Contrato de Casamento
26 Capítulo XXVI- Acerto de contas
Notas iniciais
Uma letargia tomava conta do corpo de Rachel naquele exato momento. O elenco principal de “Os miseráveis” estava reunido em uma entrevista, sendo um instante de descontração, antes de subirem ao palco naquela noite, para todos, exceto Rachel. O desempenho da judia estava sendo automático em razão de não conseguir se concentrar em mais nada que não fosse Jesse St. James, o qual sentado próximo a ela, separado apenas por Jade Licon, a atriz que interpretava Cosset.
Cada vez que olhava para o ator ou ouvia a voz dele sua mente vagava para sua conversa com Quinn dias atrás, cuja a revelação tratava de até então um dos seus melhores amigos. Rachel poderia afirmar com toda a certeza que nunca havia se sentido enojada em toda sua vida nem mesmo durante o momento que percebeu que estava sendo espiada, pois era ainda pior saber quem fora o pervertido.
Fora retirada de seus devaneios quando o entrevistador se dirigiu a ela:
E: Rachel, eu fiquei sabendo que a sua reação quando viu sua foto no outdoor da Times Square foi um tanto espontânea [Voltou-se para ela, sorrindo] Conte-me sobre isso.
R: Bom, eu surtei ao vê-lo [Confessou encabulada enquanto o elenco ria da sua resposta] Não houve aviso prévio, comentário, nada! Foi uma total surpresa chegar na Times Square e deparar com ele [Lembrou rindo]
E: E qual é a emoção ao ser comparada genial Barbra Streisand pelos grandes críticos do teatro?
R: É uma honra inacreditável, eu diria. Eu a admiro desde criança, talvez seja a maior fã que existe dela [Confessou] Sei todas as falas de seus musicais e filmes, todas as músicas. Na verdade, acho que sei tudo sobre ela [Admitiu risonha] Sempre idealizei Barbra como um exemplo, um ícone pra mim. Então quando vejo os apelidos tais como “Futura Barbra” ou “Bebê Streisand” fico imensamente honrada. Se um algum dia, conseguir ser um pouco da grande atriz que ela foi, me sentirei realizada.
E: Não tenho dúvidas disso, Rachel [Ofereceu-lhe sorriso de incentivo] Agora, sobre sua esposa, Quinn Berry-Fabray... Ela veem assistir cada apresentação sua, sentando-se de frente para o palco e na primeira fileira. Isso deve significar muito...
Com a menção do nome da amada, um sorriso espontâneo brincou nos lábios carnudos. Era a primeira vez que alguém falava de sua mulher em uma entrevista e contrariando as expectativas, a diva não sentia receio ou vergonha para responder.
R: E significa! [Garantiu com veemência] Quinn me apoia incondicionalmente, eu vejo isso. E acredita na minha carreira mais do ninguém, bem como eu acredito na dela e no seu futuro brilhante.
Pela visão periférica, a judia conseguia a feição de ódio disfarçado presentes nos olhos azuis gélidos de Jesse. Mais uma vez, Rachel sentiu uma ânsia embrulhar seu estomago.
Quando a entrevista foi encerrada, os atores se apressaram para em se arrumar para o show que ainda estava por vir naquela noite. Dispersaram-se para seus respectivos camarins.
Rachel Barbra Berry-Fabray, devidamente caracterizada de seu personagem, andava destemida pelos corredores dos bastidores. Parou em frente a uma porta de marfim escura com o letreiro: “Jesse St. James”. Levou a mão a maçaneta da porta e notou, logo, que tremia. Respirou fundo e sentindo a mistura de sentimentos. Ira, desapontamento, nojo. Não bateu, simplesmente abriu a porta. Entrou sorrateira, porém, firme.
J: Hey, Rach! [Tomou um susto ao vê-la imóvel em seu camarim] Não sabe mais bater? [Questionou zombeteiro]
Entretanto, Rachel não rira. Aliás, não expressava emoção alguma em rosto. Somente permanecia parada, vasculhando o homem com os olhos. Naquele segundo, St. James soube que havia algo muito errado.
R: Como você pôde? [Seu tom era quase um sussurro]
J: O quê?
R: Quinn me contou, Jesse... [Fitava-o fixamente]
Ele empalideceu. Os olhos castanhos brilhavam, transbordando emoções que ia além da dor da decepção, o desprezo estava presente.
