Contrato de Casamento

7 Capítulo VII- Planejamento


Notas iniciais
Trilha sonora: Jealous guy- John Lennon (Eu particularmente gosto de ouvir na versão de uma cara que foi participante do The X-Factor, Paul Akister) Gostaria de agradecer e dedicar a esse capítulo a algumas pessoas que fizeram muito feliz com seus comentários. Maria Helena; Muttin; Asuka; Stronger; Faberry; Bru; Nelleus; Alkes; Docebarbara; Chase_Aphrodite. Todos os comentários são especias pra mim, destaco esses porque foram os me tocaram de uma forma diferente e me incentivaram.

R: Quinn... [Gemeu]

Quinn sugava o pescoço de Rachel com propriedade. As duas ainda estavam no carro, pois a loira queria aproveitar o máximo do fato de sua noiva não estar rejeitando-a. Não jogou sujo quando disse aquelas palavras só disse o que realmente pensava, sem intenção de tirar vantagem. Mas se essa dádiva foi concedida e não iria desperdiçar.


Q: Rachel... [Voltou a colar os lábios]

Ainda saboreando os lábios macios, Quinn subiu a barra do vestido da morena, expondo mais um pouco das suas coxas. Para seu deleite, Rachel se ajeitou melhor no banco, permitindo um maior acesso. A loira não fez de rogada e acariciou de forma ousada, chegando a brincar com o elástico da calcinha da judia.

Quinn Fabray sabia exatamente porque seus amigos falaram aquilo da sua noiva, pura frustração. Mercedes também tinha sonhado com a carreira musical e não obteve sucesso. Vencida pela derrota, desistiu dos seus sonhos e foi fazer faculdade de odontologia como seus pais. E Rachel sempre foi sua maior rival de talento no coral e vê-la obter o sucesso tão almejado, teria causado um sentimento de inveja. Tina estava no mesmo caminho, queria ter seguido o programa de teatro musical mas não foi finalista em nenhuma universidade, acabando por fazer medicina em Columbia. Mike não era nenhum frustrado profissionalmente, mas era alguém faria tudo e submeteria a tudo pela namorada até mesmo ter a mesma opinião. Artie era um frustrado na vida amorosa. Afinal, Kitty Wild terminou com ele para namorar com Rachel.

Os lábios carnudos foram deixados e Quinn seguiu depositando beijos na pele bronzeada, em seu pescoço, sua clavícula e seu colo. E então notou o corpo pequeno ficar rígido em seus braços. Era a consciência de Rachel Berry voltando.

R: Quinn [Dessa vez não saiu como um gemido, mas como um aviso]

Em resposta a loira mordeu seu queixo. Não queria parar, queria mais, precisava de mais.

R: Quinn [Sua voz estava mais decidida] Pare! Nós temos que parar

Elas estevam dentro de um carro e por mais que acessórios do carro lhes garantissem privacidade isso não funcionava assim. Desiludida Quinn deu um pouco de espaço mas o suficiente para sentir a respiração ofegante de no seu rosto.

R: É melhor eu entrar agora [Disse constrangida]

A loira achou graça Rachel estar envergonhada. Elas tinham feito coisas piores e a sua amada nunca havia ficado desse jeito.

Q: Eu vou subir contigo

R: Não precisa...

Q: Eu insisto [Disse firme]

No elevador, o silêncio exalava a tensão sexual entre as duas. E o sorriso predador de Quinn não saia do rosto e os olhos famintos não deixavam o corpo moreno maravilhoso. Rachel por sua vez matinha uma distância segura. As portas do elevador se abriram e elas se dirigiram a porta do apartamento da judia.

R: Boa noite [Disse abrindo a porta, sem se virar]

Quinn colocou as mãos na cintura da outra e virou-a pra si, chocando os corpos.

