Coração selvagem
18 XVIII - Happy Birthday
Notas iniciais
Acabara de chegar Outubro e estava ficando ainda mais frio. O final do nosso ano letivo parecia não demonstrar grandes mudanças para tornar nosso encerramento diferente da rotina monótona, porém agora tudo iria mudar. Como eu queria ajudar Harumi e Katsumi, passei a ficar mais tempo com elas. Conversava sobre assuntos direcionados para tentar ajudá-las. Harumi parecia melhor que Katsumi. Ela já almoçara com Kuroko quatro vezes desde que se conheceram e mesmo ambos não demonstrando quase nada ela parecia estar feliz por pelo menos estar na companhia dele sem corar à toa. Katsumi por outro lado ainda não conseguia nem falar com Akashi.
– Não sei o que falar, não temos nada em comum. – Ela dizia.
– Está brincando, ne? – Disse quase rindo – Vocês dois praticam esportes, já é um assunto.
– Um assunto bobo.
– Fala sério, o único assunto que você tem e ainda o desmerece. – Dramatizei.
Ela riu timidamente.
– Fala qualquer coisa! Até um bom-dia serve. – Disse.
– Eu já dou bom-dia a ele.
– E?
– E o que? É isso.
Suspirei, deitando a cabeça na mesa.
– Baaaaka.
Ela riu.
– Da próxima vez que você encontrar com ele, eu quero que faça algo. – Disse, apontando para ela – Se não vou declarar que você é uma covarde.
Ela pareceu receosa. Eu dei um sorriso largo, fazendo um sinal positivo com a mão e levantei para voltar para minha sala já que estávamos no intervalo e ficamos conversando na sala dela. Pensei que demoraria alguns dias para ela tomar coragem, estava prevendo isso, mas Katsumi fez algo naquele dia mesmo! Eu saí da sala e Akashi logo entrou. Me virei e fitei Katsumi, fazendo uma careta engraçada para ela tomar coragem. Me voltei para o meu caminho e a deixei nas mãos da sorte. Katsumi havia rido da minha careta idiota e Akashi a fitou. Ela corou e desviou o olhar, mas viu ali sua chance. O sinal ainda não havia soado e apenas eles dois estavam na sala.
– A-Anou! – Ela levantou e o fitou – Akashi-kun...
– Hai. – Ele parou e se virou para ela, esperando.
– E-Etto... Nee, como vai o treino de basquete?
Ela se arrependeu no momento exato que disse aquilo. “’Como vai o treino de basquete? ’. Que droga é essa?!”, ela pensava desesperada.
– Ah... Bem, arigatou. – Ele disse.
– H-Hum... Que bom. – Desviou o olhar sem saber mais o que dizer.
– E você?
– Eh? – Ela o olhou em dúvida, ele estava continuando o assunto?
– No futebol. Escutei falar que vocês são boas, que vencem a maioria dos jogos.
– H-Hai. – Ela disse feliz por ele saber disso – Não somos tão boas quanto vocês, mas damos o nosso melhor.
– Hum. Vocês são boas, cada um tem seu talento.
Ela acalmou o olhar, estava feliz por ele dizer essas coisas. Por um momento pensou em contar sobre os sentimentos que tinha por ele, mas tinha grande receio nessa decisão. Ela não sabia se ele os aceitaria, porém queria arduamente que ele soubesse o que ela sentia.
– Akashi-kun...
– Hum. – Ele a olhava.
Ela estava com o olhar baixo e se aproximou dele.
– A-Anou... Eu sei que as outras garotas devem fazer isso o tempo todo, mas...
Ela tomava coragem e ele a olhava. Com nenhuma coragem em se declarar, Katsumi se inclinou de repente, pegando numa das mãos de Akashi e o beijando. Ele não fechara os olhos, a olhava corada com os olhos fechados enquanto o beijava. Quando cessou, o olhou sem saber o que fazer agora.
– G-Gomen... – Abaixou o olhar.
Ele a olhava, pensando sem demonstrar expressão.
