Notas iniciais
* Oi gente, eis aí mais um capítulo, espero que aproveitem; * Escrevi um capítulo imenso para explicar o que levou Diana a fazer o que fez; *Mas para não ficar cansativo, acabei dividindo-o em dois; *Não se preocupem, eu vou postar os dois em sequência, me abstendo de fazer suspense. *Quero começar logo a próxima etapa da Fanfic. *obrigada pelos comentários!

Diana sentiu um toque no ombro. Alguém a estava chamando, mas ela estava longe demais para entender o que diziam.

— Você está bem, minha querida? – Perguntou, pela terceira ou quarta vez uma senhora, antes de Diana lançar-lhe um olhar ainda distraído, voltando aos poucos à realidade.

A amazona sorriu meio envergonhada para a simpática senhora de cabelos grisalhos. Era uma figura magra, mas não tinha uma aparência frágil, embora aparentasse uma idade avançada. ‘Talvez um pouco menos de 80, mas não muito...’, apostou Diana consigo mesma.

— Oh, sim minha senhora! – Disse, depois de uma pausa longa o suficiente para a senhora perceber ela estava completamente perdida em seus pensamentos – Eu estou bem. Não precisa se preocupar!

— Linda. Me chame de Linda! – respondeu com um sorriso – Eu vi que você está aqui há muito tempo, menina. Eu moro logo ali, no outro lado da rua, e vi você sentada na mesma posição desde o início da tarde. Já anoiteceu, querida. Por acaso você está perdida? – Perguntou, com um tom maternal.

— Grande Hera! Eu não vi o tempo passar – respondeu Diana, aturdida com o avançar das horas – Oh, não. Eu não me perdi... Só preciso voltar à Universidade, Linda! Meus amigos devem estar preocupados! – completou, ao perceber que a senhora ainda aguardava resposta.

— Hum... Então, se você não se perdeu, sou capaz de apostar que estava pensando em alguém muito especial, não é? Um namorado, quem sabe?! – A senhora dirigiu a Diana um sorriso generoso, sentando-se ao seu lado, com os olhos grandes e amendoados refletindo um brilho aquecido pela simples sugestão do amor e carregados de saudade.

— Por que você diz isso? – rebateu a princesa, em voz baixa, como se estivesse tomada de vergonha por falar disso com uma estranha.

— Tenho experiência de sobra, minha querida. – sorriu Linda, soltando uma piscadela que ‘dizia’: ‘te peguei, não foi?!’ – Ah, e pelas bochechas coradas, eu diria que foi uma lembrança bem acalorada. – Ela sorriu de novo para Diana, através de uma sonora gargalhada. – Além disso, eu vi você de olhos fechados, sorrindo tolamente para o horizonte – A pequenina senhora tomou fôlego antes de continuar – Mas alguma coisa não vai bem, não é querida?

— Como a senhora sabe?! – Disse Diana, baixando a cabeça tristemente.

— Você parece genuinamente feliz revivendo suas memórias, querida. Mas visivelmente triste agora que voltou à realidade. – Revelou – Mas seja o que for, minha menina, ouça bem esta velha senhora, que precisou esperar que seu grande amor voltasse da 2ª guerra para poder desfrutar a felicidade: quando há amor todo o resto é irrelevante. Se seu amor for correspondido, menina, não deixe que o destino o condene à separação.

Diana respirou profundamente, como se buscasse o ar para os pulmões. Ao passo que Linda continuou: – Eu sei que o destino impõe nos impõe barreiras que parecem intransponíveis, mas se vocês se amam de verdade, nenhum obstáculo é intransponível.

— Por que está me dizendo isso, Linda? – Diana lançou a pergunta, desviando o olhar.

— Não me pergunte, querida. Intuição, talvez?! Eu só achei que deveria. – Respondeu bem-humorada. – E completou – Ouça: Eu vim de uma família rica e me apaixonei por um jovem pobre. Minha família fez de tudo para nos separar, mas eu e ele lutamos até o fim para ficarmos juntos. Até o destino estava contra nós, quando veio a segunda guerra e ele precisou servir com os aliados... Mas não desistimos. Enfrentamos tudo e todos!

