Contrato de Casamento
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Pov : Edward
– Aconteceu algo com ela? – perguntou em um tom de voz preocupado.
– Eu não sei. – encheu novamente o copo – Bella simplesmente sumiu. – bebeu de uma só vez o whisky.O celular tocou e ele suspirou irritado, viu o número de Bella no visor e atendeu rapidamente.
– Bella? – ele ia bombardeá-la com suas palavras quando fora interrompido por uma voz desconhecida.
– Cullen. – dissera um homem do outro lado da linha com a voz tranquila, mas séria – Tenho um recado para lhe dar: acabei de sequestrar sua linda esposa e estando grávida ela está valendo muito mais.
– O quê? – perguntou sentindo as pernas fracas, apoiou a mão na parede ficando pálido e deixando Tia preocupada.
– Isso mesmo, sua esposa está comigo e a prova disso é que fiz questão de ligar do celular dela. Darei um tempo para você processar a informação e fique calmo, só farei algo à ela se você não agir conforme o combinado. Em breve ligo para dizer o quanto quero em troca para você ter a bela Isabella Cullen de volta. Não seja estúpido, Cullen. Não coloque a polícia no meio disso, você não vai gostar do resultado, acredite.Antes que pudesse dizer algo ou reagir, a ligação fora finalizada de Edward permaneceu na mesma posição largando o copo já vazio fazendo com que esse se espatifasse no chão provocando um grande barulho e quebrando em vários pedaços. Tia se assustou com o olhar vago do patrão, como se Edward estivesse fora de órbita. Era a primeira vez que o via daquele jeito, afinal, sempre fora tão controlado.
– Sr. Cullen? O que aconteceu? – perguntou ficando desesperada vendo o patrão pálido e sem reação.
– Bella foi sequestrada, Tia. Minha mulher está correndo perigo. – ele disse com o olhar vazio, como se tivesse fora de si.
– Oh, meu Deus! – exclamou aterrorizada.
– Não posso chamar a polícia, seria por a vida de Bella em risco. – guardou o celular no bolso – Ele quer dinheiro, Tia. Não sei quanto tempo vai durar até ele entrar em contato, enquanto isso Bella está sabe-se lá onde. – apertou os olhos com as palmas das mãos – Ela está grávida...
– Sr. Cullen, o senhor precisa sentar. Eu vou pegar um copo de água com açúcar, a Sra. Cullen vai ficar bem. Eu vou rezar muito e tudo vai dar certo. – segurou-o pelo braço em uma atitude que nunca tivera, mas aquele momento era excepcional e precisava cuidar do patrão, levando-o para se sentar.
Rapidamente Tia foi à cozinha e encheu um copo com água e algumas colheres de açúcar e voltou para a sala onde o entregou a Edward que tremia um pouco e balançava o líquido dentro do copo. Ele bebeu três goles e deixou o copo sobre a mesa de centro. Estava arrasado, sua mente dava voltas e tudo o que conseguia pensar era o q poderia estar acontecendo com Bella.
– Sr. Cullen... – Tia o chamou.
– Preciso ligar para minha família, para o pai de Bella, para Alice... – passou a mão no rosto – Meu Deus, eu não sei o que farei se algo de mal acontecer com ela.
– Pode apostar que tudo vai dar certo. Eu vou rezar muito por ela.
– Obrigado, Tia.
Os olhos de Edward eram tristes, sua vontade era de sair como um louco na rua procurando pela esposa em cada canto. Não se perdoava pelo que acontecera, se estivesse com ela... Ele fechou os olhos com força, não queria pensar em possibilidades, Bella estava correndo perigo e precisava fazer algo para acabar logo com essa tortura. Ligou para todos e Rosalie foi a primeira a chegar. Correu em direção ao irmão e o abraçou. Ela estava visivelmente preocupada e acariciou os cabelos do irmão tentando passar algum conforto.