– “Michigo Katsumi”, ne?
– Hai... – Ela disse sem conseguir olhá-lo.
Espiou pelo canto do olho e o viu com a expressão séria, o que a deixou nervosa.
– G-Gomen nasai! – Fez uma reverência – E-Eu não pensei duas vezes, estava com vergonha...
– Então por estar com vergonha, você me beijou?
Ela apertou os olhos, envergonha e ainda curvada, fazendo reverência a ele. Akashi suspirou.
– Pare com isso.
Ela se endireitou, mas ainda sem coragem de olhá-lo.
– Qual o seu tamanho? – Ele perguntou.
– Eh? – Ela o olhou sem entender e desviou o olhar – C-Como assim?
– O seu tamanho. – Ele disse – Sutiã e calcinha.
Ela corou, será que ele classificava as garotas? E dessa forma?!
– U-Uhm... 40 e M. – Disse timidamente.
– Hum. – Ele pôs a mão no bolso e foi até sua carteira, pegando uma nota de dinheiro de dentro da bolsa escolar e ficando a frente dela – Amanhã na hora da saída vai ter um carro azul-marinho te esperando. Eu vou estar dentro dele, não se atrase.
Ela corou, o olhando surpresa.
– N-Nan...?
– Sem perguntas. – Ele disse, pegando no queixo dela.
Ela corou ainda mais e Akashi passou por ela, saindo da sala.
...
Katsumi passou o resto daquele dia e as horas de aula do dia seguinte pensando naqueles breves momentos com Akashi. Ela se perguntava por que ele perguntou qual era o tamanho das suas roupas íntimas e pensava que deveria ter dito apenas não. Além do momento estranho que ele disse que haveria um carro a espera dela. Para onde eles iriam? Ela mal prestou atenção na aula, apenas fitava Akashi com frequência na tentativa frustrante de tentar descobrir a razão para tudo aquilo. Ao final da aula, cinco minutos antes de o sinal soar para o término, Akashi levantou e foi até o sensei, dizendo algo e indo embora com sua bolsa escolar no ombro. Katsumi o olhava sair e fechar a porta, pensando no que ele disse: “não se atrase”. Ela engoliu a seco e mesmo não gostando de mentir, foi até o sensei e disse que estava passando mal. Ele disse que ela poderia ir à enfermaria e depois ir embora já que estava quase na hora da saída. Ela agradeceu e saiu porta a fora.
A caminho da enfermaria, Katsumi desviou sua rota e desceu as escadas ao invés de subir. Passou rapidamente pelos armários de sapatos e os trocou, calçando os seus e indo embora. Ela não sabia se o que Akashi disse era verdade ou se estava apenas brincando com ela por causa do beijo repentino, mas Katsumi respirou aliviada quando viu o carro azul-marinho. Ela se aproximou receosa e viu o vidro de trás se abrir e Akashi sentado dentro do carro.
– Aprecio sua pontualidade. – Ele sorria calmamente.
O motorista saiu de dentro do carro e abriu a porta para ela, que se assustou pelo gesto, mas entrou. O carro começou a andar e ela continuava receosa ao fato de não ter ideia a respeito de para onde iriam.
– A-Anou...
– Qual foi a desculpa? – Ele sorriu irônico.
– Eh?
– Pra você sair antes da hora.
– Hum, passando mal.
Ele deixou um sorriso escapar.
– Pensei que seria isso mesmo.
– Pra onde vamos?
– Pra minha casa.
– P-Por quê? – Ela disse, corando.
– Porque sim.
Com a resposta sem explicação alguma, minutos depois chegaram à casa de Akashi e Katsumi viu como era grande. Um terreno do tamanho de um quarteirão com uma mansão do centro. O carro passou pelo portão, andando pelo caminho de pedras e parando na entrada. O motorista saiu e abriu a porta para ambos, consecutivamente. Katsumi saiu e fitou a grande casa, percebendo como era luxuosa apenas pelo lado de fora. Com as características, a mansão parecia ser mais inglesa do que japonesa.
