Corazón azul y piel dorada
5 Final de Campeonato!
Poncho
Não sei se me sentia um completo idiota por não saber dizer, não. Ou se um era uma pessoa completamente generosa. Por que tudo poderia acontecer essa noite, pelo menos eu imaginava diversos momentos, menos esse. Pensei olhando para baixo e apertando a mão.
Não existia noite pior para que seu irmão mais velho venha te cobrar favores, ainda mais quando ele te olha com um cara de segundas intenções indicando que fará, ou tentará, fazer seu próximo sobrinho aquela noite. Eu não importaria de ajudar Alejandro, sério, não mesmo. Mas, aquela noite eu não queria ter nenhuma preocupação a mais que eu mesmo.
Até por que eu tinha planejado qualquer coisa, menos cuidar de Alice, minha sobrinha de 5 anos cuja a maior preocupação era assistir desenhos animados e brincar com sua barbie, na final do campeonato mexicano. Justamente quando o Pumas estava na final contra o Chivas.
:- Então tio Poncho, não é para falar para a mamãe que você me trouxe aqui... – ela perguntou de cabeça abaixada contando seus próprios passos e pisando apenas na faixa branca do pedestre, ela tinha essa mania.
Que eu confesso já me peguei repetindo quando caminhava pela cidade.
:- Não, Branca, quer dizer você pode contar a ela, mas não diga que foi hoje, não até hoje passar, entendeu? – eu pedi para ela a chamando de um apelido antigo, por que por mais que seu nome seja Alice, ela era uma miniatura da Branca de neve, toda branquinha com um cabelo preto, olhos escuros também e grandes que toda vez que me olhavam curiosos, eu me perguntava o por que de não ter um filho também.
Na verdade eu sempre tive muito bem resolvida essa questão, eu queria ter filhos mais no momento certo e com a mulher certa, pena que eu fiz besteira e deixei essa mulher escapar. Balancei a cabeça tentando esquecer as lembranças de Dulce.
:- Entendi, por que ela acha perigoso não é verdade? – ela olhou rapidamente para cima para que eu confirmasse.
Parei de caminhar e me abaixei para ficar na altura dela.
:- Sim, é perigoso para quem vai atrás do perigo.
:- Atrás do perigo?
:- Sim, Branca tem pessoas que não sabem se divertir, e vão atrás do perigo e às vezes machucam as outras pessoas por nada. – tentei explicar para ela sobre os torcedores marginais que se esconde com um uniforme de torcida organizada. E como ela fez justamente aquilo que me chamava atenção, me olhou com seus olhos grandes e curiosos, eu pensei em explicar melhor. – São vilões que buscam o mal e que muitas vezes machucam inocentes.
:- Ahhhhh, por que não falou isso antes. – ela riu batendo na testa – mas, aqui tem vários super herois, né tio. – ela afirmou olhando vários policiais em seus cavalos fazendo a segurança do estádio, isso por que só estávamos próximos.
:- Está vendo não precisa ficar com medo de nada, eu vou estar com você o tempo todo. – sorri para ela.
:- Eu sei. Até por que você é o meu verdadeiro super herói. – ela comentou para depois sorrir com seus dentinhos de leite ainda, o que fez meu coração de tio derreter todo, esquecendo completamente minha irritação por ter que cuidar dela em plena final do campeonato.
:- Outra coisa, você tem meu celular anotado ai, verdade? – ela confirmou com a cabeça. – Ok, se caso você se perder procure algum policial tudo bem. Não precisa ficar com medo, por que vamos ter um código. – comentei sussurrando.
:- Qual? – ela ficou mais interessada.
:- Se você se perder eu vou ficar de frente ao Mac Donalds perto do banheiro feminino, perto do lugar onde vamos ficar no camarote, ok. Não vai ter erro por que esse código é só nosso. – eu pisquei para ela. – E agora vamos que estão nos esperando e temos que ver o Pumas vencer um campeonato. – arrumei seu cachecol no pescoço, e depois acariciei seu rosto que estava rosado por conta do frio que fazia, e ri da tiara com orelhas de Pumas que ela estava, na verdade ela estava toda linda, com sua camisa feminina do Pumas mirim e toda agasalhada por conta do frio.