Q: Não vai me convidar para entrar? [Arqueou a sobrancelha]

O movimento tinha pegado a atriz de surpresa que ficou sem palavras na hora. Existia uma razão para Rachel manter uma distância segura, ela queria tanto quanto Quinn e possuía menos autocontrole que a mesma. Pensou mil razões para negar e só conseguia achar mil e uma razões para ceder a Quinn. Empurrou o corpo aristocrático com calma e respirou fundo.

R: Eu não vou transar com você, Quinn [Tentou parecer firme] Eu não sou uma dessas piranhas que passou pela sua vida. E o fato de ser sua noiva não torna diferente delas. Porque só o que você quer aqui é me ter na sua cama. Eu não sou assim! [Sua voz ganhou estabilidade] Achou mesmo que era só arrumar um local do meu agrado e me dizer coisas bonitas que eu iria se jogar nos braços? [Seu tom agora era sarcástico] Não mesmo!

A voz não era irritada, não tinha desprezo, só era decida e calma. Rachel sabia que o que estava dizendo não tinha o menor sentido, mas foi a melhor desculpa conseguiu pensar para colocar seus planos em ação.

Q: Eu não tive a intenção de ofender você [Tratou de desfazer o mal-entendido que pensava que existia] Em nenhum momento pensei em fazer um jogo barato de conquista

R: É melhor você sair agora, Quinn. Eu falei sério quando disse que não iria para cama com a primeira pessoa que aparece e também quando disse que tinha não pretensão de tornar tudo favorável a você.

Q: o que você quer dizer com isso? [Perguntou confusa]

R: Que você só vai me ter depois do casamento

Q: O quê? Você não pode estar falando sério [Começou a se desesperar]

Rachel quase riu ao ver Quinn Fabray perder o controle das coisas. Sabia que não tinha sido convincente, pois nem ela tinha certeza se realmente queria aquilo. Tudo era uma questão de orgulho para a diva. Se ela tinha dito que não iria facilitar as coisas para Quinn, ela não iria. Mas sua decisão implicava com seus desejos também, estava tão cheia de tesão por Quinn, mas sabia se recompor.

Q: Ainda faltam dois meses, Rachel! [Reclamou, tentando mudar o rumo]

R: Eu sei disso. [Disse sem certeza, mas logo se recompôs] Tenha uma boa noite. [Entrou no apartamento]

Assim que porta se fechou, permitiu-se relaxar e encostar a cabeça nela. Tudo teria sido tão mais fácil se ela não amasse Quinn. Seu corpo não estaria frágil, suas pernas não estariam bambas, sua respiração não estava ofegante e ela em si não estaria em chamas.

Levou a mãos a coxas onde havia uma leve protuberância, um arranhão de Quinn, seguiu para o pescoço onde provavelmente tinha uma nova marca. E por último tocou os lábios onde sua amada haviaa lhe beijado.

Fogos de artifício

Quinn Fabray ainda iria deixa-la louca. Precisava tomar um banho frio urgentemente.

Do outro lado da porta, Quinn ainda estava confusa como uma sessão de beijos maravilhosos terminaram com um “Você não vai me ter até o dia do casamento”. Derrotada seguiu o caminho de volta para casa. Sua mente pensava em duas possibilidades: Ou Rachel Berry era bipolar ou estava jogando com ela.

Na empresa, o clima estava péssimo. Todos angustiados para fechar os detalhes da exposição e o humor da chefe não ajudava muito. Quinn andava estressada, explosiva e sem nenhum pingo de paciência.

S: Eu preciso ligar para a Hobbit e manda-la transar com você [Reclamou mais uma vez]

Enquanto não concluía a faculdade de direito, Santana fazia o estágio na empresa da melhor amiga e cuidava da papelada necessária. Quinn colocava defeito em tudo, não estava satisfeita com nada.
Ela lançou um olhar gélido a latina pelo comentário.

Q: Cale a boca [Rosnou]

Santana olhou para ela milimétricamente a procura do que estava errado. Já tinham feito outras exposições e a loira não tinha agido assim em nenhuma delas.