– Venha. – Akashi disse, começando a andar.
Ela despertou e se pôs a andar rapidamente para alcançá-lo. A porta dupla feita de mogno e esculpida detalhadamente se abriu e ambos entraram, dando a Katsumi a oportunidade de perceber que dois mordomos abriram as portas. Akashi continuava a andar e ela prestava atenção nele para não se perder dentro do casarão.
– Akashi-sama. – Um mordomo o parou – Creio que com a visita, o senhor desmarcará a aula de esgrima, correto?
– Hai. – Ele disse – E, por favor, não nos incomode.
– Hai, Akashi-sama.
O mordomo foi dispensado com um aceno leve de cabeça de Akashi e os dois voltaram a andar. Depois de um lance de escadas largas e com carpete vermelho, passaram por um corredor alto e pararam em frente a uma porta de cor clara como o corredor. Akashi a abriu e deixou Katsumi entrar. Ela fitava o quarto sem perceber que Akashi fechara a porta. Havia uma grande cama de casal de madeira escura e cobertor vermelho, uma mesa em frente à grande janela com vários livros em cima e um computador, uma alta estante com inúmeros livros nas prateleiras, um armário de madeira escura, um grande tapete no chão e um sofá de madeira com estofamento cinza.
– Esse é meu quarto. – Ele disse se aproximando e pegando nos ombros de Katsumi.
Ela se arrepiou pelo toque repentino e corou por estar no quarto dele sem nem ao menos conhecê-lo.
– P-Por que me trouxe aqui? – Perguntou timidamente.
Ele abriu um sorriso leve e passou por ela, sentando no meio do sofá de seu quarto.
– Está vendo aquela caixa? – Ele fitou a cama.
Katsumi olhou para a direção e viu uma caixa de cor vermelha em cima da cama.
– Hai.
– É pra você. – Ele disse.
– Eh?
– Pode abrir.
Ela foi até lá e a abriu. A caixa estava na beira da cama e com um laço preto a embrulhando. Ela desatou o laço e abriu a tampa, fitando um embrulho em papel de cetim preto. Ela o abriu e olhou aquilo em dúvida. Era uma lingerie preta com um par de meias-calças e mais uma coisa que não parecia nem ser calcinha e nem sutiã.
– A-Anou... – Ela o olhou, corando mais a cada minuto – N-Nani?
– Quero que vista.
Ela arregalou os olhos, paralisou.
– Por quê?
– O banheiro é ali. Troque de roupas e volte vestida nessas.
– A-Akashi-kun...
– Quer saber por quê? Então vista-as. – Ele disse calmamente.
Ela abaixou o olhar, mas o fez. Pegou a caixa com aquilo dentro e foi até o banheiro, que ficava na porta à direita. Pensava em como estava sendo idiota e que aquilo era justamente a definição de “serei usada”. Ela vestiu a calcinha, o sutiã e as meias-calças, vendo que eram perfeitamente do seu tamanho, o que indicava por que ele perguntara o tamanho de suas roupas íntimas. Na última peça ela não sabia como usar ou o que era e se aproximou da porta.
– A-Anou... – Ela apareceu por trás do batente – Não sei o que é isso. – Disse, mostrando a peça.
Ele a fitou do sofá e sorriu, imaginando que ela não saberia.
– Venha aqui, vou te mostrar.
– D-Desse jeito? – Ela arregalou os olhos.
– Hai.
Receosa, Katsumi foi até ele, se cobrindo com os braços mesmo que não adiantasse. Se aproximou, ficando a frente dele e ele pegou a peça, pondo-a na cintura dela e fechando-a, prendendo os outros apetrechos nas meias-calças em seguida.
– É uma cinta-liga. – Ele explicou – Você a prende na cintura e depois cada uma dessas tiras você prende nas meias.
Ela o olhava e apenas pensava “Que droga é essa?”.
– O que eu estou fazendo aqui?
Ele levantou e andou calmamente ao redor dela, analisando-a. Katsumi estava encolhida e envergonhada por fazer o que ele pediu. Não era nada daquilo que seus pais lhe ensinaram.
