Contrato de Casamento
24 Capítulo XIV- Aprendendo mais uma vez
Notas iniciais
Quinn rolou na cama, apertando Rachel ainda mais contra si. E esta, em resposta, soltava um muxoxo baixo. A consciência da morena relutava entre o sono e o despertar. Mas ela não queria despertar, seus olhos pesavam. Resmungou mais algumas palavras. Embora fosse do tipo que falava enquanto dormia, não era precisamente algo coeso. Ora eram dizeres bem lícitos, ora eram completamente sem conexo. E algo que não podia controlar. Os Berry costumavam brincar com essa mania durante infância dela, dizendo que a estrelinha deles era tão tagarela que não parava de falar nem mesmo na hora dormir.
E Se a diva era agitada com a boca, a esposa dela era com o corpo. Virava-se na cama a noite inteira, abraçava e sobrepunha-se sobre a judia como se estive com um travesseiro ao lado ao invés de uma pessoa.
A loira escondeu o rosto no vale dos seios da outra e ronronou, despertando-a por completo. Rachel fitou a cena, sonolenta e teve que conter um riso.
Q: Hummm... [Gemeu sonolenta entre os seios da esposa]
R: Hey! Acorde [Soltou um riso baixo] Vamos, Quinn acorde. Está na hora de trabalhar.
Q: Não [Negou sonolenta]
R: Não? Quinn [Chamou-a mais alto] Levante já [Sacudiu-a pelos ombros]
Quinn finalmente acordou e xingou. Rolou para o lado, dando espaço para que sua mulher levantasse. Cobriu falsamente os olhos com o antebraço, disfarçando seu olhar esguio para a mulher seminua em frente a sua cama.
Q: Sabe, todas as pessoas preferem acordar o companheiro ou a companheira com beijos pela manhã, e não com gritos e sacodes. [Reclamava]
R: Ainda bem que eu não sou todo mundo [Replicou divertida] Agora levante! Você tem que ir trabalhar [Lembrou]
Q: Não tenho não. Eu sou a dona da empresa. E ainda que tivesse, nunca ouvi dizer que a dona tem hora para chegar [Retrucou bocejando]
R: Pensei que a dona trabalhava igual outros.
Q: Não, ela trabalha mais. E ela precisa de uma folga.
R: Ora, pare de falar de si mesma na terceira pessoa [Ralhou] E deixe de ser preguiçosa e vá empresa. Você tem um novo projeto em andamento, não é?
Q: Merda [Xingou ao reconhecer que a judia estava certa] E você não vai a NYADA hoje? [Levantou depressa]
R: Hoje será um congresso e confraternização para os formandos [Deu de ombros]
Q: E não você é uma? [Perguntou confusa]
R: Não, este é meu penúltimo semestre. Ainda falta mais um [Mordeu o lábio inferior, apreensiva]
Olharam-se durante breves segundos, se dando conta quanto ainda estavam distantes uma da outra. Já havia passado um bom tempo desde o matrimônio delas; e a relação tendia evoluir. Não tiveram mais uma briga gigante. Somente pequenas discussões que resolviam facilmente. Adequaram-se ao ritmo um da outra, os horários da faculdade, da empresa, do teatro, da galeria... organizaram-se para que conseguissem passar pelo menos um turno do dia juntas ou uma parte dele. Entretanto, transgressões ainda eram evidentes.
Q: Então você está livre hoje? [Seu olhar se iluminou]
R: Por que a pergunta?
Q: Para sairmos juntas... digo, como um casal. Aproveitarmos além da nossa casa, quarto, cama. E conversarmos [Sugeriu esperançosa] Você disse uma vez que não nos conhecíamos, que fazia ideia dos anseios. O que tornava o futuro incerto.
R: Eu me lembro disso. E você retrucou que nos conhecíamos como ninguém. [Semicerrou os olhos desconfiada]
Q: E nos conhecemos, mas podemos criar ainda mais intimidade; se formos abertas uma com a outra. [Aproximou-se e puxou-a pela cintura, colando os corpos] Ora, vamos minha Rach [Encostou as testas] Jantamos juntas, bebemos vinhos, conversamos, namoramos...
R: Oh meu Deus! [Deu um risada sonora] Lucy Quinn Berry-Fabray, você está me convidando para um encontro?
