Contrato Assinado.
9 Uma acusação inesperada.
Notas iniciais
Lola Pov.
Passaram-se duas semanas de ensaios e o Travis continua a aproximar-se cada vez mais da Jen... Não é justo que ele seja tão ingrato comigo... Mesmo quando ele se meteu nas drogas, mesmo quando a minha mãe me proibiu de estar com ele, eu recusei-me a deixá-lo sozinho... Eu ajudei-o a encontrar um novo rumo para a vida dele... De certo modo eu salvei-lhe a vida... Conhece-mo-nos há muito mais tempo que ele conhece a Jen.
Fui amiga dela, ajudei-a a integrar-se na cidade e a recompensa que me deu foi roubar-me o namorado... a pessoa que eu mais amo no mundo... Eu jurei ao Ben que iria conseguir que o Travis voltasse para mim, e a Jen para ele. Eu e o Ben já tínhamos tudo planeado, a única coisa que tínhamos de fazer era esperar pelo concerto... Só peço que o Travis não me interprete mal... o que vou fazer não é para o deixar triste, pelo contrário... eu apenas tenho a missão de lhe lembrar o que interessa realmente na vida dele e afasta-lo de distracções como ela...
Lola Pov end.
Finalmente tinha chegado o dia do concerto. Travis entrou no meu quarto e depois de ter perguntado se eu me demorava deu-me um beijo perto da boca. Depois da discussão que tínhamos tido a nossa relação tinha mudado drasticamente.
Sinceramente, cada vez ficava mais apaixonada por ele e com cada vez mais medo do que a Lola poderia estar a planear fazer-me, já que não se demonstrava afectada pela situação. Estava tudo a correr como eu queria., Tinha de admitir que estava tudo a correr muito bem... talvez bem demais...
“Estou quase... e é melhor teres cuidado...”
“Cuidado?...”
“Se alguém nos vê...”
“Ninguém nos vai ver... estão todos lá fora à tua espera”
“Sou a última??!!” Não tinha dado pelo passar do tempo e ainda nem sequer tinha dado os últimos retoques na maquilhagem... Travis virou-me para ele.
“Estas linda...” Eu fiquei ligeiramente envergonhada e empurrei-o levemente.
“Obrigada”
***
A Lola tinha conseguido que a mãe dela nos cedesse uma limosine bastante espaçosa para nos levar até ao sítio onde iríamos tocar. Music Hall of Williamsburg.
Este era o meu meu primeiro concerto e as borboletas dentro do meu estômago não paravam quietas. Quando chagámos os funcionários ajudaram-nos a montar o palco e a afinar os instrumentos.
Passada meia hora eu começava a duvidar das minhas capacidades, o que não costumava acontece. Por momentos senti-me a ir abaixo. Fui para o nosso camarote que estava silencioso em comparação a lá fora e sentei-me a olhar para o espelho e a tentar lembrar-me de todos os acordes, música após música. Fechei os olhos enquanto tentava imaginar-me a dar um espectáculo que supostamente todos iam adorar e aplaudir sem excepção.
De repente senti a respiração quente de alguém no eu pescoço e sobressaltei enquanto abria os olhos rapidamente.
“Calma... sou eu...” Travis tinha conseguido mais uma vez apanhar-me de surpresa e tentava de novo provocar-me... Beijava-me o pescoço por traz e agarrava as minhas mãos.
“Assustaste-me... Já disse para não fazeres isso”
“Shhhh...” Travis continuava a provocar-me ao máximo e eu fui levada pelo desejo até que ele parou o que estava a fazer e se ajoelhou a meu lado.
“Então, nervosa?” Ele olhava-me com um sorriso maroto, à espera que eu admitisse que estava quase a desistir de tanta ansiedade.
“Não de todo.”- Menti -“Simplesmente gosto de estar sozinha para me concentrar.”
“Ou para não caíres para o lado à frente de toda a gente!” Travis desatou a rir e só parou quando lhe bati ao de leve no braço.
“Estou a brincar, aquilo não é nada demais, depois de começar é tudo o mesmo” Ele falava com uma voz carinhosa. Levantou-se.
“Eu estou bem” sorri enquanto me levantava ”Obrigada”
“Adoro-te...” Travis tentou beijar-me e eu desviei a cara, dei um sorriso provocante, e saí ,à espera que ele me viesse seguir.
***
Estávamos atrasados 10 minutos para o espectáculo, já conseguia ouvir as pessoas a gritar. Olhei para todos os membros da banda e vi Lola a dar um beijo de despedida ao Travis, que logo de seguida me piscou o olho.
Travis POV
Acho que estou oficialmente metido num sarilho... Nunca pensei que isto pudesse chegar a este ponto, mas não sei até quando mais vai demorar até que a Lola descubra o que ando a fazer...
Em ocasiões normais, já tinha acabado com a ela para não a fazer sofrer, mas neste caso é diferente... Eu preciso dela, e preciso dos concertos que ela me arranja...
Apesar disso, não sei bem o que sinto pela Jen , sei que preciso da sua companhia. Eu não costumo apaixonar-me, não é uma coisa que possa acontecer comigo... Será que só não quero deixar de estar com a Jen, por ter a ligeira sensação de que ela poderá ser um pouco melhor na cama do que a Lola?... Por que raios não posso eu usufruir do sexo das duas e ganhar concertos ao mesmo tempo?... E porque sará que não consigo fartar-me daquele sorriso ingénuo da Jen?...
