Contrato de Casamento

23 Capítulo XXIII- Entre o velho e o novo, o fim e o início


Notas iniciais
Oi gente, aqui é o Raul de novo. Trilha sonora: See You Again -Wiz Khalifa Ft. Charlie Puth Boa leitura!

Rachel saiu do prédio da Academia de Artes Dramáticas de Nova York, sentindo o vento seco sobre seus cabelos. Caminhou em direção ao portão do terreno com passos apressados, acenando e sorrindo para os colegas que a cumprimentavam. Ela era algum tipo de superstar naquele lugar, pois era a única que estava numa peça em cartaz na Broadway. Geralmente os alunos de maior potencial entravam em off-Broadway ou na off-off-Broadway. Embora o personagem dela fosse considerado pequeno, conseguiu dar maior brilho a ele. Os críticos e mídia local já haviam a chamado de “revelação do ano” dos teatros. A matéria saído logo depois que anunciaram que a temporada de apresentações de “Os miseráveis” estava na reta final e, por extensão, a quantidade de apresentações por semana e por mês diminuíram. Logo, teria mais tempo para estar com Quinn.

Adorava a maneira como o progresso fluía entre elas. Não se tratava somente de se permitir de crescer na intimidade ou de terem paciência uma com a outra ou de ceder em ambos os lados, mas sim, de se sentirem seguras na relação. E elas estavam aprendendo isso. De nada adiantava assumir os sentimentos e se tornarem próximas em casa, quando a outra parte da vida delas permanecia intocada. Por isso, deram um próximo passo. Conversavam sobre o trabalho, sobre como as famílias delas estavam próximas, sobre Beth... pelo menos, Quinn o fazia. E Rachel ouvia. Atenciosamente cada palavra e fazia perguntas, querendo se inteirar da vida dela. E pretendia dar aquele passo também. Queria compartilhar seus problemas, estresse, conquistas, pois, sentia que não era uma aliança ou uma cama partilhada que as tonavam um casal de verdade. Era preciso haver a outra parte, certo? E as duas desejavam isso.

Assim que passou pelo portão, a forte intensidade dos raios solares pairou sobre ela. Era quase fim de primavera e início de verão. Mais bonito que o ápice de qualquer estação, era transição entre elas. Olhou para uma árvore do outro lado da árvore. As folhas em um verde vivo, com poucas flores desabrochadas. Entretanto, foi alguém embaixo da árvore que chamou sua atenção. Cabelo negro, balançados pelos ventos, pele morena. Olhos fixos nela.

R: Santana? [Chamou um pouco alto]

Olhou para os dois lados da rua, assegurando-se podia atravessar a rua. Então foi depressa na direção da latina.

S: Hey hobbit! [Acenou, sorrindo fraco]

R: O que faz aqui? [Retribuiu o sorriso]

S: E-eu... hã... [Estava visivelmente desconfortável] Será que eu poderia falar com você?

R: Claro [Concordou desconfiada] Poderíamos ir ao parque aqui perto ou poderíamos ir a uma cafeteria. Tem uma a duas quadras daqui. [Sugeriu]

S: Uma cafeteria seria muito bom.

Durante todo o trajeto permaneceram caladas. Rachel notava a tensão nos ombros da latina, que mantinha a expressão neutra. Tinha leve palpite sobre o assunto qual seria tratado. Entraram na local e escolheram uma mesa mais afastada.

S: Como vão você e Quinn? [Batucou as unhas sobre a mesa, dando outro sinal de nervosismo]

R: Estamos bem [Percebia cada ação da latina]

S: Bom, isso é bom [Murmurou para si mesma]

Uma garçonete chegou, interrompendo a conversa, anotou os pedidos e se retirou.

S: E a cachorra? [Continuava tensa]

R: Grammy é encantadora. Já estou completamente apaixonada por ela e ela por mim. [Disse derretida] Por que você nos deu?

S: Foi uma oferta de paz [Confessou] Ainda bem que... [Tentava desconversar novamente]

R: Santana! [Interrompeu impaciente] Quando você pretendia me contar?

Os olhos negros se petrificaram e os ombros ficaram rígidos. Santana engoliu em seco e desviou o olhar.