– Edward, eu vim o mais rápido que pude. – olhou-o – Eu tenho certeza de que tudo vai ficar bem. Eu só sairei daqui quando Bella estiver sã e salva.
– Estou desesperado, Rose. – fechou os olhos – Eu não posso pensar em como ela está se sentindo agora. Isso me deixa totalmente de mãos atadas, não posso fazer nada para trazê-la de volta agora, só esperar.
Alice foi a segunda, chegou correndo com os olhos arregalados de expectativa e um brilho de preocupação. Edward desviou o olhar, se entreolharam, mas o silêncio que pairou foi confortador para ele. Podia ver nos olhos escuros da morena que ela estava ali para ser solidária e não o culparia pelo que acontecera. Charlie chegou logo em seguida, estava desesperado e a expressão em seu rosto denotava aflição.
– Onde está minha filha? – ele entrou na sala de estar a passos largos.
– Eu estou esperando por um novo contato.
– Se algo acontecer à ela eu mato você entendeu? – Charlie segurou Edward pelo colarinho da camisa, mas a atitude agressiva não o intimidou.
– Eu quero Bella sã e salva tanto quanto você, e não vou medir esforços para trazer minha mulher de volta.
– É mesmo? – Charlie perguntou de maneira irônica sabendo toda a verdade sobre o casamento da filha com ele.
– Pode ter certeza que sim. – Edward se desvencilhou com violência.
– Por favor, não é hora para brigarem. – Rosalie se meteu puxando o braço do irmão – Precisamos nos manter unidos e passar calma uns para os outros. Todos querem que Bella fique bem e eu sei Edward fará até mesmo o impossível para que isso aconteça. Todos estão com os nervos à flor da pele, mas vamos tentar manter a calma porque brigar agora não vai adiantar.
– Rose tem razão. – Charlie disse passando as mãos nos cabelos grisalhos – Precisamos nos concentrar em trazer minha filha.
– E eu vou trazer Bella de volta, nem que pra isso eu tenha que dar a minha vida. – Edward disse decidido – Pode apostar que ela estará aqui em casa sã e salva.
Edward estava confiante, mas ao mesmo tempo o medo que o consumia era terrível. Desabou no sofá sem encontrar forças para conseguir se manter de pé. Afundou a cabeça nas mãos e ficou naquela posição por longos minutos sem saber ao certo quanto tempo ficara assim. Só levantou a cabeça quando ouviu a voz da mãe chamando-o enquanto corria batendo os saltos do sapato no piso da sala de estar.
– Edward, meu amor. – ela se sentou ao lado do filho – Eu e seu pai viemos correndo. Me conte o que aconteceu direito, estou totalmente perdida.
– Eu também estou, mãe. – voltou a afundar o rosto nas mãos – Bella foi sequestrada, está sabe-se lá onde e eu estou aqui sem poder chamar a polícia e esperando uma nova ligação.
– Você precisa de um copo de água com açúcar. – alisou as costas dele – Tia, traga um copo para Edward e uma vela. Vamos rezar para que tudo dê certo.
– Não vou me perdoar se algo acontecer com ela ou com meus filhos.
– Não fale assim, Edward. – Carlisle disse em pé ao lado da filha – Todos vão ficar bem, vamos pensar positivo.
– Preciso falar com Emmett, vou precisar dele aqui. Com certeza vão me pedir um bom dinheiro, vou precisar da ajuda dele para conseguir o dinheiro tão rápido com o banco.
Fez a ligação para o advogado que rapidamente se prontificou a ir até a mansão. Edward estava com o olhar perdido, água com açúcar não o acalmava e a cada minuto que passava sentia seu coração se sufocando mais. Esme foi com Tia até o quarto e acenderam uma vela próxima à imagem de uma santa que a governanta mantinha sobre a cômoda. Rosalie ficou sentada em um dos sofás olhando para o iPhone angustiantemente silencioso que Edward havia deixado sobre a mesa de centro.
– Por que esse filho da mãe escolheu a minha mulher? – Edward perguntou com a voz áspera exalando irritação.
