Contrato de Casamento
14 Capítulo XIV- Observadas
Notas iniciais
Rachel não tinha conseguido dormir mais. A cortina do quarto estava entreaberta e um filete de luz a despertou.
Aproveitou o fato de sua esposa ainda estar dormindo para poder explorar com mais calma a sua nova casa. A localização da morada tinha seus pontos negativos. Por ser afastada de centro, levaria mais tempo para chegar ao teatro e a faculdade. E só de pensar em acordar mais cedo... Bufou um pouco irritada. Escolheu começar sua exploração pelo primeiro andar. O corredor era extenso e largo, com algumas portas indicando quartos. Quatro. Ela conseguiu contar. Um deles já pertencia ao casal e outros dois eram mais comuns. Com decoração mais impessoal, a pintura básica e mais simples. Julgou que aqueles eram destinados às visitas. Parou em frente a última porta e abriu-a. Era um quarto para crianças, mais especificamente para uma garota. As paredes eram rosa claro, haviam estantes repletas de livros infantis, bichos de pelúcia. O que fez Rachel sorrir, pois era para sua irmã. Beth costumava ficar às vezes com ela em seu apartamento quando Shelby, Noah ou Quinn não podiam cuidar dela. E elas adoravam isso, adoravam passar um tempo juntas, conversando, brincando, vendo desenhos. E saber que continuaria nessa nova fase da sua vida, renovou a felicidade em seu peito. Não tenha pensado que seria diferente...
Desceu para o andar inferior para conhecer mais da residência. No momento da escolha, seus pais e seu sogro com certeza levaram em conta o padrão de vida elevado que Quinn possuía. Era imenso, completamente elegante e do mesmo nível do antigo apartamento da loira. À medida que andava, mais boquiaberta ficava. O mais impressionante era que muitas coisas ali estavam do agrado da morena, que teve ligeira impressão que tinha um dedo da loira naquilo. Uma parte dela sempre esperava o melhor da outra, desejando realmente receber os agrados dela. E quando se realizavam, sentia-se derreter por ela.
***
Quinn despertou lentamente, sentindo os músculos doerem devido ao cansaço e a intensidade do prazer que havia recebido. A noite anterior tinha sido maravilhosa, um pouco contraditória mas maravilhosa. A forma como teve Rachel e se entregou a ela foram incríveis. Os toques, os beijos e as carícias ainda estavam fixado na sua mente. Tinha sido melhor do que imaginara, mais do que pensou em ter naquela noite.
Suas pálpebras estavam pesadas, seu corpo quase fraco. Sorriu fraco, completamente satisfeita virou-se para tentar se aconchegar contra a sua esposa e voltar a dormir. Mas outro lado da cama estava frio e completamente vazio. Demorou poucos segundos para processar que fora deixada sozinha na cama. Levantou um pouco desorientada, mas em total alerta. No momento em que registrou a ausência de Rachel seu sono se dissipou. Onde ela teria ido?
Vestiu uma lingerie numa velocidade assustadora, tentando conter a irritação que estava sentindo. A última coisa que qualquer pessoa recém-casada queria era acordar sozinha em plena lua-de-mel. Vasculhou no banheiro e no closet. Vazios. Marchou para fora do quarto à procura de Rachel. Não deveria ter mais ninguém na casa além delas, os empregados receberam a ordem de iniciar o trabalho após o fim da lua-de-mel. Era parte do plano tornar aquele ambiente em algo agradável e familiar para a sua mulher antes de haver interferência na privacidade delas.
Desceu as escadas correndo, depois de verificar o primeiro andar, começou a ficar nervosa. Não a encontrava em cômodo algum da casa. Na sala, ouviu um barulho respiração pesada vindo do terraço e barulhos esquisitos como manivelas. Se aproximou da janela e tendo a visão perfeita da judia se exercitando. Em cima de uma bicicleta, usando um short de licra colado e um top preto do mesmo tecido.
Era estimulante vê-la desse jeito. As pedaladas ritmadas, o semblante concentrado, os fones de ouvido lhe isolando do mundo externo. E ao mesmo tempo parecia estar relaxando. Aproveitando a distração, Quinn se aproximou. Abraçou sua cintura e beijou sua nuca, fazendo-a sobressaltar e chocar seus pés contra a lataria do aparelho que estava usando.