R: Desde quando você sabe do contrato? [Insistiu]

S: Eu sei do documento desde o começo [Relutou em usar a palavra “contrato”]

R: Foi você quem o fez, não foi? [Perguntou incisiva]

S: Não. Eu ainda não sou formada, mas ajudei a redigi-lo [Assumiu culpada]

Os olhos de Rachel estavam completamente gélidos, os lábios grossos franziram em uma linha. Saber que a latina tinha conhecimento sobre o motivo de seu casamento era uma coisa, no entanto, saber que ela teve participação na chantagem era outra.

R: Por que? [Perguntou fria]

S: Rachel, me desculpe... Mas eu não devo contar. Isso é sobre Quinn. Ela tem as razões dela e, então, você precisa perguntar a ela. [Explicou-se constrangida]

R: Eu não perguntei as razões de Quinn, perguntei as suas. [Manteve o tom frio]

Havia uma razão para que Santana tivesse feito assistido a melhor amiga naquela loucura. Fez pelo casal. Não duvidava do imenso amor que Quinn nutria por Rachel. Lembrava do quanto a loira havia sofrido com o término do namoro e nos anos que ficaram separadas. Mesmo não concordando que aquele era o melhor caminho, escolheu ajudar. Antes ela do que outro advogado. E ainda existia outro motivo para estar ali tento aquela conversar. Poderia seguir em frente e fingir que não tinha culpa. Apesar de manter a fachada de vadia durona, coração de pedra, fingir que não se importava com nada; por dentro, era frágil e sensível. Importava-se com Rachel.

S: Eu fiz por Quinn. [Admitiu] Ela tem boas razões, eu garanto. Mas não cabe a mim revela-las, eu não tenho esse direito. [Falou firme] Se não fosse eu, seria outro. Aquela louca realmente estava empenhada em casar com você tanto que não mediu esforços. Mesmo não achando correto a atitude dela, eu participei. Por favor, me desculpe. Se quiser me estapear, eu vou entender.

R: Vocês em algum momento pensaram em mim? [Soou magoada] Chegaram a cogitar como eu me sentia? Sequer pensaram na minha felicidade, no meu futuro ou nos meus planos. É a minha vida, caralho! [Começava a se irritar] Não estamos mais no colégio para achar que pode interferir na vida dos outros, manipulando-a dessa forma. E quanto a minha felicidade, pensaram nisso?

S: Quinn faria vocês felizes juntas. Ela faria tudo por você! [Respondeu, não recuando diante da reação da judia] E eu tenho certeza que ela já demonstrou isso [Se referiu as inúmeras coisas que sabia que loira tinha feito ou dado a ela] Eu já te disse que ela realmente gosta de você, acredite nisso!

R: Eu sei que ela gosta [Continuava séria]

S: E vejo que você também gosta dela [Deu um sorriso de canto] De qualquer forma, meus argumentos não são o suficiente para justificar a medida extrema. Eu asseguro que já me culpo o bastante. [Encarou os olhos de chocolate]

Rachel suavizou a expressão após o ouvir as palavras de Santana. Era perceptível a sinceridade e a convicção dela ao dizê-las, bem como cada feição dela demonstrava culpa e arrependimento. Além disso, elas tinham algo em comum. Eram fantasmas do passado uma da outra. O que Lopez já havia deixado claro no dia do casamento. E por mais que não fosse revelar, a judia sentiu falta da amizade delas. E a casca grossa que construiu em envolta da “nova Rachel”, podia evitar que as emoções transparecessem, mas não a impedia de sentir.

Do lado oposto da mesa, Santana pensava exatamente na mesma coisa. Ser baddass agora não iria ajuda-la. Abaixou as defesas para enfrentar a outra. Agora era entre ela e seu hobbit.

R: E como podiam ter certeza que daria certo? [Sua voz estava mais calma] E se eu e Quinn não nos déssemos bem?

S: Quinn faria o impossível para que desse. E eu sei que daria, poderia demorar, mas no fim daria. [Respondeu com convicção] Vocês tem um belo histórico.

A morena menor ponderava em sua mente o que valia mais. Ficar furiosa com Santana e afastar-se dela ou acreditar em arrependimento, podendo virar a página e colocar a história de lado.

R: Não tão belo assim [sussurrou]

S: Eu não vejo dessa forma. Uma prova disso é que vocês estão crescendo agora, não é? Reconstruindo algo novo da maneira de vocês.

R: E se eu estivesse apaixonada por outra pessoa? [Estreitou os olhos]

S: Se você realmente estivesse apaixonada por outra pessoa, ela não iria adiante. [Disse segura] Eu não permitiria que ela jogasse tão baixo.

