Contrato de Casamento

9 Capítulo IX- Precisar


Notas iniciais
Eu acho que esse era um dos capítulos mais esperados. Trilha sonora: Jar of hearts- Christina Perri (Tanto faz a versão)

Tinha sido novamente difícil para Rachel dormir, pois o bendito casamento seria em dois dias. Novamente precisou do casaco de Quinn para dormir tranquila. Não demorou cinco minutos e ela já estava nas nuvens de sonhos.

R: Quinn... [Disse submersa nos sonhos]

Rachel tinha o hábito de falar enquanto dormia, murmurava coisas, sussurrava seus sentimentos. Sabia dessa mania e por isso evitava dormir com alguém, evitando situações embaraçosas. Como por exemplo, a primeira vez que “disse” eu te amo à Quinn foi enquanto dormia e a loira estava bem acordada do seu lado. E quando a judia despertou, a loira tinha o maior sorriso do mundo nos lábios tanto de felicidade quanto de traquinagem por ter pego a namorada no flagra.

Mal Rachel sabia que dessa vez também não estava sozinha, Quinn estava agachada em frente a sua cama, com o olhar curioso e coração cheio de esperança por sua futura esposa ter pronunciado seu nome da mesma maneira que fazia anos atrás.

Quinn tinha entrado apartamento com a chave extra de novo, precisava muito ver Rachel. Não que estivesse se tornando uma maníaca perseguidora, tinha ligado para a noiva várias vezes mas não recebeu nenhum retorno. Finalmente, aquela espera torturante estava acabando. A diva tinha feito ela passar por um castigo da porra, fugindo de Quinn como se ela tivesse lepra. Quando a loira conseguia que as duas estivessem próximas, vinha alguém atrapalhar. Beth, Shelby, ligações sobre a cerimônia, Noah e Santana sobre a decoração e organização do casamento, Brittany sobre os convidados, Kurt sobre os vestidos... A maior intimidade que conseguiram desfrutar foi no dia do noivado. E isso estava matando Quinn.

Ela precisava de mais, de muito mais. Precisava ter Rachel inteira, de todas as maneiras, o tempo inteiro. Não se tratava apenas de sexo, mas de tê-la por completo na sua vida. De acordar do seu lado todas amanhãs, de velar seu sono precioso, ouvir as palavras que eram reveladas durante ele, sentir o cheiro de baunilha, ouvir sua voz, de ver seu sorriso perfeito, até da respiração da morena ela precisava. Como a judia tinha uma respiração pesada, era possível ouvi-la nitidamente. E claro, a necessidade de tê-la incluía beijá-la sempre, sentir o gosto da sua pela, a sensação de a pele bronzeada contra a sua, de sentir o gosto do seu orgasmo, das suas pernas apertando sua cintura enquanto seus corpos se moviam juntos. Fazer amor com Rachel era a melhor de todas as vivências.

Quinn precisava de sua Rachel de corpo e alma. Mas sabia que esse objetivo só seria alcançado quando algumas barreiras fossem derrubadas. E estava no apartamento de sua amada para dar o primeiro passo.

R: Quinn... [Repetiu o nome]

Aquilo fez o coração de Quinn bater compassado mesmo sem saber o motivo de Rachel estar murmurando seu nome, quais eram as circunstâncias do sonho. O que importava que era o nome dela saindo dos lábios carnudos que tanto desejava.

Q: Rachel [Chamou suavemente na intenção de despertá-la]

R: [Abriu os olhos vagarosamente] Aah... Quinn, é você [mumurou sonolenta]

Quando a morena voltou a fechar os olhos, Quinn quase riu de como a noiva agia como desorientada durante seu ciclo do sono. Mexeu nos fios castanhos sabendo isso iria resolver. Rachel tornou a abrir olhos e quando viu a dona de seus sonhos ali, levantou da cama rapidamente.

R: O que está fazendo aqui, Fabray? [Perguntou sobressaltada]

Q: Eu vim te ver

R: E não podia esperar até amanhã?