J: Aquela vadia! [Xingou Quinn] Rach, eu...
R: Cale a boca! Não se atreva a falar da minha mulher com essa sua boca podre [Ordenou irada]
Jesse estremeceu de imediato com a postura dela. O olhar dela, a voz... Tudo era um motivo para temer, pois conhecia aquela mulher muito bem. Ela não era a “nova Rachel” para ele, era apenas Rachel. Aquela que era forte ainda mais quando machucada, aquela que se recusava a ser enganada de novo, aquela que tinha problema para confiar. Ele engoliu em seco com a consciência de que tinha a ajudo a ser assim. Recordou de frase que dissera a ela uma vez há alguns anos: “As pessoas lhe quebram porque você é fraca. Se fosse diferente, não se machucaria tanto”
J: Você precisa me ouvir, Rach, por favor...
R: Não. [Aproximou-se segura] Eu não quero ouvir “sua versão” da história, Quinn já me contou tudo. Só quero saber de uma coisa, o motivo. [Gesticulava irritada]
J: Então é assim que vai ser? Vai tomar as palavras daquela mulher como verdade sem ouvir seu melhor amigo? [Vitimava-se]
R: Então me olhe nos olhos e me diga que Quinn mentiu e que você não é o verme desprezível que nos assistiu em nossa lua-de-mel [Falou firme enquanto buscava os olhos dele]
Os olhos castanhos, que antes pareciam se igualar a chocolate quente, agora frios e carregados de desprezo. Rachel nunca havia olhado daquela maneira para ele nem mesmo quando partiu o coração dela no ensino médio. Sem conseguir suportar a intensidade do olhar, o homem baixou a cabeça.
R: NÃO! [Gritou] Me olhe nos olhos, Jesse [Mandou decepcionada] Diga-me que não foi você, que não faria isso comigo [Sua voz começava a falhar]
Com rispidez, a diva levantou o queixo dele, forçando um contato visual. Captou muitos sentimentos, dentre eles, a vergonha e a culpa. Horrorizada, afastou-se dele de imediato.
J: Rach, por favor... [Pedia constrangido]
R: Eu confiei em você! [Acusou no mesmo tom quebrado] Eu permiti que entrasse na vida de novo, acreditei em você mesmo quando tudo e todos dizia para fazer o contrário!
J: E você pode, Rachel. Escute-me, não deixe Quinn fazer a sua cabeça. Tudo tem uma explicação, você me conhece [Mentia descaradamente, tentando se safar]
R: É exatamente esse o problema, Jesse St. James! [Rebateu com raiva] Eu conheço você, conheço o seu tipo.
Jesse St. James havia mudado muito ao longo dos anos, principalmente depois de começar a se envolver com as pessoas erradas e usar drogas. E desse sujeito, a judia sabia que não podia esperar nada devido ao humor instável, à tendência a agressividade. Tinha esperança de que pelo menos sobrasse caráter. Pelo visto, estava errada.
J: É verdade que eu fui a sua casa durante a sua lua-de-mel, mas não com a intenção de observar vocês, juro! [Ousou se aproximar dela] Eu não estava bem naquele dia... Você sabe como eu fico quando estou... [Interrompeu-se, lembrando que a morena não gostava de falar do assunto] Eu fui lá atrás de você, pois não conseguia lidar com o fato de você ter se casado... Estava fora de mim naquele dia, sem suportar a ideia de que havia perdido você. Fui para ter você de volta [declarou]
R: Me ter de volta? [Perguntou debochada] Eu nunca fui sua para você ter me perdido! [Completou venenosa] Isso é uma justificava plausível pra você? Ir atrás de uma mulher casada e invadir a casa dela em plena lua-de-mel? [Desafiou-o irada]
J: Eu tenho o direito de não conformar com o casamento de vocês.
R: Não, você não tem! [Replicou firme] Principalmente porque nós nunca nos envolvemos de fato. Foi tudo falso, você sabe disso! [Elevou a voz] E sabe que o mais você não tem direito? De invadir a minha casa, a minha intimidade, a minha vida daquele jeito; você não tem direito de fazer o que fez!
