Contrato de Casamento
15 Capítulo XV- Mais perto do que imagina
Notas iniciais
Depois de transarem, caíram exaustas lado a lado na cama. Devido ao terrível incidente ocorrido no terraço, Quinn passou cada minuto se dedicando a Rachel. Sendo gentil, receptiva, prestativa e carinhosa na medida permitida pela morena. Essa possuía a respiração ofegante e encarava o teto. Podia sentir o olhar da esposa sobre si, como ficara comum naqueles dias.
R: Nós temos que conversar [Pronunciou-se]
Ao virar na direção de Quinn, notou sua feição de completa surpresa. A diva nunca conversava com ela no momento pós-sexo, sequer a encarava. Geralmente, se afastava para tomar um banho.
Q: Sobre o que? [Perguntou com certa apreensão]
R: Sobre os limites do nosso casamento.
Q: Perdão... Como? [Arqueou a sobrancelha, sem entender nada]
R: Os limites do nosso casamento [Repetiu] Veja bem, o nosso casamento não foi por livre e espontânea vontade. Foi um acordo... [Respirou fundo, tentando conter a mágoa] E eu não quero que fique com a impressão errada sobre esse matrimônio. Digo, do que EU espero desse matrimonio [Enfatizou]
Quinn sentou-se na cama e passou a mão pelo cabelo num ato nervoso. Claramente, não tinha gostado do tema da conversa e muito menos do modo abordado pela sua mulher.
Q: Rachel, eu sei que não começamos como outros casais mas não significa que somos menos ou diferente, entende? Não precisamos ficar medindo os parâmetros da nossa relação, regulando-a para que não saia do controle. Só precisamos viver e cuidar uma da outra, como o Puck falou no discurso dele de padrinho. [Argumentou, tentando transparecer calma] Se durante nossa união não gostar de algo que eu falei ou tenha feito, conversaremos e resolveremos juntas. Eu farei o mesmo com você. Esse casamento é muito importante para mim, não se trata de um acordo [Revelou suave]
Os olhos castanhos brilharam com a declaração final, pareciam cheios de esperança e expectativa. A boca dela abriu e fechou na tentativa formular alguma resposta. Desviou rapidamente o campo de visão, enquanto a loira mantinha um sorriso no rosto. Quando os olhos delas se encontraram novamente, a judia se sentiu presa admirando a outra e, por um momento, esqueceu do assunto que queria tratar. Aparentemente, Quinn sabia o efeito que causava nela, pois seu sorriso se ampliou diante da postura desconcertante de sua esposa. Rachel se recompôs e pigarreou.
R: Ainda assim, acho importante essa conversa
Quinn queria se manter a calma, mas não pode deixar de sentir-se preocupada. Como se quisesse ter certeza de que não iria ouvir alguma coisa que não fosse gostar, tentou segurar na mão de Rachel, mas essa se afastou do toque sutilmente.
Q: Ok [Assentiu temerosa]
R: Primeiro, eu quero deixar claro que não é porque você me fez casar dessa maneira que significa que você manda em mim. Você não manda em mim! [Falou firme]
Q: Rach! [Arregalou os olhos estupefata] Eu nunca tive a inten... [Tentou desfazer o mal entendido]
R: Ótimo! Porque eu não ia permitir que você o fizesse! [Interrompeu] Segundo, não interfira na minha carreira! [Manteve a seriedade] Não ouse nunca mais ameaça-la
A garganta de Quinn secou, não tinha a menor noção de que sua amada ainda a via como uma vadia manipuladora, no entanto, não podia culpa-la por isso. Naquele dia em seu quarto, quando a contou sobre o contrato, não tinha a menor chance de cumprir com a sua parte da chantagem. Prejudicar a carreira e a imagem de Rachel estava fora de questão. Tinha sido apenas um blefe, visando parecer verdade como uma garantia.
Não iria interferir na vida profissional da sua mulher, não tinha esse direito. Porém, se conhecia o suficiente para saber que sentiria ciúmes, posse, ficaria em incomodada com alguns pares românticos, com algumas cenas. O certo seria elas conversarem, e iriam, mas a decisão final pertencia a diva.
Q: Eu não vou intervir no seu trabalho, Rachel [Retrucou meio ofendida] Sinto muito por ter dado essa impressão a você. A carreira é sua, as escolhas também; bem como na sua vida pessoal. Eu só posso pedir para que não exclua dela, por favor! Eu quero estar a seu lado, sendo parte das escolhas, do seu futuro. [Umedeceu os lábios] Eu levo a esse casamento muito a sério, vamos fazer dar certo. Eu vou fazer dar certo.