S: O quê?! [Explodiu numa risada maldosa] Não me diga que é esse o problema? Berry está fazendo uma greve de sexo? [Zombou da situação]

Q: Ela mal me deixa beijá-la [Gemeu sofrida]

Ela se arrependeu imediatamente de ter confirmado as suspeitas de Santana, pois teria que conviver com suas piadas e brincadeiras até o dia do casamento. Tinha se passado algumas semanas desde o ocorrido na porta do apartamento de Rachel e a judia andava evitando qualquer contato físico com a noiva. Aquilo desiludiu Quinn que acreditava estar derrubando aos poucos o muro que Rachel havia construído entre elas. De repente a latina parou de ri e encarou seriamente sua chefe.

S: Não a machuque de novo, Q [Pediu]

Q: [Suspirou] Não, nunca mais

Santana tinha adquirido um carinho especial por Rachel e tinha esperança de poder ser amiga dela, depois do casamento.

Depois do trabalho, Quinn estava esgotada e só conseguia pensar em ver Rachel. Sabia que esse era o horário que a morena descansava depois das aulas e seguia para o teatro. Não tinha nenhuma pretensão de que acontecesse algo entre elas agora, só queria ficar perto dela. Ouvir sua voz, sentir seu cheiro. Isso lhe traria uma paz enorme.
Ao chegar na porta do apartamento da judia, Quinn não quis tocar a campainha pois a morena já poderia estar dormindo. Levantou o tapete e sorriu vitoriosa ao encontrar uma chave extra ali. Exatamente como nos filmes e seriados de televisão.

Tão previsível minha Rach.

Quando entrou escutou vozes elevadas de uma discussão. Na sala do apartamento, Rachel, Puck e Jesse brigavam feio. O ator parecia bem alterado e fora de si.

J: E por que porra você vai casar com ela, Rachel? [Gritou mais uma vez]

R: É a minha vida, Jesse St. James [Gritou de volta] Não se meta! Eu já dei todas as explicações no noivado. O que mais quer que eu diga?

J: Fabray é uma arrogante, uma vadia. Vive cheias de conquistas, modelos, atrizes. Ela não merece você e...

Rachel arregalou os olhos com ousadia de Jesse falar de Quinn daquela forma. Noah por outro lado segurava o amigo para contê-lo como medo de que explodisse em cima de sua princesa judia.

N: Pare com isso, Jesse [Se pronunciou] Eu não vou admitir que você fale assim da mãe da minha filha! Eu e Rachel a conhecemos há anos! E elas já namoraram antes, caso você não saiba.

J: Eu sei! [Tentava se soltar] É por isso que eu falo! Ela vai machucar de novo, Rach. Eu sei que vai. Acredita mesmo mesmo que ela vai sossegar só porque casou? Ela vai ser infiel, vai magoar você. [Dizia tudo possesso pelo ciúme]

R: Cale a boca, Jesse! [Gritou mais alto ainda] Eu não permito que invada minha vida desse jeito e ainda se atreva fale desse jeito de Quinn.

Quinn estava chocada não pelas coisas que estava ouvindo, mas por Rachel ter lhe defendido com veemência. Seu coração bateu descompassado com isso.

J: E por que você acredita que ela mudou assim tão rápido? Se ela te fez sofrer uma vez, vai fazer de novo.

Ninguém tinha percebido que a loira estava ali, mas antes que pudesse se fazer presente na conversa, Rachel tomou as rédeas de novo.

R: Eu mandei você calar a porra da boca, St. James. E como assim tão rápido? Já fazem cinco anos! E se Quinn decidiu casar comigo é porque todas as outras fazem parte do seu passado. [Olhou para Jesse profundamente machucada]

Rachel estava indignada com o amigo. Ela mesma já havia passado noites em claro pensando nesse assunto. Mas isso era entre Quinn e ela. Ninguém tinha o direito de se meter.

