Contrato de Casamento
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Edward estava no escritório da mansão revisando o caso do roubo em sua empresa, que havia sido solucionado naquela semana, procurando alguém para substituir o chefe do departamento de designer, que já estava preso e esperava seu julgamento. Ele passou a mão no rosto e ouviu o telefone tocar, pegou o aparelho logo em seguida e atendeu.
– Cullen. – disse com a voz fria e rouca.
– Sr. Cullen, me desculpe incomodar, mas preciso lhe comunicar algo sobre sua esposa. – disse um dos seus funcionários do outro lado da linha.
– O que aconteceu? – ajeitou-se na cadeira ficando curioso.
– Aqui é o Seth, o gerente da gráfica. Eu sei que o senhor já permitiu que a Sra. Cullen viesse até aqui e escolhesse alguns livros, mas achamos que deveríamos informá-lo de que essa semana ela pediu três caixas de livros, com cerca de trinta livros cada. Ela pediu para que colocassem dentro do carro e foi embora. Achamos importante contar ao senhor já que ela sempre retirou apenas um ou dois livros.
– Obrigado, Seth. Está fazendo um ótimo trabalho.
– Eu que agradeço, Sr. Cullen.
Bella estava sentada na varanda do quarto alisando sua barriga e aproveitando o sol daquela manhã de sábado. Ao seu lado em uma mesinha estava uma tigela de vidro com morangos cobertos de chocolate e ela comia com extrema vontade, saciando seu desejo de grávida. Edward apareceu na varanda com uma expressão séria e cruzou os braços quando parou à sua frente bloqueando os raios de sol deixando-a no escuro da sombra. Olhou-o curiosa com a postura dele, mas não disse nada. Esperou até que ele se pronunciasse.
– Fiquei sabendo que você saiu da gráfica com três caixas de livros. Não que eu me importe com a quantidade em si e sim com o que você fez com tantos livros. – ele começou a falar sem desviar o olhar.
– Como ficou sabendo? – mordeu o lábio inferior se sentindo um pouco insegura.
– Sou o dono da editora, Bella. Eu sei o que acontece na minha empresa. – bufou ficando sem paciência – Pode responder a minha pergunta?
– Sim. – balançou a cabeça devagar – Eu doei para caridade.
– O quê? – olhou-a confuso.
– Bem, eu conheci uma mulher na aula de culinária que é voluntária em uma oficina para jovens. Lá eles tem algumas aulas de graça e há pouco tempo começaram um clube de leitura, com o acompanhamento de uma jovem que estuda Literatura. – explicou – Eu não comentei nada porque achei que você fosse reclamar ou algo do tipo.
– Bella... – ele suspirou parecendo aliviado – Reclamar por causa disso? É claro que não! – agachou-se ainda de frente para ela – Eu só achei estranho você querer tantos livros e nenhum deles estar aqui em casa, mas achei nobre a sua atitude. – alisou o braço dela.
– Obrigada. – sorriu.
– Tia está preparando o almoço, vamos comer no jardim. – levantou-se – Se importa?
– Não, eu gosto de comer lá fora.
– Vou voltar para o escritório, nos vemos no almoço.
Ele saiu da varanda e Bella colocou a mão sobre a barriga já arredondada. Estava com três meses de gravidez e cada dia que passava ficava mais ansiosa para ver o rostinho deles. Na segunda iria à consulta e a Dra. Jane e pegar o resultado do exame que fizera para saber o sexo dos bebês. Não tinha preferência, apenas queria ter certeza de esperava meninos ou meninas. Não via a hora de sair e comprar as roupinhas e decorar o quartinho. Tinha diversas ideias e falaria com um decorador assim que tivesse certeza do sexo dos bebês. O celular tocou e ela deixou os pensamentos de lado. Estendeu a mão e pegou o aparelho olhando no visor o nome da cunhada.
– Oi, Rosalie. – atendeu se recostando novamente à cadeira.
– Bella, quanto tempo! – exclamou a voz animada da cunhada do outro lado da linha – Tudo bem com você e meus sobrinhos?
– Sim, tudo ótimo. – sorriu e passou a mão livre sobre o ventre – E com você?
– Tudo bem sim. Liguei pra te chamar pra darmos umas voltas no shopping semana que vem.- É uma ótima ideia.
– Então depois eu te ligo para marcarmos melhor. Agora preciso ir, tenho algumas coisas a fazer. A empresa anda cansando minha beleza. – riu – Cuide-se, Bella.
– Você também, Rosalie. Até mais!Na hora do almoço, ela desceu para o jardim e viu Edward sentado à mesa bebendo uma taça com água. Sorriu para ele e se sentou em uma cadeira à sua frente.
– Rosalie me ligou para marcarmos de ir ao shopping.