Mais uma vez, Rachel permaneceu calada absorvendo cada palavra dita. Definitivamente esperava que a reação da loira fosse completamente oposta. Pronta para explosão, ataques de raiva, pronta para uma verdadeira briga. Entretanto ao receber compreensão, paciência e uma dose de arrependimento; ficou paralisada.
Quinn curvou-se sobre o corpo bronzeado, fazendo um carinho com o nariz no rosto de Rachel. O que a acalmou quase instantaneamente.
R: Talvez eu devesse tomar banho agora [Disse de olhos fechados]
Quinn respirou fundo, tentando se controlar. Sabia que isso era uma desculpa para fugir do seu carinho. Sempre que tocava nela de maneira mais suave, Rachel se afastava ou encaminhava o momento para o sexo.
A diva levantou-se e foi ao banheiro, enquanto a loira observava seus passos atentamente. Era o último dia de lua-de-mel delas, e Quinn não podia estar mais ansiosa, querendo encarar a realidade, os benefícios e os problemas da vida de casada. Elas teriam uma relação real e completa.
E se Rachel pensava que iria fugir dela, estava muito enganada. Não adiantaria trata-la com frieza, ser ríspida; só geraria uma resposta inesperada.
Assim que a morena saiu do banho, Quinn foi em sua direção. Ela estava distraída, penteando o cabelo e cantarolando. Era impossível não querer ficar perto, não querer tocá-la o tempo inteiro.
Q: Tem ideia do quanto é irresistível baby?
Colocou-se na frente dela, enlaçando sua cintura. A morena ergueu a cabeça, sorrindo timidamente para o elogio inesperado. Quinn buscou sua boca para um beijo cálido. Observou algumas marcas roxas nos braços bronzeado, marcas de unhas na altura do pescoço.
Q: Como se sente? [Perguntou atenciosa]
R: Estou bem
Q: Está doendo?
Há algumas horas atrás, a loira tinha sido carinhosa mas também exigente na cama. E se repreendeu mentalmente por isso. Segurou o queixo dela e a obrigou olhar em seus olhos.
Q: Me responda Rach [Insistiu]
R: Um pouco [Admitiu, fazendo uma careta]
E Quinn quase se estapeou por isso.
Q: Me desculpe... [Pediu, beijando delicadamente os ombros dela] Me desculpe [Subiu os lábios para o pescoço em cima das marcas, enquanto suas mãos massageavam os braços]
R: Vamos comer no quarto? [Mudou de assunto, envergonhada]
Q: Não. Vamos comer lá em baixo. Depois, eu tenho uma surpresa para você.
R: Uma surpresa? [Deixou escapar um sorriso] Que tipo de surpresa?
Q: Se eu contar, não será surpresa. [Respondeu sorrindo] Eu vou tomar um banho, me espera lá em baixo?
Era claro que Quinn havia ficado chateada com a conversa anterior e com a atitude fria da esposa, mas o que poderia fazer a não ser manter-se racional e tentar provar que ela estava errada?
***
Rachel observava Quinn minuciosamente, enquanto essa comia. O jeito dela inesperado a intrigava. Era como não ter certeza demais nada, como se tudo fosse volátil. A forma como a loira a tratava, beijava era tão inovador e ao mesmo conhecido. Aqueles dias de lua-de-mel deram a sensação de que o tempo não havia passado e que eram as mesmas “Rach” e “Q” de anos atrás. Completamente apaixonadas, se descobrindo e despertando emoções na outra.
Q: Não vai comer mais? [Quebrou o silêncio]
R: Não estou com fome [Respondeu mecânica]
Ainda a olhava, vasculhando cada feição do seu rosto, procurando algo errado, algo denunciasse perigo, que mostrasse que não podia se entregar. Porém, cada palavra, cada gesto da loira parecia verdadeiro. E seria uma mentira se Rachel dissesse que não estava adorando a atenção.
Q: Então vamos subir [Recebeu um olhar desconfiado] Eu disse que tinha uma surpresa [Explicou]
R: Achei que a surpresa fosse nesse andar [Olhou com os olhos semicerrados]
Q: Não. [Sorriu amplamente] Está no segundo andar
Aquela parte da casa ainda era desconhecida pela morena, que tentou olhar alguma coisa, além de fotografias e obras de arte no corredor, enquanto era arrastada por uma esposa totalmente sorridente e entusiasmada. Quando pararam em frente a última porta daquele corredor e a maior delas. Quinn respirou fundo e a olhou em expectativa. Rachel sorriu e girou a maçaneta.
