Contrato de Casamento
8 Capítulo VIII- Bang Bang: Você morreu
Notas iniciais
Lima, Ohio. Início de Outubro de 2010.
Para boa parte dos adolescentes a escola é um lugar horrível. Um lugar hostil. Onde coisas ruins se repetem todos os dias. Piadas, humilhação, exclusão. Bullying é a palavra certa. Mas com Quinn Fabray era diferente. A escola era o seu reino, seu lugar ideal e o seu porto seguro. Quinn amava a escola.
Era um dia como qualquer outro, os populares andavam de cabeça erguida sempre em grupo, sorrindo e interagindo. Os valentões escolhiam suas vítimas do dia, quem iria para a lixeira, para a privada, quem levaria raspadinha e quem iria apanhar. Rachel pegou o livro de literatura e partiu para a próxima aula.
Durante a aula do Sr. Brownie, a sala inteira ficava inquieta, com excessão de Rachel. Conversas paralelas e bolas de cuspe detinham mais da atenção dos estudantes do que as lições literárias do professor. Com a paciência esgotada, ele comunicou estenderia o horário para compensar o tempo desperdiçado. Após muitas reclamações, um silêncio respeitoso se formou e a conteúdo foi dado normalmente.
Então, ouve-se um barulho. Não tão alto aos ouvidos das pessoas como soou no cérebro delas. Parecia que o mundo estava desabando. Todos da sala se entreolharam a procura do que tinha sido e a origem dele. Os jovens cochichavam para os colegas: “O que foi isso?”
B: Silêncio turma! [Bradou aborrecido] Vão se deixar distrair por um barulho de fogos de artifício? É óbvio que foi isso.
A turma pareceu se aquietar com aquilo. Só tinha um problema: Não eram fogos. Fogos não tem o som seco e sombrio daquele jeito. Senhor Brownie virou de volta para o quadro na tentativa de tomar o raciocínio.
B: É isso que dá, crianças! Não se esforçar e valorizar o tempo de aprendizagem na escola, não irão para faculdade e ficariam feitos esses jovens que ficam soltando fogos na rua! [Deu um pequeno sermão]
E a chance de continuar a aula se esvaziou, pois muitos começaram a ridicularizar o comentário. “Aah, é claro, professor! Se eu não for à faculdade, ficarei soltando fogos na rua”. Como punição o mestre disse assunto estava dado e não teria uma revisão para a prova. Assim se encerrou a aula.
Rachel juntou seus materiais e saiu apressada. Ela sempre seguia a direção oposta da lotação, porque era mais seguro. No tumulto não sabia o que podia acertá-la, semelhante ao um corredor polonês. Caminhava quase correndo para chegar a tempo do clube Glee. Nunca tinha chegado atrasada e seu histórico de pontualidade iria mudar porque o professor resolveu fazer hora extra. Estava tão distraída que não olhou para onde andava e acabou tropeçando em algo. Foi um belo tombo com direito a cara no chão.
Zangada, levantou a cabeça e viu sangue bem escuro e concentrado. Gemeu de dor e tocou no seu nariz. Sangrava um pouco, mas não o suficiente ter formado aquela poça de sangue no chão. Olhou para dedo e percebeu que no máximo eles estavam machados e a cor do sangue não era um vermelho do mesmo tom. Ergueu-se devagar, sua roupa quase encharcada de sangue. O que seria isso? Foi nesse momento que notou que tinha alguma coisa segurando seus pés. Girou e ficou espantada com o que viu. Ela tinha tropeçado em um corpo mais precisamente em uma garota. Ela usava uma roupa vermelha... Uma cheerio!
Rachel a reconheceu na hora. Seu nome era Rebekah Mitchell, a única líder de torcida negra. Vivia se gabando por isso e pela sua beleza única. Perseguia todos aqueles considerados perdedores, inclusive a própria Berry. O corpo no chão estava paralisado, seus olhos abertos e vazios. Na cabeça da garota tinha pequeno ferimento, uma marca de tiro. Rachel ficou estática na hora, Rebekah estava morta. Quis gritar, chamar a atenção, pedir por socorro, qualquer coisa. Porém, sua voz não saiu. Tentou mais uma vez e falhou.
Outro som foi ouvido, igual ao primeiro que tinha ouvido durante a aula. Sendo que estava mais alto, ou seja, mais perto. Em seguida, uma zoada de gritos de garotas e pessoas correndo.
Rachel conseguiu gritar. Ela sabe que gritou porque sua boca se abriu e suas cordas vocais vibraram, mas não ouviu nada. Fechou os olhos e gritou novamente, enquanto seus braços cobriam instintivamente a cabeça.
