Notas iniciais
Olá, leitores: As coisas estão se desenrolando aos poucos, mas ainda há drama no meio do caminho... Haja coração!

Bruce acordou com a maior enxaqueca de sua vida. Sua cabeça doía como se Clark e Diana tivessem-na usado para praticar ‘jebs’. Ele olhou ao redor, tentando se situar e percebeu que estava em sua suíte, mas sem Diana e ainda algemado. Foram poucos os segundos necessários para que ele lembrasse que Diana fora levada por Slade e ele jogado lá por um terrorista.

Ele não conseguia se concentrar plenamente num plano de ação porque estava preocupado com o que Slade poderia fazer a ela e amaldiçoou-se por isso. Ela precisava dele agora, então era hora de agir... Ele respirou fundo e começou seu processo se retiradas das algemas. Ele conhecia N táticas para este mesmo fim. Podia deslocar o polegar, provocando um espaçamento suficiente para ele retirar mão. Depois era só colocar no lugar. Era doloroso, mas rápido, silencioso e eficiente... Mas ele estava sozinho na cabine e havia uma infinidade de itens lá que ele podia usar para abri-las sem sequer precisar rompê-las. Ele era um mestre nisso!

Ele só precisava dar a ordem a Kent para ‘chamar a cavalaria’ e achar Diana antes que fosse tarde.

— Vamos, Diana... aguente firme. Eu estou indo! – Ele disse a si mesmo, em voz alta.

(...)

Graças a Lois, quase todos os comandados de Slade que estavam com os funcionários no refeitório estavam agora indo em direção à cabine de controle para tentar achar as bombas e desarmá-las. Eles eram mercenários cumprindo ordens para prestarem um serviço e serem pagos. Eles não estavam lá para morrer em nome de quem quer que fosse. Apenas um deles ficou de guarda com no refeitório e Lois teve a brilhante ideia de abatê-lo, com a ajuda do cozinheiro e do croupier do salão de jogos. Bruce e Clark teriam um ataque se soubessem do que ela estava prestes a fazer... Mas a intrépida Lois não fugia de uma boa briga. Não a senhorita Lane!

Os homens armados chegaram atônitos à cabine de controle do navio, falando uma língua incompreensível ao capitão e vasculhando todo o lugar sem explicar nada. Eles sabiam que o capitão era um dos comandados por Slade e achavam que ele sabia das bombas, mas não lhes diria, deixando-os para morrer.

— Onde estão as bombas? – um deles disse, em inglês.

— Que bombas? Do que vocês estão falando? Vocês estão loucos? – o capitão praguejou.

— Estamos? Então onde está o Slade? Nós já devíamos ter deixado o navio há meia hora. Onde ele está? – o homem mascarado insistiu, apontando a arma para o oficial.

— Calma... nós vamos achá-lo e ele vai dizer o que está havendo! – o capitão respondeu sem convicção. Ele sentiu que havia algo estranho e começou a vasculhar as câmeras de segurança quando viu que os guardas estavam com os reféns no saguão e os funcionários estavam todos rendidos no refeitório, mas não havia sinal de Slade.

Ele começou a apontar as câmeras para a parte externa para tentar localizar a embarcação que trouxera a equipe de terroristas, mas não havia sinal dela, nem no radar. Era uma sinal claro de que Slade partiu e deixou todos para trás... Isso fez o capitão cogitar se realmente ele havia plantado bombas para matar todos e destruir qualquer indício de suas atividades criminosas, já que este seria o último roubo.

Nenhum deles viu quando um míssil atravessou o vidro de observação da cabine de controle. A velocidade e a força de impacto de entrada do obejto foi tanta que todas as janelas explodiram ao redor da cabine, como se uma onda poderosa tivesse sido produzida pela frequência do impacto. Todos os homens se jogaram no chão, protegendo as cabeças, como medida de contingência. Era óbvio que eles estavam sendo atacados... Embora eles não estivessem ouvindo disparos, bombas ou mesmo a explosão do míssil.

