo que estava que estava ficando interessante.
– E a grosseria recomeça... — ele balança a cabeça negativamente.
– Não foi comigo que começou Damien.
– Tá bom, do zero de novo. Gosta de fazer o que? — Damien vê uma sorveteria — Responda entrando naquela sorveteria comigo, claro.
– Ler, ouvir música, desenhar minhas criações. — Ela entra com ele na sorveteria. — Atormentar meu irmão. — Ela ri e senta em uma mesa.
– Gostei da camiseta. Essa é uma ótima banda. — ele admira a camiseta estampada com Red Hot Chili Peppers.
– Temos algo em comum então. — Ela sorri.
– Veja isso. — ele mostra uma tatuagem de um trecho do que parece ser uma música em seu antebraço — O que acha?
– Close your eyes and I'll kiss you. (Feche seus olhos e eu vou beijar você). — Blair lê a tatuagem. — Scar tissue. Ótima escolha.
– E essa? — ele levanta um pouco de sua camiseta preta, revelando uma tatuagem em seu abdômen na parte inferior direita, próxima a pélvis.
– Hum... — Ela morde o lábio. — Uma âncora. Por quê?
– Âncora nos remete a estabilidade. E sabe... Preciso disso. — ele suspirou e se sentou numa das mesas.
– Acho que todos precisam de estabilidade. — Ela olha para ele.
– Tem razão. — ele sorri de volta, desta de uma forma amigável.
O garçom se aproxima.
– Eu quero um sundae de cereja com chantilly por favor. — Blair sorri para o garçom.
– Eu quero um milk shake de flocos, com ovomaltine, por favor. — Damien assente da mesma forma que o garçom.
– Hum... Bom, sou péssima pra puxar conversa.
– Você me parece ser daquelas que fuma escondido dos pais e... Tem um piercing em algum lugar secreto. Umbigo talvez.
– Nop. Tá bem enganado. — Ela ri. — Só tenho esse jeito rebelde, mas no fundo sou um doce de menina.
– Bem, você é ruim de assunto e eu em dedução. — Damien ri.
– É. Então devolvo a sua pergunta. O que você gosta de fazer?
– Música, desenho também, praticar muay thai e gosto de beijar na boca... — ele sorri de lado, queria de uma forma provocá-la. Gostaria se ela revirasse olhos com essa frase.
– Homens. — Blair revira os olhos e faz careta ao ver ele rir. — Que foi?
– Realmente suas expressões ao ficar irritada são algo que não esquecerei. — Damien continua rindo.
– Idiota. — Ela emburra.
– Idiota que pagará a conta, então...
– Caraca, como você é pretensioso!
– Gosto de garotas que falam caraca. — ele comenta.
– Ponto pra mim. — Ela sorri e come um pouco do sorvete assim que o garçom serve eles e se afasta.
– Há algo em mim que você tenha gostado? — ele arqueia uma sobrancelha.
– Sua sinceridade.
– Really?! Por quê?
– Sei lá. Você é direto, fala as coisas sem se importar com consequências.
– É se for contar houve pelo menos 3 oportunidades de você me bofetear. — ele ri e toma seu milk.
– Teve mesmo, mas não seria legal você chegar com a cara marcada em casa. — Blair sorri.
– Tem celular? — ele apanha o seu.
– Tenho. — Ela pega o celular dele e salva seu número. — Pronto.
– Prometo não mandar fotos picantes em momentos inoportunos. — Damien sorriu de lado.
– Ah, eu agradeço por isso. — Blair ri.
– Gostei da foto de perfil. — ele clica na foto dela, ampliando-a e posteriormente mostra a ela.
– Ah, obrigada. — Ela sorri sem graça. — Leon que tirou.
– Leon? Ex? — ele faz careta vendo que não precisava questionar sobre isso.
– Meu irmão. — Ela ri ao ver a careta dele.
– Ah... — ele fica extremamente sem graça, de tal forma que sua expressão fica cômica.
– Meu Deus. — Blair ri ainda mais. — Ponto pra você.
– O quê? — ele se surpreende pela crise de risos.
– Sua expressão. Você está hilário. — Ela continua rindo.
Ele revira os olhos.
– O sundae. — ele indica o sorvete dela que estava derretendo.
– Está uma delícia. — Ela sorri.
– E como é a república? — ele toma um pouco mais do milk.
– Animada, tirando o dia de hoje. Mas to adorando. Se não fosse pela Anne, eu nem estaria aqui.
– Anne, e como é ela, parece ser importante prá você? — Damien tenta disfarçar a animação em ouvir o nome da irmã.
– Agradeça a ela por estarmos tendo essa conversa. — Blair sorri. — Ela é um anjo. Pena que não deu certo o namoro com meu irmão.
