Cosmic Love

3 Smoke Clouds


Notas iniciais
Música do Título- Smoke Clouds (James Arthur)

–Não vai mais. — Emma meneia a cabeça, soou muito vago pra ela. -Você vai voltar comigo para Storybrooke.

A loira o olha por dois segundos e então solta uma gargalhada do fundo de sua garganta. -O que Hook? — o ar lhe escapa dos pulmões; ela se concentra -Do que você ta falando cara? — Jones reflete, sério, por um momento. Teria que escolher palavras apropriadas, pois não saberia precipitar a reação de Emma.

–A sua mãe... ela... — o homem inspira fundo, passa as mãos pelos cabelos oleosos, já sem lavagem a um dia; ele ergue a cabeça e penetra seu olhar em Swan, que tinha uma expressão curiosa. — ela... ta doente. Muito doente.

Emma Swan nunca teve uma conexão forte com sua mãe, apesar da mais velha sempre pressionar muito a amizade entre as duas. Mesmo sendo cedo, a garota, na adolescência, já tinha valores muito diferentes da mãe e, isso a incomodava e gerava tamanhas brigas. A última, fora a mais avassaladora, como consequência, Emma foi praticamente deportada para Inglaterra, pela mãe. Apesar de ter uma vida maravilhosa ultimamente, ela ainda não havia perdoado Mary Margaret.

Mas não desejava nada de mal para ela. Saber que ela estava doente, tão de repente, não a agradou. — Como? Isso é impossível, eu falei com ela a pouco tempo e, estava tudo bem! — se desapoiou do balcão e foi até a geladeira, segurando o lençol, pegar um copo d'água. Tinha sua testa franzida, demonstrando conflitos internos.

– A pouco tempo Swan? Você não liga faz seis meses.

Depois de vinte minutos de olhares preocupados e tentativas fracassadas de esclarecimentos, os dois resolvem tirar um tempo para pensar. Hook vai para seu hotel, e Emma se arruma para o trabalho.

A mulher sentia a água quente queimar em suas costas, ela agora estava curvada, com os braços a sustentando na parede. Mil coisas passam pela sua cabeça. Seria possível ela abandonar tudo que conquistou, para começar uma vida nova em uma cidade completamente diferente? Levanta a cabeça, e sente agora a água em seu rosto. Mas sua mãe estava doente, precisava ao menos visitá-la; Jones havia dito que os médicos não conseguiram diagnosticá-la, por isso ficava difícil achar um tratamento.

Swan se enxuga e separa as roupas no armário; veste uma calça social preta, com um salto alto, uma camisa justa, com manga curta, na cor ameixa e seu sobretudo preto. Decide pegar seu carro, depois de ter sua disposição sugada pelos pensamentos conflituosos.

Passa pela rua Jodenbreestraat e em seguida dobra na Uilenburgersteeg; cinco minutos depois, cumprimenta as pessoas que vão passando a medida que se deslocava para sua sala. Encontra Florence em sua cadeira, girando lentamente com uma revista em mãos. A loira desveste o sobretudo e o pendura na arara perto da porta; senta-se na cadeira à frente da mesa, já que a sua estava temporariamente ocupada. A editora para de girar, devagar, fecha a revista e encara Emma por alguns segundos.

–Sério Swan? — se apoia nos cotovelos; a garota parece confusa -Você ta pior que ontem!- Emma joga a cabeça para trás e bufa. Florence levanta, se agacha em frente a ela e apoia as mãos em seu joelho. -O que ta acontecendo?- ela abre os olhos e encara sua chefe. Precisava mesmo conversar com alguém, e Florence era a única que era alguma coisa perto de amiga que ela tinha.

E então ela contou. Tudo, desde os sonhos, com uma mulher, cheios de terror que estava tendo há um mês, até quando Hook aparece no seu apartamento e diz que sua mãe está doente. O sentimento de alívio era claro, suas costas já suportavam menos peso que antes. Florence até poderia ajudá-la a decidir sua vida, se ela mesma já não tivesse feito isso hoje no chuveiro. Era uma decisão difícil, claro, aliás, tratava-se de sua família, mas ela não desistiria de tudo que ela lutou esses anos todos.

–Eu acho que você deveria ir. — a ruiva agora estava apoiada na mesa bebericando seu café. Emma pareceu surpresa com a conclusão da outra.

–Não! Eu tenho uma vida aqui! — levanta da cadeira, a editora pega sua mão e a olha nos olhos.

–Emma, é a sua família, nada é mais importante que a sua família, acredite; mesmo que você não seja tão ligados a eles, quando precisar, a cima de todas as circunstâncias, eles estarão lá. — ela levanta, e puxa Swan pela mão e segura seu rosto com as mãos. — Se você não quer se mudar pra lá, pelo menos faz uma visita... sei lá, um ou dois meses, eu te dou cobertura aqui. Você nunca tira férias mesmo...- Emma reflete, era uma boa saída, e se algo desse errado, poderia voltar antes do previsto. — Família quer dizer nunca abandonar, ou esquecer.- elas se encaram -Lilo & Stitch, lembra?- sorriem timidamente. Florence avança e beija os lábios de Emma, que se submete sem protestar.

As duas tinham história; Emma sabia que, mesmo tendo um carinho especial, aquela noite havia significado mais para Florence do que para ela, e que isso nunca mudou. Mas de um certo modo a aconchegava esse relacionamento mediano das duas.

–Vai lá, eu cuido das coisas aqui e qualquer coisa te ligo... de verdade.- ela pega a bolsa, e o sobretudo, e dá para garota, que aceita receosa. — Só passa lá no RH antes, ok?- ela pisca e vê Emma balançar a cabeça de um modo quase imperceptível; sorri e senta novamente.

–Obrigada, de novo- fala baixo e abre um sorriso ao ver Florence piscando e folheando a revista novamente.

Emma vai até o RH, acerta a papelada, vai até seu apartamento, liga para Hook a encontrar, uma hora depois, no saguão de seu prédio. Troca de roupa, come um sanduíche, guarda suas coisas de trabalho na cômoda, não iria vê-los durante um bom tempo. Era melhor Mary Margaret lhe agradecer quando ela chegasse; ainda não acreditava que estava fazendo isso.

Ás 19 horas em ponto, ela desce e encontra Jones já a esperando no mesmo sofá do dia anterior. Ela anda em seu encontro, e o vê com o mesmo sorriso no canto dos lábios. -Melhorou? — ele levanta e a abraça. Emma afirma com a cabeça. -Você tava bem pensativa hoje de manhã... me desculpe se fui muito bruto com as palavras ou algo do tipo.

–Não, ta tudo bem, só precisava pensar, mesmo- Hook a olha com expectativa. Swan sorri. — É... eu acho que eu vou.