O capitão foi o primeiro a levantar os olhos e encontrar um homem – ou algo que se parece um – de pé, com os punhos fechados sob cada lado da cintura, vestido com uma roupa estranha e o que parecia a letra ‘S’ estampada sobre o peito. Em seguida, todos os outros fizeram o mesmo e não esconderam o espanto ao se deparar com a figura imponente a sua frente. Não era um míssil... Era um homem. E embora todos naquela cabine achassem que ele não era um homem comum depois da sua entrada ‘espetacular’, eles estavam em maior número e muito bem armados com metralhadoras cujas balas podem atravessar até coletes.

Quando o primeiro começou a disparar, todos os outros o seguiram. O barulho dos tiros era tão forte que podiam-se ouvir ruídos no saguão principal, que estava há quase um quilômetro e meio de distância. Os funcionários no refeitório puderam ouvir com mais clareza e ficaram todos assustados. Bruce, que estava na suíte, também ouviu. Ele sabia que Clark estava em sua etapa final do plano.

A cabine de repente parecia o inferno. Uma fumaça emitida pelos disparos dos fuzis se espalhava pelo ambiente, tirando quase completamente a visibilidade. O som ensurdecedor dos tiros, as centenas de cápsulas caindo no chão, os gritos de ‘morra, aberração’ dentre os tantos outros dirigidos ao kryptoniano deram o tom final para o inferno de Dante. Quando tudo terminou, o silêncio era assombroso no recinto. A fumaça ia gradualmente se dissipando e para desespero dos comandados e do capitão, o homem ainda estava lá, de pé, sem um único buraco de bala. ‘Nem sequer um arranhão’, o capitão pensou.

— Quem é você e o que você quer de nós? – Um dos guardas perguntou, com a voz falhada e as mãos trêmulas segurando a metralhadora vazia.

— Quem eu sou não importa e sim o que eu quero. – Kal-El afirmou em tom rígido, completamente diferente de como Clark costuma falar. – O capitão vai emitir AGORA um comunicado de alerta para a Guarda Costeira pedindo que eles avisem as autoridades sobre o sequestro do navio imediatamente. Depois ele vai desligar o sistema de segurança que bloqueia qualquer tentativa de localização da embarcação e, só por garantia, você vai dar as coordenadas exatas de onde nós estamos à Guarda Costeira.

— Eu não vou fazer isso. Eu não vou ser preso! – O medo da prisão era bem maior para o Capitão do que o medo daquele homem. – Eu não posso voltar para aquele lugar. Você não pode fazer nada que me obrigue!

Superman deu um sorriso irônico que deixaria Bruce orgulhoso quando voltou os olhos para um dos terroristas ao lado do capitão, segurando desleixadamente seu fuzil. Ele mirou com extrema precisão na arma, para não atingir ninguém, e concentrou-se para emitir sua visão de calor sobre ela, apenas o suficiente para aquecer o metal, forçando-o a derreter. Foi o suficiente para assustar a todos de uma vez. Eles obedeceram prontamente quando Kal os mandou sentar, todos juntos, no canto esquerdo da sala. O capitão se juntou a eles depois de emitir o alerta e informar a localização.

Agora era só esperar que Bruce e Diana tivessem feito sua parte e que Lois estivesse bem!

(...)

Diana conseguiu chegar até o corredor da suíte em que ela e Bruce estavam voando o mais rápido que podia, mas sua velocidade estava muito comprometida porque ela se sentia mais fraca e tonta. Ela havia sido atingida por Slade durante a luta e sequer percebera a gravidade do dano. Ela tinha vários cortes nos braços, pernas e barriga, além de uns arranhões no rosto. Diana estava acostumada com isso talvez mais do que qualquer um. Seu treinamento começou quando ela ainda era criança e nenhuma de suas tutoras ‘pegava leve com ela’. Até que ela aprendesse a se defender e dominar o adversário, ela apanhou bastante – especialmente em seu treinamento com espadas, tutelada por Arthemis. Não eram raros os cortes profundos após os treinos.