Q: O quê?! Não! [Exclamou envergonhada] Já somos casadas, portanto, não é um encontro. É um jantar romântico para nós como um casal. Então, por favor vamos? [Questionou ansiosa]
R: Eu preferia que esse programa ficasse para amanhã. Tenho que cuidar de Beth hoje. [Crispou os lábios] Minha mãe tem uma reunião importante e Noah tem um evento em organização ainda que exige dedicação total. E você vai à empresa.
Q: Você tem que fazer isso? [Bufou frustrada] Por que Shelby não contrata uma babá?
R: Minha irmã não vai ser educada por babás, Quinn [Revirou os olhos] Já falamos sobre isso. E você foi voto vencido. Três contra um. [Pontuou pausadamente] Agora vá se arrumar...
Q: Espera. Se for amanhã, eu quero passar o dia inteiro com você, Rach.
R: O dia inteiro? [Surpreendeu-se]
Q: Sim, o dia inteiro [Confirmou] Manhã, tarde e noite. Sem empresa, sem teatro, sem faculdade. Só eu e você, promete? [Fitou-a com intensidade]
R: Ok... [Concordou atordoada]
A loira afastou-se sorrindo bobamente em direção ao banheiro, deixando uma judia completamente aturdida para trás. Acontece que a ex-cheerio ainda a desarmava com o jeito para com ela, desde um singelo sorriso ao mais profundo olhar.
Rachel se acostumou a viver sob constante policiamento sobre si mesma. E bom, a partir do momento que coisas entre ela e a esposa haviam mudado, coincidia com um grande alívio. Seguiu sua vontade, escolheu não resolver, sendo agraciada por essa sensação. Um peso foi embora, o sol brilhou mais e, por hora, encontrou um pouco de paz.
Fora à Breecher Prep Elementary School com o motorista esperar a irmã caçula. Almoçaram juntas, mas a morena notou que havia algo errado. Beth não falava nada, apenas comia e ouvia, sequer sorria.
R: Hey Anna, o que houve? [Perguntou preocupada] Você está tão quietinha...
B: Eu sou a Elsa [Falou emburrada] Estou com dor de ouvido. [Tapou a orelha com a mão, fazendo careta]
Rachel retirou a mão e com cuidado verificou a orelha. Aparentemente normal. Não estava vermelha ou inflamada. Nada para se preocupar. Carinhosamente pressionou os lábios no local num gesto casto, recebendo um olhar de interrogação.
R: Meu beijo é mágico, vai passar...
B: Achei que isso era com as mães [Arqueou a sobrancelha, igual a Quinn]
R: Com as irmãs mais velhas também [Piscou divertida]
As irmãs passaram a tarde juntas, viram Frozen mais uma vez, brincaram com Grammy. A cadela dengosa adorou a garotinha e exigia cada segundo da sua atenção, cobrando carinhos. A intensão da diva era distrair Beth a fim de que a dor fosse esquecida. Sorriu ao vê-la no chão rindo, enquanto o filhote lambia seu nariz.
Afastou-se por um momento para pedir a governanta que preparasse um lanche para elas, quando escutou latidos ensurdecedores. Voltou depressa e encontrou a irmã sentada encolhida. As pernas dobradas contra o peito, uma mão sobre a orelha, lábios retos e olhos fechados; em uma total expressão de dor.
R: Beth, o que foi? [Agachou-se na frente] Por favor, lindinha, fala comigo. [Disse agoniada]
A menina continuava sem dizer nada e uma lágrima escorreu pela sua face. A mulher puxou-a contra si, sussurrando palavras tranquilizantes. Beth deu um grito de dor, apertou mais a mão na orelha, onde saiu um líquido. Desesperada, Rachel pensou duas vezes. Carregou-a no colo para o carro ao mesmo tempo em que ligava em busca de ajuda, partindo para o hospital.
***
Quinn estava concentrada no novo projeto, quando recebeu uma ligação de uma Rachel nervosa e atormentada. Não foi possível compreender muito, porém soube que era algo relacionado a sua filha. Não hesitou em pedir a sua assistente que cancelasse o restante dos afazeres marcados para esta tarde e logo depois, seguiu prontamente para o hospital.
Assim que adentrou consultório da Dra. Button, se deparou com Shelby conversando com o médico, Noah participando da conversa enquanto detinha Beth nos braços; Rachel estava sentada isolada.
