Dulce

Para ser sincera ânimo não era o que eu sentia no momento, mas o que nós não fazemos para uma amiga não?

Estava junto com um grupo de pessoas no apartamento de Mane, para uma festa surpresa para ele. Maite estava à frente de tudo e ela me pediu para ajudá-la, praticamente me ameaçou de morte caso eu não tirasse minha bunda de frente do computador e fosse para a festa.

Que na realidade não era de toda uma surpresa, Maite apenas disse a Mane que faria um bolo para não deixar passar a data em branco, algo simples nada demais apenas para os mais próximos, ela o expulsou do próprio apartamento e com minha ajuda montou a festa e chamou o pessoal todo. E olha que diga-se de passagem ficou show de bola, que orgulho de nós duas.

O tema da festa de aniversário do Mane era nada mais que o Pumas, seu time de futebol. Todos os convidados estavam vestidos a caráter, os que são pumistas, é claro, havia alguns rivais perdidos por ai, mas nada que atrapalhasse.

E vendo justamente um cara vestido com a camisa do América, meu desanimo companheiro voltou, já se faziam mais de quatro meses que eu e Poncho terminamos.

E só de pensar que foi por uma bobagem me aperta mais o peito, por que saudade era pouco o que eu sentia dele. Pensar que poderia ser eu fazendo uma festa surpresa para ele, decorada de azul e ouro, conforme as cores do Pumas.

Claro que meu orgulho falou mais alto durante todo esse tempo afastados, porém não consigo evitar ficar triste ao pensar no nosso namoro.

:- Dulce?

:- Sim. – virei ao escutar a voz.

:- Mane está subindo, vá se esconder pelo amor de Deus, agora é a hora da verdade!! – Maite disse afobada, me empurrando da cozinha para a sala onde estava tudo organizado e decorado, eu ri dela.

Vi que todos estavam escondidos e fui me esconder atrás da cortina, que tinha uma visão embaçada de tudo, o apartamento estava com as luzes apagadas, e ri de novo ao ver a Maite com sua blusa rosa do Pumas indo até a porta recepcionar Mane.

Querendo ou não meu coração começou a disparar, a emoção de Maite me contagiou, fiz figas com os dedos para que a surpresa desse certo.

:- Oi amooor!! – Ela o cumprimentou com beijo demorado nos lábios. – Hei pessoal. — estava tentando enxergar mais não conseguia, apenas “vi” ela falando com algumas pessoas.

:- Hei, princesa! Chamei um pessoal para comer o bolo com a gente.. mas, que escuridão é essa Maite? – ele entrou e andou pelo apartamento.

Estava chegando a hora vi Maite dar uma corrida ultrapassando o Mane e ficando exatamente de frente a mesa onde estava o bolo decorado com o desenho de um Pumas.

:- Deixa eu ligar as luzes e...

... SURPRESAAAAAA!!!

Bom eu podia ter batido palmas junto com todos que saíram de seus esconderijos, eu poderia ter tirado fotos da cara de pasmo de Mane ou da cara de felicidade de Maite, poderia começar a cantar com todo mundo, dar os parabéns ao Mane, ou até comentar do trabalho que deu para montar tudo durante o tempo que ele ficou fora. Mas, eu só conseguia encará-lo.

Poncho estava perto da porta ainda estranhando toda aquela armação e alegria, e depois que se deu conta que era uma festa. Ele começou a rir e bater palmas também, por incrível que pareça ele estava com a camisa do Pumas, aquela que fica mais colada no seu corpo, aquela que EU dei, que eu amava quando ele usava. Estava com o cabelo maior a barba mal feita, simplesmente estava ali na minha frente.

E posso afirmar a surpresa não foi apenas de Mane, como minha também.

:- Minha Virgem de Guardalupe! – Mane exclamou ainda assustado. Eu sabia como ele se sentia, pensei olhando ainda para Poncho.

:- Parece que temos uma grande festa aqui. – Poncho se aproximou para abraçá-lo. – Bom feliz aniversário cara.

:- Obrigado, que surpresa essa você não sabia de nada? – Mane perguntou o abraçando de lado, ambos sorridentes.

:- Não, e nem você pelo visto. – Ele deu uma olhada para a decoração próxima a eles.

:- Caros rapazes, isso não se chama festa surpresa a toa, por favor. – Maite se aproximou falando como estava de costas da onde eu ainda estava petrificada, não vi, mas imaginei sua cara esnobe se gabando.

:- Ficou muito bom, amor. – Mane ainda abraçado com Poncho, esticou o pescoço para dar um selinho em Maite.