Graças a minha influência ela torcia pelo Pumas desde bebê, fazendo o pai dela enlouquecer por conta de ser torcedor do América doente.
Ela imitou meu gesto e mexeu no meu cachecol também arrumou meu cabelo, ou bagunçou mais, e não podia deixar de passar a mãozinha para arranhar seus dedos nos pelôs grandes, como sempre quando fazia isso ria.
:- Agora vamos mocinha, por que hoje o Pumas vai ser...
:- Campeão!!! – ela gritou na rua feliz pulando com os braços esticados.
:- Isso ai, garota agora vem com seu super heroi. – peguei ela e coloquei sentada no meu ombro, prontamente ela se apoiou – puxou – meus cabelos. E voltei a andar, feliz pela ótima companhia daquela noite.
Quando passamos pela portaria do estádio e estávamos seguindo na direção do camarote, por que eu queria o maior conforto para Alice, ela me fez uma pergunta desconcertante que quase me fez tropeçar.
:- Tio Poncho, quanta gente junta parece que estamos num formigueiro, uauuu! – comentou assombrada vendo todo mundo entrando e formando filas e mais filas para entrar no estádio – Como é que vamos achar tia Dul no meio dessa gente toda, meu deus?! – comentou assustada pelo seu tom de voz.
Depois de me recuperar rapidamente a respondi.
:- Alice, já te expliquei que eu e Dulce não estamos mais juntos...
:- Já falou tio várias vezes, por que você fez besteira disso eu também sei.
:- Se sabe então por que me fez uma pergunta daquela? – ela se ajeitou nos meus ombros.
:- Por que vocês vão voltar ué. – ela falou direta, como se fosse tudo certo de acontecer.
:- Como você tem tanta certeza disso hein? – Eu a tirei dos meus ombros por que já estávamos dentro do estádio, num corredor a caminho do camarote.
:- Por que no episódio 200 e mil da Mulher Esquila, o Alex também fez besteira em seguir ela, quando estava em missão para salvar a floresta, acabou que os dois ficaram presos numa caverna da perigosa Sapa malvada, que junto com a Dama vermelha fizeram plano para acabar com a floresta e com a Mulher Esquila...
:- Sapa Malvada? Dama vermelha? – eu perguntei confuso sobre aonde ela queria chegar naquela conversa.
:- É são inimigas da Joana, Mulher Esquila, a Sapa Malvada é verde e tem boca vermelha e só anda pulando assim ó. – ela soltou da minha mão e pulando imitou a personagem de desenho animado. E voltou para me dar a mão. – e a Dama vermelha só veste roupa vermelha e tem o cabelo grande parecido com a samambaia da vovó. – eu ri quando ela fez um careta usando a outra mão para me mostrar o volume do cabelo.
:- Então o que aconteceu com a floresta? – Chegamos na fila de uma lanchonete, que por sinal estava relativamente vazia ou estavam atendendo rápido.
:- Ahh então tio, a Joana que é a Mulher esquila, perdoou o Alex e depois que ele salvou a vida dela, ai depois os dois salvaram a floresta do incêndio.
:- E com toda essa história você quer me dizer que eu vou ter que salvar uma floresta e lutar contra arqui-inimigas, para ser perdoado e ficar com a heroína no final?
:- Não, por que não moramos perto de floresta né, — ela rolou os olhos metida — mas quero dizer que a tia Dulce vai te perdoar por sua besteira tio. – ela me olhou balançando a cabeça confiante e passando o polegar no meu pulso para me confortar.
Eu sempre ria quando ela teimava em dizer que eu e Dulce éramos Alex e Joana, personagens do desenho animado favorito dela, mas escutar toda essa história e ver que até ela tinha uma esperança de que eu voltasse com Dulce, me encheu de alegria.