Dra. Button: Senhorita desculpe, mas o consultório está ocupado...
S: Está tudo bem! [Assegurou] Ela é... [Tentava explicar]
Q: Quinn Berry-Fabray, esposa de Rachel [Apresentou-se] Como ela está? [Questionou preocupada, referindo-se à filha]
Dra. Button: Beth está bem [Garantiu] Foi uma inflamação interna no ouvido. Já foi medicada e receitei um antibiótico a fim de que o tratamento tenha continuidade em casa.
Quinn assentiu mais tranquila por não ter sido nada grave. Caminhou até a sua filha, que dormia serena nos braços do pai. Afagou o cabelo loiro, inclinou-se para beijar carinhosa a testa e em seguida sussurrar o quanto a amava.
Por fim, sentou ao lado da esposa que continuava cabisbaixa.
Q: Rach? [Chamou-a, mas vão] Rach, meu bem, olhe para mim [Pediu aflita]
R: Ela me disse, Quinn! [Respondeu agoniada] Beth me disse que estava com dor de ouvido e eu chequei, mas juro que não vi nada de estranho [Olhou para a loira] Eu devia ter tido mais cuidado...
Q: Ei, para com isso [Repreendeu suave] Você ouviu a doutora, ela está bem. Foi interno, Rach! Não tinha como você ter notado.
R: Você não viu a carinha de dor dela, Q... O grito dela foi... [Interrompeu a fala sofrida]
A loira a aconchegou contra si, dando o carinho e conforto que ela precisava no momento. Naquele instante ficou ainda mais encantada com a ligação existente entre Beth e Rach. O quão abençoada era por ter os grandes amores da sua vida interagindo dessa maneira?
Q: Não foi sua culpa. [Tranquilizou-a] Ela é uma criança, então é completamente normal que ela fique doente. É uma fase vulnerável, Rach... [Beijou no alto cabeça dela]
Após a consulta, Beth foi para casa com Shelby repousar. A mãe cancelou os compromissos para cuidar da filha. Assim, mais tranquilas, Quinn e Rachel puderam seguir para o lar delas.
Shelby retornou as ligações informando o estado da filha, acalmando os alardes do casal que pôde seguir para o programa já marcado para àquele dia.
Quinn fez questão de dispensar o motorista para ir sozinha com a esposa. Preparou tudo; fez telefonemas, deu ordens aos empregados, fez reservas. Elas não voltariam para casa tão cedo.
Rachel permanecia encostada no banco do carro com a cabeça voltada para a janela. Ela não tinha dito nenhuma palavra desde que saíram de casa.
R: Por que deu folga a Sebastian? [Quebrou o silêncio de repente]
Q: Porque esse dia é inteiramente nosso [Manteve a atenção no transito]
Pelo canto da visão, a fotógrafa percebeu que a sua mulher a olhava com expectativa e um sorriso suave brincava em seus lábios. O carro se moveu por mais alguns minutos até parar em frente a um prédio. O edifício era enorme, luxuoso. Uma arquitetura bastante contemporânea, articulando-se mais um “arranha-céu” em nova York. O carro foi estacionado na garagem.
R: Você me trouxe para sua empresa? [Sua voz era incrédula] No nosso primeiro encontro? [Seu tom estabilizou um ar de riso]
Quinn apenas manteve um sorriso misterioso, saindo do carro e dando a volta para abrir para outra. Enlaçou de forma firme, guiando-a. À medida em que se descolocavam pelo interior do local, a empresária sorria para os funcionários e fazia a questão de apresentar a sua esposa. Todos muito educados cumprimentavam a diva que, por sua vez, estava atônita com a ação inesperada.
Quando entraram no elevador, ambas soltaram o ar que nem sabiam que prendiam.
R: Quinn, o que estamos fazendo aqui?
Q: O que? Não gostou de conhecer meus funcionários? [Seu tom era carregado pelo receio]
R: Estou surpresa, devo dizer [Mordeu o lábio, inquieta] Achei que seria um dia completamente nosso, sem intromissões.
Q: Tecnicamente não é uma intromissão. Vai ser um dia sem trabalho, eu prometo.