Está acontecendo algo muito ruim, muito ruim
Foi seu único pensamento, antes de seu corpo entrar em estado de alerta. Arrastou-se, de costas, para o longe do corpo, sem deixar de encará-lo. Depois de uma certa distância da garota morta, Rachel se levantou e começou a correr no sentido contrário. Tinha certeza que entrou no modo piloto automático. Piloto automático para salvar sua vida. Como uma mensagem do seu cérebro para seu corpo – Perigo: Fuja!
No final desse corredor, um grupo de pessoas veio correndo na direção dela e Rachel abriu a boca para dizer que estavam na direção errada. Porém, ela começou a ser arrastada escorregando sobre o sangue de Rebekah. A judia tentou lutar contra, mas não tinha forças. Pararam quando ouviram um outro estampido. E o atirador estava bem ali e ela não podia crer no que via. Jacob Ben Israel estava de costas para ela com uma arma na mão.
J: Acertei! [Disse olhando para um corpo caído] Acertei mais um!
Rachel olhou para o corpo e levou as mãos a boca apavorada. Era um jogador de hóquei, cujo o nome ela nunca lembrava. O garoto tinha cabelos ruivos, grandes com um topete. E todos meninos do seu grupo usavam um penteado igual. Se achavam os donos do colégio, humilhando tudo e todos. Batiam nos nerds, trancavam os perdedores no armário. Então voltou ao tempo real quando notou que Jacob olhava fixamente para ele, olhou em volta e viu que estava sozinha com ele. Os outros deveriam ter fugido. Quanto mais Jacob se aproximava, mais Rachel recuava. A garota não olhava nos dele, mas para sua mão que segurava a arma.
A morena sentiu os armários entre suas costas e gelou. Era o fim estava entre os armários vermelhos e Jacob. Ainda assim não conseguia deixar de encarar a sua mão.
J: Eles vão ver, Rachel. Vamos ganhar dessa vez, não temos que ser sempre os fracassados. Por que somos os perdedores? Você é a mais talentosa da escola e eu sou o inteligente da sala, quem sabe até da escola inteira. São eles que vão perder e vão perder tudo.
Rachel levantou os olhos e buscou os do garoto judeu. Ela não sabia descrevê-los nunca tinha visto algo assim antes e a voz dele também estava diferente, parecia perigosa ao extremo. Jacob se afastou e saiu andando calmo demais para o refeitório. Os olhos de Rachel caíram novamente sobre o garoto morto. Ela começou a entender o que estava acontecendo. Jewfro. Os barulhos. A arma. Os gritos. As duas pessoas mortas. Seu cérebro funcionava lentamente, mas começou acelerar.
Sem saber porque foi em direção ao refeitório e de longe enxergou dois corpos no chão, usando uma jaqueta do time de futebol. Ambos imóveis. Mais além, Jacob revirava mesas e cadeiras, se agachando para olhar em baixo. Viu o atirador puxar uma líder de torcida e gritar com ela.
J: Cadê ela? [Berrou] Me diga onde ela está! [Exigiu alterado]
A garota só conseguia chorar e implorar para ele não atirar nela, ela claramente não sabia do que ele estava falando.
R: Jacob! [Gritou] Pare com isso!
Rachel não sabia bem o que estava fazendo, era puro instinto.
J: O que está fazendo, Rachel? [Perguntou sem sequer olhar para a judia] Saia daqui!
R: Deixe-a em paz! Não faça nada
Olhou para a menina que a olhou de volta. Era Hope Summers, uma menina baixa, magra, cabelos castanhos escuros. Apesar de ser líder de torcida nunca tinha sido tão idiota quanto o resto da equipe. Nunca insultou, nunca riu ou jogou raspadinha em alguém. Foi durante esse momento que a mente da capitã do Glee deu um estalo. No canto do refeitório tinha pessoas encolhidas, tremendo e chorando, morrendo de medo. Mas todos esses estudantes tinham algo em comum. Assistente de biblioteca, monitor de laboratório, nerds, participantes da banda da escola, atletas do nado sincronizado. Todos eles estavam na base da cadeia alimentar da escola, os perdedores. E Jewfro sequer se voltava contra eles. Olhou mais uma vez para os jogadores e teve certeza. Jacob estava atacando os valentões e as valentonas, todos os que faziam da sua vida escolar um inferno.
Ficou tão presa nos seus devaneios que não percebeu que o judeu se aproximava dela, suas feições eram completamente perturbadas.