Com as cobertas fora do caminho, Quinn podia ver melhor a silhueta de Rachel. E arqueou sobrancelha para o que ela estava usando. Era um sobretudo? Não, era um casaco. O escuro não ajudava, mas dava para ver um pouco da peça.

Q: Não, não podia. Que casaco é esse?

Rachel gelou. Não podia dizer a Quinn a verdade, não queria que ela soubesse que guardava aquilo. Agradeceu ao criador por estar escuro e pela outra não ter conseguido identificá-lo.

R: É só um casaco. [Disfarçou] Como entrou aqui?

Rachel tirou logo a jaqueta das cheerios e a guardou no armário. Era segunda vez que a loira entrava do nada no seu apartamento.

Q: Com a chave extra, embaixo do tapete. [Olhou a para outra desconfiada] Eu tenho certeza que conheço aquele casaco.

Mais uma vez, o escuro protegeu a pequena atriz. Suas bochechas coraram fortemente.

R: É claro que conhece. É o casaco do Noah, da época de colégio. Ele me deu [mentiu]

Ela tinha dito a primeira coisa que pareceu convincente na sua cabeça. O casaco dos titãs era vermelho como o das líderes de torcida. Era uma boa desculpa, pois sabia que a loira só conseguiu enxergar a penumbra daquela roupa.

Q: E você dorme com ele? Porque dorme com esse casaco? [Questionou enciumada]

O tom ciumento de Quinn passou despercebido por Rachel.

R: Por apenas estar frio [Deu de ombros] É final de inverno.

Noah Puckerman tinha sido considerado uma ameaça para o casal apenas no começo. Desde o noivado, mostrou-se prestativo com o evento e felizes por elas. Quinn Fabray confiava nele, embora aquela resposta de Berry tenha lhe deixado em alerta.

Q: Eu preciso que venha comigo a um lugar.

R: Que lugar? E a essa hora da madrugada? [Sua voz era desconfiada]

Q: É importante. [Disse firme] É Nova York, Rach! A cidade que não dorme. É normal sair a essa hora, e não vamos a nenhum lugar perigoso.

R: Eu não vou lugar algum com você, se não me disser onde fica. [Cruzou os braços]

Q: É o Central Park [Revelou] Tem muitos casais e estudantes por lá a essa hora. Não vai haver perigo algum [garantiu] Por favor, venha comigo.

Rachel suspirou derrotada. Não queria ir a lugar algum, só queria aproveitar a boa noite de sono. No entanto, se corroía de curiosidade para saber o que sua futura esposa queria. Para ter invadido sua casa de madrugada e ter acordado, convidando para ir ao Central Park era algo urgente. Além disso, conhecendo a loira sabia que se ela não fosse, Quinn não iria embora e lhe acordaria de manhã bem cedo para fazer isso.

R: Tudo bem, deixe-me vestir algo.

Q: Claro [Mas não se moveu um centímetro]

R: Você me dá licença? [Perguntou ao perceber as intenções da outra]

Mesmo sem ver direito, Rachel tinha certeza que Quinn sorria maliciosamente como sempre fazia.

Q: O que te impede fazer isso? Não tem nada de novo, eu conheço cada pedacinho do seu corpo. [Respondeu sedutora]

Rachel respirou fundo para não começar uma palestra sobre aquilo. Fazia anos que eu não tagarelava sobre qualquer explicação, mas era difícil se controlar. Era meio que parte dela, parte dos hábitos. Quer dizer... Era parte da antiga Rachel. A nova surgiu em Nova York e era bem diferente da antiga. Era mais ousada, confiante, madura, não era ingênua. A medida que tentava se adaptar a cidade grande, tinha de fazer adaptações. Aliás, era essa a lei da natureza certo? Os mais adaptados sobreviviam.

R: Fabray, eu fui bem clara quando disse que...