Era um cômodo espaçoso, com amplas janelas e piano de calda preto no canto. A judia mordeu o lábio inferior, confusa, olhou para a fotógrafa em busca de resposta, mas essa apenas deu um sorriso apaixonante e a incentivou a explorar mais o local. Tinha um sofá vermelho no centro. Reconheceu a réplica na hora, era de “Moulin Rouge”. Ao lado, um puff marrom surrado. Era igual ao de “Rock of Ages”. No lado oposto, havia um espelho. Mas não era qualquer espelho, era o de “Funny Girl”! O original, tinha certeza. Os detalhes na borda do objeto eram inconfundíveis. Prendeu a respiração e olhou novamente para os outros móveis.
R: Não são réplicas... [Falou com a voz fraca]
Q: Não, não são [Confirmou atrás dela]
Rachel virou-se para fita-la sem saber o que dizer, como perguntar o significado daquilo e como agradecer. Abriu a boca para falar mas não encontrou sua voz.
Q: Hey! Não chore [Começou a preocupar]
Os olhos castanhos ardiam e eram uma mistura de sentimentos, os lábios carnudos tremiam ao tentar falar. A diva nem ao percebeu que chorava. Levou uma mão ao rosto para limpar as lágrimas, mas foi interceptada pelas mãos alvas. Quinn beijou cada uma delas.
Q: Veja o resto [Sussurrou]
A morena voltou a se concentrar no ambiente e uma das paredes lhe chamou atenção. Foi em sua direção, passando por uma estante repleta de partituras, dedilhou os dedos nas teclas do piano. Ao ver a parede, sua respiração prendeu. Eram fotos das suas apresentações no glee, as suas apresentações nas competições de coral, as suas performances nas produções off-Broadway. Começou a tremer. As fotos estavam todas em preto e branco, como se fosse uma colagem. Passou a mão tremula na parede e sentiu a textura, não se tratava de colagem, era um papel de parede. Olhou encantada para Quinn, que apenas lhe devolveu o olhar.
Checou mais uma vez as partituras e ficou chocada ao notar que pertenciam ao mais variado gosto musical, algumas delas tinham sua assinatura. As mesmas pastas que tinham em lima. O que faziam ali? Quinn tinha mandado buscar? E na parte superior, na última prateleira havia um sapatinho branco de porcelana. Tinha sido sua primeira lembrança de um musical, dada pelos seus pais. Sem se segurar mais, Rachel chorou. Pelo presente, pela emoção que dominou seu peito e por ser Quinn quem proporcionou.
Q: Rachel? [Chamou preocupada] Está tudo bem? [Se aproximou]
Rachel sentiu os braços envolverem seu corpo e deixou sua cabeça descansar contra o peito dela, tentando parar de chorar. Embora as palavras da loira fossem reconfortantes, possuíam um leve tom de preocupação.
R: O que você... [Sua voz falhou] Como você...
Estava tão atordoada que não conseguia formar nenhuma frase. As mãos de Quinn acariciaram seu cabelo, acalmando-a.
Q: Elle Humphray é uma senhora maravilhosa. Simpática, educada, bondosa. Umas das melhores pessoas que tive o prazer de conhecer. Ela foi uma grande produtora de musicais e uma investidora em outras áreas da arte. Nos conhecemos em um festival de cinema, onde eu apresentei meu primeiro curta. Hoje, Elle já está aposentada. E um de seus passatempos é colecionar. [Explicou com calma] Eu liguei para ela e negociei a posse desses artifícios.
R: Deve ter saído caro... [Reclamou encabulada]
Q: Você gostou?
R: Se eu gostei? Quinn, eu amei! [Respondeu deslumbrada]
Q: Então é só o que importa [Piscou com um olho] Nem um valor é alto o suficiente se tratando de você e nunca vai bastar; você sempre vai merecer mais e o melhor de mim [Confidenciou]
Naquele momento o coração de Rachel dava pancadas em seu peito, sentiu o gosto salgado das lágrimas, suas pernas estavam completamente bambas.
R: Por que você fez isso? [Perguntou com a voz embargada] Você não precisava.
Q: Você sempre me disse quando tivesse uma casa sua, separaria um dos cômodos para ser seu “Camarim pessoal” [Lembrou divertida] Um lugar onde você colocaria todas relíquias de musical, seus filmes favoritos [Apontou para uma estante cheia de DVD’s] Seus troféus e seus preciosos romances [Indicou outra prateleira de livros] Você precisa de um lugar só seu, um canto de refúgio. Em lima, era o auditório do WMHS. E aqui, em Nova York, você usa a sala de dança de NYADA. Você não precisava mais dela. Sempre quiser silêncio, compor, estudar, ensaiar, ficar sozinha pode usar essa sala. É toda sua!