J: Eu vou dizer só mais uma vez, Berry [Seu olhar era horripilante] Saia daqui. Vá embora e não volte [Sua voz era com um sussurro de ameaça]
O corpo inteiro de Rachel tremia com aquele ultimato, todas as células do seu corpo suplicavam para ela fizesse isso. Mais uma vez, olhou para eles e procurou algum dos colegas. Ficou aliviada por não ver nenhum, todos deviam estar na sala do Glee com o Sr. Schue.
Onde ela está?
A pergunta feita por Jacob ecoou na sua cabeça. Meu Deus! Ela... era tão claro agora. Ela era Quinn Fabray. Ele estava atrás dela, a rainha da escola, a dama de ferro. Controlava tudo e todos, inclusive o bullying. O peito de Rachel se apertou, pois a loira não estava na aula de literatura que partilhavam juntas e tinha certeza que também não estava no coral. Na semana passada, o Sr. Schue resolveu inovar e disse que seria um trio que iria se apresentivastar nas sele ao invés de um dueto. Chamando a trindade profana para esse número, deu a voz principal para a capitã da equipe, mas Santana ficou indignada e soltou seu veneno em cima da melhor amiga. Chateada por ninguém defende-la, Quinn resolveu sair do clube.
R: Liguem para alguém! Peçam ajuda, rápido. [A voz dela era puro desespero]
Antes de obter uma resposta, Rachel saiu porta a fora. Precisa achar Quinn. Não sabia o motivo de estar tão desesperada para isso, de sentir um aperto, de necessitar que a loira esteja segura. Pensou em todos os lugares prováveis em que ela poderia estar. Se ela não estava na sala de aula nem no clube do coral, só poderia estar vestiário ou na quadra. Rachel continuou a correr, mas dessa vez parecia que se estivesse correndo na areia. Seus pés pareciam pesados e cansados; era como se alguém tivesse amarrado algo ao redor do seu peito que a impedisse de respirar e, ao mesmo tempo, a puxasse para trás. Durante seu trajeto viu outros estudantes gritando, chorando, totalmente aterrorizados. E seria uma mentira se Rachel disse que não estava no mesmo estado. Era a imagem perfeita do caos.
Quinn estava trancada em das cabines do vestiário. Estava em pé em cima do vaso, com as mãos apoiadas nas duas paredes. Olhou para água no vaso e viu que suas lágrimas caiam nela, fazendo ruído. Em outro momento esse som parecia ser insignificante, mas naquele momento parecia preencher o local que estava submerso no silêncio. Ouviu outro barulho de tiro e estremeceu. Suas pernas tremiam e ela sabia que não era só por medo, mas porque elas estavam cansadas e doloridas, não aguentavam mais.
Suspeitava desde o começo do dia sobre o queria acontecer algo ruim, pois quando viu Jacob mais cedo notou que seu olhar não era de temor como o de costume, mas era gélido e vingativo. E pouco depois quando jogaram sua raspadinha diária, ele fechou os punhos com força como se estivesse contendo sua raiva para depois revidar. E quando olhava de novo para ele, Quinn sentia um arrepio na espinha.
E Jacob se vingou. Quinn estava de longe, observando um grupo de pessoas conversando quando Jewfro aparece e enfrentou Azímio, empurrando-o e quando o outro se preparou para bater nele, um estampido ecoou. Foi tudo tão rápido, alguns começaram a gritar, alguns ficaram em choque, outros também foram feridos. E Jacob a olhou como se ela fosse um alvo. Sua garganta ficou seca e pupilas dilataram. Aproveitou sua única vantagem, a distância, e correu para salvar-se.
Ouviu a porta de vestiário se abrindo, passos contra o chão se aproximando. Parecia que tudo estava em câmera lenta. As portas das cabines ao lado eram abertas uma a uma. Parecia que tudo estava se esvaindo, todas suas chances. A vida de Quinn se passou diante dos seus olhos. O peso da culpa sobre si. Nunca disse que amava a sua filha, nunca perdoou seu pai por tê-la expulsado e nem sua mãe por não tê-la defendido. E tinha Rachel...
Rachel?
Não sabia porque tinha pensado em Rachel. Talvez seja arrependimento por todas suas atitudes idiotas. Sim, Quinn se arrependia disso. Mas o sentimento ia além disso. Rachel e as sensações estranhas. O calor no corpo, o ciúme dela e Finn, as fotos tiradas escondidas e vontade enorme que tinha de provar aqueles lábios. Quinn tentou durante muito tempo que era apenas curiosidade ou até mesmo inveja, já que Puck, Finn e Sam viviam falando que era o melhor beijo que já tinham provado. Mas nunca admitiu para si que era desejo.