J: Foi um acidente, Rach. Não planejei de forma alguma ter visto vocês. Eu só... Estava possesso de raiva e ciúmes naquele dia, não pensei direito somente fiz o que quis, ir até você e acabei vendo [Tentava se defender]
R: Eu me recordo bem daquele dia, do pressentimento e do calafrio que senti, de como fiquei em enojada ao saber que tinha um invasor presente [Contou em tom de veneno] e não foram sensação passageiras, o que indica que você continuou nos observando visto que certamente deve ter apreciado o que viu e resolveu permanecer, seu filho da puta! [Disse em claro repúdio a ele]
Essa uma das maiores mudanças que ocorreu na morena. Ela não fazia o estilo agressiva, mas do estilo das palavras ferinas. Com propósito especial de atingir e magoar alguém. Isso porque palavras machucavam mais do qualquer tapa. Jesse era a maior prova disso, sentindo uma dor maior do que qualquer golpe que Quinn o dera. A firmeza na postura, o desprezo no olhar, as palavras duras... percebe-se que Rachel estava machucando-o muito mais e, por consequência, ensinando-o uma lição.
R: Eu realmente pensei que fosse meu amigo, que me respeitasse ou tivesse, no mínimo, consideração por mim.
J: Não diz isso, Rach! [Implorou cabisbaixo devido a vergonha] Você que sabe que eu te amo.
R: Não se atreva a dizer que me ama depois do que fez! [Bradou] Você realmente cogitou que bastava você aparecer na minha casa que eu iria largar minha esposa e me jogar nos seus braços? [Questionou irônica] Acredita mesmo na realidade em que nós dois vamos estar juntos? Baseado em quê?! No namorico falso da adolescência que tivemos? Eu nunca dei margem ou sinal para achar que nossa amizade poderia ser algo a mais. E não existe qualquer possibilidade de ser diferente.
J: Você não pode garantir isso!
R: Claro que posso! Eu sentia um carinho especial por você por conta da nossa amizade e do que fez por mim antes. Contudo, não consigo sentir mais nada além de nojo e desprezo. Por Deus, sequer consigo encará-lo agora [Desviou os olhos dele, sentindo-os lacrimejar por causa da decepção que sentia]
J: Eu já disse que não tive a intenção de espionar, estando completamente irracional. Você tem que acreditar em mim [Tentou argumentar desesperado]
R: Pare de tentar encontrar uma justificativa para sua atitude! [Indignou-se] Pare de pôr a culpa nessas porcarias que você usa quando na verdade foi pura falta de caráter da sua parte! [Voltou a olhá-lo com ódio] Se é inocente como insiste em alegar, me explique, portanto, por que não foi embora ao nos encontrar no momento íntimo?
Jesse calou-se imediatamente, quebrando mais uma vez o contato visual. Não tinha como contrapor àquela questão pelo fato saber que, apesar não ter consciência dos seus atos naquela ocasião, ele escolhera permanecer no local.
R: Foi que eu pensei... [Murmurou]
Quando os olhos azuis culpados se ergueram encontraram os olhos castanhos chorosos e cheios de magoa e revolta, porém Rachel permanecia firme e de cabeça erguida.
R: Vou pedir um favor seu... [Levou as mãos ao rosto secando as lágrimas] Afaste-se de mim! Saia da nossa vida, minha e de Quinn, não o quero mais fazendo mais fazendo parte dela. Esqueça essa ideia ridícula que somos um par perfeito e que somos amigos também. Já não quero mais nada que venha de você, fui clara? [Sua voz mesmo embargada possuía firmeza]
Com passos apressados, Rachel se encaminhava até a saída do camarim quando ele a puxou de volta com força. O rosto dele, contorcido pela fúria, lábios comprimidos numa linha reta.
J: Você não pode estar falando sério. Um erro meu e você escolhe ficar do lado dela? Esqueceu o quanto ela a machucou?
R: Escolher o lado dela? [Franziu a testa, incrédula] Isso não trata de escolher entre você e Quinn, Jesse St. James [Revoltou-se] Mas do que você fez!
