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8 8. Menina de ouro
Notas iniciais
Capítulo 8 – Menina de ouro
7 anos atrás
– Você não vê Annie ele só está nos usando! – ele dizia exasperado.
– Malcom ele é o nosso pai! Eu tenho certeza que ele só quer o melhor pra gente – digo tentando acalmar o meu irmão mais uma vez – Ou pelo menos o que ele acha melhor.
– Annabeth, você já se perguntou o que aconteceu com a nossa mãe? – ele pergunta de repente.
– Não. Quer dizer eu sei o que o papai disse pra gente, ela fugiu, foi embora.
– Tem certeza? Será que ele não está mentindo para nós? – ele pergunta apressadamente – Annabeth você sabe muito bem que ele está escondendo algo.
Eu olhei para o meu pai que estava do outro lado do jardim logo após a piscina, muito longe para nos ouvir.
– Sinceramente, eu acho que ele esteja escondendo algo, mas quando ele não está Malcom? Quando que o papai fala qualquer coisa além do necessário para nós? – digo olhando ternamente para ele, mesmo tendo apenas 12 anos e o Malcom quase 18, quase sempre eu parecia a irmã mais velha, tentando sempre colocar juízo nessa cabeça oca.
– E isso não te preocupa Annabeth? Se ele não confia em nós porque nós devíamos confiar nele?
– Malcom ele é nosso pai! – argumento em vão, nós dois sabemos que essa palavra não significa muita coisa na nossa casa – De qualquer forma não temos muita escolha.
– Será Annabeth?
– Como assim Malcom?
– Será que não temos escolha? Quer dizer o papai está cheio de inimigos, não seria tão difícil exterminar ele. – eu o olho, incrédula.
– Malcom você está mesmo falando em matar o nosso PAI a sangue frio?
– Ué Annabeth, não foi isso que o nosso pai nos ensinou, eliminar o possível inimigo. – fico assustada com a frieza das palavras de Malcom.
– Sei lá Malcom, as vezes eu só queria ser uma garota normal.
– Pra que ser normal se nós podemos ser melhores? Na minha opinião nós podemos ser muito grandes e o papai que nos impede — respiro fundo – é sério Annabeth, eu encontrei umas pessoas...
– Não fala mais nada Malcom, eu não quero saber! – eu o interrompi, me levantando – eu só quero fazer 18 anos cai fora daqui!
– O seu problema Annabeth é que você pensa muito pequeno, nós poderíamos...
– E o seu problema é que você voa muito alto, mas cuidado quem voa alto pode chegar aos céus, mas a queda é dolorida! – digo já me retirando da varanda.
–--
4 anos antes.
A música era alta, e o barulho da bateria fazia a minha cabeça vibrar. As luzes piscavam constantemente me deixando levemente tonta e desnorteada, com certeza ali não era o meu lugar favorito.
– Você não parece estar se divertindo?
– Talvez seja porque eu não estou... Sinceramente com toda essa bagunça eu não consigo me comunicar com ninguém, duvido eu conseguir vender alguma droga... – ele deu um sorriso maroto.
E segurou pelo braço uma menina, que passava esbarrando de proposito nele, cochichou algo no ouvido dela, e depois a entregou um pacotinho recebendo em troca algumas notas.
– Viu não é tão difícil – ele disse com um meio sorriso me desafiando com os olhos – ajuda se parecer que você está se divertindo, você já é bonita e chama atenção agora só precisa parecer feliz.
Mentalmente agradeço a pouca iluminação porque sinto minhas bochechas queimarem com o elogio, esse era o problema toda a vez que eu estava com o Percy eu me sentia vulnerável e extremamente sentimental...
Então olho pela pista de dança e vejo um grupo de meninos olhando na minha direção, sorrio para Percy e caminho na direção deles, com o meu maior sorriso. Chegando ao grupo tento ter uma conversa amigável, e vender os pacotinhos que eu tenho, o que foi extremamente cansativo porque eles insistiam em me mandar cantadas e passar a mão na minha cintura ou no meu rosto, quando não tentavam me beijar.
–--
Atualmente
– Olá princesa – inalei o ar calmamente, fechando os meus olhos e contando até dez.
Olhei bem para o menino loiro que bloqueava o meu caminho, e desvie seguindo em direção ao meu quarto.
Até ele segurar o meu braço, com força, me impedindo de andar.
– Luke, você está querendo apanhar de novo – digo tentando em vão, livrar – me do forte aperto em volta do meu braço. Sua risada sai alta e um pouco tenebrosa.
– Sabe eu não gostei nada do que você fez aquele dia, ninguém me desafia e sai impune – ele aproxima bem seu rosto do meu – nem uma garota.