:- Obrigada, mas eu não fiz tudo sozinha, tive ajuda das meninas. Tive um enorme trabalho para esconder tudo de você e ainda mais para montar tudo, deve agradecer a Dulce, por que sem ela não conseguiria arrumar tudo a tempo. – ela riu e eu gelei.

Escutava toda a conversa, olhando para eles, e senti arrepios do nervosismo quando o olhar não só de Mane como de Poncho, se voltaram a onde eu estava depois de Maite apontar sorrindo. Obrigada por essa viu, amiga. Seu nome está anotado na minha lista negra.

Olhando para eles vi Mane aumentar o seu sorriso e me olhar agradecido, e vi Poncho fechar o sorriso que tinha e ficando talvez tão surpreso quanto eu quando o vi. Afinal, são 4 meses afastados é muito tempo, que demorou para passar, pelo menos para mim.

:- Vem cá me dar um abraço eu quero te agradecer. – Mane se separou de Poncho e me estendeu os braços rindo.

Faz alguma coisa Dulce María, deixa de ficar parada feito tonta apenas por causa dele. Repeti isso mentalmente, antes de andar meio torta por conta das minhas pernas não me corresponderem direito, mas consegui formar um sorriso e estender os braços quando me aproximei de Mane o abraçando.

:- Feliz aniversário eu espero que goste de tudo! – falei em sua orelha do lado ao contrário que Poncho estava. – Que isso! Obrigada você! Por ter feito tudo isso, não sei se merecia tanto. – Mane me olhou com um olhar agradecido, que já valeu a pena todo o trabalho.

:- Não foi nada, na verdade, eu só fazia o que Maite mandava, ela que pensou em tudo e junto comigo colocamos as mãos na massa. – eu ri nervosa sentindo o olhar de Poncho sobre mim. – Fora que esse tema me agrada muito também. – pisquei para ele.

:- Obrigada de novo, eu adorei tudo, todos os detalhes, tem Pumas em tudo. – ele riu espantado ao ver uma miniatura dos maiores jogadores da história do Pumas como decoração da mesa.

:- Hei, Poncho está tudo bem com você? – Maite que também estava calada deu uma cutucada em Poncho, ela me abraçou de lado e eu tinha certeza que ela também notou que ele não tirava os olhos sobre mim.

:- Está... — a voz dele saiu estranha, numa rouquidão, ele forçou a voz – Está tudo bem sim. Ficou ótima a decoração. – Ele deu um sorriso para ela.

:- Obrigada, mas já disse que apesar de planejar tudo, eu não fiz nada sozinha. Então parabenize também a Dulce. – ela apertou a mão na minha cintura o que me fez tossi nervosa.

:- Hãn... Ficou maravilhoso – ele deu olhada ao redor com todo mundo curtindo a festa enquanto nós conversávamos – tudo. – Completou me olhando e dando um meio sorriso.

:- Como assim? – Maite olhou para Mane. – Para ela é maravilhoso e para mim? Ótimo. Ainda bem que tenho você para me elogiar amor, por que se for depender de outros. – os dois riram deixando eu e Poncho sem graça alguma. – Pablo, vem aqui tira uma foto nossa.

Maite chamou o irmão que estava encarregado de tirar fotos, Mai praticamente o subornou para se o fotógrafo oficial da festa, a foto foi tirada, eu, Mai, Mane e Poncho.

Suspirei depois indo pegar uma bebida para minha garganta seca, se fosse em outros tempos, eu e Poncho estávamos provavelmente aos beijos em algum canto da festa ou comentando toda a decoração o quanto nós copiaríamos o tema para a próxima festa de aniversário dele...Ou estaríamos dançando, Malas intenciones música que esta tocando agora...Assim como ele está fazendo agora.

Comprovei ao voltar da cozinha para comer um salgado e ver Poncho dançando com uma loira conhecida de Mane, numa “pista” improvisada na sala do apartamento.

Mordi o lábio com força para me controlar, revirei os olhos como fui tola, achando que ele sentia minha falta ou algo do tipo. Estava completamente errada.

Eu não tinha motivo algum para ficar irritada como estava agora, afinal estávamos separados e cada um fazia o que bem entendesse da sua vida, mesmo que dançar com uma loira.

:- Dulce, quanto tempo? – me virei para a voz masculina que falou comigo.

:- Roberto? Que surpresa, muito tempo que não nos vemos. – Roberto me abraçou e tive que ficar na ponta dos pés para abraçá-lo também, por cima de seus ombros pude ver que o olhar de Poncho estava em nossa direção. Como são as coisas, há segundos atrás ele sequer olhava para cá.