– Você está magnífica.
– Isso é vulgar. – Ela disse.
Ele deixou uma risada escapar e sentou no sofá, indicando a ela que se sentasse ao seu lado. Ela o fez e o olhava.
– Lembra o que você fez ontem? – Ele disse.
– Hai. – Ela disse envergonhada – Por favor, se quer brincar comigo, não o faça. Por favor... Não sou esse tipo de garota.
– Por que me beijou?
Ela o olhou, surpresa.
– Porque... Eu gosto de você. – Disse timidamente.
Ele sorriu.
– Mas preferiu um ato mais íntimo. – Concluiu.
– Gomen nasai.
– Não precisa disso. – Ele disse – Não vou te usar. Vou aproveitar cada momento com você.
– Eh? – Ela corou.
– Você me beijou e isso me mostrou que mesmo com esse rosto delicado e inocente, você não é tão inocente assim. – Ele dizia – Eu estava reparando em você, vendo-a nos treinos do futebol e até nos quadros de nota.
Ela prestava atenção sem saber o que fazer.
– Eu pensei em convidá-la para sair, mas não sabia se você gostava dessas coisas.
– Que... Coisas?
– Você verá. – Ele sorriu, o que a fez gelar – Katsumi, você quer ser minha? Só minha?
Ela corou, tanto por ele chamá-la pelo nome como por esse pedido absurdo.
– E-Eh?
– Se aceitar eu vou tratá-la da melhor forma possível, mas terá que fazer algumas coisas pra mim para eu saber que você é a certa e que eu não fiz uma escolha tola.
– M-Mas... Que tipo de coisas?
– Não se preocupe, não é sexo. – Ele disse – Mas gostaria de saber se você é virgem.
Ela corou.
– H-Hai.
– Isso é ainda melhor. – Ele sorriu – Serão situações que a cada vez que eu pedir você as fará pra mim.
Ela o ouvia.
– Isso inclui você usar uma roupa que eu escolher ou até fazer algo por mim para aumentarmos mais nossa intimidade já que você começou com aquele beijo.
– Você diz essas coisas como se a culpa fosse minha. – Ela desviou o olhar.
– De certa forma foi. Qualquer outro garoto espalharia para todos que você o beijou e você ficaria com uma má fama, mas eu sou um pouco diferente. Quero você pra mim.
Ela o olhou.
– Você tem escolha, mas a partir do momento que disser “sim”, não poderá recusar meus pedidos. – Ele disse – Aceita?
– Não vai ter sexo, ne?
– Não. – Ele sorriu – Não vou te usar dessa forma.
– Mas vai me usar.
– De uma maneira que você vai gostar.
Ela franziu levemente o cenho.
– E-Eu...
Ela o olhava, fitando aqueles olhos apaixonantes e sua escolha de dizer “não” se dissipou.
– H-Hai.
Ele sorriu.
– Ótimo. – Disse calmamente – Fique a minha frente.
– Eh?
Ele a olhou como se não fosse repetir e ela abaixou o olhar, levantando e fazendo-o. Akashi pôs as mãos gentilmente em seu quadril e a olhou, vendo-a naquela roupa. Ela não conseguia olhá-lo e ele começou a beijar sua barriga, fazendo-a apertar os olhos e desejar que ele cumprisse a promessa de que não houvesse sexo. Ele começou a passar a língua gentilmente por sua pele e a beijá-la, deixando pequenas marcas vermelhas por sua barriga e quadril. Ela engolia a seco, sentindo-o daquele jeito e começou a sentir um formigamento entre as pernas, o que a fez se encolher um pouco e fechar ainda mais as pernas. Akashi ainda a beijava e desceu levemente as mãos, pegando nas laterais da calcinha e a abaixando levemente.
– V-Você disse...
– Não diga nada.