Ela olhou para o local de onde o sangue estava jorrando. Havia uma placa de ferro em formato triangular enfiada seis dedos abaixo de seu seio esquerdo e ela sabia que remover não era uma opção no momento. Ela só queria chegar na suíte e rezou aos seus deuses que Bruce ainda estivesse lá.

(...)

Bruce faria qualquer coisa pra encontrar Diana, mesmo que isso comprometesse o plano. Mas não antes de ter alterado e corrompido todo sistema de câmeras de vigilância que por ventura pudessem ser acessadas offline por alguém dentro do navio, já que o satélite estava inutilizado e transferindo o controle para seu computador. Não era apenas sua identidade secreta que seria descoberta, mas também Clark e Diana estariam expostos como meta-humanos, podendo ser presos, caso o Governo os considerasse uma ameaça.

Ele observou cada lugar minuciosamente: o saguão com os reféns estava tranquilo; o refeitório tinha apenas um guarda e a cabine de controle já estava com os homens rendidos por Clark. Em breve as autoridades estariam lá e fariam sua parte... Agora ele precisava encontrar Diana urgentemente.

Seus olhos percorreram freneticamente todas as câmeras dos corredores para saber para onde Slade a levara. Mas antes que ele fosse até lá, a sequência das imagens em velocidade rápida mostrou Diana saindo de um outro quarto, três números à frente do que entrara, flutuando em velocidade, na direção da suíte em que ele estava. Ele supôs que Slade tivesse fugido e ela estava vindo até ele. ‘Mas se ela veio pra cá, onde ela está?’, ele se perguntou... Seu coração parou quando a gravação a mostrou caindo no meio do corredor... alguma coisa estava errada. ‘Diana!’, ele gritou e correu em direção ao local da queda.

(...)

Bruce entrou correndo com Diana nos braços na suíte que dividiam. Ele abriu o computador e entrou em contato com Alfred imediatamente para pedir instruções. Ele era muito bom com primeiros socorros, tinha experiência sobre os procedimentos para tratar várias lesões – incluindo as suas – sabia como evitar possíveis infecções, dentre tantas outras coisas que aprendera em seu treinamento ao redor do mundo. Qualquer outra pessoa tornaria as coisas mais fáceis pra ele. Ele simplesmente avaliaria friamente o dano, decidiria qual medida de ação tomar e faria tudo que estivesse ao seu alcance para salvar aquela vida.

Mas Diana tinha a capacidade de sugar-lhe uma parte considerável do seu controle em condições normais. Vê-la assim, sob o risco de morrer, o levou praticamente todo o resto. Por isso ele decidiu chamar Alfred para ajudá-lo com ela. Ele sempre cuidara das feridas de Bruce noite após noite, depois das patrulhas. Foi Alfred quem o costurou inúmeras vezes, retirou balas de seu corpo com precisão cirúrgica e, além da vasta experiência nesse tipo de socorro, ele tinha a virtude inabalável da temperança, o que manteria os nervos de Bruce no lugar.

— Mestre Bruce, presumo que o senhor precise dos meus serviços?! – A voz do mordomo ecoou no quarto quando a imagem estóica do homem de cabelos grisalhos apareceu na tela.

— Sim, Alfred. – O homem no traje do morcego respondeu – É Diana... ela está ferida – Sua voz já não estava tão firme.

— Aproxime a tela do ferimento, Mestre Bruce. Eu gostaria de avaliar melhor, se não se importa! – O venho inglês permanecera com a mesma distinção de sempre na voz. – É difícil avaliar o dano de onde eu estou, senhor. Eu seria bem mais preciso se ela estivesse na enfermaria da caverna, mas dadas as circunstâncias, pelo que pude observar, eu aconselho o senhor a não retirar o objeto, pois é provável que cause mais danos com a remoção.