Travis POV end
Sorri uma última vez para o Travis que me olhou com ternura... Quando ouvi a bateria a começar a tocar e o som dos gritos das pessoas a aumentar, a minha pele ficou arrepiada e eu jurei que nunca me tinha sentido tão feliz na minha vida.
***
As luzes embatiam na minha cara e os meus dedos latejavam. As pessoas gritavam e o Travis atirou-se para o meio do público sendo completamente subterrado por raparigas que o agarravam desesperadamente. Sentia que tinha conseguido construir o meu próprio paraíso. Cheguei-me à frente no palco com o Ben e o Jay e depois de termos salvo o Travis das raparigas esfomeadas, demos uma despedida em grande.
“Muito bom, Muito bom!!” Jay gritava enquanto dávamos um abraço de grupo já nos bastidores. Peguei numa garrafa de água. Lola beijava o Travis e dava-lhe de beber.
“Estiveram bem, com sorte alguém vai ter interesse em vos patrocinar ” Lola felicitou-nos e piscou o olho ao Ben, misteriosamente “Isto claro se não se importarem com o pequeno atraso que vocês tiveram no início. Muitos managers poderiam tomar isso como uma falta de respeito pelos fãs...”
Isto era estranho. A conversa tinha mudado de rumo e agora, em vez de felicitados, estávamos a ser criticados! O meu olhar percorreu a sala enquanto escondia a cara com a garrafa de água e reparei no Ben que piscava o olho à Lola como resposta.
“Se o Travis não estivesse distraído com outras coisas, se calhar não se tinha esquecido de limpar as cordas à guitarra...” Ben olhava para o Travis com desprezo.
“De que tipo de distracções estás a falar?” Travis estava com uma expressão um pouco confusa embora eu soubesse que os seus olhos estavam cientes do que o Ben estava a falar.
“Do que haveria de ser?... Começa com J e acaba em en...voces andam muito chegados... Uma distracção como essa só prejudica a banda... e que eu saiba também não deve ser nada boa para o teu namoro com a Lola...” Eu não podia acreditar... Eu sabia que era impossível ninguém se aperceber do que se passava entre mim e o Travis... Eu tinha parado de beber e os olhares da sala estavam postos em mim. Engoli em seco. Olhei para o Travis à espera que ele fizesse alguma coisa, que desviasse as atenções de nós. Em vez disso, Travis agarrou na Lola e beijou-lhe a cara, o que fez o meu coração parar.
“Por favor... Achas mesmo que eu prefiro a campónia à minha princesa?...”
“Desculpa... campónia?...” Eu tentava manter o meu tom de voz normal para não me exaltar.
“Vê lá o que lhe chamas!” Ben tinha ficado chocado com o Travis e olhava para mim com espanto. Fiz-lhe um sinal para que se acalmasse. Travis limitou-se a ignora-lo e continuou a namoriscar a Lola. Estávamos todos incrédulos.
“Bem... Caso vocês não se lembrem, temos uma festa agora mesmo para celebrar o vosso sucesso...” Lola falava entre risinhos e eu conseguia sentir um pouco de receio na voz dela...
“O quê? Achas que agora alguém tem disposição para ir a festas? O teu namorado acabou de insultar a Jen!” Ben dirigia-se para Lola furiosamente mas, eu impedi-o de fazer algo de que se viesse a arrepender.
“Não faz mal.” Tentei manter a calma. Para além de ser insultada, não havia mais nada com que eu pudesse reclamar se não quisesse denunciar o que havia entre mim e o Travis. Se me mostrasse demasiado afectada, isso poderia ser interpretado como uma forma de tristeza, e eu queria demonstrar indiferença. “Vamos à festa”
***
O ambiente na limosine era criado pelos beijos do Travis e da Lola e das piadas do Jay e do James. Eu e Ben permanecíamos calados e eu conseguia ver nele uma ponta de arrependimento... Se aquela discussão tinha sido feita por ele e pela Lola de véspera, o Ben tinha descido muito na minha consideração e eu preferia nem olhar para ele.
Quando chegamos ao bar a primeira coisa que fiz foi dirigir-me ao empregado e pedir a maior garrafa de vodka que havia. Fui a primeira a ficar bêbada.
De seguida os rapazes tomaram o mesmo caminho que eu. A Lola já deixava outros rapazes olharem para o decote dela e o Travis andava aos tombos enquanto cantava com os amigos. Eu, sentada ao balcão, tentava tapar os ouvidos e beber mais umas quantas garrafas de álcool.
Passado um bocado, quando os meus olhos começavam a ver tudo desfocado e ás voltas reconheci a voz do Travis que falava muito alto e com dificuldade.
“Je-Je-Jen... Desculpa aquilo de abo... abocado... Eu amo-teeee!! Massss eu perci-percisoo da Lola, é ela que me arranja os concertos...” Travis desequilibrou-se e quase caiu. “Sem isso eu não posso viver...” Ele tentava fazer-me festinhas no cabelo, o hálito dele dava-me náuseas e ele tinha feito com que o efeito do álcool se sobrepusesse a mim mas, mesmo assim, conseguia falar melhor que ele.
“Se assim é, porque é que preferes mais o dinheiro dos concertos do que a mim??!!” Gritei com ele e dei-lhe um estalo que o fez desequilibrar se e cair de vez. Algumas pessoas olharam para nós.
“Eu amo-te a sério... mais do que ao dinheiro dos concertos!” Travis falava com dificuldade.
“PROVA-MO!”
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