Contrato de Casamento
36 Capítulo 36
Notas iniciais
– Em primeiro lugar, a dedicação de cada um dos funcionários que estão envolvidos. Busco sempre aperfeiçoá-los e contratar pessoas qualificadas que vistam a camisa da empresa verdadeiramente. – respondeu tranquilo.
– Uma notícia se espalhou de que o senhor estava investido em empresas na Itália, é verdade?
– Sim. Eu comprei um vinhedo na Toscana pouco depois que me casei. Costumo atribuir essa compra à minha esposa. – Edward olhou para Bella que deu seu sorriso tímido.
– Por quê?
– Bella adora vinhos, sempre apreciei a bebida e fizemos um delicioso passeio por um vinhedo durante nossa lua de mel, o que me despertou o interesse pelo ramo.
Carolina fez mais algumas perguntas sobre os negócios de Edward e Bella segurava a mão do marido sentindo-a quente e aproveitando o toque caloroso que já não sentia há muito tempo. Tânia olhava o casal em um tom de interesse e Bella a todo o momento se sentia desconfortável com a presença daquela mulher, já Edward parecia ignorar que outras pessoas o estivessem olhando.
– A notícia de que a Sra. Cullen estava esperando gêmeos deixou-os todos contentes e foi um assunto bastante comentado nas festas. Pretendem ter outros?
– Bella e eu sempre quisemos ter uma família grande. Acho que por esse motivo Deus nos presenteou com dois filhos de uma só vez.
– Nosso próximo passo é ter uma menina. – Bella disse olhando para o marido tentando demonstrar toda sua paixão, escondendo a tristeza em seu olhar.
– Já escolheram os nomes para os bebês?
– Sim, mas isso será uma surpresa. – Edward se adiantou.
Mais meia hora de entrevistas e algumas fotos e finalmente todos foram embora. Edward automaticamente voltara a ser o homem frio que se trancava no escritório para trabalhar, ou para fugir dela, Bella ainda não tinha certeza. Era hora do almoço quando ela decidiu ir atrás dele para convidá-lo para comer alguma coisa e Edward estava parado de pé na varanda do quarto falando ao telefone.
– Hoje eu não posso. – ele falava suavemente e virou-se a avistando se aproximar – Marque para amanhã, às três Jessica. Preciso desligar. – seu tom de voz mudara completamente e Bella achou bastante estranha aquela reação. Imediatamente ele desligou o celular e se virou para olhá-la.
– Vim te chamar para o almoço. Com a manhã toda ocupado, você estar faminto.
– Sim. Estou. – ele se adiantou – Venha, você também precisa comer.
Tentar organizar o quarto dos bebês com uma barriga de sete meses e meio. No dia anterior, Rosalie havia passado na mansão para deixar roupinhas que havia comprado para os sobrinhos. Havia sacolas dadas por Esme e Carlisle e Bella os agradeceu ligando assim que a cunhada fora embora. Rosalie finalmente havia engatado um namoro com Emmett e parecia radiante, com um novo brilho no olhar. Ela também gostaria de estar feliz como a cunhada, mas tudo o que sentia era tristeza e a frieza do marido que mais uma vez estava trancado no escritório. Suas costas doíam um pouco, mas ela ignorava o incômodo e dobrava todas as roupinhas organizando-as dentro das gavetas.
Tia apareceu à porta segurando um envelope pardo e Bella parou de arrumar tudo desviando sua atenção para a governanta.
– Sra. Cullen, chegou uma correspondência para a senhora. – entregou o envelope à Bella que achou estranho não haver remetente.
– Obrigada, Tia. – acenou com a cabeça.
Curiosa para saber do que tratava aquela correspondência misteriosa, Bella abriu o envelope rasgando a ponta e notou que havia alguns papéis não muito grandes dentro dele. Enfiou a mão sentido a textura diferente e puxou revelando fotografias. Largou o envelope que caiu ao chão devagar e sentiu o sangue se espalhar pelo seu corpo de maneira rápida. As pernas ficaram fracas e ela desabou sentada na poltrona de amamentação. Todas as fotografias eram de Edward com uma mulher em frente a um edifício. Era loira e Bella quase conseguia ter certeza de que se tratava de Tânia, a mulher que tratava das relações públicas da empresa dele.