Q: Eu sei, ok? [Interrompeu frustrada] Não precisa repetir. Toda vez que eu tento tocar em você, você vem com esse discurso de virgem celibatária. “Só depois do casamento”

Ao mesmo tempo que falava, a loira descontava sua frustração no chão do quarto pisando-o duro nele. Rachel quase ria do desencantamento da noiva. Também não tinha sido nada fácil para ela não ferir seu orgulho. Sua noiva era loira, alta, corpo perfeito, lábios rosados, os olhos cor de... É, ela ainda não sabia qual era a cor. Mas eram incríveis. Todos atributos formavam o conjunto da mulher mais bonita que tinha visto. A morena estava literalmente subindo pelas paredes. Entretanto, ver Quinn naquele estado parecia ser uma satisfação.

Quinn olhou feio para a outra mulher que sorria vitoriosa.

Q: Você bem que poderia me deixar ver mais uma vez, não é? Eu juro que não vou ultrapassar seus limites. [Era para ser uma sugestão, mas soou como um pedido] Eu queria ver mais uma vez. Só ver, isso basta. [Reafirmou]

No primeiro momento, Rachel pensou em dar um belo fora. Por outro lado, aquilo não lhe pareceu uma má ideia. Sempre gostou de provocar e aquilo era uma chance. Além de ser uma oportunidade de mostrar a Quinn que ela não era mais a garotinha de Lima que se submetia a todas as suas vontades. Era dona dos próprios desejos.

Sem responder, Rachel começou a jogar. Prendeu os cabelos em um coque mal feito. E Quinn sentou-se na cama com os olhos vidrados nos próximos movimentos. A morena segurou a barra da camisa e a puxou para cima. A garganta da loira ficou seca. Poderia se perder naquele abdômen tonificado e nos seios médios que cabiam perfeitamente na sua boca. Esticou o braço para acender a luz e poder apreciar aquele momento.

R: Nem pense! [Ralhou] Eu não disse que podia acender a luz

Q: Está muito escuro. Não consigo ver direito

R: Que pena... [Lamentou falsamente]

Tirou a calça de moletom, satisfeita por ainda entreter a noiva que se agitava só de consegui ver a sombra das curvas. Normalmente, ela protestaria e acenderia a luz de qualquer jeito, mas estava a tanto tempo sem vê-la que se contentou. A judia não fazia nenhuma ação sensual, somente se trocava. Em ritmo normal, com a movimentos normais. Entretanto, a excitação de Quinn fazia parecer uma streap tease.

Devidamente vestida e agasalhada, Rachel acendeu a luz e encontrou Quinn engolindo em seco.

R: Já podemos ir [Falou como não notasse o jeito como sua noiva estava]

Q: Cl-claro. Vamos [Falou um pouco desconcertada]

Quanto mais se aproximavam do Central Park, mais nervosa Quinn ficava. E isso não passou despercebido por Rachel. Sempre que a loira ficava nervosa, ficava evasiva em qualquer assunto. Exatamente como estava agora, enquanto a outra tentava arrancar informações sobre aquela ocasião inesperada. Ela cantarolava alguma música que tocava no rádio e franzia a testa a cada ação da morena, evidenciando as rugas de expressão. Como se estivesse calculando cada movimento dela, controlando cada passo daquela madrugada.

Depois de saírem de carro, Quinn pegou a mão de Rachel para guia-las ao local desejado. O corpo da loira estremecia em inquietação, mas o fato de ser inverno ajudava a disfarçar. Olhava para atrás o tempo inteiro checando a expressões no rosto de Rachel, verificando se havia algo que pudesse mudar o rumo daquela noite.
Quinn estendeu um pano sobre o gramado, sentando em seguida sobre ele e puxando a outra mulher para fazer o mesmo. A fotografa olhou em volta e viu os policiais, viu alguns jovens conversando, alguns casais namorando. Por um momento, sentiu inveja deles. Rachel observou o Park, pensou que seria assustador ou perigoso, mas não. Era ainda mais bonito à noite.