N: Quem você pensa que é para invadir a vida das pessoas desse jeito, Jesse? [Disse irritado] Você não tem o direito de julgar Quinn pelo seu passado, você não a conhece! Você não pode simplesmente vir aqui e jogar na cara de Rachel os problemas do relacionamento dela só porque não aceita as decisões dela. Eu estava do lado de Rachel há cinco anos e você não, eu vi tudo e você não. Se eu não tenho o direito de meter, você não o faz. Entendeu?

J: Mas ela...

Q: Ela vai fazer Rachel muito feliz! [Se manifestou] Ela vai ser a esposa que Rachel merece, vai dar tudo a ela.

Se posicionando atrás de Rachel e abraçando sua cintura protetoramente.
Q: Eu vou dizer só mais coisa St. James. Você não sabe nada sobre mim, só sabe o que minha reputação diz mas eu vou te garantir uma coisa. Eu não tolero que você venha aqui na casa da minha noiva e a questione sobre meu caráter e exija explicações de um assunto que não é da sua conta! [Despejou com raiva] Vamos nos casar goste você ou não! Agora vá embora.

A voz de Quinn carregava um sútil ameaça, quase desafiando o homem. Queria um boa razão para perder a cabeça com ele, não gostava nenhum pouco dele.

Jesse estava perplexo não fazia ideia de como Quinn tinha chegado ali ou como tinha escutado a conversa. Ela o intimidava tanto que o fez voltar a razão. Murmurou um pedido baixo de desculpas para Rachel e reconheceu que passou dos limites. Quando estava se retirando acompanhado por Noah, ouviu a ex-líder de torcida ameaça-lo:

Q: St. James? É melhor não se atrever a gritar com Rachel novamente ou faço questão de garantir que você nunca mais consiga cantar uma nota sequer.

Jesse, completamente constrangido pela forma como tratou a diva, concordou com a cabeça e se retirou. Quinn lançou um sorriso agradecido a Noah que o retribiu gentilmente.

Q: Você está bem? [Voltou-se para Rachel]

R: Estou [mordeu o lábio inferior, insegura]

Q: Quer conversar sobre isso?

R: Não

Do outro lado da pequena Manhattan, Leroy e Hiram entravam numa cafeteria luxuosa. Olharam em volta à procura de Russel que tinha feito o convite para a aquela ocasião.

L: Russel [Cumprimentou educadamente]

R: Leroy [Fez questão de oferecer um aperto de mão] Hiram [repetiu o gesto] Por favor, sentem-se!

O casal encarrou o homem loiro que parecia aliviado. As duas famílias tinham vindo somente para o noivado, mas levando em consideração os fatos combinaram de ficar na cidade para a próxima noite de apresentação de “Os Miseráveis”. A conversa durante o momento a sós foi breve mas não tinha sido nenhum pouco esperada. Os Fabray foram muito educados e simpáticos. Logo depois Russel marcou esse encontro e pediu para que os pais de Rachel fossem.

R: Fico feliz que tenham vindo [Sorriu um pouco] Vocês querem pedir algo?

H: Não, obrigado. Por que nos chamou aqui? [Foi direto ao ponto]

R: Porque eu julguei que esse encontro era necessário. [Pigarreou, um pouco nervoso] Devido ao nosso passado... O meu passado.

Os Berry se olharam um pouco nervosos e entrelaçaram as mãos como teste. E Russel passou nele, pois sequer agiu de forma diferente para aquele ato de carinho.

L: Continue, estamos ouvindo.

