– Bom dia, Tia. – cumprimentou-a.
– Bom dia, Sra. Cullen. – olhou-a – Aceita alguma coisa para o café da manhã?
– Primeiro eu gostaria de saber onde está Edward.
– Ele já tomou o café e disse que ia para empresa.
– Entendi. – acomodou-se em um dos bancos – Já que ele saiu, então tomarei o café agora.
– Panquecas?
– Sim, eu adoraria.

Após o café da manhã, Bella foi para o quarto e se arrumou. Não ficaria em casa sozinha esperando por Edward, iria até à nova mansão ver como estavam as coisas. Ligou para a decoradora e por ser Isabella Cullen, conseguiu que esta desistisse da sua hora de almoço para ir até Scarsdale atender a chamada da esposa do poderoso Edward Cullen. Embry a levou até lá e Bella saiu do carro assim que ele estacionou na propriedade. Clarie Russell era a decoradora contratada por Edward para junto com Bella, decidir todos os detalhes do interior da casa.

– Bom dia, Sra. Cullen. – estendeu a mão – Que bom vê-la novamente.
– Bom dia. – apertou-a em um cumprimento educado.

Clarie usava uma saia lápis da cor vinho e uma blusa de seda marfim sobre um paletó que fazia conjunto com a saia. O sapato preto de salto era bastante elegante e ela tinha os cabelos castanhos presos em um coque. Bella lembrava perfeitamente dos olhos verdes fixos em Edward quando este se aproximou. Clarie o olhava sem conseguir disfarçar seu interesse e agora Bella se sentia feliz por estar ali sem ele, deixando-a desapontada.

– Vejo que o Sr. Cullen não pode vir. – ela disse tentando fazer com que o comentário parecesse inocente.
– Meu marido está ocupado com a empresa, mas me deu total liberdade para cuidar da decoração sem precisar de sua aprovação. – ela se adiantou para a entrada da mansão – Vamos falar primeiro sobre o quarto dos bebês, os móveis já foram entregues.

Bella passou toda a manhã com Clarie discutindo algumas ideias e decidindo sobre móveis e estilos de decoração para cada cômodo. Queria que tudo estivesse em harmonia e decidiu também a cor das paredes. Escolheu um tom pastel para o escritório de Edward que combinaria com a cor mogno dos móveis. Ela achava que aquele ambiente um pouco mais no estilo antigo deixaria o lugar aconchegante e acolhedor, diferente do escritório dele na empresa que parecia bastante sem vida.
Satisfeita com as decisões daquele encontro, Bella dispensou Clarie e ficou um pouco ali no jardim da mansão que logo sofreria o trabalho de paisagismo. Ficou imaginando os filhos brincando e correndo pelo gramado, mas fechou os olhos pensando que quando isso acontecesse, já não estaria morando ali. Por que tanta preocupação por um lugar onde nem mesmo iria morar? Sabia a resposta. No fundo o que queria era que um dia Edward acordasse e decidisse rasgar aquele contrato e a assumisse verdadeiramente como esposa, dizendo que a ama. Foi despertada de seus pensamentos pelo toque de seu celular. Era Edward.

– Oi. – atendeu tentando controlar a empolgação pela ligação, já que mal se falaram desde que ele voltou para Nova York.
– Onde você está? – a voz dele soava um pouco irritada – Liguei para casa e Tia me disse que você havia saído.
– Estou em Scarsdale. – respondeu com tranquilidade – Embry me trouxe até aqui, eu gostaria de conversar sobre algumas coisas com Clarie.
– Da próxima vez me avise quando decidir sair da cidade. – ele disse ainda aparentando irritação.
– Não queria incomodar. Você saiu tão apressado hoje de manhã que imaginei estar muito ocupado na empresa.
– De qualquer forma, ligue. Caso eu não atenda, Jessica pegará o recado e depois me passará.
– Tudo bem. Mais alguma coisa?
– Não, só queria saber onde você estava. Nos falamos quando eu chegar.

Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, ele desligou o telefone. Bella suspirou e abaixou o braço de maneira derrotada. O que dera nele? Por que voltara a ser o antigo Edward Cullen? Guardou o celular dentro da bolsa se sentindo irritada e triste ao mesmo tempo, virou-se e decidiu ir para casa.

– Embry, me leve embora, por favor.
– Claro, madame. – ele se adiantou e abriu a porta para ela.

Durante todo o caminho de volta, Bella ficara olhando para fora do carro pensando no que podia ter acontecido para Edward voltar tão diferente. Não encontrava nenhuma resposta, nada que justificasse uma mudança repentina de uma hora para outra. Não podia perguntar nada a ele, não podia transparecer que estava incomodada, além do mais, ele jamais iria responder de maneira satisfatória se perguntasse diretamente.