Roberto é um dos primos de Maite, no passado depois que terminei com Memo, ele foi um companheiro me ajudou a sair da fossa, um verdadeiro parceiro de baladas, apresentou vários amigos dele para que conhecesse alguém melhor que o Memo, pena que não rolou com nenhum.

Tivemos até certo envolvimento confesso, alguns beijos ou amassos bêbados em alguma boate, mas nada que atrapalhasse nossa amizade. Ele ganhou bolsa numa universidade em outra cidade e depois que se mudou perdemos o contato que tínhamos antes.

:- Pois é, agora na pós-graduação não tenho tempo nem de respirar e também com o namoro, o que eu não quero é respirar, se é que você me entende. – ele fez um bico se referindo a seu duplo sentido, me fazendo rir.

:- Você está namorando? Não me contou, cachorro. Cadê ela, está na festa? – eu me apoiei em seu antebraço, dando uma olhada nas pessoas da festa, sem perder a oportunidade de olhar onde Poncho estava e me deu vontade de rir por que ele ainda olhava.

:- Não ela não veio, teve que ir numa festa familiar assim como eu. – ele riu – Então, você ainda gosta de Britney Spears? Podemos dançar enquanto você me conta o que se passou desde que fui embora.

:- Ai, Roberto só você. Como vamos conversar com essa música alta?

:- Dançando, Dulce, por favor, você já foi bem melhor nisso. Até por que Maite me pediu para vir aqui dançar com você. – ele falou rindo pegando no meu braço, para me puxar para dançar.

:- Até por que o bom de conversar com música alta, é dançar colado assim. – ele grudou nossos corpos começando a dançar ao som de Womanizer, de Britney. – E eu ri e forte não só por ele ser tão cachorro e de está feliz por vê-lo, mas por ver que Poncho fez cara feia aos passos ousados de Roberto.

Vingança tem um sabor tão...saboroso, ás vezes. Tenho que me lembrar de agradecer a Maite e a Roberto depois, pensei sorrindo.

Dancei com Roberto muitas vezes e comecei a aproveitar a festa depois de sua chegada, claro que não me esqueci totalmente que Poncho estava na festa como também a poucos metros de mim. Nenhum de nós dois por mais que estivessem com outras pessoas, deixamos de nos encarar, era comum pegar os olhares.

Quando começou a tocar direto do túnel do tempo; María do Ricky Martin me perguntei de que buraco Maite surgiu, juro ela praticamente se teletransportou do meu lado e já dançando e cantando alto. Tudo bem que eu estava distraída procurando para onde Poncho tinha ido depois que ele saiu e por isso não vi Maite chegando.

Em meio à dança minha e de Maite, o achei encostado numa parede de frente para mim. Fumando seu cigarro e tomando cerveja me encarando de longe, confesso que senti alívio, ainda mais de ver a loira dançando com outro cara.

Depois que a música acabou eu deixei Maite se acabando sozinha, ela nem percebeu de tão empolgada, fui tomar alguma vodka estava morrendo de sede, fiquei do lado oposto onde ele estava e fiquei de frente para ele, que por acaso já estava virado de frente para mim. Conversando com algum conhecido.

Ficamos muito tempo assim, um de olho no outro, as pessoas se aproximavam conversamos com elas, porém não deixávamos de monitorarmos. Agindo assim, me fez pensar em várias coisas, várias lembranças de nós dois juntos viam na minha cabeça e ver que perdemos tudo isso.

O quanto hoje poderia ser diferente, eram tantas lembranças que sentia a cabeça pesada.

Estava cansada de permanecer lá em cima, exausta de respirar o mesmo ar que Poncho, mas não junto dele, não colada nele. Resolvi descer até o pátio do condomínio de Mane um pouco, pegar um ar fresco, pensar em algumas coisas.

Desde que chegou, seus olhos não saíram de cima de mim.

Não que eu não pudesse dizer o mesmo, é claro, mas se ele soubesse o quão quente ele me deixava ao fazer aquilo, não faria, ou quem sabe faria? Ah! Sabe-se lá Deus.

Eu estava incomodada com toda aquela situação, fazia quatro meses que não o via, quatro meses que lutava contra meu orgulho para admitir todos os dias que terminamos por causa de uma... Merda. Sim, uma merda chamada Memo Ochoa.

Aproximei-me de uma pequena cerca e apoiei minhas mãos lá, fechando meus olhos para aspirar o ar puro, lutando para que ele levasse com ele o tormento que eu sentia. A saudade doía tanto, eu mal podia contar nos dedos às horas que passava no dia lamentando sua ausência.

