Contrato de Casamento

13 Capítulo XIII- Madrugada


Notas iniciais
Trilha sonora: Girl on Fire- Alicia Keys

Capítulo XIII- Madrugada

Rachel tinha despertado há alguns minutos, mas continuou na mesma posição olhando para Quinn. Ela era tão... Perfeita! O rosto quase coberto pelos cabeços, deitada de bruços, os baços pousados ao lado da cabeça, espalmando-se no travesseiro. Parecia um anjo quando dormia. Sua face completamente serena.
A Judia não tinha a menor ideia de que horas eram, não tinha um relógio por perto. O céu continuava escuro, mas possuía uma pequena luz laranja no fundo. Logo o sol iria nascer. Levantou-se com cautela para não acordar a mulher ao seu lado e foi ao banheiro.

Abriu o chuveiro e regulou a temperatura para algo que lhe agradasse. Era final de Março, o primeiro dia de primavera, já não estava tão frio como na estação passada e, ao mesmo tempo, não era a temperatura habitual da nova estação. Durante o banho se repreendia mentalmente por ter cedido ao seu desejo por Quinn. Na verdade, não se sentia arrependida, tinha adorado aquele momento entre elas. Quantas vezes desejou estar nos braços da loira novamente? E há algumas horas, esse anseio tinha sido realizado. Cada toque, cada movimento, cada beijo, tinham sido maravilhosos. Porém, na sua cabeça, fora apenas sexo. Esse era um dos motivos de ter sido escolhida por Quinn, não era? “Uma delícia na cama” e “Uma esposa para aquecer minha cama” Foram frases ditas por ela. E aquilo doía na morena, doía pensar que significava tão pouco.

Para Rachel, nunca seria somente isso. Amava muito aquela mulher, e esse sentimento nublava as emoções físicas. No entanto, não podia falar sobre eles, as consequências não pareciam ser muito boas. Já tinha estado nessa situação antes, de estar completamente apaixonada e amar de uma forma avassaladora... E o final, não tinha sido muito feliz. A dor que ficou em seu peito, a vivência da separação foi algo que tirou seu chão, seu rumo. A dor... Ela teve que sobreviver a ela, esperou que fosse embora sozinha, esperou que o flagelo se curasse. Foi como se estivesse respirado fundo nesses anos em busca de alívio. E finalmente, Rachel sentia que conseguia administrar essa dor. Quando lembrava dos seus planos que fez, recordou que o seu futuro realmente nunca lhe pertenceu. Sempre girou em torno de Quinn e dos seus amigos do clube do coral. A escolha da universidade, do bairro onde iria morar, dos espetáculos, a formação de uma família. Tudo parecia ser perfeito porque eles estariam ao seu lado. Mas eles não estiveram...
Por isso, Rachel aprendeu que deveria se proteger. Construiu uma casca ao redor de si mesma para evitar expressar seus sentimentos e esconder a garota estupida romântica de Ohio. Aprendeu confiar em pouquíssimas pessoas. Sua mãe, seus pais, Noah e Jesse.

E por mais que tenha escutado de Quinn naquela madrugada no Central Park, que o relacionamento delas foi realmente importante, que havia sido a melhor coisa da vida dela; não conseguia confiar plenamente. Ela tinha amado sozinha durante todo esse tempo e foi horrível. Mas, também tinha visto a verdade brilhar nos olhos esverdeado, viu o medo, viu a fraqueza. E ontem, tinha foi pega de surpresa com a decoração, com a delicadeza e o carinho de Quinn durante toda a noite, parecia que existia uma necessidade de agradá-la. Eram essas ações que deixavam sua mente um turbilhão de pensamentos, sem ter certeza de nada. Entretanto, uma parte da diva, a parte apaixonada, se apegava a mudança de algo na noite passada. Não sabia o que implicava essa mudança, mas ela existia. Viva não apenas nas atitudes de Quinn, mas nela mesma. A preocupação em pedir desculpas, no seu olhar transbordava paixão quando lhe olhava, a forma como sempre deixava escapar trejeitos da antiga Quinn, a sua Quinn. Contudo, a parte machucada se sobressaía dentre suas emoções. Não estava pronta para se dar inteira agora, para se permitir. Não até saber com clareza que significava algo mais para a loira. Mais do que um contrato, mais do que o desejo carnal, mais de que a necessidade de ter a esposa perfeita, mais do que sexo. Pois, o medo de não ser correspondida era algo que assombrava Rachel. Já tinha aprendido a suportar uma agonia e não queria outra.