:- Vem cá vem. – A puxei para cima ficando no meu colo e dei um abraço bem apertado. – Queria que a vida real fosse fácil assim como no desenho animado, Alice.
:- Aqui está seu pedido senhor. – a atendente me entregou os refrigerantes, salgados e chocolates que comprei, não poderia beber aquela noite por conta dela. – Obrigada e tenha um bom jogo.
:- Vem Alice, vamos encontrar com todo mundo. Ela sequer me respondeu por estar com a boca cheia de salgados.
Combinei com o pessoal de nos vermos ali no camarote mesmo, a certeza era que Maite e Mane estariam lá, mas não sabia se Dulce estaria também. Sabia que ela não perderia esse jogo por nada, porém ela poderia está em qualquer lugar desse estádio, ou pior, ela poderia está acompanhada.
E fiquei decepcionado, encontrei todo o pessoal, até Maite e Mane encontrei menos Dulce.
:- E quem é essa menina linda? – Maite sorria se abaixando para ver Alice de perto, ela desviou o olhar ficando acanhada a primeiro momento.
:- Sou Alice.
:- Minha sobrinha. – esclareci para Maite.
:- Você é linda, nem parece com o feio do seu Tio. – piscou para Alice que cobriu o sorriso com a mão.
:- Maite. – chamei a atenção dela, incerto de como faria a pergunta. – Esse é o todo o pessoal, cadê o resto?
:- Os que confirmaram que viriam, estão aqui. – ela olhou para trás e para os lados vendo o grupo de umas 10 pessoas. Me olhou esperando que eu falasse algo e viu que eu não falaria, voltou a falar. – E Dulce não chegou eu chamei ela para ver com a gente, mas ela não confirmou nada, parece que combinou com um outro pessoal.
:- Hm. – comentei desgostoso, eu nem a veria aquela noite decisiva.
:- Pois é garotão, veja onde seu ciúme te levou. – ela deu tapinhas nas minhas costas.
:- Onde sua fofoca me levou, você quer dizer, se não tivesse falado nada. Estaríamos juntos agora.
Ela forçou uma risada.
:- Para quem eu devia me desculpar eu já o fiz, que foi para minha amiga, foi você que deu ataque com seu ciúme se você é explosivo a culpa não é minha. – tirou o cavalo dela da chuva bonito.
Eu nem resolvi retruca por que eu sabia dos meus defeitos.
:- Eiiii eu aqui. – senti Alice soltar minha mão e começar a pular confuso eu olhei para ela e depois para o estádio, logo vi ela refletida no telão que estava filmando a torcida, e naquele momento ela.
E sorri vendo sua animação, um pensamento que me veio à cabeça foi o de Alejandro realmente está tentando fazer meu próximo sobrinho, e que não tivesse vendo o jogo por mais que fosse seu time rival, se não eu escutaria e muito quando fosse devolver Alice.
Ás vezes tudo que nós temos é nos conformar e eu estava me conformando com a ideia de que não veria Dulce. Coloquei o celular no modo vibração só para que nada atrapalhasse aquela noite marcante. Meu Pumas será campeão disso eu tenho certeza.
Foi nesse momento que os telões focaram em alguns homens que estavam vestido com o traje tradicionalista mexicano, porém esses homens estavam espalhados pela torcida do Pumas que estava em sua maioria ali, depois de filmarem a torcida do Chivas agora era a vez do Pumas.
Para nossa surpresa ali em nosso camarote surgiu um desses homens, eu o reconheci como integrante da torcida organizada, La Rebel, torcida essa do Pumas.
O estádio tirando o barulho da torcida do Chivas que estava agorando a nossa, estava prestando atenção nesses homens, que após um tempo totalmente parados, feito estátuas vivas, tiraram de um cinturão um trompete e posicionados começaram a tocar simultaneamente, como guerreiros antes de uma guerra no passado, aquele jogo teria essa seriedade.
Todos começaram a bater palmas acompanhando os homens que comandavam a festa, essa espécie de espetáculo era comum nos jogos do Pumas, mas ver da televisão era totalmente diferente de ver ali ao vivo.