– Isso foi uma ação planejada, Edward. – Carlisle falou ainda de pé com as mãos nos bolsos da calça de brim – Ninguém ia simplesmente olhar Bella na rua e decidir sequestrá-la. É alguém que deve estar planejando isso desde que vocês se casaram e achou que agora que ela está grávida, é a melhor oportunidade de conseguir de você o que pedir.
– E ele vai ter. – levantou-se e enfiou a mão no bolso para tirar o maço de cigarros, era a melhor forma de tentar ficar menos nervoso – Eu não posso me dar ao luxo de por a vida de Bella mais em risco do que já está.
– Filho, quando tudo isso passar. Vamos falar com a polícia. – colocou a mão sobre o ombro dele.
– Emmett chegará em breve e como advogado ele deve ter uma visão melhor das coisas.
– Edward, eu acho que você deveria falar com a polícia. Eles precisam saber. Nem que um policial fique à paisana dando cobertura à toda essa situação. Escutas telefônicas, rastreadores, eu não sei. – Rosalie opinou e fez Edward olhá-la antes de acender o cigarro que estava preso entre os lábios, retirando-o em seguida.
– Tenho medo de que algo dê errado. Não quero correr riscos.
– Pense sobre isso, Edward. A polícia sabe o que fazer.
Ele ficou quieto, acendeu seu cigarro e tragou fundo a fumaça tentando se acalmar com o gesto. Edward fechou os olhos devagar e conteve a vontade de gritar. Por que aquilo estava acontecendo com ele? Precisava de uma bebida, aquela espera era uma tortura. Encheu um copo de uísque até quase a borda e bebeu de uma vez só até a metade. As duas mãos estavam ocupadas e ele olhava um ponto fixo na parede com a mente dando voltas. Esme voltou para a sala de estar e Edward nem sequer se dera conta.
– Filho, você precisa comer alguma coisa.
– Não, mãe. Eu não quero comer. EU QUERO MINHA ESPOSA AQUI! – gritou a última frase assustando quase todos que estavam na sala.
– Edward, se acalme! – Carlisle chegou perto dele e colocou a mão em seu ombro – Ele vai ligar, pedir o resgate e tudo vai dar certo.O celular tocou e todos se alarmaram olhando para o aparelho rapidamente de maneira tensa. Edward largou o cigarro que caiu ao chão e se adiantou atendendo a ligação enquanto todos o olhavam apreensivos.
– Alô?
– Cullen, vou direto ao assunto. Quero quinze milhões de dólares em troca da sua esposa. Tenho certeza que isso nem vai doer no seu bolso. Quero cinco milhões em notas de cem e dez milhões em notas de cinquenta. Amanhã à noite faremos a troca, sem gracinhas e sem enrolação, Cullen. Se não eu apago a sua esposa antes mesmo que você consiga piscar. – disse a voz desconhecida do outro lado – Amanhã à tarde eu aviso onde será a troca.
– Eu quero falar com ela! – disse em tom de desespero – Eu preciso falar com minha mulher!
– Você tem dez segundos.
– Edward... – a voz de Bella soou baixa, mas era clara suficiente para ele, ouvir a voz dela pareceu fazer o sangue dele correr mais acelerado em suas veias – Me ajuda...
– Bella, meu amor, eu prometo que você vai voltar! Eu farei de tudo para você estar aqui sã e salva!
– Você entendeu o recado, Cullen. – O sequestrador tomara o celular dela voltando a falar de maneira ríspida – Amanhã à noite quero o dinheiro ou não verá sua mulher novamente.
Antes que pudesse dizer algo, a ligação foi encerrada e Edward sentiu a raiva tomar conta de si. O copo de whisky ainda pela metade fora arremessado sem dó contra a parede provocando um som agudo de vidro se quebrando em vários pedaços e fazendo com que o líquido voasse pela sala de estar durante o trajeto até a parede.
– DESGRAÇADO! – gritou com a veia do pescoço saltando.
