Cotton Candy

3 Dante Kulak


Notas iniciais
"Prefira morrer gritando do que viver calado."

Cavalgando em meu cavalo em meio à gritaria da guerra, me perco de meu companheiros enquanto tentava a arriscada manobra de desviar o curso para poupar a vida de meu cavalo, meu maior companheiro. Talvez não seja a melhor coisa vindo de um chefe de patrulha, mas estamos treinados para esse tipo de situação.

Com minha espada, me direciono à um caminho lamacento, em meio à neblina que cobria o cenário escuro e os trovões.

Achei. Eis o exército inimigo. Qualquer outro nobre fugiria e pouparia sua vida, mas eu não. Se a missão designada à mim foi proteger o rei, eu o farei. Mesmo que custe minha vida. Cavalgo em direção aos inimigos e com as espadas apontadas para mim, salto de meu cavalo.

Me ajoelho e deixo cair minha espada, erguendo minhas mãos como um sinal de derrota, enquanto todos apontam as espadas para mim.

- Quer dizer que esse é Dante, o garoto prodígio... o chefe da patrulha, não é? Heh, matá-lo agora não daria graça, vamos vendê-lo como suborno aos inimigos. Depois disso matamos ele, obviamente, heh... — ouço um cavalheiro dizer, pelo jeito que falou, deveria ser o líder deles. Eles dão risadinhas sínicas em assentimento.

Pego minha espada no chão e pressiono contra meu pescoço com uma força destrutiva. Caio no chão. O sangue escorre e vejo o líder se aproximar de mim, com cuidado.

Atinjo seu pescoço com uma golpe fatal. Havia conseguido forjar minha morte, mas apenas fingi acertar um ponto vital, enquanto na verdade o dano fora redirecionado ao ombro.

Todos, tensos, apontam as espadas para mim, e eu desvio minha cabeça para baixo.

- V-Vamos fazer o quê agora? Matamos-no?

- Não acham essa batalha injusta?... sim, isso não é justo. — falo, enquanto me apoio em meu joelho para levantar, e as espadas agora estão à menos de um milímetro de meu pescoço. — Francamente... vocês são uns cem soldados... não acham que... deveriam ter chamado mais?

Vejo eles se entreolharem, e foi esse o momento em que dou um golpe de espada rápido o suficiente pra derrubar os dez cavaleiros da frente. Me aproveito da neblina pra me infiltrar entre eles, agora que estou irreconhecível entre os outros cavalheiros.

Em questão de minutos, estão todos mortos, desabados.

- Sujar minha espada com o sangue de vermes assim... é desonrar minha pátria... droga. — subo de volta em meu cavalo e continua rumo ao território inimigo.

Enquanto os trovões caem no cenário escuro e em meio à neblina, meu cavalo se retarda em meio à lama, então resolvemos parar para descansar enquanto o clima se estabiliza, porém, eu estava emboscado. Os gritos agonizantes foram suficientes para revelar minha localidade, então apenas adentro uma caverna enquanto deixo meu cavalo descansando na floresta lamacenta.

Começo a sentir uma dor insuportável em meu pescoço. Infecção. Fui extremamente imprudente ao meu apunhalar pelo pescoço, me superestimei. Pena.

Quando acordo, acredito ter passado uma noite, já devem estar perdidos. Com base nisso, saio da caverna. Vejo algo que me força a correr em direção à floresta, imprudentemente.

Meu cavalo estava preso por cordas entre uma árvore e outra, agonizando dores absurdas.

Porém, quando estou a ponto de desamarrá-lo, noto o que tinha acabado de fazer, assim que uma voz extremamente sarcástica diz atrás de mim:

- "O garoto prodígio, Dante", não é? Agora você entendeu porque um garoto não pode entrar pro exército?

Uma espada coça meu pescoço, sobrepondo meu ombro, e após refletir sobre a atual situação, calmamente falo:

- Olá... como vai? — solto um sorrisinho.

- Vou bem, obrigado. Mas... é hora de se preocupar consigo mesmo. Homens, o cavalo.

Homens camuflados por todo o lado, atrás das árvores, da lama, das folhagens, se mostram e rapidamente apontam as espadas para o pescoço do meu cavalo. Não sei se posso fazer muita coisa, já que eu deixei a espada na caverna, porém, pra completar minha imprudência, dou um soco à mão nua no rosto de meu oponente, e desvio à tempo suficiente pra não levar um ferimento fatal, mas apenas uma barriga rasgada. Puxo a arma de sua mão e atiro numa da cordas, fazendo apenas duas espadas acertarem o cavalo, que balançou pro outro lado e com um coice se desprendeu. Quando recobro a consciência, ele já está longe.

- Parabéns, você salvou seu cavalo, mas e quanto à si mesmo? — o homem que me ameaçou previamente diz. — Que farás a seguir, garoto imprudente? É sua hora de escolher como morrer.

- Ainda tenho muito tempo pra planejar minha morte. — meu cavalo rapidamente me empurra pra cima de sua crina, e me leva até o pé de uma montanha, depois de cavalgar por uns 30 minutos. Eles não tinham cavalos, por isso, não devem me encontrar tão cedo. Me despeço de meu cavalo e o mando voltar para o resto do exército.

Depois de um mês de guerra, meu exército sai triunfante, e sei que minha divida acaba aqui. Não desejo mais servir ao exército, e por isso quero que eles achem que eu morri. Mas se, realmente for pra eu morrer, prefiro morrer servindo a mim mesmo, assim como reza a natureza do ser humano.

É mais divertido viver em prol de si mesmo, porém vingar a morte de meus falecidos pais foi bom o suficiente. Depois de 30 anos a guerra acabou. Herdei as vontades de meus pais... como seguirei minha vida de agora em diante?

Questões desse tipo não me importam, eu rumarei por aí em busca de um novo objetivo, e esse será meu novo eu.

Se meus pais estivessem aqui, iriam se orgulhar de meus feitios, acredito nisso, porém, isso não importa. Não viverei em prol de expectativas assim, viver por mim mesmo é o suficiente pra que eu seja digno de honrar o nome "Dante Kulak" e toda a minha linhagem.

Começo a andar, andar, e quando percebo, estou andando há dias, e percebo que essa se tornou minha nova vida, nada mal. Não pra um garoto imprudente.

5 anos depois

Posso dizer que tudo o que vivi me torna o que sou. E eu vivi bem, realizei minhas ambições, conheci o mundo, muitas verdades diferentes, tudo isso me tornou o que sou hoje, o andarilho sem rumo, o garoto prodígio.

Dante Kulak, o guerreiro.

Notas finais
Próximo capítulo: Kenai, o mago.