:- Cara que foda tudo isso!!! – Alguém exclamou atrás de mim.
Eu ri olhando para trás ainda batendo palmas concordando, olhei para meu lado vi Alice uma das mais empolgadas, batendo palmas e os olhos brilhando por ver toda a torcida do Pumas junta fazendo todo aquele barulho. E eu sorri para a pequena era muito bom ver essa alegria estampada nos gestos dela.
:- Agora virá a segunda parte. – Escutei a voz de Mane gritada mais alta que as palmas de todos e assim como todos esperei.
A segunda parte dessa manifestação seria a vinda das mulheres, torcedoras do Pumas apareceriam próximos aos homens acompanhadas de integrantes da banda da Rebel, que tinha sua base na arquibancada azul, o papel dessas pessoas era puxar o canto da festa, tudo era devidamente ensaiado e por mais que tivesse tudo para dar errado, de alguma forma torta dava certo.
Como eu comentei surgiu os caras da banda, com tambores e mais trompetes para ecoar o som. O nosso som. Por Deus eu estava tão ansioso sentia completamente arrepiado, aquilo era emocionante demais.
Para acompanhar as palmas, os trompetes e os tambores vieram às mulheres. Eu só tomei um susto quando vi ela, ali.
:- DALE, DALE, DALE DALE PUMAAAAS! OHHH DALE DALE DAALE DALE OHHHH !
Dulce surgiu no meio das pessoas do camarote e gritando forte com a roupa da torcida organizada, La Rebel e com símbolo do Pumas, tudo ficava maravilhoso nela. Mas, aquela noite ela estava simplesmente perfeita. Estava como uma guerreira, eu parei de bater palma estava completamente surpreso.
:- É TIA DULCE!!! TIA DULCE ESTOU AQUI! – Alice começou a ficar mais eufórica pulando feito um sapo.
Não sei como Dulce escutou aquela voz infantil e feminina agitada e ela olhou diretamente para a pequena e lhe sorriu com surpresa mais de felicidade por ver, Alice ali. As duas estavam radiantes, se Dulce fosse uma estrela naquele momento ela estaria brilhando. O que? Era isso, só Dulce aparecer no meu campo de visão que eu começava com aquela bobagem de romantismo.
Mas, era a realidade.
Dulce depois de olhar para Alice subiu o olhar e me encarou com um sorriso mais fechado, em sinal de respeito ou de até alegria por me ver ali, afinal compartilhávamos o mesmo sentimento e emoção, estávamos ali pelo nosso time.
Depois ela olhou para os outros conhecidos dela e como Maite e Mane e o outro pessoal da sua faculdade ou algo assim, eu não sabia direito, só estava prestando atenção nela. Um cara da banda moreno alto conversou algo no ouvido dela. Imediatamente ela o encarou e lhe sorriu.
Aquilo me afetou. Quem era aquele cara?
Em seguida ela se virou de costas e não entendi o que acontecia até Alice gritar do meu lado.
:- OLHA TIO PONCHO, TIA DULCE ESTÁ NO TELÃO. OLHA .- ela não sabia se apontava para o telão ou para Dulce em nossa frente ou se batia palmas como todo mundo.
Ela estava certa Dulce estava no telão cantando e sorrindo e foi por um sinal dela que toda a torcida do Pumas começaram a cantar juntos com as mulheres que também faziam o sinal. Toda a torcida do Pumas cantando. Dale Pumas.
:- DALE, DALE, DALE DALE PUMAAAAS! OOOHHH DALE DALE DAAAALE DALE OHHHH !
:- Isso é muito maneiro tio Poncho. Que demais. – Alice estava toda animada do meu lado.
A festa que nós fazíamos todos juntos era inexplicável tudo estava arrepiante, sobretudo eu confesso que agora eu prestava mais atenção na minha frente em uma pessoa em especial. Ou talvez duas já que não sabia o que aquele cara representava. Por um momento me lembrei de quando eu conheci Dulce, ali sozinha, simpática uma das poucas mulheres que entendia tanto de futebol quanto eu.