Depois do banho, Rachel retornou ao quarto, vestindo um roupão que sua mãe colocou na mala. Usava uma toalha para secar o cabelo, enquanto vigiava o sono da esposa. O cobertor que cobria o corpo dela podia ser espesso, mas a morena se sentia como se pudesse enxergar através dele. O tronco curvilíneo, a bunda perfeitamente redonda, a nuca e os ombros deveriam estar cheios de marcas das suas unhas. Quinn estava certa quando pensava que Rachel havia construído uma muralha entre elas. Existiam duas dela, um bloqueava o lado emocional e outra se tratava da intimidade. Essa última, a loira havia derrubado.
Intimidade era uma coisa ao mesmo tempo temida e desejada por ambas. Difícil de lidar com o que vem atrelado a ela, mas impossível viver sem. E o casal definitivamente não queria regredir nesse estágio. Embora estivesse confusa e apavorada, a judia não resistia a outra. Não sabia como fazer isso.

Rachel se ajoelhou em frente a cama, sentindo a respiração quente da sua mulher bater no seu rosto. Fechou os olhos ao constatar um arrepio percorrer seu corpo. Era sempre assim. O menor dos toques de Quinn ou até mesmo a ausência dele, substituída pelo sobro de ar, causava grandes efeitos em Rachel. O que fez o corpo moreno esquentar na mesma hora, completamente excitada. Isso fazia ela empurrar para o fundo de sua mente todos os medos, inseguranças e fantasmas. Nada ficava entre elas, nada que impedisse Rachel de ter aquele momento. Deslizou o nariz sobre o dela e se deixou sentir. Aspirou o cheiro com força e se embriagando com ele. Beijou desejosa o pescoço aristocrático. Lentamente, os olhos esverdeados se abriram e ao se depararem com os olhos de chocolate, um sorriso meio sonolento e lindo se espalhou pela face de Quinn. A judia atacou aqueles lábios com voracidade, sugou a língua da outra com volúpia e mordiscou de leve o lábio inferior rosado. Se certificando que as suas intenções com aquele beijo ficassem claras.

Rachel ergueu-se daquela posição, olhando nos olhos da sua mulher, tirou o seu roupão, deixando-o escorregar até cair no chão. Recebeu um olhar total surpreso em troca. Quinn não esperava esse de tipo de atitude dela, não agora. Nem a própria Rachel esperava isso de si mesma, mas era o que iria fazer. Ela afastou as cobertas do corpo da sua mulher e com rapidez montou em seu quadril. Curvou-se, reivindicando a boca da fotógrafa que, por sua vez, gemeu confusa. A morena avançou sobre o pescoço alvo e começou devorá-lo com fome. Chupou com força o ponto de pulso, fazendo o corpo sob o seu estremecer.

A vida é formada por “linhas”, que determinam os limites. Entre algo velho ou novo, o início de uma fase, o fim de outra. Sejam linhas físicas, geográficas ou imaginárias. A linha de chegada de uma corrida, as divisas entre países, as linhas das fases da vida. Rachel e Quinn tinham cruzado novamente aquela linha, a do sexo. Exatamente como há anos atrás, quando atravessaram o limite pela primeira vez. Deus sabe o quanto as duas tentaram fugir e parar, mas falharam miseravelmente. Isso porque as fronteiras não existem apenas para manter o externo em seu lugar mas, também para prender o que há dentro. Quando ela é cruzada, não há mais volta. Isso se encaixava perfeitamente na relação das duas. Nem mesmo se quisessem conseguiam parar com isso.

Rachel deslizou pelo corpo de Quinn, distribuindo beijos no colo, nas costelas, se movendo para abocanhar os seios. Rodeou-os com a ponta da língua, alternando entre o esquerdo e o direito. Quinn gemeu rouca e apertou com os lençóis, quando a morena passou a chupá-los, dando o mesmo tratamento aos dois.