Ao perceber as palavras ditas, a latina corou e quebrou o contato com os olhos. Então a diva finalmente percebeu qual era o ponto da conversa. Santana tentava dizer que havia feito parte do jogo da sua esposa para garantir que a loira não ultrapasse limites com a chantagem e não teria participado, se não houvesse garantias que tudo ficaria bem no final. E essas garantias deviam ser os motivos de Quinn, os quais Rachel pensava que conhecia.

A diva deu um sorriso travesso para a outra, como se quisesse dizer que havia a pegado no flagra. A garçonete chegou com os pedidos e em seguida se retirou.

S: Bom... [Pigarreou, se recompondo] Voltando ao assunto... sabia que vocês se dariam bem. Basta que a loira falsificada sorria e você abre as pernas. [Zombou maliciosa, fazendo um forte rubor tomar conta das bochechas de Rachel] Eu ainda insisto em dizer que estou que me arrependo em como as coisas se desenrolaram. [Retomou a questão] Deve ser ainda mais difícil de acreditar vindo de mim, porém, é a verdade.

R: Ok, Lopez. Eu já entendi seu ponto [Assegurou tranquila]

S: O que?! É só isso? [Estranhou] Não vai dizer mais nada?

R: E o que você quer que eu diga? [Contrapôs calma, bebericando seu suco verde]

S: Que grite, que me bata, me chame de puta manipuladora e diga que nunca mais quer olhar na minha cara. Qualquer coisa! [Pediu agoniada] Você não pode ter me perdoado assim.

R: Eu não me lembro de ter dito que perdoei você [Continuou assustadoramente calma]

Essa era uma das possíveis reações que Santana cogitou que Rachel teria. E de longe a pior delas. Se fosse gritaria, insultos, tapas; ela saberia lidar. Contudo, essa “nova Rachel” era um incógnita para ela. A postura poderia parecer tranquila, mas o olhar permanecia frio.

S: Deveria estar com raiva [Comentou sem entender nada]

R: Deveria [Concordou na tranquilidade]

S: Você deveria estar surtando...

R: Deveria [Concordou novamente]

S: Mas não está fazendo nada disso [Bufou frustrada] Então você não vai me bater?

R: Por mais tentadora que possa parecer a ideia, não vou.

Lopez tomou um gole do seu café e manteve os olhos presos nos olhos de chocolate. Poderia ela e Quinn ter quebrado a tal ponto que a diva agora não sentia mais nada? Não importava-se com mais nada?

Rachel, por sua vez, permanecia mergulhada em seus pensamentos. Todo mundo comete erros, todo mundo se machuca. E se algum dia quisesse se seguir em frente, dois coisas precisavam ser feitas. Esquecer e perdoar. Entretanto, não era muito prático. Quando se é machucado, quer machucar de volta. Quando a outra pessoa erra, quer estar certo. Por outro lado, não era uma questão de empatar o placar, de devolver a dor. Novas e velhas feridas se fecham quando se mantém sensata e espera.

S: Você acha que vai me perdoar um dia? [Perguntou sem conseguir evitar que sua voz saísse esperançosa]

R: Eu sei que vou [Afirmou segura]

E ali estava a resposta que Santana procurava para seus questionamentos. Não elas quebrado Rachel a esse nível. Isso foi de um grande alívio.

***

Em sua empresa, Quinn e seus funcionários estava na sala de reuniões. Cuidando da burocracia e dos novos planejamentos mensais. Para a chefe, particularmente, estava um tédio completo. Todos falavam as mesmas coisas, sugeriam a mesma coisa. Revirou os olhos enquanto ouvia outro membro da equipe basicamente repetir a ideia do outro. Ergueu os olhos para o relógio, impaciente. Ainda faltava 20 minutos para o fim. E somado aos 40 minutos que passaria no transito, uma hora. Faltava cerca de uma hora para ver sua Rachel, para estar com ela.

Observou uma mão tímida ergue-se no meio da discussão entre os demais. Era sua assistente nova, Hazel Mosby. Uma jovem recém-formada em cinema na Universidade da Califórnia. Tinha olhos castanhos escuros, pele negra, cabelos negros cacheados. Era uma garota muito bonita.

Q: Diga, Stra. Mosby [Voltou sua atenção para ela]

H: Obrigada, Sra. Berry-Fabray [Agradeceu tímida] Por que não abrir uma filial da galeria? [A ideia provocou várias risadas na mesa, fazendo-a se encolher]

Q: Calem a boca e deixam-a falar! [Ordenou, fazendo os funcionários recuarem] Por que essa ideia tão inesperada, senhorita?