Percebeu grande ansiedade nos castanhos e lhe deu como resposta um sorriso acolhedor. A mão alva começou a fazer carícias suaves, em movimentos circulares, entre a cintura e o quadril da parceira. As portas do elevador se abriram e a loira tomou rédeas, conduzindo-as para o destino planejado. O corredor extenso estava desabitado, como deveria estar. Maneou a maçaneta da porta de marfim claro e abriu.
Ao constatar o semblante confuso da esposa, a empresária seguiu o olhar dela, que se encontrava fixo no interior da sala, deparou com Hazel Mosby perto da sua mesa.
Q: Hazel, o que faz aqui? [Interrogou confusa]
A assistente sobressaltou assustada, virando-se pálida enquanto o casal adentrava no recinto.
H: Sra, Berry-Fabray, que susto! [Levou a mão ao peito, onde o coração batia levemente] Eu vim buscar o relatório do novo projeto para consertar as falhas e acrescentar as mudanças. Assim, vou poder refazer os gráficos e planilhas. [Explicou ainda assustada] Eu não esperava encontrar a senhora aqui.
Q: Digo o mesmo [Arqueou a sobrancelha, intimidadora] Você poderia ter esperado até a segunda-feira.
H: Mas eu posso organizar tudo ainda antes [Insistia]
Q: Como queira, porém, saiba de que esse plano não é de imediato. A última exposição ainda está muito recente. [fitou a esposa por breves segundos] Stra. Mosby, essa é a minha esposa Rachel Berry-Fabray. Rach, essa é Hazel Mosby, minha assistente.
A jovem recém-formada encarou a judia, estendendo a mão para cumprimenta-la.
R: É um prazer [Aceitou o cumprimento]
H: O prazer é todo meu [sorriu educada] Bom, eu acho que devo me retirar, com licença... [Se encaminhou a porta]
Assim que a garota saiu, a postura de Quinn relaxou por não empecilhos de seguir com o que tinha em mente.
Q: Bem-vinda ao meu escritório, minha Rach [Disse de forma brincalhona, abrindo os braços]
Rachel, por sua vez, olhou em volta. Sala bem ampla e equipada. Uma mesa enorme de vidro no centro, similar a um gabinete, no entanto, moderno. Duas cadeiras igualmente grande ao redor dela, postas de frente para a outra. Na parede havia um quadro de arte contemporânea, cujo o autor a morena desconhecia. Um vaso de planta para ambientes fechados, um cacto, no escanteio do local. E na lateral, um sofá preto que aparentava ser bastante aconchegante. Por fim, os olhos pousaram nos objetos em cima da mesa. Um notebook, papeladas arrumadas milimetricamente. E três porta-retratos. Beth; De Rachel e Quinn no dia do casamento, olhando-se de forma tão intensa; E a última do casal com Grammy.
Q: Quando eu estava em YALE, procurei cursar matérias, de início, referentes a atuação. Eu achava que gostava disso, pois me lembrava as performances do Glee Club, mas um dia resolvi visitar o curso de fotografia... [Começava a falar, mantendo-se atenta a Rachel] Então foi que eu entendi. Eu gostava da moldura coisa, do quadro que representavam no momento que estava tudo pronto, organizado e harmonia. Tal questão que fotografia me permitia captura-las e conservá-las para sempre [Sorriu ao olhar para as fotografias na mesa] Admito que não foi uma surpresa reconhecer isso, nós duas sabemos que eu tinha um fraco pela fotografia desde o colégio.
Rachel permaneceu calada, ouvindo cada palavra. Pegou a segunda fotografia e passou os dedos por cima do vidro. Recordando do momento, do que sentiu ao ver a sua futura esposa vestida de noiva. Sentiu a mão de Quinn cobrir a sua em cima da foto, os seios dela pressionarem suas omoplatas, a respiração quente sobre si. A morena ergueu a cabeça e encontrou um sorriso apaixonado nos lábios rosados acompanhados de um olhar terno.
Q: Eu quis abrir essa empresa por acreditar que eu poderia ultrapassar os limites do comodismo e achar algo me represente melhor. [Tomou o porta-retrato e colocou de volta na mesa] Eu quis fazer, além de um passatempo, ser fotógrafa e conseguir sobreviver disso. Ter uma carreira estável, sabe? [Virou-a em seu braços] Sei que ainda tenho que crescer nesse âmbito empresarial, especialmente pela parte cinematográfica. Na qual eu ainda estou engatinhando...