Mas, ai eu lembrava que a culpa talvez não fosse minha, não foi eu que fiz um escândalo por uma gota de sangue, não foi eu que levei nossa relação para o buraco que ela estava.

Respirei fundo e balancei minha cabeça em negação algumas vezes, correndo meus dedos pela camisa apertada do Pumas que eu tinha no corpo, a mesma que ele havia tirado a alguns meses atrás, quando me pegou lavando louça.

Sorri por alguns segundos. Maldição, porque diabos Mane o havia convidado para aquele lugar?

: — Que tola. – Ri triste de mim mesma respondendo minha pergunta mentalmente. Talvez eu devesse sair correndo dali, ir embora seria uma boa opção.

: — Não sabia que falava sozinha. – Segurei minha respiração por algum tempo quando ouvi a voz baixa e tremula atrás de mim. Qual é Deus? Eu estava só lamentando a falta que ele me faz, não precisava mandá-lo. Apertei minhas mãos no pequeno cercado, erguendo meu rosto para o vento antes de dizer alguma coisa. Como se eu soubesse ao certo o que dizer.

: — Peguei essa mania há algumas semanas. – Respondi no mesmo tom, me sentindo um pouco magoada, ou poderia dizer muito magoada.

Não ouvi sua voz novamente, apenas senti seu corpo ao lado do meu, as mãos também sobre a cerca, os olhos verdes – tão meus – também ligados à lua, que cheia iluminava a parte escura do lugar onde eu estava, ou melhor, nós estávamos. Engoli a seco.

: — Como sabia que eu estava aqui? – Perguntei incomodada.

: — Maite.

: — Ah! – Foi tudo o que pronunciei, abaixando minha cabeça para encarar minhas mãos trêmulas. Já que ele não diria nada, talvez eu devesse tomar uma iniciativa. – Algum motivo para estar aqui, Poncho? Talvez eu quisesse ficar sozi...

: — Sinto muito. – Ele me interrompeu jogando seus olhos sobre mim, e o calafrio que senti ao olhá-los úmidos foi inexplicável. – Mas não vou sair daqui, se quiser, saía você.

Não pude evitar uma risada frustrada, e me afastei um pouco para que ele não percebesse minha respiração alterada. Ainda por cima era um grosso. Onde fui amarrar meu burro? Ou melhor, meu Puma?

: — Isso foi tão... Estúpido. Por que você na... – Eu ia dizendo aleatoriamente e nervosamente quando ele mais uma vez me interrompeu, virando seu corpo para mim.

: — Dulce, eu... Eu quero conversar, está bem? – Seus dedos logos adentraram seus fios de cabelos já maiores, de um jeito tão nervoso que se igualava a mim. – Eu sei que talvez você não queira me ouvir, mesmo eu tendo motivos para ter ficado puto, mas precisamos conversar.

:- Conversar? – eu realmente estava muito incomodada com sua presença. – Sobre o quê? E ainda depois de tanto tempo? – Virei parte de meu corpo para encará-lo.

: — Como sobre o que? – Ele perguntou incrédulo. – Sobre o que aconteceu, sobre o nosso relacionamento.

Pisquei estática.

: — Que relacionamento? Nós não temos um mais, faça-me o favor.

: — Poderíamos ter se não fosse seu ex namoradinho.

: — Que bom que você sabe, ex, ex como você. – Quase gritei estressada, lançando minhas mãos para o ar. Ah, o quê que há? Ele acha que depois de quatro meses pode vir me apontar como a causa de todos os problemas? Depois de tanto tempo ainda continua mantendo a mesma ideia fútil porque não contei a ele sobre meu namoro com Memo? O que isso tinha a ver? Santo Deus.

: — Não fale assim comigo. – O ouvi bufar, seus olhos me fuzilando de uma forma medonha, mas tudo o que fiz foi negar com a cabeça.

: — E como eu deveria falar com um homem que aponta uma mulher cruelmente como a causa do fim de um relacionamento, por causa de uma pessoa que nem faz mais parte de sua vida? Como? Me diz. Você está sendo criança, durante todo esse tempo eu me segurei para não lhe ligar e dizer que você é uma criança, fútil, que fez um escândalo por nada, me obrigando a chegar ao ponto que cheguei.

: — Criança? Criança, Dulce? Ora essa, você mentiu pra mim, omitiu o fato de que namorou aquele... Aquele lá.

Ele disse irritado, se aproximando alguns passos de mim e aquilo me fez revirar os olhos, cruzando meus braços embaixo do meu peito. Era inacreditável demais.

: — E porque eu tinha que lhe contar isso, Poncho? Pra que falar de ex? Só porque ele joga no América? Aposto que se ele fosse goleiro do Pumas você não estaria fazendo esse escândalo todo. Quem sabe até não o receberia na sua casa e dividiria sua mulher com ele, porque pelo amor de Deus.