Se a diva que não podia se surpreender mais, estava enganada. Completamente fascinada, abraçou a esposa com força. Admirou-se com o fato dela conhece-la tão também ao ponto de lembrar das menores conversas que tiveram na adolescência. Quinn correspondeu seu abraço de imediato, mantendo a menor contra seu peito.
Rachel voltou a chorar, pois nunca tinha ganhado um presente como aquele. Um presente que trouxesse à tona suas boas memórias, levasse em consideração seus gostos, seus valores e ainda mais que se importasse com seu desejo.
R: Obrigada [Sua voz era pura emoção] Obrigada [Abraçou-a ainda mais forte] Obrigada, Q [Repetiu chorando]
Q: Hey minha Rach, pare de chorar! [Pediu] Era para sorrir e não chorar [Secou as lágrimas do rosto bronzeado]
R: Isso é muito! Por isso, estou chorando. É demais para mim. Eu nem sei como agradecer.
Q: Primeiro, não diga mais isso. É pouco para você [Repreendeu de maneira suave] Não precisa me agradecer, apenas se quiser... Eu achei merecia pelo menos um beijo [Um sorriso travesso brincou nos seus lábios]
Rachel riu gostosamente e passou os braços pelo pescoço dela. Ficou na ponta dos pés e pressionou os lábios nos lábios rosados. Moveu a boca devagar para capturar o lábio superior e sugou-o com leveza. Em seguida, chupou o inferior. Pressionou os lábios novamente e separou.
R: Obrigada [Falou com uma voz veludada]
Q: De nada [Respondeu de olhos fechados, desfrutando daquela sensação]
Rachel olhou aqueles lábios rosados mais uma vez. Agora vermelhados e inchados, completamente apetitosos. Desde seu noivado com Quinn, a judia sentia-se aprisionada dentre de si mesma. Sempre se controlando para não ser ela mesma, não demonstrar seus sentimentos, não extravasar de vez sua raiva ou mágoa, para não se entregar por completo. Tantas coisas que quis fazer e não fez. E naquele momento, decidiu pelo menos daquela vez fazer o que realmente queria.
Sem se conter mais, puxou a loira mais um beijo. Degustou de cada lábio com volúpia. Esse beijo era diferente. A morena colocou parte de si nele. Tinha um sabor de paixão, quando enroscou a língua da outra na sua e chupou propriedade. Quinn gemeu e pressionou a cintura contra si, para mantê-las mais unidas. A diva puxou o lábio inferior de Quinn entre seus dentes, fazendo-a gemer de novo. Quebraram o beijo ofegantes e mantiveram as testas unidas. Rachel abriu seu sorriso maravilhoso, aquele poderia iluminar a cidade inteira.
Quinn, por sua vez, quase chorou ao sentir a paixão no beijo. Piscou os olhos algumas vez para expulsar as lágrimas que queriam cair. Ao ver o sorriso dado por Rachel, seu coração se aqueceu e seu corpo arrepiar. Era o seu sorriso! O sorriso que sua Rach costumava direcionar a elas quando namoravam. Quanta saudade sentiu desse sorriso! Perguntou-se como conseguiu viver tanto tempo sem vê-lo... e agora, ele estava de volta, com a mesma intensidade e nas mesmas circunstâncias. Sendo entregue depois de um beijo apaixonado entre elas.
Dominada pela felicidade, Quinn puxou para outro beijo renovado e foi correspondida na mesma intensidade.
Q: Vem comigo [Chamou sobre os lábios]
R: Para onde? [Questionou na mesma situação]
Q: Vamos passar o dia aqui [Puxou-a para sofá] Vamos ver os filmes que você gosta, tocar músicas de que você gosta [Completou sorrindo]
Rachel sorriu mais ainda e completamente animada foi a sua cinemateca colher um filme. E para surpresa de Quinn, não havia sido “Funny Girl” ou “Os miseráveis” e sim, “Cantando na chuva” fora selecionado. A judia quis revelar, mas sua decisão tinha a ver com Quinn, por ser o musical preferido dela. Lembrou-se do dia em que fizeram a performance no Glee Club e de com a, na época, sua namorada ficou radiante com a coreografia. Então chamou-a para ver o filme em sua casa. Jamais esqueceria do modo como os olhos esverdeados brilharam, de como as músicas foram cantaroladas perfeitamente em seu ouvido enquanto estavam abraçadas.
Ao que parecia, Quinn estava mais perto do que imaginava, mais perto do que Rachel imaginava, mais perto de derrubar a barreira emocional entre elas.
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