R: Eu pensei que fosse uma empresa bem-sucedida [Franziu a testa]
Q: E é, porém, é meu nome como uma fotografa renomada que acarreta esse sucesso sobre essa companhia [Explicou] Ainda tenho que crescer como empresaria e administradora.
R: Quinn, eu tenho certeza que você faz um trabalho incrível em todas as áreas desse empresarial, mas se você quer buscar um nível ainda maior, eu te apoio. Eu não tenho dúvida que você conseguiria, visto que nunca houve obstáculos para te impedir [Sua voz era carinhosa] Mas por que você me trouxe aqui? Por que agora? [Perguntou curiosa]
Q: Eu percebi que você estava certa sobre não nos conhecermos direito [Suspirou] E ainda disse que se te assusta não saber sobre mim, o que eu quero. Eu não quero que se sinta assim! Preciso de você por completo, dividir uma vida por inteiro, mais do que uma cama ou uma casa. Eu preciso fazer parte da sua vida e desejo você na minha [Desabafou] Saber mais sobre você, o que ninguém sabe e te contar o mesmo.
Naquele momento, Quinn estava exposta em sinal de entrega. As defesas foram abaixadas, deixando-a vulnerável... Vulnerável para Rachel. E mais importante, ela queria isso. Queria estar nas mãos da morena e deseja receber a mais entrega por parte dela. Era uma parte necessária. Forçar a abertura e a exposição. Oferecer tudo o que temos e esperar que seja o suficiente.
Elas saíram da empresa e foram almoçar em um restaurante, cujo a loira já havia feito reserva para aquele horário. Localizado no último andar de um hotel na Times Square, agraciando os clientes com vista de 360º da cidade. Era conhecido vulgarmente como restaurante giratório.
Quinn havia escolhido uma mesa afastada devido aos olhares curiosos, pois como suspeitava desde as recentes matérias sobre o espetáculo Os Miseráveis, que davam atenção especial a atriz que interpretava Eponine, Rachel portava uma fama maior.
Um som de piano embalava o clima mais leve.
O menu oferecido contemplava a culinária americana contemporânea, completo e com opções.
Q: Então... [Puxou assunto, assim que fizeram os pedidos] Me fale sobre você.
R: Sobre mim? [Estranhou a pergunta]
Q: Eu disse que queria fazer parte da sua vida por completo e que queria saber de tudo [Piscou-lhe] Vamos, me conte
R: Tudo bem [Concordou sorrindo] Mas eu não tenho uma história envolvente sobre como eu descobri minha paixão profissional, eu sabia desde o início.
Q: Me conte sobre as produções já participou, NYADA, os seus amigos ou que fez depois de sair de Lima [Sugeriu animada]
R: Eu pensei já soubesse de tudo isso [Mordeu os lábios confusa] Você me disse que tinha assistido cada uma das peças.
O garçom interrompeu a conversa trazendo o almoço do casal, retirando-se após de servi-las.
Q: E eu assisti todas elas mais uma vez [Confirmou sorrindo] Eu acompanhei sua vida de longe, Rach. Do pouco que Beth deixava escapar, as matérias e entrevistas dadas por você, em meio a plateia no fundo do teatro. [Seu sorriso ficou triste] Eu não quero mais assistir você e não poder fazer participar. Eu não quero ver sua vida passar, de longe, diante dos meus olhos. Não mais, por favor!
Elas ficaram se encarando durante alguns segundos. As feições da loira carregavam o sofrimento e a angustia que sentira outrora, enquanto as da morena continuavam sem expressão. Rachel, por extensão, realmente estava sem expressão, ainda digerindo a sincera declaração e o seu significado implícito. Quando chegou à conclusão, Buscou os olhos que, agora, eram plenamente verdes e segurou a mão, entrelaçando os dedos. Dando um sorriso pequeno, perguntou:
R: Por onde eu devo começar a contar, Q?
Quinn substituiu a expressão que tinha por um sorriso bem amplo.
Q: O que você fez quando saiu de Lima? Eu quero saber da sua vida a partir daí.