Ela corou, fechando os olhos e sentindo a calcinha descer levemente. Sua vergonha nunca foi tão grande. Ele apertou levemente as coxas dela e começou a acariciá-la entre suas pernas, fazendo-a deixar escapar o ar pelo toque. Ela pôs a mão sobre a boca pelo barulho que fez e o sentia passando levemente o dedo pelo seu ponto sensível. A carícia começou a deixá-la ofegante e ele pôs seu dedo levemente dentro dela, no ato de tirá-lo e pô-lo novamente. Ela arregalou os olhos, corando extremamente e tentando não se mover. Ele voltou a beijar sua barriga, continuando a deixar pequenas marcas em seu corpo e enquanto a masturbava, começou a passar gentilmente a língua por seu clitóris, fazendo-a se encolher.
– O-Onegai...
Ele pressionou mais o dedo contra ela e ela ofegou, deixando o ar escapar e corando mais uma vez pelo barulho que fizera.
– Você diz que isso é vulgar, mas ainda assim está excitada. – Ele dizia, olhando para o que fazia – Você é tão bonita...
– Onegai... – Ela disse, seus olhos marejaram – Isso é constrangedor, não gosto disso.
– Nande? – Ele perguntou, pondo o braço em volta dela e fazendo-a sentar com as pernas abertas em seu colo enquanto voltou a acariciá-la, recostando as costas no encosto do sofá – Você estar molhada significa que está gostando.
Katsumi segurava em seus ombros e continuava a sentir aquela sensação explosiva dentro de si.
– I-Isso está acontecendo porque você mexendo lá... – Ela disse ofegante.
– Isso está acontecendo porque você gosta de mim. – Ele disse, excitado e pegou na nuca dela, beijando-a e continuando.
Ele a beijava, segurando-a pela cintura e a acariciando, começando a circular lentamente o dedo no clitóris dela. Ela gemia enquanto o beijava e uma sensação ao qual nunca sentira antes chegou, fazendo-a exclamar e apertar os ombros de Akashi. Ela se tremia, sentindo a sensação de forma intensa e deitou a cabeça no ombro dele, ofegante e exausta. Ele acalmou o olhar, parando lentamente e a olhou.
– Ne... – Disse, subindo calmamente a calcinha dela e deitando-a no sofá – Você linda demais.
Ela respirava ofegante, o olhando. Se encolheu com vergonha, porém percebeu como aquilo era bom com ele. Mesmo se achando vulgar naquele momento, ela escolheu continuar sendo dele e fazer o que ele pedisse, mesmo sem imaginar o que seria. Porém de apenas ele escolhê-la, mesmo que fosse para fazer isso, e o fato de ela gostar dele, faziam-na o querer mais.
...
Na noite de sexta-feira eu estava sentada, fazendo alguns exercícios daquele dia. A matéria ainda estava fresca na minha mente e eu aproveitava para ficar adiantada nessa matéria. Eu cantarolava enquanto escrevia e de repente meu celular começou a apitar ao lado do meu caderno. O peguei e era uma mensagem.
“Remetente: ATSUSHI;
Mensagem: Vá para aquele parque que eu te levei no último dia de aulas no verão.”
Olhei a mensagem em dúvida e vi a hora. Ainda eram sete horas, não estava muito tarde e o parque não era longe. Suspirei com preguiça por ter que mudar de roupa, mas o fiz. Pus uma calça jeans, botas, blusa de mangas compridas, um cachecol e touca. Pedi a Yuka para avisar mamãe que eu saíra para encontrar com um amigo e ela deu um sorriso malicioso, perguntando “Murasakibara?”. Fiz cara de tédio e saí. Quando cheguei ao parque, ele já estava lá, sentado num banco.
– Não pode me chamar quando der na telha. – Disse quando me aproximei.
Ele me fitou e sorriu, o que me fez fazer cara de tédio e me sentar ao seu lado.
– Nani? – Perguntei, me abraçando por causa do frio – Alguma coisa errada?
– Não. – Ele olhou para cima – Queria ficar com você.
– H-Hum, nande? – Corei, virando o rosto.
– Sabe que dia é hoje?
– Nove? – O olhei – O que tem?