H: Bom... [Colocou um cacho para trás da orelha] Eu conferir as críticas e os patrocínios, bem como o número de visitas na galeria desde a última exposição. Estão em alta. E o público atingido estava entre as demais faixas etárias, entre as mais variadas classes sociais. E eu pensei que seria bom abrir uma galeria em outro local.

Q: E como isso funcionaria? [Interessou-se]

H: Eu pensei no Brooklyn ou no Bronx. [Recebeu olhares incrédulos] Justamente onde estão as população menos abastadas, vista como menor nível social e, muitas vezes, intelectual. Eu acho que eles é quem devem ser tocados pela arte. [Argumentou] E o subtema da exposição não foi basicamente arte para todos e todos produzem arte? No entanto, galeria e as peças se concentram no Upper West Side.

Um sorriso se espalhou pela face de Quinn. Finalmente alguém com a perspectiva diferente, uma que se semelhava a sua. A garota realmente tinha talento.

“Mas isso é insano! Os suburbanos não sabem apreciar arte e reconhecer o valor dela!”

A chefe nem se deu trabalho de saber quem era o dono do comentário tão preconceituoso. Apenas levantou a mão, mandando que calasse imediatamente.

Q: Eu gosto de como pensa [Elogiou] Eu quero que monte uma equipe. Escolha quem quiser dentre os funcionários. Quero projetos, planilhas, gráficos, relatórios, especulações. Quero tudo na minha mesa em uma semana, ok?

Hazel rapidamente acenou com a cabeça, aminada com oportunidade. A reunião se encerrou. E Quinn tinha um bom pressentimento sobre sua assistente, pois graças a ela iria direto para sua esposa.

Assim que entrou em casa, a loira se deparou com várias caixas empilhadas sobre o piso da sala e algumas malas.

G: Olá, Sra. Berry-Fabray [Saudou em prontidão]

Q: Olá, Sra. Jackson. O que significa isso? [Referia-se ao entulho de coisas]

G: São da sua esposa. Chegaram agora a tarde a mando da sua sogra. É o restante da mudança, creio eu. Estavam no antigo apartamento.

Q: Oh... [Murmurou surpresa]

Lembrou da insegurança que sentiu há algumas semanas, o medo feroz de perder a amada, cujo levou-as a mais exaustiva briga que tiveram. E o maldito apartamento havia sido o estopim. Mas naquele momento, era prova de que Rachel realmente estava tentando. Embora não houvesse dúvidas antes, a existência de um indício era mais intenso do que aparentava. Esse simples fato da morena ter trago o resto das suas coisas para a casa delas tinha um significado muito maior para a fotógrafa. Rachel não pretendia deixa-la, como também não via mais outro lugar como seu lar.
Andou até a mudança, pegando um pacote que estava separado dos outros. Abriu e surpreendeu com o que viu. Não poderia ser, poderia? Seu coração começou a bater descompassado. Por que ela teria guardado aquilo durante todos esses anos? E não havia só guardado, como também havia cuidado para ficasse em perfeito estado. Pegou o objeto e saiu a procura da diva.

Adentrou no cômodo especial e logo avistou sua esposa. Tão linda, tão concentrada no que estava estudando e tão sensual mordendo a tampa da caneta, enquanto lia uma de suas anotações.

Q: Hey! [Aproximou-se sorrindo]

Rachel tirou os olhos dos livros e olhou para a mulher a sua frente, abrindo o sorriso enorme.

R: Hey, Q! [Levantou-se para ir até ela]

Q: Eu acabei de encontrar suas coisas lá embaixo

R: Me desculpe pela bagunça. Shelby acabou de enviá-las e eu não tive tempo de organizar [Explicou]

Q: Não se preocupe com isso. Eu vou mandar que façam isso por você. [Assegurou] Então, trouxe tudo definitivamente? [Não conseguiu conter o sorriso]

R: Bom, sim. Já estava na hora, não acha? Não tinha razão meus pertences ficarem lá, se eu moro aqui.

Q: Então aqui é a sua casa? [Insistiu, pois precisava ouvir]

R: A nossa casa [Afirmou, sem saber onde a loira queria chegar]

Quando viu o sorriso de Quinn e o brilho nos olhos dela, entendeu qual era questão da conversa. Encabulada, deu um sorriso tímido.