— Como terminou? Vocês estão juntos? – Diana estava curiosa, com os olhos brilhando por causa das lágrimas que se formavam.

— Infelizmente não. – Disse Linda – Ele morreu no ano passado. Mas toda luta valeu a pena. Eu faria tudo de novo só para estar ao lado dele.

— Sinto muito – Diana arrematou.

— Não sinta, querida. Fomos muito felizes. É por isso que estou lhe dizendo. – rebateu a senhora – Não desista! Seja qual for o motivo que te faz tão triste, se você estiver certa de seus sentimentos e dos dele, lute pela sua felicidade. Ninguém além de você mesma pode fazer isso.

De repente Linda se foi e Diana permaneceu apenas alguns minutos sentada antes de voltar, literalmente, voando para Universidade. Ela fechou os olhos uma última vez, agradecendo, em oração silenciosa dirigida à Athena, deusa da sabedoria. Sentiu-se segura de si de novo, com o coração revigorado, quando repetiu para si mesma: ‘É hora de lutar, amazona... você tem um coração para reconquistar’.

(...)

Quando ela passou pelos corredores de acesso ao dormitório feminino, já passara das 20h. Conferiu o celular: 28 mensagens de texto/ 36 ligações perdidas. ‘Prepare-se para o sermão, Diana’, pensou.

Ao entrar no quarto encontrou Clark deitado em sua cama falando ao celular. ‘Provavelmente com Lois’, ela deduziu. Shayera e John estavam na mesa de estudos, jogando xadrez, enquanto flertavam um com o outro.

— Finalmente!! – Disse Clark, ao saltar da cama, olhando Diana passar pela porta. – Te ligo depois Lois – despediu-se, desligando a ligação.

— Onde diabos você estava, Diana – Cobrou Shayera, enfurecida – Nós ficamos preocupados, sabia?

— Calma, gente – respondeu, tentando manter um semblante bem-humorado, que evitasse muitas perguntas – Eu estava com a cabeça cheia e resolvi dar um passeio pela cidade.

— Você podia ter ligado, Diana. Pensamos que algo ruim tinha acontecido. – rebateu a ruiva, cruzando os braços sobre o peito.

— Desculpe, Shay. Eu não vi o tempo passar! – Diana abraçou ternamente a amiga, que respondeu carinhosamente, desfazendo o semblante irritadiço.

— Tudo bem, mocinha. Mas amanhã eu vou ter uma conversa com você! – respondeu a ruiva.

— Está certo, mãe! – Diana ironizou, sorrindo.

— Se eu fosse você, Diana, tomaria mais cuidado com a língua – Brincou John – Do jeito que a Shayera estava furiosa e preocupada com você, eu não correria o risco com brincadeiras.

Shayera bufou para ele, reclamando: – Vamos, soldado, ainda dá tempo de pegar a sessão das 21h no cinema.

Eles saíram rindo, abraçados pelo corredor, deixando Kal e Diana sozinhos.

(...)

— E então, Kal... Ele permitiu? – Diana perguntou secamente.

— Na verdade... Ele acabou me contando tudo – Kent respondeu, meio confuso com a postura segura de Diana, diferente daquela emocionalmente frágil da noite anterior.

Diana arregalou os olhos azuis, não escondendo a surpresa. Não porque achava que ele não permitiria que ela revelasse o que houve entre eles, mas porque não esperava que ele mesmo fizesse isso, por mais amigos que ele e Kal fossem. No íntimo, ela o conhecia o suficiente para saber que ele jamais revelaria lembranças que mostrassem suas fraquezas emocionais. Mas talvez ela estivesse enganada, pensou a princesa. Talvez Bruce já não sentisse mais nada por ela; talvez a indiferença dele por ela fosse tão grande que ele não mostraria sensibilidade alguma ao revelar que um dia a amou.

— Ele disse tudo? – Indagou ela, sentando-se ao lado do kryptoniano.

