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9 9.Especial de 2015 parte 1 - Nico
Notas iniciais
Capítulo 9 – Especial de 2015 parte 1 — Nico
8 anos atrás
Thalia Grace.
A morena de olhos azuis eletrizantes que nem o céu. A menina que era dona do meu coração desde que eu me conhecia por gente. A garota que não leva desafora para casa e que mete medo em qualquer um que atreva se aproximar dela. E é claro a minha belíssima prima de 1° grau.
A Thalia era o tipo de menina que parecia sexy fazendo qualquer coisa. Tipo agora enquanto ela arrebentava a cara do Ethan Nakamura. Obrigado Tio Ares, por essa aula de combate corpo a corpo.
– Quando você vai contar para ela? – Ouço – o a poucos metros atrás de mim.
– Contar o que pra quem? – pergunto desentendido, virando – me para o meu primo.
– Contar para a Thalia que você é completamente apaixonado por ela – ele diz com todo o cinismo e arrogância possíveis.
– Isso não é verdade... – eu digo rapidamente – quer dizer ela é nossa prima.
– E... – ele responde indiferente – Qual é Nico, e daí que ela é nossa prima. Você tem quer ser feliz, não importa as consequências. Sabe eu não entendo todo esse seu drama, vai lá beija ela e pronto, problema resolvido.
– Percy, essa é a questão, eu não quero só beijar a Thalia. Eu quero, sei lá, estar com ela o tempo todo, sabe, eu quero ter tipo um relacionamento com ela mas a cima de tudo eu quero estar perto dela e que ela confie em mim, entende?
– Não.
– Percy, eu AMO a Thalia. Por isso eu não posso tratar ela como qualquer outra menina, ela é especial – eu olho para o Percy que me olha descrente – Um dia quando você querer o bem de alguém a cima do seu, quando uma pessoa for o sol do seu sistema solar, quando você amar alguém, você vai me entender.
– Até parece – ele ri alto, atraindo certa atenção – eu NUNCA vou me apaixonar! E se um dia eu o fizer você tem minha autorização para me dessecar vivo.
Eu dou de ombros. Anotando mentalmente que se o impossível acontecesse eu com certeza o dessecaria vivo. E volto minha atenção para Thalia que acabou de vencer a luta com alguém do dobro de sua altura.
– Di Ângelo, você contra a Grace – Ares grita pela sala.
–--
Atualmente.
– Ei vocês – eu disse para um bando de meninas que estavam no corredor, que me olharam assustadas – Viram o Jackson?
Todas negaram com a cabeça.
Eu passo exasperado pela porta que leva ao jardim, que a neve cobria inteiramente, e varro o local com o olhar a procura de certo moreno de olhos verdes.
Não tem muita gente na parte aberta do internato, a não ser por um grupo de pessoas mais distantes, que eu não consigo identificar direito, a não ser por uma certa cabeleira vermelha.
Caminho apressadamente em sua direção, e logo consigo identificar os outros integrantes: Jason, Piper e.... Percy.
– Percy!! — grito meio ofegante chegando ao local.
– Está tudo bem? – ele pergunta – Cara sua camisa está do avesso – ele diz rindo. Mas para quando vê minha cara séria – Nico, o que foi?
– É a Annabeth, ela ... – não consigo continuar, pois um semblante aterrorizado e preocupado toma posse de seu rosto – é melhor você vir comigo – digo correndo de volta ao prédio.
–--
7 anos antes.
– Nico!! – Rachel gritava enquanto se aproximava correndo – Ele... Ele ... sumiu!
Eu a encaro extasiado. Não era possível.
– Aquele desgraçado conseguiu! – falo rindo – ele conseguiu fugir Rachel!
Ela me encara espantada.
– Não – ela diz baixinho – ele não faria isso, ele não nos deixaria aqui. Ele não me deixaria aqui! – Ela grita com os olhos cheios de lágrimas.
Eu a olho descrente, eu sabia que ela gostava do Percy, aliás eu tinha certeza, mas ela deveria saber que ele não ficaria por ela nem por ninguém. O Percy só se importava com uma pessoa, ele mesmo e sempre seria assim.
– Rach, ele disse que iria fugir. Eu não imaginei que ele iria conseguir, mas ele é determinado, ele...
– Eu sei, eu sei... – ela me cortou.
Eu a abracei, e lembrei da minha aposta com Percy, se ele conseguia fugir eu conseguia me declarar para Thalia.
–--
Atualmente.
Eu o parei antes que ele irrompesse pelo quarto, segurando seus ombros e entrando na frente da porta.
– Calma Percy!
– Você me diz que a minha namorada, minha ANNABETH, está desmaiada, sangrando, morrendo... – ele diz, subitamente melancólico – e me pedi para ter calma, CALMA! Eu quero... Eu preciso ver ela.
De algum lugar das profundezas da minha alma eu quis gritar, berrar que finalmente ele me entendia, que finamente ele sentia o que eu sentia. Eu quis desseca-lo vivo, esfregar em sua cara que agora ele não mandava mais em si mesmo.