Q: Por falar nas suas coisas, eu encontrei algo bastante curioso...

R: Você estava bisbilhotando minhas coisas, estava? [Questionou intimidadora]

Q: Estava [Confirmou descaradamente] Eu achei isso aqui [Mostrou o que tinha em mãos]

Rachel arregalou os olhos ao reconhecer o casaco das cheerios. Os membros do seu corpo estatuificaram, enquanto os olhos percorriam o recinto, como se procurasse por uma saída. Boca se abriu e fechou várias vezes, na tentativa de formar uma justificativa.

Q: Por que você guarda meu casaco, Rach? [Questionou irredutível]

R: O casaco não é seu! É meu [Finalmente conseguiu dizer alguma frase]

Q: E fui eu quem lhe deu, pois ele já foi meu. Por que você o guardou durante todo esse tempo?

R: Ér... hum... é só um ca-casaco, Quinn [gaguejou vergonhosamente]Eu não o guardei por nenhum motivo aparente [Mentiu nervosa] E-le é... confortável

Rachel andou até ela e tomou bruscamente das suas mãos a peça de roupa. Dobrou-a de mal jeito e colocou gaveta da penteadeira, desejando poder esconder o objeto novamente. Quinn, por sua vez, observava tudo com um sorriso lindo rosto. As atitudes da judia não condiziam as palavras dela. Não importa o quanto ela resmungasse que não era nada, estava claro que significava além disso. Se não fosse, não haveria motivo para essa reação. A face corada, a gagueira, as mãos tremulas... tinha que significar algo mais.

Q: Então por que mentiu para mim? [Cruzou os braços, com um sorriso convicto]

R: Hã?! [Continuou fingindo] Eu não do que está falando, Quinn

Q: Não se faça desentendida, Rach! [Disse demandante] Naquela madrugada, na véspera do nosso casamento, quando fui ao seu apartamento você estava usando um casaco vermelho. Era esse, não era? [Interrogou, mas só recebeu silêncio] Não era o casaco dos titãs do Puck, era o meu das cheerios.

Rachel continuava de costas para ela, com as mãos pressionando as bordas da penteadeira com tanta força, que seus braços tremiam:

R: Eu não tenho essa resposta, Quinn... [Murmurou com a voz fraca]

Q: Como não?! [Falava frustrada] São duas respostas simples. Por que mentiu dizendo que era outro casaco? E por que o guardou esse durante esses anos? [Pressionava]

R: Eu não tenho a resposta da primeira pergunta porque se eu contar, terei que responder a segunda [Virou-se] E eu não quero responder a segunda, eu não vou responder! Não ainda. Eu não estou pronta para isso! Por favor, não me cobre isso. [Gesticulava nervosa]

Quinn olhou a expressão da esposa. Os lábios estavam esbranquiçados, os ombros trêmulos e os olhos repletos de desespero. Implorando para que não a pressionasse mais. A loira atendeu o pedido. Foi a até ela e colocou as mãos na cintura dela.

Q: Você dorme com ele? [Fez a última pergunta]

R: Às vezes [Admitiu, dando de ombros, fingindo não ter importância, embora seu rosto corasse] Como foi na empresa hoje? [Mudou de assunto ligeiro]

Q: Foi surpreendente. Eu acho que temos um próximo passo, sem precisar desfazer do antigo. E isso é, no mínimo, excitante. [Relatou]

Os olhos esverdeados buscaram os olhos castanhos e se perderam na imensidão deles. Como alguém podia ser tão linda como sua Rachel? A mão esquerda desceu para a coxa desnuda, sentindo a textura da pele formigar em seus dedos. Subiu de volta, passando pelo quadril, pela curva da cintura, a lateral do seio sob o sutiã, seguindo para o pescoço e repousando sobre a bochecha, fazendo carinhos circulares com o polegar. Ela era perfeita e completamente sua. Rachel deve estar notado a profundidade do olhar, pois estava visivelmente encabulada. Porém, não recuou, ao invés disso, encostou seu nariz no dela numa carícia suave.

Quantas vezes tinham se beijado? Inúmeras. Quantas vezes tinham feito algo mais íntimo? Várias. No entanto, o encanto permanecia inquebrável. O efeito de sentiram a respiração da outra sobre o rosto era o mesmo. A sensação dos hálitos misturados era o mesmo. Em razão de a expectativa permanecer viva. Aquele momento antes das bocas se encontrarem, a centímetros de distâncias, os lábios umedecendo inconscientemente, ansiando provar o outro gosto.