J: O que fiz?! E o que eu fiz durante esses anos ao não ser apoiar você? Quem ajudou você a se levantar depois de Quinn ter quebrado seu coração? Quem foi seu primeiro e único amigo na cidade? Quem segurou a sua mão antes de cada teste que você fez? Quem sentou na primeira fileira do teatro em cada uma de suas peças? Quem esteve do seu lado esse tempo todo? [Interrogou tentando virar a situação a seu favor] Eu! Eu estive com você
R: E eu não estive do seu? [Puxou seu braço, livrando-se do aperto] Quem te apoiou na sua carreira? Quem acreditou em você mesmo quando não deveria? Quem foi atrás de você se entender depois de um acesso de raiva seu após meu noivado? Quem foi lá pronta pra te perdoar? Quem se recusou acabar com a nossa amizade mesmo sabendo que significava mais pra você? Quem foi inúmeras vezes resgatar você das encrencas que se metia? Quem ficou do seu lado esperando cada crise passar? [Devolveu as perguntas, mostrando que não se abalaria]
J: A diferença é que eu vou estar aqui, mais uma vez, quando precisar, quando ela quebrar você de novo [Afirmou maldoso] Porque você sabe que ela vai, não é? Sabe que aquela vagabunda vai machucá-la.
Aquilo já era demais! A sentença de que seria magoada novamente e que a sua relação, consolidada a cada dia por ambas, estava fadada ao fracasso; fez o sangue da atriz ferver e seu autocontrole se esvair. Além disso, o ator havia xingado sua esposa!
Sem se conter mais, ela chutou com força entre as pernas dele, fazendo-o gritar de dor e cair no chão.
A decepção latente cresceu ainda mais, fazendo o seu peito apertar. Qualquer pessoa decente teria se resignado, assumido a culpa e se desculpado. Entretanto, Jesse fizera o oposto. Numa tentava patética de jogar culpa nos ombros dela e colocar-se como vítima.
R: Se realmente me ama, como afirma, vai atender o meu pedido. Vai me deixar em paz, sem me procurar, sem me ligar, sem qualquer tipo de contato; somente o profissional que vai acontecer nos palcos até o fim da temporada de apresentações. Depois disso, não quero vê-lo nunca mais nem ouvir sua voz. A partir de agora, você não vai receber nada bom vindo de mim [Olhou-o com desprezo] Fique longe da minha mulher também, está avisado... [Ameaçou]
A porta foi aberta e um rapaz quando um rapaz entrou. Era um contrarregra do teatro.
C: Desculpem-me... [Pediu na soleira da porta] Só vim avisar ao Sr. St. James que faltam 20 minutos para o início do espetáculo e volto a avisá-lo quando chegar a vez de entrar em cena [Olhou em volta e assustou-se ao encontrar o ator caído no chão] O que houve?
R: Ele passou mal, ajude-me [Interpretou como a boa atriz que era] Acho melhor avisar ao diretor e ao ator substituto que ele não tem condições de performar hoje, ainda mais de cantar [Fingiu-se preocupada]
Assim que o colocaram no mini sofá do camarim, o contrarregra foi seguir o conselho da morena que, antes de sair, lançou um olhar de mágoa para Jesse. Respirou fundo e se retirou para seu próprio camarim a fim de retocar a maquiagem.
Inspirou e expirou. Fez isso repetidas vezes, tentando se acalmar e conter as lágrimas teimosas. Jesse realmente tinha feito por ela tudo aquilo por ela bem como a mesma havia feito o que disse. Todavia, tal questão só piorava a situação, pois significava que, ainda assim, seu “amigo” havia a traído de uma maneira tão repugnante.
Ainda estava desacreditada com o cinismo dele perante ela. Após um soluço fujão de sua garganta, o ar preencheu mais uma vez seu pulmão.
Não!
Sua mente gritara. Rachel Barbra Berry-Fabray não iria permitir que um sujeito como Jesse St. James a abalasse, não iria mexer com seu emocional. Ele não merecia isso!
***
Jean Valjean morrera diante dos olhos da filha, Cosset, que era consolada pelo marido, Marius. Curiosamente, naquela noite, este personagem não estava sendo interpretado por Jesse. O que surpreendeu a todos, inclusive Quinn.
A cena se passava em um interior de uma catedral e era a mais emocionante para ela, pois sempre chorava nessa parte. A luz se apagou e a banda fez a transição de acordes, indicando o início do epílogo.
“Do you hear the people sing
Lost in the valley of the night?
It is the music of a people
Who are climbing towards the light
For the wretched of the earth
There is a flame that never dies
Even the darkest night will end
And the sun will rise...”
A música começou fraca tal como um leve sussurro entoado pelo coro. Conforme as notas tocadas e os trechos cantados, as vozes ganhavam mais força e, consequentemente, o coração de Quinn disparava. Ajeitou-se na cadeira e inclinou de leve para frente em expectativa para o que estava por vir.