R: Bom... Eu vim para NY mais cedo para participar de um programa para calouros em NYADA. No começo foi difícil, eu confesso. Eu não tinha amigos, não conhecia ninguém, ficou escalada para o pior quarto do dormitório e com a pior colega de quarto. Ela transava com todos e todas! De manhã, de tarde, de noite. Uma verdadeira ninfomaníaca [Contava entre risadas] Até que um dia, Jesse me ligou dizendo que estava morando na cidade e marcamos de nos encontrar.
A loira fechou a cara ao ouvir o nome do sujeito. Entretanto, não interferiu, pois lhe interessava muito saber a origem da aproximação deles dois.
R: Por incrível que pareça, eu fiquei feliz em vê-lo. Parecia que finalmente tinha parado de andar em uma terra de desconhecidos. Ele foi gentil, simpático, atencioso. Logo, nos damos bem e viramos amigos; fui apresentada ao grupo social e me enturmei de uma vez. Jesse sempre foi especial para mim e sempre vai ser. Ele me ajudou a me adaptar a cidade grande, ao ritmo da faculdade, inclusive me arrumou audições para fazer. A minha primeira peça Of-Broadway foi uma versão musical do “Mágico de OZ” [Fez uma pausa breve para umedecer os lábios] Eu fiquei muito nervosa e ansiosa com o teste e acabei surtando, Shelby ficou sabendo e veio ao meu encontro. Nós nos falávamos por só telefone antes porque eu tinha problemas com o triângulo. Eu, Beth e ela. Então minha mãe surgiu e me auxiliou com a audição. No dia da estreia, ela apareceu com Beth e nos apresentou. A minha irmã sabia tudo sobre mim! Tanto que fiquei um pouco assustada. Shelby pediu perdão e pediu para que a deixasse ser o que ela era, minha mãe. E depois de um tempo... Nossa relação se transformou.
Q: E Puck? Você não falou como vocês se reencontraram.
R: Oh sim! Noah... Você sabe que qualquer laço afetivo que nós tínhamos se resumia a ser judia e ele também, né? Pois bem; eu, Jesse e o resto grupo fomos a uma boate. Curtimos, dançamos, bebemos e de repente, eu esbarrei em Noah. Foi total acaso, nem imaginava que aquela noite estava sendo organizada por ele. Começamos a conversar, marcamos de nos ver outra vez. E depois, ele foi à minha peça e à peça de Jesse. Assim, fomos nos tornando grandes amigos. Ele é meu melhor amigo, companheiro, confidente, passamos por tudo juntos. Há uns três anos, ele decidiu que deveríamos morar mais perto um do outro, então, nos mudamos para o edifício que você já conheceu.
Q: Foi nesse período que vocês namoraram? [Indagou sem conseguir conter o ciúme]
R: Não namoramos, já te disse [Explicou desentendida] Nosso relacionamento tinha respeito, cumplicidade, sexo, mas não...
Q: Rachel! Eu não quero ouvir [Cortou enciumada]
R: Mas você quem perguntou [Sua voz era confusa]
Q: Mas eu já não quero mais saber [Rebateu ríspida]
Quinn fechou a cara e cruzou os braços ao mesmo tempo em que era analisada sob o olhar intrigado de Rachel.
R: você sabe que não precisa ficar com ciúmes do Noah, certo? [Comentou calma]
Q: Não se trata de ter ciúmes dele, mas da situação! [Se defendia] Eu tenho ciúmes dessa relação que vocês tiveram... podia ser qualquer pessoa que a minha reação seria a mesma. Quando eu penso que mais alguém já beijou você, te tocou; eu fico louca. Eu não suporto essa ideia [Confessou]
Mais uma vez, a empresária agia daquela forma. Tomando como base suas atitudes enciumadas e posturas possessivas de outrora, era óbvio a existência daqueles sentimentos para com sua mulher. Entretanto, eles nunca foram dissecados em palavras antes e postos para fora de maneira tão clara, provando que não referiam a uma visão de ver a judia como um pertence e sim, de agonizar com a ideia de ela estar com outra pessoa. Agonizar por gostar dela. E era esta última perspectiva que passava na cabeça da diva no momento. A consciência da conclusão lhe causou um arrepio no corpo.
R: Mas você não precisava ter agido de forma tão grosseira [Reclamou ainda um pouco chateada]
A loira suspirou em compreensão e tomou-lhe a mão direita. Levou-a aos lábios, depositando um beijo singelo.