Q: Rachel... [Gemou]

A voz de sua esposa gemendo seu nome, fez com que a diva ficasse ainda mais excitada. Aumentou o ritmo da sua língua, fazendo os movimentos com tamanha perfeição. Foi interrompida pelas mãos alvas que puxaram seu rosto para cima. Os olhos da loira estavam dilatados e escuro de desejo, mas havia uma certa tensão em seu semblante. Ela estava atordoada. E isso era compreensível. Há algumas horas atrás, a judia fugia dela, ficou contida, completamente receosa. E agora, tinha lhe tomado nos braços de forma exigente e com uma segurança inacreditável. Pelo menos, ao ver dela, Rachel parecia estar segura.

Q: Rachel... [Disse ofegante] O que você está... [Tentou questionar]

A pergunta foi interrompida pelos carnudos da morena, que não queria conversar. Não saberia ao menos o que dizer.

R: Shiu! [Ralhou] Não me atrapalhe, Q [Completou sobre os lábios da outra]

Quinn revirou os olhos arrepiada, jogando a cabeça para trás, se permitiu ter aquele momento, agarrar a chance dada. A morena voltou a pairar sobre o corpo admirando-o com mais calma. Beijou entre os seios, descendo em linha reta para o abdômen estreito. Mordeu esta região com um pouco mais de força na intenção de marca-la. Passou a palma da língua para acalmar a pele e em seguida beijou ao redor do umbigo. Ao escutar o engate da respiração de Quinn, um sorriso travesso surgiu nos lábios de Rachel, que olhou para cima para ter a satisfação de vê-la com uma expectativa a brilhar no olhar, esperando que o caminho dos beijos da sua mulher fosse ainda mais abaixo.

Rachel afastou-se para poder se posicionar na ponta da cama, sentada de joelhos. Colocou as duas pernas de Quinn em seus ombros, uma de cada lado, de modo que as coxas da outra encostassem em suas orelhas. Os dois pares de olhos pareciam conectados.
O corpo apesar não ser perceptível, sempre carrega resquícios da mente. Dos seus medos, desejos, frustações, tristezas, traumas, alegrias. Tudo se reflete no corpo. Rachel mesmo sem saber refletia em cada gesto todos os seus sentimentos. Tomando sua amada daquela forma traduzia que a deseja demais, que a amava, mas não estava preparada para deixar isso vir à tona. Traduzia a magoa que ainda sentia, a raiva que sentia de si mesma por deixado se deixar levar pelo momento da consumação, dando brecha para a antiga Rachel reaparecer. Quando trazia Quinn até si, na verdade queria dizer que a barreira de acesso ao seu corpo poderia sido derrubada, mas o seu coração estava trancado. E quem teria que vir até ela era Quinn; quem teria que consertar as coisas entre elas era Quinn.
A judia deu um sopro leve na intimidade da esposa que se contorceu, olhando no fundo dos olhos de chocolates. Abocanhou a intimidade com vontade, fazendo a sua mulher gemer alto. Sugou intensamente assim como fazia com a língua e os lábios dela, completamente insaciável. Rodeou o clitóris devagar com a língua em sinal de provocação e em seguida, chupou-o. Tinha completa noção que estava enlouquecendo a loira que se debatia. A coluna dela estava completamente erguida com as pernas para cima, sobre os ombros da outra, o que a deixava sem qualquer sustentação, restando os gritos estrangulados, que saiam de sua garganta, para expressar o prazer que estava sentindo. A língua da judia explorava com uma intensidade avassaladora. Os batimentos de ambas violentos. Sentindo as contrações das paredes intimidade, que apertavam sua língua, Rachel soube que sua mulher estava perto. Trancou a boca em toda região intima e moveu a língua habilmente sobre o ponto de prazer.

Q: RACHEL! [Gritou no ápice]

O corpo de Quinn tremeu sob as mãos de Rachel que apertou as coxas, cravando as unhas. Tinha sido incrível sentir as coxas alvas, apertarem suas orelhas e sua cabeça, enquanto sua língua a penetrava durante o orgasmo. Não demorou muito e o sabor dela já estavam sendo degustado por seus lábios. A loira puxava o ar, tentando se recuperar da onda de prazer. Suas pernas foram colocadas no chão, mas mal conseguia senti-las. Rachel beijou com calma o interior das coxas, tentando se controlar. Ainda queria mais.