R: Quinn! Você me assustou [Exclamou]
Q: E quem você pensava que era, Rachel? [Arqueou a sobrancelha se divertindo com o ocorrido] Nós estamos sozinhas [Lembrou]
Rachel moveu a cabeça em concordância, levou a mão ao peito que subia e descia ainda sobre o impacto do susto. E a loira não pode deixar de olhar melhor seu corpo. O abdômen definido exposto, a penas expostas, a pele gostosa exposta... Tudo tão convidativo.
Q: Você me assustou hoje... [Buscou os olhos castanhos] Eu acordei e não a encontrei ao meu lado. Devo dizer que fiquei meio desapontada.
A morena deu de ombros e desviou o olhar. A loira a viu retirar os fones de ouvidos e sair da bicicleta, completamente tranquila. Franziu a testa com aquela atitude. Rachel teria feito isso propósito?
Q: Eu não gostei disso [Fez mais uma tentativa] Não gostei de acordar sozinha na nossa cama
R: Eu acordei mais cedo [Replicou sem se importar com o incomodo da outra]
Q: Você poderia ter voltado para a cama [Retrucou]
R: Eu não quis voltar [Sua voz era fria]
Isso machucou a loira mais do que ela deixou transparecer. Tinha ter que paciência com a sua mulher, sabia que não podia esperar sua passividade em relação a elas.
Q: Você conheceu a casa? [Mudou de assunto]
R: Eu dei uma olhada [Virou-se para encará-la]
A postura da diva mudou visivelmente. Seus ombros tencionaram e seu olhar desfocou. Ao notar que uma lingerie preta era a única coisa que cobria o corpo perfeito da sua esposa. Um sorriso de satisfação brotou em Quinn. Era tão excitante saber o efeito que causava na sua amada.
Q: Você viu o segundo andar?
R: Ainda não. Por que? [Questionou distraída]
O sorriso nos lábios rosados se ampliou. Tinha o objetivo de conquista-la, de demostrar seu amor. E tinha uma surpresa no segundo andar que iria ajudar.
Q: Nada de mais [Fingiu desinteresse]
Quinn juntou os corpos, imprensando Rachel contra a sela da bicicleta. Segurou a cintura com seus dedos brincando com o elástico do short dela. Afundou seu rosto no pescoço suado e aspirou profundamente o cheiro dela e, em seguida, beijou de forma provocante, roçando seus dentes no ponto de pulso.
Q: Bom dia minha Rach [Falou com os lábios quase colados na pele dela]
R: Bo-Bom dia [Gaguejou com uma respiração engatada]
Pegou o rosto de Rachel em suas mãos e beijou-a sem pressa, saboreando com erotismo. A judia gemeu e tentou se afastar delicadamente, mas Quinn pressionou seu quadril contra o dela, tirando toda a sua possibilidade de raciocínio. Uma das mãos alvas escorregou entre os corpos e passou a arranhar a barriga tonificada. Sua boca seduziu a da outra mais uma vez, fazendo os lábios carnudos chuparem sua língua.
R: Vamos tomar café? [Cortou o beijo]
Q: Depois [Retomou o beijo]
Os beijos se tornaram cada vez mais desesperados e emocionais. Elas estavam perdendo o controle de suas emoções. Quinn moveu as mãos para tentar tirar o top, aflita para ter mais da amada que ergueu os braços para facilitar. Cobriu os seios com as mãos da mesma forma que sua boca fazia com a de Rachel.
R: Vamos para o quarto [Sugeriu, ofegante]
Q: Muito longe
O short logo teve o mesmo destino, se amontoando no chão. O movimento delas era tão frenético que não saberiam dizer quem o tirou. Rachel gemia facilmente sob os toques da esposa que os ouvia como estimulante. Dividiam o calor dos seus corpos, se beijavam de forma sincronizada com os ambos pares de mãos acariciando as curvas uma da outra.