— Eu pensei a mesma coisa, Alfred. – Bruce respondeu sem esconder a preocupação – O que você aconselha?

— Como de costume em suas viagens, Mestre Bruce, uma de suas bagagens está preparada com todo material necessário para ações desse tipo, tento em vista a natureza de suas atividades extracurriculares, senhor, eu tenho o cuidado de sempre mantê-lo devidamente abastecido com toda assistência médica possível. – Alfred prosseguia com uma calma inquietante – O senhor vai encontrar tudo que precisa na única mala vermelha que faz parte de sua bagagem completa, senhor.

— Obrigada, Alfred! – Bruce respondeu enquanto buscava a mala.

— O senhor pode limpar o local com soro, Senhor. Depois pegue as ataduras para envolver todo local de forma bem firme, deixando o objeto no lugar. Vai ajudar a estancar o sangue. – Alfred orientou calmamente. Ele sabia que Bruce tinha experiência suficiente para fazer aquilo sozinho. Apesar da gravidade da lesão, o procedimento diante daquilo não era um ‘bicho de sete cabeças’. Mas ele também sabia dos motivos que fizeram com que Bruce pedisse sua ajuda e que precisava mantê-lo calmo. – Assim que o senhor puder, venha com a princesa até a caverna, senhor.

‘Bruce’... Diana emitiu um som tão baixo que o Batman só pode captar por causa do com-link no ouvido configurado para funcionar semelhante à meta-superaudição. Ele olhou pra ela deitada na cama, tão pálida, e sorriu, passando a mão delicadamente em seus cabelos úmidos de suor febril.

— Você está segura agora, princesa. Vai ficar tudo bem. – Ele disse, tentando sustentar a firmeza da voz para que ela não percebesse o quanto ele estava preocupado – Em pouco tempo as autoridades estarão aqui e a Guarda Costeira e eu vou levá-la o mais rápido possível à batcaverna... Aguente firme! – Suas últimas palavras saíram mais fracas do que ele gostaria.

Diana fechou os olhos quando sentiu a mão de Bruce acariciando seus cabelos. Ela poderia passar uma vida inteira assim, sentindo a felicidade que esses gestos tão simples lhe proporcionavam. Ela havia perdido essa sensação por tanto tempo e agora estava lá de volta... Bruce estava lá com ela e já não havia mais mágoa entre eles. Ela se sentia tão fraca, mas ao mesmo tempo, tão feliz.

— Bruce... eu sinto muito. Eu não percebi quando ele me atingiu! – Ela disse, ainda com os olhos fechados, envergonhada por ter sido ferida – Mas eu o deixei ir embora, Bruce... eu fiz o que você disse... eu não queria... mas eu deixei, porque você pediu, Bruce.

— Shiiiiiiihhhh!! – Ele pediu que ela silenciasse – Descanse, princesa. Não fale mais nada... Está tudo sob controle.

Bruce Wayne queria ir atrás de Slade imediatamente. Queria surrá-lo de forma que o deixasse incapacitado por meses, causando dano suficiente para tornar sua regeneração o mais difícil possível. Mas Diana precisava dele e ele precisava cuidar dela rapidamente. O resto sua meta-cura poderia fazer.

Ele voltou ao papel de playboy para não levantar suspeitas após a chegada das autoridades. Depois ligou para Alfred e pediu que ele tomasse algumas providências: entrasse em contato com Leslie Thompkins, médica de sua confiança, para operar Diana e não levantar suspeitas sobre seu meta-gene; além de providenciar que seu jato particular seja equipado com toda a aparelhagem médica para receber um paciente para transferência imediata de Metrópolis para Gotham.

— Fale com Leslie, Alfred. Diga a ela que eu preciso dela... – Bruce quase não conseguiu terminar a frase – Peça a ela para salvar a vida de Diana!