– Eu fico feliz que vocês duas tem se dado bem. – colocou a taça sobre a mesa – Segunda irei ao escritório de manhã, mas à tarde estarei em casa. Tenho assuntos a resolver fora da empresa.
– Que pena você não ir à consulta comigo. – disse um pouco desapontada – Segunda vou pegar o resultado do exame para saber o sexo dos bebês.
– Eu ficarei sabendo assim que você chegar em casa.
– Tudo bem. – olhou para trás – Estou com fome, onde está Tia?
– Foi buscar o almoço. Eu sei que está com fome, a gravidez está te deixando faminta e fico feliz que esteja se alimentando bem.
– Esses bebezinhos deixam a mamãe louca. – sorriu e colocou as mãos sobre a barriga.
A segunda-feira amanheceu ensolarada e Bella voltava do consultório radiante pensando sobre seus bebês. Estava esperando dois meninos e não via a hora de contar para Edward não somente aquilo, mas sobre a batida que dera na traseira do carro enquanto dava ré na garagem de casa. A lataria ficara um pouco amassada, mas como já estava atrasada para a consulta, ela não se preocupou em chamar um táxi e saiu de casa assim mesmo. Edward não ia ficar muito satisfeito com aquilo, mas tentaria não se importar e dar mais atenção à novidade sobre os bebês.Entrou na mansão animada e Tia lhe avisou que Edward havia chegado e subira direto para o quarto. Bella subiu as escadas e entrou vendo o marido de cueca branca recém-saído do banho, com os cabelos molhados e fumando seu cigarro tranquilo sentado na poltrona de couro.
– Oi, Edward. – sorriu – Tenho novidades! – exclamou a animada fechando a porta atrás de si.
– Que bom que chegou, eu também tenho novidades, mas não é o momento de contar-lhe.
– Primeiro a minha. Estou esperando dois meninos! – contou quase gritando – Não é um máximo?
– Dois meninos? – ele levantou-se logo após apagar o cigarro no cinzeiro sobre a mesinha do lado – Essa é a melhor notícia que poderia me dar. Dois herdeiros para a Cullen Publishing House. – puxou-a pela cintura e lhe deu um beijo rápido nos lábios – Sou um homem de sorte.
– Sim, você é! – respirou fundo aproveitando que ele ficara contente com a notícia para contar sobre o pequeno acidente com o carro – Preciso contar outra coisa.
– Que não me parece muito boa dada a sua expressão. – olhou-a levantando uma das sobrancelhas – O que houve, Bella?
– Eu bati com a traseira do carro. – mordeu o lábio inferior com força exagerada.
– Você o quê? – arregalou os olhos – Como?
– Eu fui dar ré e acabei calculando mal a distância e bati com a traseira do carro na coluna da garagem. – colocou as mãos sobre os braços dele – Me desculpa, por favor. Eu amassei a lataria.
– Bella, não estou preocupado com a lataria, estou preocupado com você! – aumentou um pouco o tom de voz – Pode ser sido algo bobo, mas também poderia ter sido algo grave. E se acontece algo com você ou os bebês? Tem noção? – passou a mão no rosto – Você vai ter um motorista a partir de amanhã.
– Não, Edward! Foi só um descuido.
– Não interessa o motivo. – balançou a cabeça – Eu vou pedir para um dos motoristas da empresa vir para cá. Será seu motorista particular e não quero ouvir nenhuma objeção! – ela ficou calada e cruzou os braços – Ótimo!
Ela não pode dizer mais nada a não ser aceitar, afinal, era ele quem mandava naquela relação. Passou o resto do dia lendo alguns livros de culinária pensando na receita que iria preparar para uma das aulas onde a professora lançara um desafio que consistia em preparar um prato usando frango.
Já no dia seguinte, o motorista que Bella chamara da empresa estava na mansão pontualmente às sete da manhã. Jhon Clarke devia ter cerca de cinquenta anos e era alto e magro. Usava um terno preto e gravata preta contrastando com uma gravata fina branca. Tinha sotaque inglês e se portava muito formalmente. Era educado e não podia negar, não precisar dirigir até que a agradava um pouco alguns dias. Bella fora para uma das suas aulas de culinária e se surpreendeu ao ver Edward em casa na hora do almoço.
– O que faz aqui? – perguntou a ele assim que entrou no quarto.
– Resolvi vir para casa mais cedo, preciso de um pouco da paz do meu escritório. E aproveitando que está aqui, preciso falar com você.
– Sobre o quê?
– Amanhã vamos encontrar uma corretora de imóveis e ver uma casa em Scarsdale.
– Por quê?
– Porque quero sair do centro de Nova York, Scarsdale é uma vizinhança da alta sociedade bastante residencial, é um excelente lugar para os meninos serem criados.