A luz ascendia-se sobre o palco gradativamente, iluminando os coristas, os atores e o cenário. Na intenção de dizer que o paraíso, onde Jean Valjean entrava, era habitado pelos rebeldes e por todos os miseráveis mortos naquele período pós-revolução francesa. E no alto das barricadas, montadas para o cenário, estava sua Rachel, vestida de Eponine, com a bandeira França sobre os ombros e cantando junto ao coro. Oh Deus, ela estava tão linda! Quinn não conseguiria tirar os olhos dela nem se tentasse.
“... Do you hear the people sing
Say, do you hear the distant drums?
It is the future that they bring
When tomorrow comes!
Will you join in our crusade?
Who will be strong and stand with me?
Somewhere beyond the barricade
Is there a world you long to see?”
Em razão disso, a última cena era incrivelmente emocionante para a loira. A força das vozes, a música, o cenário e sua esposa...
Ao fim da música encerrada pela banda, a plateia se levantou e aplaudiu o espetáculo. Quinn educadamente se esquivou dos amigos, que foram prestigiar a diva naquela noite, pois a morena havia mandado uma mensagem pedindo para que a encontrasse no camarim assim que a apresentação acabasse.
Q: Rach? [Chamou-a assim que adentrou no camarim]
R: Hey! [Apareceu no campo de visão de Quinn, usando um roupão]
Quinn pegou-se admirando a beleza da esposa. O rosto sem maquiagem, o cabelo sedoso recém-penteado. O decote do roupão expondo um pedaço de pele bronzeada. Natural e simples, mas linda.
R: Eu não sei se fico encabulada ou lisonjeada com seu olhar [Brincou]
A fotógrafa sorriu galante em resposta e aproveitou para visualizar o recinto. Não era nada demais. Uma penteadeira com uma cadeira própria, uma poltrona, um sofá pequeno. Tudo em cores neutras, muito impessoal a não ser pelas fotografias presas no espelho. Uma da família e outra de Puck. E para completar uma estrela dourada na parte superior. E mesma penteadeira, um ramalhete de rosas.
R: Foi Noah quem me deu [Esclareceu, dando de ombros]
Q: Por que ele faria isso? [Perguntou levemente enciumada]
R: Ele sempre faz isso desde a minha primeira peça. Significa “boa sorte” [Explicou tranquila]
Quinn assentiu e aproximou-se, puxando Rachel pela cintura. O nariz fino passeou pelo pescoço moreno aspirando o cheiro e os lábios implantarem um beijo cálido no local.
Q: Você não precisa de sorte [Murmurou com a boca encostada na pele dela] Você foi magnífica [Fitou-a]
R: Você diz isso todas vezes [Respondeu risonha]
Q: Porque você é perfeita em todas [Piscou-lhe]
A loira beijou-a com calma e carinho, mas a morena não permitiu o carinho se estendesse, fazendo a outra soltar um resmungo frustrada. Tomando como base que a sua judia se manteve afastada e distante fisicamente durante os dias sucederam a revelação sobre Jesse, Quinn notou como tal questão a arrancou do seu eixo visto que Rachel se recusa a tocar no assunto outra vez e às vezes chorara baixinho durante a madrugada, indicando que estava plenamente machucada com o ocorrido. E Quinn odiou Jesse por isso, por machucá-la, por fazê-la chorar.
Q: Você nunca tinha me convidado ao camarim antes [Comentou, tentando dissipar a tensão]
R: Queria que você conhece meu ambiente profissional bem como eu conheci o seu escritório [Mordeu os lábios, nervosa] Bem, eu... pensei que era justo já que você mesma fez questão me inteirar na sua vida e pediu que eu permitisse que você... sabe, também tivesse essa abertura comigo... Então, achei... [Começava a tagarelar apreensiva]
A fotógrafa a calou com beijo doce e, em resposta, a atriz gemeu surpresa com a atitude.
Q: Eu adorei, meu bem [Sorriu charmosa] Obrigada [Encostou as testas]
Rachel maneou a cabeça em entendimento e, em seguida, se afastar delicadamente. Quinn percebeu uma nítida sombra nos olhos castanhos e a conhecia muito bem.