R: Vamos para o sofá [Sugeriu mais uma vez]
Q: Não. Muito longe [Negou novamente] Eu quero você aqui e quero agora, baby [Seu tom era arrastado pelo tesão]
Rachel se surpreendeu com o desejo desenfreado de sua mulher. Fechou os olhos por um instante como se tentasse se controlar. Quinn invadiu novamente sua boca com sua língua sedenta, retornando exatamente ao estado onde estavam. Levou as mãos à bunda redonda e a suspendeu colocando-a em cima sela. Abriu as pernas dela para poder se encaixar melhor. Não queria nada entre elas. Nada nem ninguém. Nem agora nem nunca.
R: Então vamos para a piscina [Insistiu no assunto]
Q: Rachel olhe para mim [Falou séria] O que está acontecendo? [Perguntou despreocupada]
A loira leu o receio latente nos olhos castanhos. Não queria tomar conclusões precipitadas, mas teve medo que aquele sentimento tivesse a ver com ela. Por um instante teve pensou na possibilidade da diva ter se arrependido do progresso entre elas. Rachel mordeu o lábio insegura e respondeu:
R: Temos uma casa inteira para fazer sexo, Quinn [Tinha um leve tom de constrangimento] Não precisamos fazer aqui
Quinn sentiu-se completamente aliviada. O problema era o local e não ela ou que estavam fazendo. Olhou a propriedade em volta, sabendo que a outra seguiria seu olhar. O pequeno jardim, as pouquíssimas árvores, as águas cristalinas da piscina, os altos muros que separavam o terreno do resto da rua, garantindo total segurança.
Q: Sim, nós temos a casa inteira. E o terraço faz parte dela [Sorriu] Ele fica entre o jardim, a piscina... E nós estamos aqui. E eu quero ter você aqui, no meio de toda essa beleza. Nesse lugar inteiramente nosso... [Beijou de leve os lábios] Nós estamos sozinhas... [Beijou de novo] Confie em mim, você vai gostar.
***
Rachel fechou os olhos tentando se concentrar nas carícias de Quinn no seu pescoço, nos seus seios, nos seus lábios.
O corpo é escravo dos seus impulsos. E a maioria dos impulsos do corpo da morena a levava a Quinn. Era algo tão avassalador que, às vezes, não conseguia controlar. Beijou o pescoço alvo, sugou embaixo da orelha e não conseguiu conter o próprio gemido. O gosto da pele de Quinn era inebriante para ela. Era seu vício...
O problema do vício estava na ilusão de achar que pode controla-lo. Com o tempo, se torna obsessivo, compulsivo, fora de controle. E o seu corpo naturalmente seguiria os impulsos e essa era razão de ser tão difícil controla-los, tão difícil resistir a Quinn. Não que estivesse tentando fazê-lo, no entanto, se tentasse, fracassaria. Ela não tinha se arrependido das decisões que tomara na noite anterior. Ainda queria manter a relação delas nesse nível.
Ela não sabia explicar, só não estava se sentindo confortável. Desde o momento que sua mulher a beijara, sentiu um incomodo. Era uma sensação ruim. E à medida que elas avançavam para o sexo, esse pressentimento aumentava. Tinha uma pequena ideia do que se tratava, no entanto, não deixava de ser absurda.
Quinn afastou sua calcinha para lado e começou a tocá-la intimamente, com movimentos lentos e circulares. Rachel gemou forte e revirou os olhos de prazer, enquanto infiltrou os dedos no cabelo loiro, arranhando os dedos no coro. O que incentivou Quinn a continuar.
De repente, um calafrio passou pela sua espinha e o pressentimento voltou a dominá-la de maneira agonizante.
R: Quinn [Tentou chamar] Quinn pare! [Sua voz foi mais firme]
Q: O que foi? [Perguntou confusa]
Rachel engoliu em seco e se aproximou para dizer no seu ouvido.
R: Tem alguém aqui [murmurou baixinho]
Q: É claro que não tem ninguém. [Sorriu complacente] Estamos sozinhas... Só você e eu.
Rachel olhou para os lados, desconfiada. O incomodo que sentiu durante todo o momento era de como estivesse sendo vigiada. Voltou a falar baixo, se estivesse alguém, não existia garantias de que não estava perto. Percebeu o olhar descrente de Quinn, e imaginou se ela pensou que estava tentando fugir dela.
R: Acredite em mim. Eu acho que estamos sendo observadas... Posso sentir. Não estamos sozinhas.
Q: Um voyeur?