Me lembrei de como logo de cara nos demos bem e do quanto apaixonado eu fiquei desde que nos beijamos, pessoas se apaixonam a primeira vista, comigo foi diferente, eu me apaixonei ao primeiro jogo do Pumas, por uma das torcedoras mais lindas que estavam presentes nesse estádio.
:- Ai amiga eu não sabia que tinha dado certo. – Maite comentou próximo de mim. Quando a cantoria já tinha acabado e todos estavam esperando apenas o jogo começar, estava tudo mais calmo pelo menos por enquanto.
Dulce veio na direção dela sorridente.
:- Eu só consegui por meio de Uriel. – ela chegou e abraçou Maite.
Quem era Uriel? Eu cruzei meus braços escutando a conversa sem me importar pelo papel que estava fazendo.
:- Uriel, venha até aqui, vou te apresentar o pessoal. – Dulce chamou o cara que antes estava junto dela.
Ele se aproximou sorridente aparentemente simpático cumprimentou todo mundo com um aceno e ainda com o tambor junto a ele.
:- Uriel é integrante a anos da Rebel, mesmo depois de terminar a universidade onde está a base. Conheci ele quando fui renovar a minha carteirinha na torcida organizada e a convite dele fui nos ensaios e aqui estou. – Dulce explicou sorrindo tanto para ele quanto para Maite.
Quer dizer que Dulce agora era associada a maior torcida organizada do Pumas, Rebel e já encontrou um novo namorado. Eu sempre quis participar dessa torcida organizada, participar da bateria, dos ensaios enfim, mas nunca consegui já que eu não tenho tempo por conta do meu trabalho. Dulce também tinha essa vontade, parece que encontrou tempo.
Encarei Uriel sem ele ver, ele fazia o tipo malhado de academia, era bombado. Grande. Tinha barba e um cabelo espetado, de barba eu já sabia que Dulce gostava tanto que ela pedia para eu deixar a minha, mas de um cara com esse perfil de academia eu não sabia. Olhei discretamente para baixo para o meu corpo, talvez eu devesse voltar a malhar.
A quem eu estava querendo enganar não adiantaria eu voltar a malhar, não teria Dulce do meu lado para ver isso ela parecia está em outra.
Não que eu não tivesse saído com ninguém depois de terminar com ela, até saí com algumas mulheres só que não me interessei por nenhuma delas. Soube também que Dulce conheceu alguns caras, mas segundo Mane ficou sabendo Dulce não tinha nada sério com ninguém.
A conversa entre eles estava rolando, até eu ver Dulce pedir licença e sair do camarote, fiquei tentado a segui-la, esperei para ver se o tal Uriel iria atrás dela, mas ele não pareceu nem se importar continuou conversando com Maite, Mane e um outro pessoal, olhei para Alice que estava distraída e olhei para a porta do camarote. Enfim decidi.
:- Maite? – Chamei ela. – Pode olhar um instante a Alice?
:- Claro. – ela deu a mão para minha sobrinha.
:- Aonde você vai tio? – Mesmo ficando ao lado de Maite ela me perguntou.
:- Ele vai no banheiro, não é Poncho? – Maite respondeu por mim.
:- Isso eu já volto, se comporta Alice.
:- Tá bom. – ela deu os ombros se conformando, sabendo que não adiantaria muito ela pedir para ir comigo, porque no banheiro ela não poderia entrar.
Eu caminhei rápido para a saída do camarote, comecei a olhar para os lados procurando por Dulce, não tinha nenhum sinal dela conforme eu caminhava, onde será que ela foi? Passei pelas filas das lanchonetes, então me lembrei de Maite falou, que eu iria no banheiro. Então quer dizer que Dulce tinha ido ao banheiro.
Fui até o corredor onde ficavam os banheiros e decidi esperar um pouco. Não demorou muito para ela sair, se surpreendeu ao me ver ali esperando por ela.
:- Poncho. – ela cumprimentou agora sem a interferência de ninguém.