Não conseguia acreditar que Edward a estava traindo, mas todo seu comportamento nos últimos tempos deixavam claro que seu desinteresse por ela era justificado por uma traição. Bella sentiu seu estômago embrulhar ao ver fotos de Tânia segurando-o pela gravata e Edward com a mão sobre sua bunda. A terceira fotografia era ambos aos beijos e ela não conseguiu ver mais nada, sua visão embaçou e Bella desabou em um choro compulsivo. Agradeceu por Tia já ter saído do quarto, pois não se sentiria bem sendo vista chorando daquela forma com as provas da traição de seu marido em suas mãos.
Não era um casamento de verdade, sempre soubera disso, mas esperava dele que houvesse um mínimo de respeito. Edward não tivera consideração, sabendo que ela estava ali grávida, aguentando dores enquanto ele se deitava com uma loira descarada. As lágrimas corriam por sua face de maneira compulsiva, como uma cachoeira por suas bochechas e ela não se dava ao trabalho de secá-las. Algumas gotas caíam sobre as fotos e Bella não se importava. Queria gritar, queria correr, queria sair dali o mais rápido possível. Seu coração estava despedaçado, um coração apaixonado ferido pela traição e falta de respeito.
Foram longos minutos tomados pela tristeza, que deu lugar à raiva quando se deu conta das vezes em que ele chegara tarde do trabalho. Com certeza estava se divertindo com Tânia, enquanto ela o esperava feito uma tonta. Como pudera ser tão idiota? Como não percebeu que toda aquela frieza repentina demonstrava que ela já não o interessava? Era apenas uma mulher grávida com quem se casara por interesse comercial.
Levantou-se o mais depressa que pode e desceu carregando as fotografias com força amassando um pouco o papel. Seu sangue corria pelas veias fazendo todo seu corpo esquentar e a raiva que sentia era mais do que a dor nas costas, igualando-se ao tamanho da dor que sentia em seu peito. Irrompeu o escritório como um foguete, batendo a porta com força e fazendo Edward levantar os olhos confuso com a reação dela. Ele estava sentado à mesa digitando algo em seu computador, mas os olhos vermelhos de Bella e as bochechas molhadas eram um assunto muito mais urgente.
– COMO VOCÊ PODE? – ela gritou fazendo com que ele arregalasse os olhos – VOCÊ É SUJO, EDWARD! VOCÊ É UM MALDITO CANALHA COM QUEM ME ARREPENDO DE TER CASADO! – com força ela arremessou as fotos sobre ele, fazendo uma chuva de papéis cair sobre aquele homem enquanto outras batiam de encontro ao seu rosto.
Edward pegou uma das fotos que caíra sobre a mesa e ficou pálido ao tomar conhecimento do que se tratava. A prova clara de sua traição. Levantou os grandes olhos azuis e olhou para Bella que bufava de raiva.
– Bella, tudo tem uma explicação. – ele se levantou e ela deu um passo para trás.
– EU NÃO QUERO SUA EXPLICAÇÃO, EU NÃO QUERO NADA DE VOCÊ! – ela gritava com cólera – TUDO O QUE EU QUERO É SAIR POR ESSA PORTA E NUNCA MAIS VOLTAR!
– Pelo amor de Deus, Bella! Acalme-se!
– NÃO QUERO CALMA, EU QUERO QUE VOCÊ E SUA AMANTE VAGABUNDA SE DANEM! VOCÊ TEVE A CORAGEM DE SE DEITAR COM OUTRA MULHER ENQUANTO EU ESTAVA AQUI CARREGADO DOIS FILHOS SEUS! – ela fez o número dois com os dedos de maneira exagerada – VOCÊ NÃO TEVE UM PINGO DE RESPEITO!