R: Um pervertido, isso sim! [Respondeu com indignação]
Quinn novamente correu os olhos pelo terreno, procurando um invasor. Olhou perto da piscina, entre as árvores, no jardim. Não conseguiu ver nada estranho.
Q: Juro que não vejo ninguém além de nós, Rach. Acredite em mim, eu nunca permitiria que alguém fizesse isso comigo... Conosco. Eu nunca deixaria alguém invadir sua intimidade desse jeito. Só eu posso ouvir seus gemidos... Eles são meus. Somente eu posso ver você assim. Você é minha. Confie em mim quando eu digo que vou cuidar de você, que vou proteger você. [Declarou, fitando os olhos dela] Só você e eu... [Repetiu]
Os olhos se encontraram novamente. E mais uma vez, Quinn havia conseguido arrebatar Rachel com as suas palavras. Ela puxou-a para um beijo renovador, cheio de paixão, desejo. Conseguia sentir a através dos toques da loira, suas intenções. Não se tratava de retornar ao momento em que estava, de acamá-la para que voltasse a desfrutar do sexo. Sua mulher queria lhe passar segurança, demonstrar que iria protege-la. Quinn voltou a fazer carícias em sua intimidade e Rachel não demorou a circular a cintura dela com as pernas, prendendo-a naquela posição. Os movimentos oscilavam de velocidade, enlouquecendo a diva. Os dedos beiravam sua entrada.
R: Oh Deus... [Gemou] Entre de uma vez
Sentiu um sorriso sendo formado contra seu pescoço, mas seu pedido não foi acatado ao invés disso a loira parou bruscamente.
R: Quinn! [Reclamou, frustrada]
A loira com os músculos totalmente rígidos e com uma fúria no olhar. Abaixou-se para recolher as peças de roupas.
Q: Vamos entrar [Segurou com uma mão]
R: Espere [a impediu de continuar] O que aconteceu? [Questionou preocupada]
Quinn a segurou na nuca e beijou-a na boca de forma casta.
Q: Eu acho que você estava certa. Vamos entrar
R: O quê? [Assustou-se]
Q: Eu posso sentir agora. Tem alguém nos vendo [Confirmou]
Rachel saiu da bicicleta em um pulo, sendo abraçada pela esposa, que queria cobrir seu corpo. Ela sentia que estava certa!
Naquele momento uma ânsia lhe sucumbiu. Quem será que estava observando? Quem seria tão sujo e pervertido? Quem se rebaixaria a esse ponto? Rachel ficou furiosa. Ninguém tinha o maldito direito de vê-la com sua mulher em momento íntimo, ainda mais permanecer observando como se fosse um espetáculo exibido para o seu bel-prazer. Ninguém, além dela, tinha o direito de ver Quinn naqueles trajes. Então, passou a compreender toda a possessividade empregada nas palavras de Quinn, ela sentia o mesmo... Ainda sentia o mesmo.
Q: Não faço de quem foi, Rachel [Disse assim que entraram] Mas essa pessoa vai pagar! Vou dar uma lição no filho da puta, eu prometo [Garantiu]
Rachel ainda estava tão enraivecida com a situação. Sentada no sofá, com cabeça apoiada nas mãos, não notou que seu corpo tremia. Sentiu os braços da sua amada lhe envolverem e pequenos beijos nos seus cabelos.
Q: Desculpa [Pediu no seu ouvido]
R: Não é sua culpa [Devolveu no mesmo tom]
Q: Eu vou descobrir quem foi, baby. E o bastardo vai acertar as contas comigo. [Assegurou] Ninguém pode ver você assim, sua nudez é minha e... [Tentou justificar]
Rachel a interrompeu com um beijo. Não precisava ouvir mais nada, não queria ouvir nada.
Q: Por que você não vai lá em cima? Toma um banho relaxante, deita um pouco. Eu preparo o café e levo daqui a pouco. Assim, comemos juntas na cama. [Passou um o nariz sobre o dela]
R: Seria ótimo [Admitiu]
Quinn beijou os lábios delicadamente e foi para a cozinha. Rachel não pode evitar de olha-la encantada. Ainda era desestabilizante a ideia de que todas as ações de Quinn pareciam girar em torno de agradá-la.
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