– O que você vai fazer? Quer levar outra surra, ou você realmente acha que é melhor do que eu?
Ele me analisa, abre um grande sorriso irônico e aperta ainda mais a mão no meu braço que já começa a latejar.
– Não, Annie – serro os punhos com a menção do apelido que ele não tem o direito ou a permissão de usar – eu só quero que você peça desculpas... E talvez algo mais...- ele me olha maliciosamente de cima a baixo.
E eu rio alto.
– Nem nos seus mais belos sonhos!
Ele assente e solta meu braço, dando dois passos para traz, eu o encaro surpresa enquanto ele abre um sorriso irônico.
– Você quem sabe, princesa.
Logo eu sinto a presença de duas pessoas ao meu lado, ou melhor dois armários.
– Esse é Ethan Nackamura, nem queira saber como ele conseguiu o tapa olho, e aquele é Chris Rodrigues – ele disse apontando para cada um – E melhor segurarem – a – e imediatamente cada um pego um dos meus braços e me suspende do chão – Sabe Annabeth, eu sempre quis saber o que você tem de especial para o Jackson ser tão louco por você, eu tenho que admitir ele está mudado...
– Porque Luke, está com ciúmes? eu acho que você não faz muito o tipo do Percy, mas quem sabe do Will... – sou interrompida por um soco na boca do meu estomago, e engulo a bile que me sobe.
– Shh! Annabeth olha para a sua situação, você realmente acha que está na posição de falar qualquer coisa – o encaro com ódio, ele acaricia a minha bochecha e eu tento desviar de seu toque – Mas a questão é Annabeth: Porque você está com ele? Você não parece ser uma menina que dependa de alguém... Que precise de um Herói...
– Isso se chama AMOR! Algo que crápulas como você nunca vão sentir.
– É mesmo, você realmente acredita que ama ele? E que ele corresponde esse sentimento? Nossa Annabeth eu achei que você fosse mais inteligente.
Ele se aproxima de mim e cola nossos lábios, eu cerro os meus e não permito que ele enfie sua língua na minha boca. Então ele segura a minha cabeça e força sua boca contra a minha, e assim que tenho chance mordo sua língua com toda a minha força.
Ele se afasta e leva a mão a boca, que agora sangra.
– Annabeth se você resistir vai ser pior! Porque você não aceita e para de se fazer de difícil, qualquer menina nesse prédio ficaria lisonjeada de ir pra cama comigo. Aposto que faço você esquecer o Percy...
Eu abro um sorriso cínico.
– Luke, entenda uma coisa: eu NUNCA iria pra cama com você, e não é só por causa do Percy, mas porque eu sei o que você fez com a Thalia. Eu tenho NOJO de você! Me entendeu NOJO!! E se você tentar algo comigo eu juro por tudo que é mais sagrado que eu vou MATAR você na primeira oportunidade.
Ele engole em seco e me olha com descrença.
– Você não tem direito de falar nada sobre mim e a Thalia.
– Eu tenho sim! Eu tenho direito de falar que você Luke Castellian é o ser mais repugnante que eu já tive o desprazer de conhe... – sou interrompida por um soco que atinge o meu rosto.
Cuspo sangue no chão, e logo depois vem outro soco, e mais outro. Tantos que eu não consigo contar. No rosto e na barriga.
Logo sinto as mãos que me seguram afrouxarem e consequentemente me soltarem no chão. Eu não consigo me mantar de pé uma dor latente vem da minha barriga e eu desabo no chão, vendo tudo turvo.
Sinto o pé de Luke me chutando, o meu corpo inteiro dói, lateja e minha cabeça roda, eu rapidamente perco a noção do tempo, os segundos se passam rastejando, repletos de dor e angustia.
Depois de um tempo os chutes param, e tudo fica silencioso. Eu tento com todas as minhas forças manter a minha consciência.
E juntando o pouco de adrenalina que me restava me levanto com uma imensa dificuldade apoiando na parede e sigo cambaleante até o meu quarto, que felizmente fica a poucos metros.
Meu corpo inteiro dói, lateja. Eu tenho vontade de me jogar no chão e ficar ali deitada, mas me agarro na possibilidade de chegar no meu quarto e encontrar Thalia.
Passo pela porta.
– Annie, você chegou cedo — Thalia diz saindo de cima do Nico, e completamente vermelha olhando para mim – Ai meu deus o que aconteceu com você?
Não consigo responder porque começo a tossir sangue. Vejo tudo rodar e me sinto mais leve, logo a dor e o quarto parecem algo bem distante. E a última coisa que vejo é uma Thalia semi – nua correndo na minha direção.
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