R: Então... Pra que me trouxe aqui? [Incentivou a outra começar a falar]

Quinn continuou sem falar nada, apenas inspirou fundo pelo nariz, sentindo o ar gelado preencher seus pulmões, inflar sua caixa torácica. Soltou-o lentamente pela boca. Sabia que a morena estava analisando-a em busca de alguma resposta. E essa foi a única que obteve. O som da respiração e os lábios rosados se abrindo para expirar. O suficiente para fazer seu corpo se arrepiar.

R: Não vai me responder? Você invade meu apartamento de madrugada, me acorda, me arrasta pra cá e agora sequer conversa comigo? [Subiu um pouco tom]

Quinn ainda estava com as defesas levantadas, se perguntando mesmo se era o momento certo. No entanto, a impaciência da sua amada não lhe deixava outra saída.

Q: Eu preciso conversar algo com você e imaginei que aqui seria lugar ideal [Começou a falar] Mas não tenho certeza se agora é a hora certa.

R: Por que você não sabe se está pronta? [Tentou adivinhar]

Q: Não, porque eu não sei se você está pronta [Corrigiu]

Aquilo surpreendeu a diva que estava esperando qualquer coisa, menos essa. O que poderia ser algo que ela não estivesse pronta para ouvir?

R: Você nunca vai saber se não tentar. [Retrucou]

Q: É exatamente esse o problema, Rachel. Não saber! [Explicou angustiada] Eu sou um gênio, sei sobre muitas coisas. Cinema, fotografia, literatura, artes cênicas, administração, matemática avançada, física, neurociência, teologia, psicologia comportamental. Posso até apontar falhas na teoria de Steven Hawking, se quiser. [Fez uma pequena pausa] Porém, quando se trata de você, eu perco tudo. Fico sem chão, sem segurança, sem saber de nada. Por mais que te conheça, eu nunca consigo prever tudo sobre você, sobre suas reações, emoções. E eu consigo isso com a maioria das pessoas, na maioria das vezes. Mas nunca com você! [Confessou]

Aquela era Quinn começando abaixar suas defesas e se mostrar verdadeiramente para Rachel. Pelo menos uma parte dela. A judia não ousou dizer uma só palavra, sabia que Quinn não era fácil de se abrir. Virou-se de frente pra ela, mostrando que estava disposta a ouvir tudo que a loira tinha dizer. Sem tirar conclusões precipitadas, não hora para isso. Agora nem mesmo a morena sabia se estava pronta para aquilo.

Q: Eu preciso que você me perdoe Rachel. [Disse fraco]

Os olhos castanhos arregalaram, a garganta ficou seca de repente, suas batidas cardíacas falharam. A voz da loira carregava remorso, seu olhar era completamente amargurado. Berry sabia exatamente do que ela estava falando.

Q: Me perdoe por tudo [Suplicou] Pelas minhas atitudes, pelas minhas palavras por todo o meu passado. Pelas raspadinhas, pelos apelidos, pelas humilhações, pelos desenhos.

Aquele era um fardo que Quinn iria carregar para sempre, mesmo que a sua amada lhe perdoasse, não seria generosa consigo mesma. Jamais se perdoaria por tê-la machucado, por ter sido a responsável por aqueles olhos de chocolates derramarem lágrimas.

R: Eu não entendo, Quinn [Franziu o cenho, confusa] Eu já te perdoei por isso, por ter feito da minha vida inferno. Eu te perdoei quando me apaixonei por você, quando começamos a namorar. E eu te disso isso naquela época, me lembro muito bem. E você já me pediu perdão por isso na mesma época também [Mordeu os lábios, pensativa] A única coisa que ficou entreaberta entre nós foi quando terminou comigo daquele jeito, passou a me tratar mal de novo. Eu não entendo porque você votando nesse assunto agora.