Assim que chegou em casa, tomou um banho e deitou para descansar um pouco. A cada dia que passava ficava cansada com mais facilidade e a barriga pesada lhe dava dor nas costas. Aconchegou-se e acabou pegando no sono, sentindo o cheio de Edward no travesseiro ao lado do seu.

Um mês se passara, Bella estava com pouco mais de seis meses de gravidez e passava mais tempo deitada do que dando passeios. Deixara as aulas de culinária e se sentia péssima por isso. Algumas vezes visitara a oficina para qual ajudara com os livros, porém também deixara a atividade de lado. Sua barriga estava cada vez maior e sentia dor nos pés. Edward continuava cada vez mais calado e distante, ela algumas vezes não conseguia controlar a tristeza e cedia às lagrimas.
Nunca entenderia o marido. Jamais saberia o que fizera com que mudasse de repente. Onde estava o Edward carinhoso? Não conseguia entender como ele havia desaparecido de uma hora para outra e dado lugar novamente ao Edward frio com quem havia se casado. O celular tocou e ela esticou a mão para atendê-lo.

– Oi. – disse um pouco desanimada após olhar no visor e ver que era Edward.
– Bella, estou ligando para avisar que vou chegar tarde. Não me espere para o jantar.
– Tudo bem. – limitou-se a responder.
– Até mais.
– Tchau.

Desligou a ligação e largou o celular ao seu lado sobre a cama. Já estava acostumada com aquele tipo de notícia. Edward chegava quase todos os dias depois do horário de costume, apenas tomava banho, comia alguma coisa e dormia, ou às vezes se trancava no escritório. Quase não se falava, vez ou outra conversavam pouco mais de algumas palavras quando estavam em algum evento ou quando visitavam a família dele. Bella torcia para que os bebês nascessem logo, não para que Edward de repente passasse mais tempo em casa, mas porque precisava canalizar todo o amor que tinha para os bebês. Tentou esperar por ele, saber que horas ia chegar, mas o cansaço por conta da gravidez era maior e ela acabou pegando no sono.

Bella acordou com um sobressalto sem ter noção da hora. Procurou o celular e o viu sobre o criado mudo, mas não se lembrava de tê-lo colocado lá. Era quase oito da manhã e recordou-se de que tentou esperar por Edward que iria chegar mais tarde. O lado da cama onde ele dormia estava vazio, mas o lençol enrugado denunciava que dormira ali. O paletó e a gravata do dia anterior estavam jogados, dando a certeza de que Edward aparecera. O único problema é que não sabia a que horas.
Levantou-se devagar e apoiou a mão nas costas sentindo um pouco de dor. A cada dia que passava, era mais difícil sustentar o peso da barriga o que estava acabando com sua coluna. Tomou um banho rápido e desceu vestida com uma calça de pano azul escura e uma bata branca, deixando um pano bem folgado por cima da barriga protuberante. Sentia-se gorda e o fato de não transar com Edward desde que ele voltara de viagem só fazia com que se sentisse pior.

Vivia à sombra de um marido que pouco se comunicava e tudo parecia pior do que quando se casaram. Antes Edward conversava, mesmo que com suas grosserias, ainda mantinham relações sexuais e saíam juntos toda a semana. No momento, Edward mal parava em casa e não fazia a menor questão de estar junto com ela. Não queria tomar o café da manhã, passou direto pela sala de estar e entrou no corredor, entrando no escritório e suspirando sentindo o cheiro da madeira e a luz baixa do ambiente. Passou a mão pela borda da grande mesa e viu a caneta dourada com a gravação “E. Cullen”.

– O que deu no pai de vocês? – perguntou aos bebês que se reviravam em seu ventre.

À noite, Edward chegou do trabalho milagrosamente em seu horário normal. Entrou em disparada no quarto e arrancou o paletó jogando-o sobre a poltrona. Estava lindo, porém com o olhar frio que carregava consigo desde que mudara sua forma de agir. Bella estava recostada na cama e acariciava a barriga interrompendo a conversa com os filhos.

– Nos mudamos na semana que vem. – Edward disse arrancando a gravata vermelha jogando-a sobre o paletó.
– Já? – perguntou surpresa.
– Sim.

– Mas faltava toda a decoração. – arregalou os olhos – É uma casa grande, me disseram que demorariam um pouco até terminarem tudo.
– Consegui fazer com que acelerassem essa parte. A decoração será feita e depois ajeitaremos os detalhes. Precisamos nos instalar antes de terminar o mês.
– Por quê?
– Fui convidado para dar uma entrevista para a revista Forbes. Você já pode ter ideia do quão importante isso é. Querem fazê-la em nossa casa, mas a imprensa já tem conhecimento de que estamos prestes a nos mudar, então quero fazer isso antes de ser entrevistado. Tudo acontecerá na mansão em Scarsdale e tiraremos fotos juntos no jardim. Tânia, a encarregada das relações públicas da empresa já combinou com os jornalistas da Forbes, não podemos adiar nossa mudança porque precisamos de alguns dias para nos adaptar.
– Nossa. – recostou-se novamente ao travesseiro – Se não tem outra opção e ao que parece a entrevista é essencial. Então acho que já podemos nos despedir dessa casa.
– Sim. – balançou a cabeça – Peça a ajuda de Tia para arrumar suas roupas.