Edward seria capaz de matar o responsável pelo sequestro de Bella. Precisava com urgência levantar o dinheiro no banco e agora mais do que nunca precisava de Emmett. Esme se aproximou dele preocupada com o estado do filho, que estava com os nervos à flor da pele.
– Edward, acalme-se antes que você acabe passando mal com tamanho nervoso. – segurou o braço dele – Vá tomar um banho.
– Eu não quero um banho, mãe. Eu não tenho cabeça para mais nada além de pensar no dinheiro que preciso para resgatar Bella.
– Quanto ele pediu? – Carlisle perguntou enquanto Tia passava ao seu lado com uma vassoura na mão para limpar o estrago feito pelo copo.
– Quinze milhões. – respondeu passando a mão no rosto – Dez milhões em notas de cinquenta e cinco milhões em notas de cem. Preciso ligar para o gerente do banco.Dez minutos depois, Emmett entrava a passos largos na sala de estar.
Edward rapidamente explicara toda a situação e o advogado o aconselhara a avisar a polícia de que Bella havia sido sequestrada. Para evitar algum alarde com a imprensa e com a própria autoridade, ele sugeriu que seu amigo que era delegado ficasse à frente do caso para monitorar todos os passos enquanto acontecia toda a negociação e após Bella ser liberada, as investigações poderiam começar até encontrarem o criminoso.
Edward concordou e cerca de uma hora depois o delegado Gareth chegara à mansão vestindo uma jaqueta de couro preta sobre uma camisa cinza e uma calça jeans um pouco surrada. Devia ter cerca de quarenta anos e era apenas alguns centímetros mais baixo que Edward. Tinha a expressão um pouco cansada, mais por conta do trabalho exaustivo do que por desgaste físico. Os cabelos eram um pouco grisalhos nas laterais e a barriga um pouco arredondada demonstrava que devia se entupir de café e rosquinhas. Emmett garantiu que o delegado era bastante experiente e astuto. Edward pode notar sua perspicácia assim que o delegado lhe fizera algumas perguntas e deu seu parecer.
– Com certeza esse sequestro é produto de muito planejamento.Gareth disse segurando a xícara de café que Tia acabara de servir acompanhado de alguns biscoitos para que todos pudessem comer pelo menos alguma coisa, já que nenhuma refeição decente seria capaz de atiçar a fome de qualquer um dos presentes naquela sala. O nervosismo tirara o apetite de todos.
– Não tem nenhum inimigo Edward? – o delegado perguntou se servindo de um dos biscoitos amanteigados de Tia.
– Um funcionário roubou vinte milhões da minha empresa, mas já foi detido. Acho que não tem relação com o sequestro da minha esposa.
– De qualquer forma, vou verificar. Preciso do nome do responsável.
– Billy Black. – respondeu sentindo raiva apenas em pronunciar seu nome.- Vou pedir uma verificação sobre a ficha dele.
As horas se arrastaram e Edward estava cada vez mais arrependido de ter brigado com Bella por conta da casa que pretendia comprar. Se não tivessem discutido, ela não sentiria vontade de estar longe para evitar mais uma briga e não sairia de casa para ir ao shopping. Gareth conversou com Jhon sobre o fato de que ele pudesse ter notado alguma movimentação estranha quando levou Bella ao shopping, mas ele disse que não havia percebido nada diferente. Edward não dormiu durante toda a madrugada, os Cullen cochilaram um pouco, mas acordavam em seguida e caminhavam pela mansão bastante preocupados.Tia preparava alguns lanches, trazia sucos, mas todos comiam pouco.
Emmett conseguira contatar o gerente apesar da hora e Edward iria ao banco antes do horário de abertura. O próprio gerente decidiu fazer a transação com o menor número de pessoas possível dentro do banco. Edward estava exausto, mas não conseguia se desligar e apenas dormir. Estava preocupado com a saúde de Bella, a gravidez precisava de bastante cuidado e a situação poderia piorar tudo.
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