R: Eu quero me desculpar pelas coisas que disse e as que fiz. [Pediu sincero] Me envergonho muito de ter perseguido vocês como a santa inquisição. Eu era uma pessoa fechada, amarga e vazia. Vivia falando do amor de Deus, mas não o sentia. Vivia pregando as palavras da bíblia mas não as vivia. [Disse envergonhado pelo seu passado] Eu sou um alguém muito diferente novo agora [Garantiu]

H: E o que fez você mudar? [Perguntou curioso]

R: Eu tive um infarto há quatro anos. Minha vida inteira passou diante dos meus olhos e eu enxerguei o tipo de sujeito que era. Cego pelas tradições que nem mesmo entendia, manipulando a minha esposa e a minhas filhas. Brigando, julgando tudo e a todos como se fosse o dono da verdade. Quando eu conseguir sair do hospital prometi que nunca mais seria o mesmo. Seria o melhor marido e pai do mundo. Renovei meus conceitos e valores.

L: Espere... Você abandonou a sua fé? [Perguntou abismado]

R: Não, de forma alguma. Eu só passei a vê-la por uma nova perspectiva, a estudar de verdade. Por isso tenho noção do quanto estava errado. Eu comecei a ensinar minhas filhas de uma forma correta e também incentivei que estudassem sozinhas para que elas tivessem sua própria visão de mundo. Depois do noivado, me sentir na obrigação de me desculpar com vocês. Agora que vamos ser todos uma só família.

H: O quer dizer com tudo isso, Russel? [Sua voz era tranquila]

R: Que eu pretendo passar o resto de nossa convivência me redimindo. Não só com vocês, mas também com minha futura nora. Me sinto culpada pelo fim do namoro delas, sei que o lunático que era influenciou minha Quinn a terminar. [Disse arrependido]

Leroy enrijeceu-se discretamente, não gostava de tocar no assunto do fim do namoro da filha.

H: Quer dizer que sempre soube que sua filha era lésbica? [Questionou surpreso]

R: Sempre desconfiei [Concordou] Acho que era por isso que eu era mais severo com ela. Quinnie vivia falando de uma menina judia na escola que era baixinha demais, falava demais [Sorriu] Mas no fim acabava dizendo que menina era encantadora, bonita, tinha a melhor que voz já tinha ouvido na vida. Rachel isso, Rachel aquilo. Não foi surpresa saber que estavam apaixonadas e sim saber que já iriam se casar.

L: E você está bem com tudo isso? [Questionou com um pouco de medo]

R: Estou muito feliz na verdade. Eu sei que minha filha ama a de vocês. Sei que esperavam minha família causasse problemas e sei que tinha total liberdade pra isso. Porém, eu insisto em dizer que não somos mais assim, estamos abertos para a família Berry e queremos muito que ela nos receba. Amor é amor, isso que importa.

H: Então vocês devem saber o que os Berry não ficam presos ao passado, nós acreditamos nas pessoas e nas suas mudanças. [Sorriu de canto]

Russel abriu um grande sorriso. Estava muito feliz com isso. Os Berry realmente eram pessoas boas e maravilhosas.

R: Então vamos para o segundo motivo de vocês estarem aqui. [Disse empolgado]

L: E o que seria... [Incentivou]

R: Eu pensei em fazermos algo juntos sobre o casamento. Notei o receio da sua filha em relação a mim. Que poder mostrar podemos nos relacionar bem, que as divergências acabaram. Eu tinha uma casa em mente...

L: Uma casa? [Franziu a testa]

R: Uma casa paraa as duas. Precisam de um lugar só para elas, onde possam construir sozinhas suas vidas de casadas. Não pode ser um apartamento, não tem espaço suficientes. [Explicou entusiasmado] Espaço para criarem os filhos... Vocês querem netos, certo?

H: Queremos, claro [Entrou no mesmo clima]

L: Russel, calma! Eu não sei entendo o que quer falar

H: Querido, Russel está falando sobre o presente de casamento que vamos dar. [Sorriu animado]


Quinn observava Rachel derramar algumas lágrimas silenciosas, tentou fazer algo mas a morena não parecia querer desabafar.

Q: Por favor, fale comigo.

R: Eu não quero falar sobre isso.

Q: E por que não falamos de outra coisa?