A nova mansão em Scarsdale era maravilhosa. Realmente tudo ficara pronto dentro do prazo e fazia dois dias que haviam se mudado. Edward continuava o mesmo, mas estava tenso com a entrevista. A revista Forbes era a mais importante do ramo de empresários milionários e ter uma matéria publicada alavancaria ainda mais seus negócios e visibilidade.
Para o dia da entrevista, Bella escolheu um belo vestido de cetim da cor salão, sapatos de salto preto e deixou os cabelos soltos. Colocou uma maquiagem leve e realçou os lábios com um batom rosado. Edward colocou uma camisa azul marinho de mangas longas e tecido fino. A calça jeans o deixava bastante despojado e nos pés ele usava um sapato preto. A primeira a chegar para ajudar com a entrevista foi Tânia. Uma loira magra, com cabelos repicados na altura dos ombros e um olhar bastante avaliador. Bella notou que ela a olhou de cima a baixo com os grandes olhos azuis claros e sorriu tentando mostrar simpatia.

– Bom dia, Sra. Cullen. – estendeu a mão com unhas pintadas de vermelho.
– Bom dia. – Bella cumprimentou-a apenas por educação.
– Fico feliz que tenha vindo cedo, Tânia. – Edward disse com um dos braços por cima dos ombros de Bella – Acho que precisamos repassar as perguntas que serão feitas.
– Claro. Serão basicamente sobre os negócios e a empresa. Depois disso lhe perguntarão sobre o casamento e os filhos. – ela respondeu piscando algumas vezes os longos cílios olhando fixamente para Edward.

– Venha, Tânia. Tia vai lhe servir algo para beber. Enquanto isso terei uma conversa com minha esposa, se não se importa. – ele virou-se e começou a levar Bella para dentro de casa sendo acompanhado pela loira.
– Acomode-se no sofá, não vamos nos demorar.

Dizendo isso, Edward levou Edward até o escritório e fechou a porta olhando-a com atenção. Ela estava nervosa, não entendia o motivo de tanto mistério.

– O que quer conversar comigo?
– Bella, precisamos ser o casal mais feliz do mundo. – ele disse em um tom de voz baixo – Precisamos o tempo todo nos olhar, sorrir, nos acariciarmos, darmos uma verdadeira demonstração de amor na frente das câmeras. Isso vai contar para a narrativa que virá antes das perguntas quando forem publicadas.
– Edward, eu sei. – ela balançou a cabeça em afirmativa – Estamos juntos há quase um ano, banquei a esposa apaixonada até agora.
– Só quero ressaltar o quanto essa entrevista é importante. Não estrague tudo.
– Não vou estragar nada.
– Precisamos deixar claro que teremos mais filhos, que não quero apenas os gêmeos, que teremos uma grande família.
– E eu comento toda feliz dizendo que estou louca para ter uma menina. – completou – Não precisa me ensinar nada, Edward.
– Ótimo, então vamos sair e fazer nosso papel.

Era estranho vê-lo falando daquele jeito. Definitivamente, Edward voltara a ser o mesmo com quem se casara. Calculista, egoísta e deixando claro que seu casamento era baseado nos negócios. Bella respirou fundo tentando controlar a vontade de chorar e caminhou de braços dados com ele até o lado de fora de casa, onde uma van da revista acabara de estacionar. Desceram alguns funcionários, o fotógrafo e a repórter sorrindo ao olharem para Edward, também satisfeitos com a matéria que iam publicar.
Após se acomodarem, o fotógrafo decidiu fazer algumas fotos antes de começarem as perguntas. Edward de repente estava gentil e atencioso. Ambos se sentaram no banco do jardim e ele abraçou-a com carinho, tiraram fotos sorrindo com expressões satisfeitas. Parecia um típico casal apaixonado. As poses foram mudando. Em algumas fotos estavam de pé, em outras sentados. Edward estava com a mão sobre a barriga da esposa, beijando o ventre protuberante, abraçando-a por trás e a mais esperada. O beijo do casal. Após uma sessão de flashes, ambos se acomodaram sobre a sombra da varanda.

– Podemos começar, Sr. Cullen? – perguntou Carolina Thompson, a repórter da revista.
– Claro. – Edward respondeu acomodado sobre o sofá da varanda de mãos entrelaçadas com a esposa.
– A que deve o sucesso da sua empresa?

Notas finais
então ai está a nossa querida Tânia finalmente apereceu hahaha chegou até comentem e foritem amouuuuuuu então recomendem bjos ♥