Esbravejei e ofeguei alto quando senti minhas costas serem apertadas na coluna de concreto ao lado, onde mãos grandes e quentes me mantinham no lugar, para que eu não pudesse sair. Alfonso estava parado na minha frente, na verdade seu corpo estava grudado no meu. Quase gritei, não por medo, mas sim por agradecimento... E orgulho, o orgulho que fazia com que eu quisesse empurrá-lo agora mesmo.

: — Engole essa sua língua, Dulce, antes que eu perca a minha cabeça com você.

A frase saiu rouca, a respiração forte banhando meu rosto, nossos olhares se misturando e eu estava me perguntando se havia dado motivo para mais desconfiança.

: — Ele joga no time adversário e é você quem está marcando gol contra, idiota. – Rebati sob uma respiração pesada, lutando para não pedir por socorro.

: — Se você não tivesse dormido com o inimigo, quem sabe o nosso placar pudesse sair no 0x0.

:- Poncho, não existe mais campeonato.

:- Não fale besteiras, não só existe o campeonato como eu quero a vitória, eu quero a taça. — eu estremeci por um momento de raiva ao ser comparada a um troféu qualquer que ele levante e depois guarda numa sala de vidro, onde eu seria exposta. Mas, estremeci de ansiedade, por que uma taça também representava uma recompensa, um presente. Eu era um presente na vida de Poncho?

: — E porque você deveria ganhar a taça?

: — Porque ela nunca deixou de ser minha, Dulce. — Ele rebateu afoito, me pegando pelo cabelo e grudando seus lábios nos meus numa rapidez que me fez soltar um pequeno gemido de surpresa, dobrando meus joelhos um pouco para conseguir de volta meu equilíbrio.

Eu logo fechei os olhos para sentir melhor nosso contato, tentei acompanhar a vontade dele, mas quando me entregaria ele nos separou por um instante. Para me olhar e respirar profundamente. Era como se ele esperasse algum impedimento meu, que de forma alguma viria, pelo menos não agora.

E ainda disse certo, não viria de minha parte, por que de outra.

:- Heiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Gatenhoooos!!!! – Pedro apareceu gritando, quando ele chegou que sequer o vi na festa? E ainda nos chamando assim, Poncho detestava quando ele comparava o Pumas com Gato. – Maite mandou eu vir aqui chamar por que vamos cantar o parabéns!!! – ele levantou os braços animado, só ele sabia como ser irritante.

:- Filha da puta! – Poncho sussurrou sobre meus lábios, antes de se afastar de mim. Revirei os olhos Poncho sequer conseguiu avançar em sua jogada. E ri por ele demonstrar sua raiva ali mesmo.

:- Essa é uma festa para Pumistas, que eu saiba Pedro? – perguntei me referindo a camisa dele exibida do América, ele não perderia uma chance mesmo de provocar.

:- Pois uma festa sem penetras, mesmo sendo surpresa, não é festa. – ele falou convencido.

:- Não acredito nisso, Pedro! – Maite já chegou nervosa.

:- Que foi? – ele arregalou os olhos.

:- Eu pedi para que você os procurasse. Não para que os interrompessem. – foi a vez dela revirar os olhos.

:- Interromper? Só atrapalhei um beijinho de nada. O que é isso em meio a um namoro.

:- Acontece criatura que eles não voltaram AINDA!

Poncho e eu apenas observávamos os dois discutindo sobre um namoro que sequer existe mais, como se nós dois não tivéssemos presentes para escutá-los falando de nós.

:- Ai, ai tenho que fazer tudo sozinha!? – ela deu uns tapas no braço dele. – Enfim, gente vamos entrar que vamos cantar o parabéns e cortar o bolo. – ela se voltou a nós.

:- Vamos, fazer o que! – Poncho voltou a falar, ainda mal-humorado. O que me fez conter um sorriso.

Pedro foi andando na frente ainda reclamando algo sobre “quando tento ajudar da nisso”, Maite falando para ele calar a boca e Poncho meio zangado ainda por Pedro ter atrapalhado nosso momento.

Antes de começar a andar dei uma olhada para a lua soltei uma piscadela agradecendo, não sabia como seria meu comportamento em relação a Poncho, lá dentro se manteríamos a distância ou ficaríamos de olho, como sempre, um no outro.

Mas, de uma forma eu permaneceria, jogaria na defesa. Em todas as investidas de Poncho, afinal o melhor ataque é se defender. E eu venceria aquele jogo num contra-ataque.

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