R: Por que você estar aqui, Quinn? [Cortou bruscamente o assunto]

Q: Eu vim te ver. E também precisa falar sobre o casamento. [Não se deixou abater]

R: Não quero falar desse maldito casamento. Faça o que quiser.

Q: E o casamento vai sair somente ao meu agrado? Sem suas escolhas e opiniões?

Quando ouviu o que a loira disse, Rachel lhe deu um sorriso irônico.

Q: Certo, eu entendi. [Disse sem graça] Mais ainda insisto que me diga pelo menos o que vai querer na cerimônia.

R: Tanto faz, não me importo [Deu de ombros] Por mim, seria algo simples só no cartório.

Q: Mas você sempre disse que queria uma grande festa de casamento [Arqueou uma sobrancelha]

Mais uma vez, Quinn citava algo do passado entre elas. E pela primeira, aquilo não incomodou Rachel. Elas costumavam fazer planos, falar do que queriam, quem seria convidado.

Q: Nossos amigos estão fazendo tudo, vai ficar tudo pronto a tempo. Puck está cuidando do evento, Kurt das roupas e Eu, Santana e Britt do resto. Só queria saber se você tem alguma ressalva. Eu faço questão de uma cerimônia cristã. Eu conheço um padre que foi excomungado da igreja católica por defender os direitos dos homossexuais e dos divorciados...

R: Eu não vou me casar por um padre, Quinn! Por Deus, eu sou judia. Se quer tanto uma cerimônia religiosa, terá que ser judaico-cristã.

Q: Não, tudo bem. Eu vou organizar isso

Sua voz podia estar tranquila, mas por dentro estava envergonhada por ter deixado passar aquele detalhe. As duas continuavam conversando sobre a cerimônia e quando o assunto acabou, um silêncio desconfortável se instalou. Quinn ousou se aproximar mais e ficou imensamente feliz por Rachel não se opor a isso.

Q: Quer falar sobre o que aconteceu depois do noivado?

R: E o que aconteceu? [Fingiu inocência]

Q: A forma como me rechaçou, a mudança brusca de humor. Essa não é você.

R: [Suspirou] Eu sei, ok? Eu só que essa porcaria de casamento está me transformando em algo que não sou. Eu sinto raiva o tempo inteiro, tanto que mal consigo respirar. Minha vida que eu sempre fiz questão planejar saiu das minhas mãos. Eu tive que mentir para meus pais, meus amigos. Essa sim, não sou eu. Briguei com todos eles para defender uma coisa que nem é minha vontade. Eu só não consigo reagir de outra maneira agora. Você me levou ao limite. [Desabafou]

Q: Eu não queria se sentisse assim, Rach. Foi por isso que não quis contasse nada a ninguém, não queria que tivesse mentido para nenhum dos seus entes queridos. Conheço você como a palma da minha mão, sei que não gosta de mentiras, de enganar ninguém. Eu deveria ter feito isso e você não teria mentindo, nem brigado com ninguém. Eu assumiria tudo [Confessou] Nunca quis você mudasse ou passe a agir de maneira diferente.

Depois de alguns segundos absorvendo as palavras da loira, diva ficou confusa em relação a ela. Em momentos como esse que ela percebia quanto Quinn se importava com ela. Com seus caprichos, desejos, vontades e valores. Mas as circunstâncias em si apontavam ao contrário, um casamento forçado baseado nos privilégios que Quinn poderia desfrutar.

R: Eu acho melhor você ir embora, Quinn. [Indicou a porta com a cabeça] Eu tenho outra apresentação hoje e não pude descansar ainda.

Q: Eu vou estar no apartamento do Puck. Vou me arrumar e seguir para o teatro. Meus pais, seus pais, minha irmã vão estar lá comigo na primeira fileira. Nos falamos nos bastidores depois do espetáculo.