Q: Eu sei, meu bem... Eu sou uma estúpida, me perdoe [Falava sincera] Eu não quero estragar o nosso dia nem o clima em que estávamos. Por favor, continue.
Rachel assentiu, aceitando o pedido e resolveu continuar. Contou sobre as outras peças, sobre os seus pais, como Shelby virou sua agente e a de Jesse, conseguindo outros clientes depois. O casal se empenhou para dissipar a atmosfera ruim que havia se instalado.
Quando deixaram o hotel, Quinn arrastou a outra de contra a multidão, indo em direção aos holofotes. A área era uma junção da Broadway com a 7ª avenida, na região central de Manhattan.
Q: Pronto, chegamos. [Sorriu para ela] Eu quero que vejo uma coisa... o novo outdoor da sua peça!
R: Os Miseráveis? [Perguntou confusa] Ele esteve aí porque estamos praticamente em frente a Broadway [Dizia como se fosse o óbvio]
Q: Eu disse o novo cartaz [Piscou-lhe] Vire-se...
E a atriz assim fez. Todavia, era o mesmo cartaz que se encontrava por lá. Os três protagonistas no centro com seus respectivos nos nomes em cima e em proporção bem menor apareciam os coadjuvantes do elenco. E de súbito, a imagem mudou. Eponine, o seu personagem, em pôster solo. Trajando a figurino característico, com os cabelos levemente bagunçados, as faces sujas como era uma miserável; o corpo de lado e a cabeça voltada para frente com os olhos fixados. OH Deus! Era um cartaz dela... Seu primeiro. As pernas da morena da morena fraquejaram e o ar parecia rarefeito. Sequer notara quando a Quinn lhe abraçou por trás, repousando o queixo em seu ombro, admirando também a foto.
Q: Eles colocaram um dia após àquela matéria sua no New York Times [Explicava] Já tirei várias fotos e mandei para todos. Seus pais, meus pais, sua mãe, meus amigos... [Deu uma risadinha] Parabéns minha estrela, estou muito orgulhosa de você! [Beijou-lhe na bochecha]
Rachel permitiu as lágrimas caírem e virou-se para esposa, abraçando-a com força. Tentava dizer alguma palavra, mas nada saía além de soluços. Sem condições de descrever o que sentia no momento. Quinn, em resposta, afagou sua coluna e acolheu carinhosa.
Depois da euforia, a fotógrafa tirou fotos. Das pessoas olhando o cartaz de Rachel Berry-Fabray, da própria dando o mais belo sorriso e com rosto vermelho inchado, por conta do choro, e a pôster pairando ao fundo. E por último, uma “selfie” delas com o outdoor de fundo.
Assim que chegaram em casa, cujo estava vazia, Quinn puxou Rachel para o andar de cima, indo para o quarto.
R: Onde estão todos? [Questionou, enquanto era arrastada]
Q: Eu os dispensei. Um dia só nosso, lembra? [Deu um sorriso contagiante]
Quando pararam em porta do quarto deles, a loira prostrou-se atrás da amada, cobrindo os olhos dela.
R: Q, o que está fazendo? [Achava graça a atitude da loira]
Q: Eu tenho algo pra você... pra nós... [Sussurrava no ouvido dela] Abra a porta...
Com o arrepios no corpo, devido a voz somado a expectativa do que poderia lhe esperar, a judia abriu a porta. Devagar entrou com a outra em seu encalço ainda lhe vendendo.
Q: Aqui está bom... [Anunciou quando chegaram no centro do cômodo]
O coração batia forte e ligeiro em seu peito, suas mãos ficaram geladas. Nervosa e ansiosa, retirou as mãos dos olhos da outra.
Quando abriu os olhos, viu o quarto mais escuro que o normal. Isso porque as cortinas do quarto estavam fechadas, impedindo a iluminação natural do dia. Contudo, foi a parede da fronte que prendeu a sua atenção. Estava repleta de fotos; o mesmo artifício do papel de parede do quarto especial do andar de cima. Porém, possuía uma diferença em seu aspecto. Não pareciam ser exatamente fotografias, mas retratos e contornos bem suave sobrepondo-se a textura da parede. Por isso, o quarto estava escuro, visando ajudar na visualização. No alto, havia uma lâmpada estrategicamente instalada para iluminar a parede.