Quando a última porta antes da sua foi aberta, Quinn fraquejou e soltou um soluço alto.
R: Quinn? [Interrogou assim que ouviu um barulho]
Não era o atirador, não era a voz dele. Era a dona da voz mais bonita de todas.
R: Quinn... Sou eu. Berry
Quinn pulou do vaso e abriu a porta rapidamente, se jogando nos braços da baixinha que a acolheu embaraçada. Nunca tinham se abraçado e a morena achava que era odiada pela líder de torcida.
Q: Rachel... [Sussurrou em seu ouvido] É você e você está bem [sua voz era carregada de alívio]
Rachel apenas se permitiu desfrutar daquele momento, estava sentido uma das melhores sensações. Nunca tinha se sentido assim nos braços de alguém.
Q: Rachel, é o Jewfro! [Voltou a chorar] Ele... ele atirou no Azímio, eu vi.
R: Eu sei que é o Jacob Ben Israel, eu vi [Disse com uma voz trêmula] Foi horrível. Nós temos que sair daqui, Quinn. Ele tá atirando nos responsáveis pelo bullying do colégio [Sentiu Quinn estremecer nos seus braços]
Q: Ele vai vir atrás de mim... [Completou coberta de medo]
As duas corriam o mais rápido possível, olhando sempre os cantos a procura de algum sinal. Parecia que tinha chegado fim da linha porque todas as saídas e janela estavam trancadas. Pensaram em ir para sala do coral, mas era muito arriscado. Entraram na sala da psicóloga do colégio porque era o lugar mais próximo da saída. Quinn só conseguia rezar para que Jacob não as encontrassem. Se encolheram no canto da sala, tentando não fazer barulho.
Quinn já tinha ouvido falar das histórias de atentados em escolas, sabiam que eram verdadeiras e reais, no entanto, não deixava de parecer distante e impossível para ela. Nunca imaginou que isso pudesse acontecer no WMHS.
A porta da sala se abriu e Rachel quase gritou, sabendo que era o atirador. As duas se olharam transtornadas. Quando a figura dele se fez presente, Quinn levou as mãos na cabeça e seu rosto estava vermelho, coberto suor e lágrimas.
R: Jacob, não! [Se levantou] Pare!
Ele se virou para a judia com uma expressão curiosa, como se tivesse tentando entender qual era o problema. Apontou a arma para Quinn.
R: Abaixe essa arma, Jacob. Você não está bem, não faça isso. Não vai resolver nada. [Tentou puxá-lo para a razão, mas sua voz era fremente]
Ao ouvir isso, ele se voltou para a morena com ódio nos olhos e um sorriso sombrio no rosto e com a arma apontada para ela. Ao ver a cena, Quinn se levantou ficou ao lado de Rachel. Não podia vê-la se machucar.
J: Eu falei para você ir embora, Berry. Eu avisei! [A arma se agitava nas suas mãos estremecidas] Devia ter aproveitado a chance.
Q: Ponha a arma no chão, por favor [Sua voz tremia, embora ela se forçasse para mantê-la firme] Ou você vai acabar machucando-a.
Jacob xingou e chutou a cadeira do gabinete de Emma. Ela voou e bateu na perna Quinn que gritou dor, tinha feito um corte profundo ali. Quinn caiu no chão e levou as mãos ao corte. Rachel tentou se mexer para socorrê-la, mas ouviu um som de gatilho chegou. Olhou nos olhos de Jacob e não o reconheceu. Não parecia o mesmo garoto que conheceu na infância, que brincava com ela na sinagoga, o mesmo que vivia lhe seguindo se dizendo apaixonado. Ergueu as mãos em rendição.
R: Calma, calma. [Começou a sentir as lágrimas nos olhos] Largue isso e poupe a si mesmo. Assim não se resolve nada.
J: Cale a boca, cale a droga dessa boca! [Berrou completamente louco]
As mãos dele tremeram e seu corpo se agitou de forma completamente assustadora. Como a arma já estava engatilhada, acabou disparando na direção de Rachel. Ela tinha um olhar completamente chocado. Sua boca estava como se fosse dizer uma coisa e suas mãos, ambas, apertavam o estomago. Estavam cobertas de sangue.
Rachel tremeu e começou a cair pra frente. Quinn a olhou em choque, não podia acreditar. Jacob também estava perplexo, olha de Rachel para a arma e dela para a menina. Ele nunca quis atirar nela, só queria assustá-la parar de interferir no que estava fazendo. Mas o que ele estava fazendo? Olhou para Quinn e seu ferimento. Ficou vidrando no que via, como se finalmente se desse crnta da situação.