– Espera só um minuto. – estendeu a mão pedindo calma a ele – Para os meninos serem criados? Como assim? Você sabe que nosso casamento não vai durar muito.
– Eu sei, Bella. – respondeu sem desviar o olhar – E eu não estou nem um pouco preocupado com isso no momento. Os bebês vão nascer quando ainda estivermos casados e quero que eles sejam criados em uma vizinhança tranquila.
– Quando nosso casamento terminar eles vão morar comigo, Edward. É isso que importa!
– Bella, não começa...
– Não começar o quê? Você não está pensando em ficar com a guarda deles, está?
– Eu não vou discutir isso com você agora. – virou as costas indo em direção ao banheiro.
– Ah, você vai sim, Edward Cullen! – ele disse quase gritando – Você não é louco de tirar eles de mim, eu sou a mãe!
– E eu sou o pai. – virou-se e olhou-a.
– Não me interessa, você sabe muito bem que os filhos, principalmente pequenos, devem estar com a mãe!
– Eles são tão meus quanto seus, Bella.
– Eu sei muito bem disso, mas eu sou a mãe, eu que estou carregando comigo e qualquer juiz em sã consciência daria a guarda a mim. Você teria seu tempo com eles, mas eles viveriam comigo.
– Bella, esqueça esse assunto! – disse se alterando – Amanhã nós vamos ver essa maldita casa quer você queira ou não!
– Por que eu tenho que ir se é você quem vai viver lá e não eu?
– Porque eu quero que você vá!
– Você só pensa em você mesmo, é um egoísta!
– E você é obrigada a me aturar caso não queria terminar sem nenhum centavo no bolso!
– Até quando vai me jogar na cara seu maldito dinheiro?
– Até quando você depender dele! Agora me deixe em paz porque tenho muito que fazer.A passos largos ele entrou no banheiro e bateu a porta com força.
Bella estava extremamente irritada com a ideia absurda dele e resolver dar uma volta no shopping já que não podia ir até a casa de Alice já que esta deveria estar ensaiando. Jhon rapidamente pegou as chaves do carro andando apressado e de maneira um pouco rígida, abriu a porta com seu cavalheirismo robotizado e se sentou no banco do motorista.
– Me leve até o shopping mais próximo, Jhon.
– Claro, madame.
Rapidamente já estava cruzando as ruas movimentadas de Nova York tentando a todo custo esquecer a atitude de Edward. Caminhar pelo shopping era o melhor a fazer para se distrair e ficar longe do marido antes de que pulasse no pescoço dele.
Pov:Jhon
No estacionamento do shopping, Jhon parado ao lado do carro esperando por Bella na hora marcada. Passaram-se dez minutos, vinte minutos, meia hora e nada dela voltar. Já estava ficando nervoso, provavelmente ela perdera a hora, então resolvera tentar ligar para o seu celular. Não julgava correto ligar para o celular da sua patroa, mas aquilo era necessário. Foi direto para a caixa postal o que deixou ainda mais tenso. Precisava entrar e procurá-la, pelo menos em um andar. Jhon rodou, entrou em algumas lojas e nada de encontrar Bella, voltou para o carro e nenhum sinal dela. Precisava ligar para Edward era o único jeito. Respirou fundo com medo da reação do patrão.
Pov: Edward
– Alô? – Edward atendera logo no segundo toque.
– Sr. Cullen, vim buscar a Sra. Cullen e não a encontro. Estou há quase quarenta minutos esperando por ela e nada. Tentei o celular e deu desligado, não sei mais o que fazer. – explicou nervoso.
– Como assim Bella sumiu? – ele perguntou alterando o tom de voz.
– Me desculpe, Sr. Cullen. Eu cheguei dez minutos antes da hora marcada, fiquei esperando e nada dela aparecer.
– Céus, onde minha esposa se meteu? – disse em tom de voz alto, perguntando mais para si mesmo do que para obter resposta – Jhon, faça o seguinte. Espere mais vinte minutos e depois venha para casa, daremos um jeito. Qualquer coisa ela volta de táxi.
– Certo, senhor.
Edward desligou o celular e colocou-o dentro do bolso sentindo-se irritado. Levantou-se apressado e foi até a sala de estar, precisava de um copo de whisky. Encheu-o até a metade e tomara tudo quase de uma só vez revoltado com a atitude de Bella de não aparecer. Tia caminhou até ele logo após descer as escadas, mas Edward não olhou-a.
– Sr. Cullen, com licença. – chamou-o de maneira educada – A Sra. Cullen não me disse o que deveria cozinhar para o jantar então resolvi perguntar ao senhor.
– Faça uma sopa qualquer, Tia. A Sra. Cullen não está em casa e não sei a que horas volta porque não perdeu a péssima mania de deixar o celular desligado. – ele respondera desabafando sua raiva.
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