Em razão dessa surpresa, Quinn programou para que passassem a manhã e boa parte da tarde fora de casa enquanto as pessoas contratadas trabalhavam nesse serviço. Arquitetou tudo minuciosamente, especialmente a escolha das imagens. Continha a primeira foto que tiraram juntas no quarto de Rach, antes de namorem de fato, outra que tiraram quando começaram a namorar, e mais diversas fotos de outros momentos daquela época. Adicionadas, as fotos mais recentes, do noivado, diversas do casamento. Elas e os amigos, elas e os pais, elas e Beth. A troca de aliança, a dança, o beijo. E a última foto era delas com Grammy no dia da chegada do filhote. No entanto, parecia existir uma falha, pois as figuras paravam na metade da parede.
R: O que... [Tentava se expressar] é isso? [Encontrou a voz finalmente]
Quinn virou-a em seus braços, sentindo-a anestesiada. Ambas compartilhando a intensidade daquele momento. Da mesma forma, com a mesma potência, com os mesmos sentimentos. Estavam sintonizadas.
Q: Isso somos nós. Nossa história, os melhores momentos. [Encostou as testas] E está pela metade porque ainda estamos construindo, ainda estamos vivendo. E vamos viver! [Fechou os olhos sentindo a respiração pesada de Rachel bater em seu rosto] Porque quero isso, Rach! Eu quero essa parede cheia de fotos, quero vários momentos com você... Eu quero tudo com você! Quero ser parte da sua vida por inteiro, estar do seu lado nos bons e maus momentos. [Abria os olhos e encontrava uma imensidão de chocolate marejada] Isso significa você me receber nela também, me deixar ganhar sua confiança para podermos seguir em frente. E então não vamos precisar de ter um dia nosso porque todos eles vão ser, dia após dia, formando uma vida juntas.
Rachel capturou os lábios de Quinn entre os seus, pondo tudo de si no beijo. O medo, a insegurança, o desejo, a paixão e o seu amor. E Quinn entendia. A morena não estava em condições de articular uma resposta no momento, então mostraria.
Era nítido como a linha do tempo do relacionamento delas fora interrompida. Um salto de cinco anos por meio um rompimento. Algo que afetou a todos e destruiu as duas, mas talvez seja por isso. Todo medo, a dor, as besteiras... talvez passar por isso seja a razão para seguir em frente, o que empurra adiante. Talvez seja preciso uma destruição antes do levantamento, da união, da força.
Quinn levou Rachel para a cama, onde essa assumiria o controle naquela situação. A loira sentou no colo dela, ambas já desprovidas de roupas, colocou uma perna de cada lado do quadril dela e rodeou os braços no pescoço dela. A morena avançou sobre o pescoço leitoso, beijando todo pedaço de pele e mordendo suavemente. Trilhou um caminho para os lábios, beijando-a com amor. Em seguida, sugou os seios. Um de cada vez com extremo carinho. Devagar, introduziu dois dedos dentro de Quinn que, em resposta, gemeu alto e contorceu a coluna. Os dedos se movem em conjunto com o quadril no mesmo ritmo. Os movimentos se tornaram mais intensos, fazendo a loira jogar a cabeça para atrás e Rachel voltar a beijar a pele amada.
A judia não estava agradecendo o dia ou as palavras ditas, era algo maior que isso. Muito maior. Seu corpo estava traduzindo o que sua boca não conseguiu dizer. Significava que queria essa vida com Quinn, que desejava as mesmas coisas. E ainda mais, desejava que elas estivessem entrelaçadas de tal maneira que não dessem continuidade na vida que estavam tendo, mas que progredissem cada vez mais. Não quero ser fechada, queria deixa-la entrar. E a mensagem foi captada pela outra.
Continuou os movimentos com precisão ao sentir a loira em êxtase, chegando ao ápice. Logo um gemido longo foi liberado em junção de um orgasmo. A diva beijou-lhe os ombros, o vão do pescoço, lambeu a camada de suor no vale dos seios. E por fim, retirou os dedos e os levou a boca, saboreando o prazer da sua mulher.
R: Eu... [Respirou fundo, buscando coragem] Eu já disse queria um “nós” e isso incluiu... [Mordeu os lábios nervosa] essa vida que vamos construir...
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