Q: Quer me contar o que estar acontecendo? [Perguntou preocupada] Não adianta negar, conheço você, suas expressões e olhares. Esteve diferente a semana inteira [Complementou atenciosa]
R: Eu acertei minhas contas com Jesse hoje mais cedo [Finalmente respondeu depois de alguns minutos] Fui tirar satisfação com ele referente a ele ser o... [Interrompeu, sendo incapaz de pronunciar a palavra] Oh Deus, foi horrível, Quinn. Ele tentou reverter a situação, tendo a audácia de ser cínico e simulado olhando nos meus olhos! [Contou amargurada] Não entendo como ele p-po... [Começava a chorar] Eu p-pensei que ele fosse meu amigo... confiei n-ele
Quinn a abraçou com força, aconchegando nos braços enquanto sussurrava palavras de conforto em seu ouvido. Quando ela se acalmou, a loira falou:
Q: Ele é desprezível, não merece sua amizade nem sua confiança [Secou as lágrimas que caiam no rosto da outra] Eu sinto muito que tenha passado por isso, Rach [Lamentou tomando a dor para si] Acho que deveria se afastar dele [Aconselhou]
R: Eu sei ... [choramingou] Pedi isso a ele, disse que o queria fora de nossa vida [Mais uma lágrima caía do seu olho] Eu não quero mais nada venha de um sujeito que fez algo tão sujo conosco e, além disso, tem a clara intenção de se colocar entre nós.
Abraçaram novamente por iniciativa da empresária que a afagava os cabelos. Ficou imensamente feliz com a notícia, não por Rachel estar perdendo um amigo, mas por confiando nela e ter feito o correto mesmo sendo doloroso. Por extensão, tinha escapado dos lábios carnudos o bem-estar do casamento delas como prioridade.
Q: Essa foi a causa do seu afastamento brusco essa semana?
R: Sim [Admitiu constrangida] Eu só não conseguia tirar isso da cabeça, ainda mais com a tamanha decepção latente em meu peito. Nunca esperaria ser magoada desse jeito por Jesse, nunca imaginei que minha confiança e minha amizade fosse tão insignificantes... [Fitou os olhos esverdeados] Por que as pessoas à minha volta insistem em machucar, eu pareço ter sentimentos tão frívolos assim?
Quinn já tinha percebido que sua mulher tinha problemas para confiar e se reconstruir após um desapontamento. E não tirava a razão dela de se sentir assim. A pequena diva já tinha aguentado muito de tanta gente e ninguém consegue ser forte o tempo todo, ninguém é uma ilha para viver isolado e inatingível. Shelby, Kurt, Santana, Jesse... e ela própria, Quinn. Perguntou-se como alguém tinha coragem de machucar aquela criatura tão meiga? Como ela teve a coragem?
Q: Rach, não pense assim nem um segundo [Repreendeu suave] O problemas não é você, são os outros. Todo mundo erra e devemos nos redimir, se mostrando merecedores de uma segunda chance, entende? A culpa de quem comete e não de quem sofre [Levou a mão até seu rosto, acariciando de leve a bochecha com o polegar] Não se deixe atingir por Jesse que já provou não merece nada mesmo. Você é forte e maior que isso, mais do que todas essas feridas e qualquer coisa pejorativa já dita sobre você. Não esqueça disso.
Outra vez, as palavras de Quinn desarmaram Rachel. Espantaram seus receios e aqueceram seu peito, renovando-a. A loira continuou acariciando seu rosto, fixando seu olhar nos lábios carnudos. Desejando beijá-la sem encontrar mais nenhuma resistência dessa vez.
A morena, por sua vez, atendeu àquele pedido silencioso e, ao mesmo tempo, tão vivaz nos olhos verdes. Deu um beijo que a outra tanto queria e fora retribuída de modo voraz e saudoso.
Q: Que saudade que senti do seu beijo [Confessou sobre os lábios]
R: Exagerada [Brincou, sorrindo amplamente sem afastar]
Q: Não, senti saudade de você inteira esses dias [Afirmou]
R: Oh! [Expressou o seu encantamento pela esposa] Me desculpe por essa falha, então... [Pediu com charme]
Quando iam se beijar novamente, foram interceptadas por um toque de celular, anunciando mensagem. Rachel esticou o braço para o aparelho. Ao saber do que se tratava, mordeu o lábio confusa.
Q: Rach, o que foi? [Interessou-se pelo conteúdo da mensagem]
R: É o Mr. Schue... [Olhou para a outra] Ele quer que eu vá para Lima...
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