– Bella, eu e você sabemos que esse casamento não é real. – ele tentava a todo custo se manter calmo diante de todo o escândalo.
– MAS FOI REAL O SUFICIENTE PARA VOCÊ ME ENGRAVIDAR!
– DÁ PARA PARAR DE GRITAR? – ele mesmo explodira fazendo uma das veias saltarem em seu pescoço.
– NÃO! EU QUERO QUE O MUNDO ESCUTE QUE VOCÊ NÃO VALE NADA!
– Pare com isso, Bella. Pelo amor de Deus! – ele contornou a mesa com a intenção de se aproximar dela.
– NÃO TOQUE EM MIM! – ela deu um passo para trás – NUNCA MAIS TOQUE EM MIM! – gritou com toda sua força e sentiu uma pontada na barriga – Ai... – gemeu colocando a mão sobre o ventre.
– Bella! – Edward correu até ela ficando preocupado, agarrando-lhe o braço e vendo a esposa curvada – O que houve?
– Minha barriga, está doendo... – ela disse com a voz fraca, totalmente diferente de poucos segundos atrás – Dói muito. – fechou os olhos com força.
Rapidamente, Edward a pegou no colo dizendo que a levaria para o hospital. Tia viu o patrão correr com a esposa nos braços já assustada por ter ouvido toda a gritaria.
– Tia, ligue para minha família, Alice e avise que estou levando Bella para o hospital. Acho que os bebês vão nascer. – ele disse ofegante e correu para a porta de entrada. – Avise que estarei no hospital central.
Jhon estava do lado de fora passando cera no carro quando viu o patrão correr com uma expressão desesperada até o veículo. Estava nervoso e podia notar as pequenas gotas de suor em sua testa enquanto a esposa permanecia encolhida em seus braços.
– Me leve para o hospital central agora. Acho que Bella está prestes a dar à luz.
O motorista largara tudo e ajudou o patrão a se senta no banco de trás deixando a esposa ainda encolhida segurando o ventre enquanto gemia de olhos fechados. As lágrimas desciam por sua bochecha e pingavam na camisa de Edward que a abraçava tentando dominar o pânico que sentia. Bella gemia e soluçava baixo, eram pontadas no ventre que a amedrontavam e machucavam.
– Não quero perder meus bebês, não quero... – gemia enquanto segurava a barriga encolhida no colo de Edward, deixando de lado todo o ódio que sentia, não conseguia nem mesmo raciocinar.
– Jhon, vá mais rápido! – Edward disse em um tom de voz alto e desesperado.
– Estou dirigindo o mais rápido que posso, Sr. Cullen. O tráfego está muito pesado.
– Então tira o peso dele, porra! – explodiu – Minha mulher está com dor!
Apesar de nervoso, Edward nunca explodia com seus empregados, mas o nível de estresse e desespero estava tão grande que já não pensava em mais nada. Bella choramingava nos braços dele, rezava para que Deus cuidasse da vida dos seus filhos, mas a dor que sentia algumas vezes era tão forte que fazia com que parasse a oração por não conseguir raciocinar.
Edward entrou na emergência carregando a esposa nos braços, sua testa acumulava gotas de suor por conta do nervosismo e da pressa com que caminhava. Entrou em disparada pelo corredor até a recepção onde uma jovem de olhos azuis olhava fixamente para uma tela do computador, os cabelos castanhos presos em um coque perfeito.
– Com licença, minha esposa está grávida e está com dores. – ele disse para a recepcionista que o olhou com os olhos em alerta.
– Vou chamar o médico responsável.
Rapidamente ela apertou um botão chamando o obstetra da clínica. Bella gemia e as lágrimas continuavam molhando a camisa dele, mas Edward apenas se importava em vê-la livre daquela dor, sã e salva assim como seus filhos. Seu coração estava apertado e se despedaçava aos poucos. Um senhor alto, com cerca de quarenta e cinco anos veio correndo pelo corredor, seu jaleco esvoaçava e ele fixou o olhar experiente em Bella. Christopher pode ler em seu jaleco o nome Dr. Carter.