:- Dulce. – ela usou o mesmo tom que eu.
E ficamos um tempo em silêncio.
:- Você quer falar comigo? — me perguntou.
:- Sim.
:- O que seria? — ela me perguntou depois que fiquei em silêncio uma vez.
:- Pensei que não viria hoje, que perderia essa.
Ela soltou um riso antes de responder.
:- Perder o dia de hoje? Nunca! Até parece que não me conhece, Poncho. – disse sorrindo, me fazendo reparar mais em sua boca do que duas palavras. Ela poderia me xingar da pior maneira, eu acharia lindo. – Eu me atrasei é verdade, estava ensaiando, mas cheguei a tempo de ver o Pumas, campeão.
:- Ensaiando... – eu repeti, me lembrando como ela apareceu. – Então você faz parte da Rebels? — perguntei voltando a realidade, mais sério.
:- Sim. Sempre foi um sonho participar da torcida organizada do Pumas. – Eu quase reparei novamente apenas em seu sorriso que dessa vez, veio com mais felicidade, mas me lembrei que esse não era só um sonho antigo dela, e sim meu, nosso.
:- Como fez para entrar? — perguntei me lembrando do cara junto a ela.
:- Agora consegui encaixar tempo na minha rotina, entre os estudos, estou em época de pesquisa para a minha conclusão de curso. Estava ficando louca e precisava me distrair. Eu fiz novos amigos, fui em novas festas, — ela deu os ombros me contando se lembrando desse tempo que fez sem mim. Eu sinceramente não estava gostando nada do rumo dessa resposta. – Acabei conhecendo Uriel, ele já terminou a Universidade faz algum tempo, mas nunca deixou a Rebel. Me convidou hoje para me apresentar e...
E.. eu engoli a seco, não queria que ela continuasse sua fala, cortei aquela conversa.
:- E nossa conversa acabou aqui, Dulce. – eu fui grosseiro.
:- O que? — ela me perguntou confusa.
:- Acabou a conversa, não quero saber mais. – eu disse e comecei a andar novamente em direção ao meu lugar, para assistir o jogo. Não demorou muito para que ela me alcançasse.
:- Espera, Poncho. – ficou na minha frente e me parou . – O que foi?
:- Nada. – Imediatamente respondi. – A nossa conversa acabou apenas.
:- Você bebeu ou o que? Estávamos conversando numa boa e do nada resolve sair andando sem mais e nem menos. — ela realmente não entendia nada.
:- Eu simplesmente não quero saber como começou o seu namoro com o tal Uriel.
:- Então é isso. – ela disse desacreditada, na minha frente. – Você tira as suas conclusões e sai sem mais, nem menos. Pelo menos dessa vez não fez escândalo.
:- O que você está querendo dizer com isso?
:- O óbvio. Que você não mudou durante todo esse tempo que ficamos separados, pelo o que eu posso ver, que você é um impulsivo que se deixa levar por suas conclusões e se acha o dono da verdade e por ela age. – desatou a falar enquanto eu escutava tudo calado, enquanto cruzava meus braços. – Você é um cara tão incrível. Uma pessoa maravilhosa, Poncho, mas não ás vezes parece um burro teimoso, ou melhor, um puma que empaca. Será que não percebe que pode perder as pessoas que gostam de você? Será que não se dá conta de que me perdeu por isso?
Ela poderia ter falado sobre tudo, absolutamente, tudo. Menos isso, se existe um arrependimento que eu tenho na minha vida. Era esse, ter perdido ela. Jogou baixo comigo, eu não tinha o que falar. E nem ela pelo visto, por que ficava parada me olhando, esperando que eu me defendesse de suas acusações, mas eu só conseguia pensar que eu tinha perdido ela.
:- Ah vocês dois estão aqui juntinhos... – escutamos aquela voz infantil e ambos tomamos um susto, além de ser minha sobrinha ela estava do nosso lado e nenhum de nós tinha visto a sua chegada. Eu peguei Alice no colo usando ela como escudo. – O que você estão fazendo? — perguntou desconfiada.
–-
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