Quinn balançou a cabeça em negação, como se Rachel realmente não entendesse o problema que elas estavam tratando. Virou-se para a judia e pegou suas mãos frias por causa da temperatura. Começou a esfrega-las entre as suas na intenção de aquecer. Olhou no fundo dos seus olhos e retomou a conversa:

Q: Eu sei o que te fiz depois do nosso término foi horrível. Te tratei mal, te desprezei, fingi que não significou nada. Mas também sei que o que fiz antes foi pior. As coisas que falei, meus atos, eu... [Respirou fundo] Cheguei a te agredir, Rachel. [Sua fala estava pesada pelo remorso] Quando falo sobre perdão eu falo no sentido amplo. Que você não sinta mais raiva nem mágoa. Não falo sobre esquecer, pois sei que é impossível. Quero que se permita a me deixa se redimir, a fechar qualquer ferida viva do passado. Para quando nos lembrarmos dele, seja apenas um começo horrível, péssimas lembranças, mas que nunca sejam um bloqueio entre nós.

Rachel desviou os olhos da mulher a sua frente só por alguns minutos. Não tinha visto a história delas por esse ângulo, sempre gostou de achar que tinha virado essa página, mas ouvindo aquelas palavras sentiu quanto estava realmente machucada, tinha deixado a ferida aberta. Uma prova disso era que quando olhava para a sua noiva, via a antiga a dama de ferro. Sua mente sempre em conflito com seu coração.
Levou as mãos a nuca e sentiu algumas lágrimas em seus olhos. Não iria chorar, não podia chorar. Não era mais aquela garotinha indefesa de Ohio. A história mencionada sobre a agressão veio a sua mente. Tinha acontecido no segundo ano do ensino médio por causa de Finn. As duas discutiam e a líder de torcia perdeu a cabeça e empurrou a capitã do clube Glee contra o armário com uma força exagerada, fazendo que a nuca da mais baixa colidisse com o cadeado. Rachel institivamente tocou na pequena cicatriz ao se lembrar da história. Sentiu uma mão cobrir a sua e alisarem a marca. Engoliu em seco e olhou novamente para Quinn.

Q: Eu preciso que me perdoe [Retomou o assunto]

Não se sou capaz de seguir em frente com esse casamento, se você não perdoar.

Dessa vez, Rachel não viu a rainha da escola, mas sua ex-namorada. Com os olhos brilhantes, os lábios trêmulos e com sua voz doce. Quinn tinha decidido abaixar todas as defesas e dar a cara a tapa naquela hora. Mostrou-se como realmente era quando se tratava de Rachel Berry. Insegura, medrosa, sensível e cheia de arrependimento. O que fez a outra paralisar e ficar sem ações. Era a sua Quinn ali! A mulher que tanto amava.

R: Eu acho que posso fazer isso. [Deu um sorriso curto]

Estava contendo suas emoções. Aliás, essa era uma coisa que fez muito nesses últimos anos, esconder suas emoções. A diva tinha virado quase mestre nisso. Ouviu a loira murmurou um “Obrigada”, mas essa se recompôs indicando que o assunto não tinha acabado.

Q: Quanto ao que aconteceu depois entre nós. Eu também quero me desculpar. Sei que isso te machucou mais do que todas as coisas que fiz. Eu disse que você foi só uma fase [Peso da vergonha caía sobre ela] Eu menti, Rachel! Você nunca só isso pra mim e você significou... [Engoliu o bolo que havia se formado na garganta] Você foi a melhor coisa que me aconteceu, Rach. As declarações, os beijos, os carinhos, esses sim foram reais.

O coração da menor parecia que tinha subido e chegado a boca. Piscou os olhos várias vezes para ter certeza que aquela cena era real, umedeceu os lábios que estavam rachando de frio. Não conseguia encontrar palavras para responder a loira. Não foi verdade? Quinn Fabray realmente tinha lhe amado? E por que porra havia terminado com ela então? Qual era o verdadeiro motivo?

R: Eu não estou entendendo mais nada [Sacudiu a cabeça] Se realmente tudo o que tivemos significou muito pra você, por que terminou comigo? Por que disse aquilo tudo depois? Por que me destratou? [Despejou todas as perguntas com exigência]

Parte da empresária estava mais leve e aliviada por ter sido perdoada por uma parte do passado, mas outra buscava incansavelmente o perdão completo da sua amada.