— Bom... Ele contou como vocês se conheceram; que você ficou na mansão por quase um ano; que ele te ajudou na sua missão e... bem... – Nesse momento, Clark sentiu um engasgo antes de continuar. Parecia ter perdido a voz – disse que se apaixonaram, mas que pouco tempo depois, você foi embora, para levar a amazona que havia fugido.

— Só isso? – Diana buscou nos olhos do amigo a verdade, independente da dor que ouvi-la poderia causar-lhe. Ela queria saber tudo. Queria ter certeza se ainda restava algum sentimento no coração de Bruce por ela, além da raiva e da mágoa que ela já conhecia e que ele nunca fez questão de esconder.

— Não, Diana! – Clark olhou pra ela, tentando achar um modo de falar a verdade sem esmagar o coração de Diana – Ele disse que você o abandonou. Que prometeu a ele que voltaria, mas não voltou. Ele disse que fez de tudo para achar a Ilha Paraíso, para buscá-la. Que estava disposto a enfrentar a morte, só para poder vê-la novamente e ouvir que você o amava uma última vez. – Ele olhou para Diana, buscando uma espécie de autorização para continuar. Quando ela fechou os olhos, ele completou – Ele disse que tinha sido surrado e preso. Que pediu uma audiência com a rainha para ver você e quando ele declarou-lhe o seu amor incondicional e pediu que voltasse pra casa com ele, você o humilhou e disse que jamais o amou. Que permitiu que o encarcerassem novamente e o despejassem numa ilha longe de você.

Diana sentiu uma pressão angustiante no peito. Era como se o próprio Hércules estivesse esmagando-lhe o coração. A garganta retraiu-se de imediato, fazendo-a engasgar ao tentar engolir a saliva, como se lhe fosse proibido ter qualquer sensação de alívio. Ela sentiu-se desautorizada até de respirar.

— Di, há algo mais que preciso dizer – Clark soltou, depois de ver aqueles olhos azuis perdidos e desesperançosos novamente – Você e o Bruce são meus melhores amigos. E sei que ele me disse tudo isso confiando que eu não revelaria mais do que deveria. Mas, apesar de saber que ele jamais me perdoaria se soubesse o que vou dizer agora, de certa forma, eu sinto que não posso esconder isso de você.

Diana olhou pra seu amigo ainda melancólica. Estava com medo do que viria a seguir, mas permaneceu segura de que precisava enfrentar toda essa avalanche de emoções e dores mal-curadas.

— Eu nunca o vi tão frágil, Di! – revelou Kent. – Ele parecia aliviado contando toda história de vocês, como se estivesse se livrando de um peso enorme. Mas o que me surpreendeu foi vê-lo falar de você de um jeito apaixonado. Era muito diferente da raiva e da ironia habitual com que vocês se tratavam. Eu nunca o vi tão exposto, Diana. Eu finalmente vi o Bruce por baixo da armadura emocional que ele construiu. – Ainda escolhendo as palavras, ele continuou – Ele só perdeu o brilho nos olhos quando falou sobre a separação de vocês.

Diana encarou seu melhor amigo com um olhar imensamente agradecido. Ela teve um lampejo de esperança ao saber que Bruce ainda tinha uma pequena chama daquele sentimento genuíno que eles partilharam. Ela não pretendia se iludir, acreditando que isso significava que ele ainda a amava ou que a perdoara. Na verdade, achava sinceramente que ele a odiava pelo que ela fizera. Mas, agora, lembrando-se das palavras de Linda e ouvindo Kal revelar que Bruce ainda guarda a memória do amor deles como algo bom, sentia-se fortalecida para ir à luta.

— Você o amava muito, não é Di? – Perguntou Kal, meio timidamente.

— Sim! – respondeu quase com um sussurro – Na verdade, seu eu fosse sincera comigo mesma Kal, eu teria que admitir que ainda o amo. Que nunca deixei de amá-lo nem por um segundo.

— Então, por que, Diana? – Clark levantou-se, para olhá-la nos olhos, como se cobrasse dela uma atitude menos covarde. Como se a responsabilizasse pela infelicidade que sua atitude impôs a si mesma e ao seu melhor amigo.

Ela permaneceu inerte, buscando autorização para voltar a respirar!