– Vamos colocá-la na maca. O que aconteceu? – ele disse avaliando-a enquanto duas enfermeiras se aproximavam com uma maca.
Edward deitou a esposa sobre o colchão verde e ela chorou ainda mais agarrada à barriga, sem conseguir controlar a dor que sentia no ventre atravessando até mesmo sua espinha.
– Sou Edward Cullen. Minha esposa está grávida de gêmeos idênticos, começou a sentir dores e eu a trouxe até o hospital.
– Vamos levá-la até a sala de exames, precisamos fazer uma ultrassonografia de emergência para saber a posição dos bebês.
A equipe médica se apressou e o doutor empurrava a maca com Bella enquanto Edward andava a passos largos ao seu lado. Sentia sua testa molhada de suor, seu coração batendo acelerado e a adrenalina percorrendo cada centímetro do seu corpo como um vulcão prestes a entrar em erupção.
– Doutor, a paciente está perdendo sangue. Os sinais vitais estão muito fracos. – disse uma das enfermeiras que segurava o pulso de Bella.
– Vamos fazer o parto de emergência! – disse o médico se apressando mais – O senhor não vai poder entrar. – olhou para Edward.
– Como não?! – olhou-o ficando mais nervoso – É minha esposa!
– Mas o estado dela é delicado, falaremos com o senhor assim que terminarmos.
Rapidamente, a equipe virou o corredor e sumiu dentro de uma sala, fechando a porta em seguida e deixando Edward parado no completo silêncio. Sentia um medo se apoderar dele, uma sensação nunca sentida antes. Seu estômago parecia um vazio, seu corpo estava quente e ele podia sentir as batidas do coração de maneira forte e acelerada. Caminhou devagar um pouco desnorteado de volta à recepção onde Jhon esperava de pé um pouco apreensivo.
– Senhor! – a recepcionista chamou Edward que nem sequer ouviu – Senhor! – chamou-o novamente e ele levantou a cabeça devagar – Você precisa preencher a ficha de entrada da sua esposa.
Edward sentia como se caminhasse sobre as nuvens, como se seus pés não estivessem fincados ao chão. Era como se estivesse totalmente fora de si. Olhou para Jhon e novamente para a recepcionista, caminhou até o balcão e com dificuldade começou a preencher a ficha. Largou a caneta e olhou para o motorista que o olhava sem saber o que fazer.
– Jhon, vá em casa e busque a bolsa de Bella e a bolsa dos bebês. Tia irá lhe ajudar. – foi tudo o que conseguiu dizer antes de fechar os olhos e mergulhar novamente em sua tristeza.
Havia traído a esposa. Havia traído a única mulher que fora capaz de amar e por um deslize e medo do futuro, cometera o maior erro de toda sua vida. Agora por conta disso podia perder a esposa e os filhos. Lembrou-se das palavras da enfermeira. Ela está perdendo sangue.. Por que aquilo tinha que acontecer? Merecia ser castigado através de Bella? O barulho de saltos altos sobre o piso claro chamou a atenção dele. Edward levantou o olhar para encontrar com o da irmã, que vinha em sua direção com uma expressão preocupada.
Edward abriu os braços para recebê-la e apertou-a contra seu corpo. Precisava de algum apoio, precisava da família naquele momento e Rosalie era a única que o entenderia, por se tratar de ser a única Cullen a ter conhecimento sobre a verdade de seu casamento.
– Meu Deus, o que aconteceu, Edward? – ela disse sentindo o rosto do irmão afundado em seu pescoço.
– Bella está correndo perigo. Meus filhos correm perigo. É tudo minha culpa, Rosalie. – ele disse em um tom de voz que quase sumia – Se algo de ruim acontecer, nunca vou me perdoar.
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