– É meu aniversário.
O olhei surpresa.
– P-Por que não está comemorando com sua família?
– Porque eles me mandaram dar uma saída para terminarem a festa surpresa.
– Então não é mais surpresa. – Deixei escapar uma risada leve.
– Não, ainda é. Eles não sabem que eu descobri. – Ele disse – E eu não quero estragar, meus irmãos vieram de longe pra passar esse dia comigo.
– Que bom... – Sorri levemente.
Ele me olhou e sorriu gentilmente, o que me fez corar um pouco.
– E-Eh... E... Você me chamou pra passar esse tempo até voltar?
– Hum, também.
– O que mais? – O olhei desconfiada – Você quer o que?
Ele riu.
– Hum. – Ele pensou – Só falta mais um.
– Eh?
– Dos passos.
Arregalei um pouco os olhos.
– Qual? – Perguntei curiosa.
– Curiosa, Baki-chin?
– Hum. – Resmunguei – Já falei! Não me chame assim.
Ele riu.
– Eram sete. – Disse.
“Sete?”, pensava. Avisar, testar, confiar... O que mais? Quais eram afinal?
– Só que o último você que tem que fazer. – Ele disse.
– Eu?!
– Hum. – Ele sorriu em minha direção – Lembra do palitinho?
– Hã?
– O palitinho que você quebrou ao meio.
– E daí? A gente tem que se beijar? Você me beija sempre que quer. – Dei de ombros, emburrada.
Ele deixou uma risada leve escapar.
– Nesse é pra você me beijar. – Ele sorriu, me fitando.
Senti meu rosto quente de tão vermelho. Por quê?! Por que ele faz isso comigo?!
– E-Está brincando, ne?
– Não. – Ele disse facilmente – Hoje é meu aniversário e você me deve um presente.
– E-Eu não devo nada não. – Disse, começando a recuar no banco.
Ele pôs os braços em volta de mim e fez eu me aproximar, o que fez eu me encolher.
– E-Eu não... Hum...
– Não tem que fazer isso se não quiser. É o passo que te dou escolha. – Ele disse, me soltando.
Abaixei o olhar. Uma coisa era ele me beijar, outra era eu beijá-lo. Era vergonhoso demais, constrangedor demais! Como eu o beijaria? E se ele colocasse na cabeça que eu também teria que beijá-lo de língua? Mesmo ele tendo falado que eu aprendo rápido, eu ainda não sei fazer isso! E nós nem somos namorados. Que tipo de amigos nós somos afinal?
Eu o olhei e o vi fitar meu cabelo enquanto mexia nas pontas. Acalmei o olhar, engoli a seco e tentava tomar coragem. Respirei lentamente para me acalmar e segurei seu casaco com as duas mãos. Ele me olhou em dúvida e eu me aproximei, beijando-o. Ele ficou surpreso e fechou os olhos, deixando a expressão calma e me abraçando. Nossos corpos estavam tão próximos que eu podia sentir as batidas do coração dele. Era tão aconchegante que me fazia deixar o ar escapar enquanto o beijava. Ele me abraçou mais forte e pôs a língua dentro da minha boca, me deixando ofegante. Me aproximou ainda mais de seu corpo e eu pus meus braços em volta do pescoço dele. Com os braços em volta de mim, ele apertou minha cintura e me deixou ainda mais ofegante. Quando comecei a sentir aquele formigamento de novo, cessei o beijou. Ele me olhou, respirando ofegante e eu o abracei de novo, encaixando meu rosto em seu pescoço. Ele corou levemente.
– O que está fazendo?
– Seu pescoço está gelado. – Disse, mas estava envergonhada.
Ele acalmou o olhar e pôs a mão em minha cabeça.
– Arigatou... – Disse – Foi o melhor presente.
– H-Hum. – Me encolhi enquanto o abraçava.
Ficamos assim até eu cessar o abraço e ele me levar em casa. Agora eu apenas gostaria de saber o que era esse formigamento que acontecia quando nos beijávamos.
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