– Vi um vídeo dela na Internet. Linda voz. — Damien reconhece.
– Realmente. Anne canta muito! Hoje ela vai cantar na Fire, não quer ir assistir?
– A boate? Pode ser. — ele sorri animado a ela.
– É, a boate, onde a Anne trabalha. — Blair sorri.
– De grosserias a um encontro. Deve ser meu charme. — ele pisca a ela.
– Ah menos aí vai, convencido.
Ele levanta as mãos em forma de rendição.
– Parei.
– Você sabe ser legal quando quer.
– E isso te incomoda?
– Por que incomodaria? — Ela olha nos olhos dele
– Sei lá, sei ser bem escroto às vezes. — ele comenta.
– Ah, nisso você tem razão, mas eu até gostei desse seu jeito revolts. — Ela sorri.
– Uou... Agora estou surpreso. — ele termina seu milk shake.
– Não deveria. — Ela termina seu sundae. — Vamos? Não quero perder o show da Ann.
– Vamos sim. Mas, sei lá, geralmente não sou o tipo de cara que agrada logo de primeira. — Damien chama o garçom.
– Digamos que sou uma caixinha de surpresas. — Blair sorri.
– Bastante interessante. — Damien sorri de lado.
– Então você gostou?
– Sim. Gosto de me surpreender.
O garçom chega, Damien paga pela conta e posteriormente se levanta para ir.
– Que bom. — Blair sorri e acompanha ele.
Leon apanha seu celular e disca o número de Anne, ele suspira, apesar de tudo estar resolvido entre eles, ele ainda considerava estranho o fato de ligar a ela e não ver "love" no nome do contato.
Anne pega seu celular ao ouvi-lo tocar e vê o nome e a foto de Leon. Ela suspira e atende.
– Hey Leo.
– An! Tudo bem?
– To tentando ficar bem, e você?
– Estou sim... Mas, o que houve? Posso ajudar em algo?
– O Adam foi embora. — Anne deita na sua cama. — Foi servir o exército novamente.
– Caramba! Oh meu Deus, e a Myle? Ela... Ela deve estar arrasada. — Leo fica surpreso com a notícia, apesar do pouco contato que teve com o rapaz, via-se claramente que ele era uma boa pessoa.
– Ela está. Não mais do que eu, o que me surpreende, mas está.
– Sinto muito An... Verdadeiramente. Mas, talvez o convite que farei te ajudará de alguma forma. — Leon deixa o celular no viva voz e abre a geladeira a procura de uma garrafa de leite.
– Qual convite Leo? — Anne se levanta e começa a se arrumar para trabalhar.
– Estou promovendo um desfile beneficente. Acredita? — ele sorri e apanha o leite.
– Sério?! Que bacana Leo! Em prol de que?
– Oncologia. Mas, fui inspirado por alguém que você conhece. — ele sorri ao lembrar o rostinho de Katleen.
– Oncologia... A Kat?! Leon, aconteceu algo com ela? – Anne questiona preocupada.
– Não... Acalme-se, Katleen está ótima! Mas, o setor oncológico do hospital está debilitado, então tive a ideia do desfile.
– Que susto! Aconteceu tanta coisa na minha vida que nem consegui mais visita-la.
– Relaxa. Ela está com muitas saudades... E como amanhã terei uma reunião com a administração do hospital sobre o desfile. Pensei. Anne pode vir conosco. — Leon bebe um pouco do leite.
– Ótima idéia! E depois de lá eu encontro o Hale. — Anne sorri.
– Bem... Carol e Deborah vão junto, como já deve ter cogitado... Problema? — Leon faz careta vendo que se preocupava demais.
– Nenhum, vocês ficam na reunião e eu fico com a Kat.
– Perfeito. Ela vai amar. — Leon sorri.
– Vou fazer uma surpresa pra ela. — Anne sorri.
– Bem, então passou na república as 14. Certo?
– Combinado. Leo?
– Oi? — Leon desativa o Viva Voz e coloca o telefone no ouvido novamente.
– Vai lá na boate hoje. Vou cantar e seria legal se você fosse. Leva a Deborah também. — Anne sorri.
– Pode ser, faz tempo que não vou a Fire. Acho que será legal. — Leon fala animado pelo convite.
– Então eu te encontro lá, até mais tarde Leon.
– Até Anne e foi bom falar contigo. — ele sorri.
– Digo o mesmo Leon. — Ela encerra a ligação e termina de se arrumar. "Quem diria que você conversaria assim com ele?"
– Vamos Ann? — Jack fala com a chave da moto em mãos.
– Oi, é, vamos. — Anne pega sua bolsa e vai até Jack.
Os dois saem da república rumo a mais uma noite intensa na Fire.
Fale com o autor