Q: Meu Deus! Você atirou nela! [Gritou] Socorro! Alguém ajude [Se arrastou até a menina caída]
Jacob que ainda estava parado olhando a cena, começou andar para trás. Tinha acabado de machucar alguém que tinha feito nada a ele nem a ninguém. Se virou e saio correndo do local.
Q: Aonde você vai? [Bradou ao vê-lo correr] Ela precisa de ajuda!
Rachel ainda respirava, mas era um som horrível, como se ela estivesse tentando através de uma tigela cheia pudim. Quinn afastou as mãos de Rachel da barriga dela para olhar o ferimento e prendeu a respiração, estava horrível. Ela não se lembrava de ter visto uma marca de saída costas de Rachel, o que significava que a bala ainda estava dentro da morena e não tinha perfurado nada. Ainda havia esperanças. Quinn a viu mexer os lábios e tentar balbuciar algo.
Q: Shiiu... Não fala nada. Você vai ficar bem [Pressionou a sua ferida para evitar a saída de sangue] É só respirar. Apenas respire.
Quinn puxou o ar com o nariz e o soltou pela boca. Repetiu o movimento algumas vezes para que Rachel pudesse imitá-la. E ficou aliviada quando conseguiu seu objetivo e som da respiração normalizou. Quinn tentava parecer segura, mas não estava. Essa era uma cidadezinha do interior, não era comum qualquer tipo de violência. Era pacata e tranquila. Então Quinn não sabia se a polícia saberia agir nessa situação, tinha várias pessoas feridas, todas precisavam de ajuda imediata. E a polícia sequer tinha chegado.
As duas continuaram se encarando e respirando juntas, Quinn tinha esquecido do próprio ferimento para cuidar de Rachel. Ela poderia dizer que nem estava sentido dor. Olhou para as próprias mãos que ainda estavam sobre a barriga da mais baixa e havia muito sangue ali. O corpo de Rachel se sentia cada vez mais leve e seus olhos pesados, olhos castanhos foram se fechando.
Q: Não [Elevou a voz] Olha pra mim, não fecha os olhos.
R: Sangue... muito sangue [Disse baixinho]
Q: Eu sei, mas você vai ficar bem. [Sentiu os olhos marejarem] Eu prometo.
Quinn balançou a cabeça em negação para o que acontecia. Rachel que tinha pele bronzeada e quente, agora estava cada vez mais pálida e fria. Desejou que tudo aquilo fosse um pesadelo e que ela iria acordar se xingar por ter sonhado mais uma vez com a capitã do clube glee. Permitiu que algumas lágrimas caíssem quando viu a judia dar um pequeno gemido de dor. Olhos castanhos se abriram lentamente e encararam o outro par de olhos. Os mais bonitos que já tinha visto.
R: Quinn... Você poderiam me beijar? [Fitou a loira intensamente] Eu gostaria de ver e sentir fogos de artifícios agora.
Quinn pensou que não tinha ouvido de direito, mas quando olhou para a outra menina viu que o pedido era sério. Sempre quis beijá-la, mas nunca imaginou que seria assim. Rachel perdia cada vez mais sangue e ficava cada vez mais gélida. Aquela poderia ser última chance de beijá-la, já que não tinham ideia se alguém chegaria para ajudar a tempo. Não entendeu muito bem a relação com os fogos, mas não questionou. Encostou os lábios no dela delicadamente. Sentiu os lábios carnudos moverem sob os seus e acompanhou. Era o encaixe mais perfeito. Não tinha a intenção de aprofundar aquele beijo, não havia condições para isso. Sugou o lábio inferior de Rachel antes de finalizar o beijo. Se afastou e viu a morena sorrindo, então soube que tinha realizado seu desejo.
Estavam absortas naquele momento que não ouviram as sirenes da polícia e das ambulâncias. Em poucos segundos, a operação começou. Os oficiais cercaram todo o perímetro do colégio, enquanto um esquadrão especializado entrou no local em busca do responsável pelo atentado. Foi tudo muito rápido, com eficiência vasculharam o local e não demoraram para encontrar o corpo de Jacob sem vida. O mesmo tinha se matado. Então os paramédicos entraram em busca dos feridos. Entraram na sala de orientação e acharam as duas garotas feridas.
Com devido procedimento as colocaram em macas que seguiram para ambulâncias diferentes. Somente quando se separou de Rachel, Quinn sentiu a dor ardente do seu corte. Sua visão ficou meio turva, a dor ficou mais intensa e mundo pareceu ficar escuro. Só lembrou de ter pedido a Deus que aquele não fosse o último beijo delas.
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