Mas ao invés eu disse calmamente.
– Ela está aqui Percy, só não quero que você entre gritando, e ela não está desmaiada, ela estava... Ela fica dormindo e acordando, e não nos deixou leva — lá para a ala de enfermaria então fica calmo.
Ele assentiu e eu sai da frente da porta, deixando passar.
Annabeth estava deitada na cama, do mesmo jeito que antes, porém agora o pano que Thalia usava para secar o sangue que saia de sua cabeça, por causa do impacto que teve no chão logo que desmaio, estava completamente ensanguentado, e seu rosto estava mais branco que o normal, muito mais branco eu chegava a desconfiar que poderia ver através dela.
Ela parecia... morta.
– Annabeth – Percy disse, se agachando, e assim que ela ouviu sua voz seu rosto formou um sorriso, e seus olhos abriram uma fenda – temos que levar você pro hospital.
– Não, por favor Percy. Eu não gosto de hospitais – ela disse em um fiapo de voz.
– Eu sei, meu amor. Mas não posso deixa –lá morrer – ele a levantou no colo, e ela resmungou em protesto sem força pra mais nada – Depois eu juro que você pode gritar e me odiar pro resto da vida, mas eu não vou te perder.
E ele saiu pela porta com a Thalia o seguindo, aos prantos. Essa foi a segunda vez que a vi chorar.
–--
6 anos atrás.
Eu não entendia o que tinha acontecido. Á 24 horas minha vida tinha ido do céu para o inferno. Ontem mesmo eu tinha uma linda namorada, que eu amava mais que tudo. E que por mais difícil que fosse acreditar também parecia me amar.
Tudo cai ao chão quando Thalia, minha namorada, me vê beijando uma outra menina.
Não tinha sido culpa minha, não tinha mesmo, mas quando uma pessoa simplesmente pula no seu colo, e cola os seus lábios, você não tem muito o que fazer a não ser empurrar, o que fica muito mais difícil se essa pessoa te agarrou de tal forma, com as pernas e os braços, que é quase impossível se sentir um ser individual. Como se tivesse fundindo os dois corpos de uma maneiro só, de uma forma ruim, muito ruim.
Mas o pior foi ver o rosto da Thalia triste depois que me livrei da tentativa de estupramento. Seu rosto estava completamente sem emoção, seus olhos longes e sua boca voltada para traz e pela primeira vez sua expressão não me deu medo, e por isso eu fiquei aterrorizado.
Ela fugiu, ela saiu correndo. Eu a procurei, muito, durante a noite toda. Em todos os lugares, me preparei para o pior. Mas nada que eu tivesse pensado me prepararia para o que eu encontraria assim que voltasse para o meu dormitório.
Thalia.
Eu a estava olhando ao que parecia milhares de anos, primeiro eu me senti feliz, extremamente feliz, mas ao ver suas roupas arregaçadas e seus cabelos bagunçados, eu fiquei confuso, um sentimento que se extinguiu quando eu olhei para a porta que ela acabava de sair. Não era minha. Era a do Luke.
Eu devia ficar com raiva? Provavelmente. Mas eu não conseguiu sentir qualquer outra coisa além de uma solidão, uma tristeza, uma amargura que se apossou da minha alma. E foi nesse momento que eu fui pro inferno.
Eu olhei para o seu rosto pela primeira vez triste, talvez arrependido. Grossas lagrimas escorriam de seus olhos e isso só me fazia sentir pior, eu nunca havia visto Thalia chorar e agora essa imagem me assombraria pelo resto da vida. Eu só queria abraça – lá e conforta –lá, dizer que tudo ia ficar bem. Mas eu não podia, eu não podia porque era mentira. Eu não poderia estender minhas mãos e secar as suas lágrimas e a beijar para que se sentisse melhor.
Ela não disse nada, somente me olhou, ela não se justificou e não se explicou, ela não precisava. Todos sabiam o que uma menina fazia no quarto de Luke, e com certeza não era conversar.
Eu desvie dela e fui em direção ao meu quarto.
– Nico... – sua voz apesar de sussurrada, me atingiu como uma flecha.
Eu me virei, diminui a distância entre nós, colando nossos corpos e depois nossa testa, segurei seu rosto entre minhas mãos e usei os polegares para secar suas lágrimas.
– Eu te amava tanto – disse pela primeira vez, e invés de sentir o que eu imaginava, uma libertação, eu me senti ainda mais preso porque aquela foi a primeira vez que disse que a amava, e sabia que provavelmente seria a última, mesmo que eu continuasse a ama –lá e mesmo que esse sentimento ainda implorasse para explodir do meu peito toda vez que meu coração batia.
Eu a beijei na testa, ternamente.
E virei as costas, ouvindo soluços irromperem de sua garganta.
Eu não dormi naquela noite e nem nas seguintes. Passei maior parte do tempo pensando que havia mentido pra Thalia. Eu ainda à amava.
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