Quinn, por sua vez, continuava confusa com a mudança de comportamento praticamente brusca da esposa. Mas tudo o que pode concluir era que Rachel tinha gostado do momento entre elas na noite anterior, Rachel a desejava tanto quanto Quinn a desejava. Por isso, se entregou aquele momento. Era uma oportunidade dada que não seria desperdiçada, nunca seria. Os lábios carnudos acariciando sua pele, acendendo e apagando o fogo de seu corpo. Imaginou que esse momento tinha pequena chance de sua amada querendo retribuir o prazer que havia recebido horas atrás. Sequer passava na sua cabeça, a angústia e a insegurança sentidas por sua mulher naquela madrugada.

Rachel se acomodou no meio da cama, sentou-se com as duas pernas esticadas para frente. Sem dizer nada, segurou na mão de Quinn e guiou devagar para a posição desejada. Em seu colo, com as pernas envoltas na cintura. Passou as unhas suavemente naquela região ao mesmo em que beijava gentilmente o pescoço, usando um pouco mais de força no ponto de pulso. Quinn infiltrou a mão no cabelo castanho, fazendo um carinho leve no coro cabeludo, puxando a cabeça da morena ao encontro. E mais uma vez, o beijo delas era suave, lento. Suas bocas se encaixavam como se pertencessem uma outra, suas línguas se enroscavam com paixão. Com o ritmo já ditado naquele beijo, dois dedos de Rachel entraram na loira. Os movimentos eram precisos, deslizando com cuidado. Quinn gemeu durante o beijo, mexendo seus quadris para acompanhar. Quebraram o beijo quando a velocidade foi aumentada, pois gemidos se tornaram cada vez mais altos e frequentes. Quinn estremecia com os olhos fechados, buscando apoio no pescoço, enlaçando-o com os braços.

As esperanças de Quinn fez com tomasse o domínio daquele beijo, transformando-o a chama, que inflava em sua esposa, em paixão.
Rachel não era nenhuma hipócrita, que alguns minutos mais cedo naquela madrugada reclamava por ser somente sexo para Quinn e agora, a tratava da mesma maneira. Esse momento entre elas por mais carnal que fosse, abrangia outras coisas. O desejo acumulado, a saudade que sentiu da amada e a incapacidade de resistir. Todos frutos do amor que nutria por aquela mulher. A luxúria se misturava com ternura, a voracidade de penetrá-la se mesclava com cuidado e a gentileza para não machuca-la.

Os dedos da judia se mexiam com muita intensidade, que levaram Quinn mais uma vez ao auge do prazer. Ambas estavam satisfeitas por completo, não precisavam de mais nada. Com o corpo amolecido, a fotografa agarrou-se nos ombros bronzeados. Distribuiu beijos molhados no pescoço e chupou o lóbulo da orelha como se quisesse agradecer.

Talvez as duas soubessem a verdade sobre os sentimentos entre elas. Seja ela fosse uma pequena esperança, uma pequena faísca em um coração partido e uma minúscula luz no fim do túnel. A verdade poderia ser um pouco dolorosa, pois tocava em uma ferida.

Devagar Quinn foi tirada de cima daquelas pernas maravilhosas. Deitaram lado a lado, ouvindo o barulho de suas respirações ofegantes. Rachel estava de barriga para cima encarando o teto, enquanto a sua amada lhe fitava deitada de lado. Não falavam nada com medo de estragar o momento. Também não existia nada que pudesse ser dito. Elas tinham cruzado aquela linha. Quinn havia levado as duas a ultrapassar, e Rachel, tinha prendido as duas nela.

E mais uma vez, o futuro de uma estava nas mãos da outra.

Notas finais
Heeey! Obrigado por favoritarem a história. Fiquei muito feliz. Vocês viram as fotos de despedida do elenco? ): Nos vemos no próximo capítulo, beijos. Ingrid