Rachel se jogou na cama cansada, não tinha conseguido dormir durante a tarde. Essa apresentação em particular tinha sido mais intensa, deu carga total nela. Todos estavam ali para vê-la e o lado diva da Broadway falou mais alto. Estava morrendo de sono, mas não conseguia dormir. Tinha sido assim nos últimos dias, preocupada demais para se deixar levar. E por mais que não permitisse se abater pelas as palavras de Jesse, elas mexeram com Rachel.
Sempre soube que tinha medo de sofrer de novo por causa de Quinn e pensar na possibilidade de ser traída, tirava seu folego. Quinn beijando outra pessoa, tocando outra pessoa e amando outra pessoa.

Já eram quase três da manhã e a morena continuava na mesma. Revirava na cama, tentando encontrar a posição certa. Foi impossível sua mente não viajar pelas lembranças de anos atrás.

~FLASHBACK ON~

Lima, Ohio. Dezembro de 2010

Rachel estava no auditório tocando uma música lenta no piano, seu semblante era sereno e transpirava paz. Quinn não conseguia tirar os olhos dela, nem por um segundo sequer. As pálpebras levemente fechadas, os lábios apetitosos cantarolavam baixinho a melodia. A loira afastou uma mexa de cabelo castanho rebelde que atrapalhavam a bela visão. Estava tão concentrada apreciar a vista que não reparou que a capitã do coral parou de tocar.

R: Quando você me olha assim [Corou levemente]

A líder de torcida riu baixinho e beijou-a na ponta do nariz.

R: Você tem problema para dormir, Q? [Virou-se para ela] Digo, você ainda sonha com o que aconteceu? [Mordeu o lábio inferior]

Já tinha se passado mais de um mês desde que o atentado ocorreu na escola e Rachel ainda sentia medo, tinha pesadelos e mal conseguia tocar no assunto. Quinn segurou a mão dela para dizer que tudo ficaria bem.

Q: Eu tinha. Mas tenho uma coisa que me ajuda a dormir como um anjo. [Revelou]

R: Um ursinho de pelúcia? [Perguntou risonha]

Q: Quase isso. Um suéter seu [Sussurrou como se fosse um segredo] Seu cheiro e seu calor me acalmam.

Rachel encarou a outra extasiada. Como poderia existir um ser humano tão perfeito? Os lábios rosados se mexiam uma explicação para aquele fato, mas ela não estava interessada. Como aquela criatura maravilhosa podia gostar logo dela? A menina que não tinha nada de especial. Fitou a loira de forma sugestiva, não exatamente a loira mas o casaco dela.

Q: O quê? [Decifrou o olhar da morena] Ah, não! É o casaco das Cheerios, Rach! [Lamentou]

R: Por favor, Baby? [Deu um olhar pidão] Eu adoraria ter uma coisa sua que pudesse estar me abraçando e esquentando quando eu precisar. [Falou como uma voz manhosa]

Quinn não negaria nada aqueles olhos castanhos brilhantes. Choramingando tirou o casaco e colocou nos ombros de Rachel. Puxou-a pela nuca para beijo carinhoso.

Q: Eu realmente adoro esse casaco. [Reclamou entre o beijo]

R: Você usa bastante. Ele tem seu cheiro [Disse sobre os lábios]

~FLASHBACK OFF~

Rachel levantou da cama e foi em direção ao seu guarda-roupa. Abriu a porta e começou a vasculhar entre as roupas a procura da peça vermelha. Quando a teve mãos, um sorriso nostálgico brotou nos seus lábios e aspirou profundamente o aroma daquele casaco. O cheiro da sua amada não estava ali há muito tempo entretanto ela gostava de fingir que o sentia ainda.
Era um inverno pesado em Nova York, quase nevava. Tirou a blusa de frio e vestiu o casaco das cheerios. Voltou para cama e esperou que o sono a levasse.

Notas finais
Obrigada pelos comentários e por favoritarem. Até o próximo que eu acredito que saia no sábado ou no domingo. Beijos, Ingrid