Q: Eu não posso contar ainda, você não está pronta. Não ainda. [Relutou]

R: Ainda? Já fazem cinco anos caralho! [Subiu o tom, irritada] Eu tenho o direito de saber.

Mesmo com toda a demanda da morena, tudo que deu em resposta foi uma negação com a cabeça. Para ela, ainda era cedo muito cedo para que revelações como aquela viessem à tona. Essa atitude deixou Rachel furiosa. Ela precisava saber, também estava envolvida na trama. Não era justo que ficasse por fora.

R: Como acha que eu vou acreditar em você? [Questionou raivosa] Você me diz que foi uma mentira, mas não quer dizer a verdade. Como vou saber se não estou sendo enganada agora, Fabray? Quem faz uma vez, faz duas; Quem mente uma vez, mente outra. [Concluiu machucada]

Dito o que pensava, Berry se levantou para sair dali. Qual era garantia de que não estava sendo enganada? Não tinha. Quer dizer... Os olhos de Quinn transbordavam emoções e só tinha verdade ali. Mesmo assim, não era justo que se confiasse apenas nisso enquanto a verdade permanecia escondida. A mão de Quinn puxou seu braço com força, fazendo os corpos se chocarem. A loira afastou os cabelos emaranhados do rosto exótico, acariciando suavemente a sua bochecha com o polegar.

Q: Eu não estou em condições de achar nada, mas espero que faça isso. Eu preciso do seu perdão. Me desculpe por te machucar, por te fazer sofrer e por mentir pra você. Eu me arrependo de verdade, Rach. [Fixou-se nos olhos castanhos]

Estava ali sua Quinn, a antiga. Aquela por quem se apaixonou, aquela em que direcionava seu melhor sorriso, o melhor dos solos. E também se encontrava com o pedido de desculpas que tanto ansiou. Tudo o quis ouvir naqueles cinco anos! Saber que a ex-namorada se lamentava pelos seus feitos, que tinha realmente lhe amado.

R: Por que terminou comigo? [Insistiu] Por que me tratou daquela forma? Por que me fez assinar aquele contrato? Por que me forçar a casar?

Quinn se afastou e olhou para o horizonte. O céu estava ganhado um tom claro de azul com laranja e os primeiros feixes de sol estavam marcando aquela paisagem. Vendo como ela estava fugindo daquelas perguntas, Rachel soube que o argumento era o mesmo. “Ela não estava pronta”

R: Eu preciso pensar Quinn [Falou sincera] Pode me levar para casa?

No caminho de volta, o clima era outro. Não havia tensão ou medo, só alívio. Pelas palavras que disseram ou pelas que ouviram. Quando o carro parou, Rachel abriu a porta e saiu sem dizer nada.

Q: Rachel! [Chamou] Obrigada

R: Eu não disse que perdoei você [Mordeu o lábio inferior]

Q: Eu conheço você, baby. Você também não me deu uma resposta negativa. Sei que agora não vai mais guardar rancor, que não me odiar. Foi o meu primeiro passo e sei que agora tenho chance de outros. [Declarou presunçosa]

Se Rachel dissesse que não gostava dessa outra faceta de Quinn, estaria mentindo. Era a coisa mais sexy pra ela. A fala arrogante, o jeito controlador, o sorriso convencido, a maldita sobrancelha arqueada.

Q: Vejo você amanhã [Arqueou a sobrancelha para o silêncio]

Esperou a morena entrar no prédio e arrancou o carro. Tinha concedido um alívio enorme para si mesma. Claro que pretendia contar a Rachel toda a verdade, mas no momento certo. Tudo o que aconteceu hoje foi necessário para que tivesse certeza que elas ainda tinham chance, que podia derrubar a muralha que vai entre elas. Tinha muito o ser trabalhado ainda, mas o primeiro passo foi dado. Um avanço para as duas.

Notas finais
A declaração de amor delas vai na hora certa, confiem em mim. Obrigada pelos comentários, por lerem e favoritarem.