Q: Mas falamos disso mais tarde [Sussurrou rouca]

R: Mais tarde [Cedia completamente]

O beijo foi apaixonante. Com os lábios se mexendo em um movimento sincronizado. Suspiros foram dados e gemidos foram soltos. Conectadas de tal forma que não saberiam dizer a quem era a dona. A mãos de Quinn foram para baixo da blusa, escalando até os seios fazendo carícias circulares com as unhas sobre o tecido do sutiã.

Q: Pelo menos admita que significa alguma coisa [Suplicou, se referindo ao casaco]

R: Significa [Confirmou num sussurro]

Estavam assistindo um dos filmes preferidos da loira, sentadas lado a lado no sofá vermelho. No tapete em frente, estava a pequena Grammy. Enroscada, tal como uma bola de pelo, dormindo tranquilamente. Rachel se remexeu inquieta, o que passou despercebido pela outra. Quinn a olhou, procurando o que havia de errado.

R: Eu acho que preciso te dizer uma coisa [Falou distraída]

Quinn estranhou. Sua mulher nunca partilhava as coisas, era uma boa ouvinte, mas não lhe confidenciava nada. Elas cresciam aos poucos e não era justo exigir algo fora do alcance.

Q: Aconteceu alguma coisa? [Questionou preocupada]

R: Eu encontrei Santana hoje. E nós tivemos uma conversa [Contou tranquila]

Q: Sobre o que conversaram? [Espantou-se]

R: Não vejo a necessidade de dizer o assunto, sei que aquela latina intrometida vai te contar tudo nos mínimos detalhes. [Permanecia no mesmo tom] Estou te dizendo porque acho deveria saber que eu e Santana tratamos da nossa questão, antes de saber sobre o que foi exatamente. Deveria saber por mim que não há o que se preocupar.

Q: Está tudo bem? [Perguntou desconfiada]

R: Não, mas vai ficar [Disse acalmando-a]

Continuaram a ver o filme e a loira captou que sua mulher presenciava em matéria, sua mente estava longe. Os desfocados e a expressão neutra comprovava seu pensamento. Após alguns minutos, a judia pronunciou:

R: Q, não me machuque de novo [Sua voz era falha]

Quinn avançou sobre ela, dominando-a sob seu corpo. Afastou uma mecha de cabelo do rosto, não querendo que nada atrapalhasse sua visão. Tinha conhecimento dos medos de Rachel, mas a primeira que a morena os externava por conta própria, como o mais profundo medo revelado.

Q: Hoje foi um dia longo e eu fiquei ansiando o momento que eu poderia voltar para casa, voltar para você. Não quero ganhar sua confiança do nada, mas quero que saiba que tem a minha. Quero esclarecer uma coisa. Nem eu nem ninguém irá machucar você. A partir de agora, se quiser, será sem dor, sem sofrimento. Não vamos focar no passado. Vamos olhar para o futuro, cujo será construído por nós duas. [Declarou intensamente] Um nós ainda melhor, lembra?

Rachel beijou os lábios rosados e apertou a cintura, puxando-a para si. Saboreando toque com paixão. Não é o calendário que determina quando o velho termina e novo começa. É um acontecimento. O derretimento do gelo determina o fim do inverno e início da primavera. O aumento da temperatura e as flores murchas decretam o fim da primavera e o início do verão. Um ocorrido numa tarde pode dar rumo ao que irá acontecer nos restantes dos dias. Basta um acontecimento. Grande ou pequeno, mas que mude, de preferência que dê esperanças, uma nova maneira de viver e de como enxergar o mundo, se desfazendo dos velhos hábitos e memórias. E o mais importante, que faça acreditar em um novo começo. E mesmo em meio a cicatrizes passadas, saber que teve algo que, sim, vale a pena guardar.

Notas finais
Então, já sacaram que quando sou eu, Raul, aqui as notícias não são boas, né? Essas são horríveis. Dinha perdeu uma grande amiga (desde a infância) e me pediu para que postasse o capítulo para vocês. Ela está devastada desde o falecimento da amiga que foi no sábado, realmente quebrada. Por isso, essa história ficará parada por uma ou duas semanas, talvez três. Peço para que tenham paciência e compreendam. Aah, e eu sou quem vai responder os comentários do capítulo passado.