Contrato Assinado.
10 Outro tipo de contrato.
Notas iniciais
Resumindo, a festa que nos devia ter animado a todos resultou numa grande pilha de preocupações e numa ressaca para toda a gente.
Antes que Travis me pudesse provar o quer que fosse começou a balançar sobe si mesmo e a olhar para o tecto, talvez à procura de algum ponto onde fixar o olhar. Confesso, que por momentos, me assustei e fiquei ainda mais preocupada quando os seus olhos se reviraram e ele perdeu os sentidos. A nossa noite tinha acabado num desastre em que ninguém tinha verdadeiramente a noção do que estava a fazer e com Travis inconsciente numa cama de hospital.
Agora, eu estava deitada na minha cama,enrrolada nos cobertores, simplesmente com a cabeça de fora. Senti-a me como um bicho da seda no seu casulo, só que não sentia vontade nenhuma de me transformar numa borboleta... queria ficar lagarta para sempre.- Pelos vistos nem transformada numa borboleta o Travis me leva a serio .. –pensei eu. Estar embrulhada naquele calor era a única coisa que me fazia sentir confortável, já que a minha cabeça pesava, estava a morrer de sede e os meus ouvidos só ouviam um irritante zunir ,que só parava quando eu lhes tocava. Quando é que me tornei assim?.... Ah... já sei... logo a seguir de ter prometido que não sairia dos ”eixos”... Se os meus pais soubessem do meu estado... .Virei-me com dificuldade e suspirei. Eu sempre tinha tido este gostinho especial por reflectir deitada na mina cama, nos piores momentos, rodeada pela escuridão e cegada pelos pequenos raios de luz que entravam pelos buraquinhos da perssiana.
Amaldiçoei-me por não a ter fechado completamente e enfiei a cabeça por debaixo do cobertor ficando totalmente submersa por aquela enorme quantidade de penas de ganso . Foi aí que comecei a pensar nas pobres criaturas... Era nestas alturas que sentia nojo de ser humana, por pertencer à mesma espécie que tinha arrancado as penas aos gansos para fazer um cobertor, usando tudo para satisfazer os próprios interesses... Usando os mais fracos, tal como o Travis me tinha usado a mim... O pior é que aquele idiota ainda tinha tido a lata de dizer que me amava no final de tudo...
“São todos iguais...” murmurei.
A minha cabeça estava quase a explodir e senti que se tivesse mais algum dos meus pensamentos filosóficos iria enlouquecer... Limitei-me a dormir...
***
Saí com dificuldade do quarto e tentei não fazer muito barulho, mas a cada passo que dava sentia-me cada vez mais pesada, como se fosse furar o chão com o meu peso. A esta hora já me tinha habituado à luz do sol, mas continuava com sede então enchi um copo com água e tirei um biscoito do frasco para matar a fome. Sentei-me na banca enquanto bebia com sofreguidão a água gelada. De repente o silêncio da casa for cortado pelo som do telefone que parecia tocar mais alto do que nunca, quase me engasguei. Olhei para o relógio. Duas horas da tarde. Pousei o biscoito na mesa e atendi o telefone.
“Estou... “ a minha voz estava rouca.
“Estou sim, muito boa tarde, daqui fala Maggie, Maggie Sanders... Eu...”
Interrompi a senhora “Olhe se é pra vender alguma coisa mais vale desligar porque eu não estou com paciência para isso hoje” disse eu enquanto tentava pôr à força o biscoito na boca.
“Não! Não! Espere!! “ Voltei a virar as minhas atenções para a senhora “Posso saber com quem estou a falar pelo menos!? Por acaso o menino Travis Martens não está?” Engoli o biscoito. Fez-se uma longa pausa.
“Estou!? Está aí menina!??” A senhora quase gritava.
“Espere um pouco...” Corri pelas escadas acima e entrei no quarto do Travis a tentar fazer o mais barulho possível para o acordar. “Travis! Telefone para ti!” Travis limitou-se a tirar o braço de fora dos lençóis e a mostrar-me o dedo do meio. -Ai é assim que queres... – pensei. Não demorou mais do que 5 segundos até o quarto ficar banhado de luz devido a eu ter aberto a janela por completo, fazendo Travis perder o juízo.
“Mas em que é que estas a pensar!!!!????” Travis estava furioso e agarrou com brusquidão no telefone “Mas o que é que foi!??”
“Desculpe!?” Ainda consegui ouvir a voz extremamente chocada da mulher do outro lado da linha.
“Ma-Maggie...” De súbito Travis já não parecia um leão enfurecido, tinha-se transformado numa espécie de carneirinho... Olhei para ele com uma expressão desconfiada, quem era aquela mulher que só com uma única palavra tinha dominado o Travis!?... Ele andava dum lado para o outro ,muito nervoso, e fez-me sinal para sair do quarto dele.
Fingi que não tinha interesse nenhum no que se estava a passar e mal saí e fechei a porta, pus-me à escuta.
Sabia que,comigo, isso nunca corria bem, que já devia ter aprendido a lição desde a última vez com a história do envelope, mas já não tinha nada a perder com o Travis e queria desesperadamente saber quem era aquela mulher, e porque é que metia tanto respeito ao Travis, quando ninguém o consegue fazer.
Encostei o copo de água que tinha levado comigo contra a porta e comecei a ouvir.
“Desculpe...Eu prometo que pago o que lhe devo... dê-me só mais alguns dias...” Travis parecia assustado e a sua voz tremia ligeiramente. Comecei a ficar preocupada.
“Não... Não posso acreditar...” A voz do Travis ia perdendo a força e ouvi-o a dar um grande suspiro. De repente, fez-se silêncio total e eu encostei o meu ouvido ainda mais ao copo para tentar perceber o que se estava a passar. Quase morri de susto quando ouvi os passos do Travis a dirigirem-se para a porta. Era tarde demais para descer as escadas. Escondi o copo atrás das costas e esperei que ele não me repreendesse por ter estado à porta do quarto dele aquele tempo todo.
Quando a porta se abriu fechei os olhos com a maior força que tinha, mas o Travis passou por mim a correr feito louco sem me dar atenção. Começou a abrir todos os quartos da casa e a gritar para que o Ben, o Jay e o James acordassem. Consegui ouvi-los a todos refilar e ainda mandar o Travis à merda.
“Acordem, fodas-se! TEMOS CONTRATOOO!” Travis levantou os braços ao céu e ria-se continuamente.Os rapazes saíram dos quartos quase com uma expressão de choque total e começaram também aos pulos com Travis. Pareciam crianças no Natal...
“Desculpem estragar a festa... mas contrato de quê?...” Os rapazes olharam para mim com grades sorrisos e agarraram em mim lançando-me ao ar várias vezes.
“VAMOS SER UMA BANDA FAMOSA JEN!!” Eu demorei um pouco a processar o que eles me estavam a dizer porque apenas há uns minutos, Travis parecia estar devastado a falar com a tal de Maggie e agora tinha-nos dado uma das melhores notícias do mundo, mas quando finalmente tomei consciência da realidade desatei a rir e a gritar como eles. Esta era uma oportunidade em milhões e eu compreendia, que principalmente para o Travis, que tinha estado uma vida à espera disto, um acontecimento destes era motivo para celebrar.
***
“Não dá para ir mais rápido!?” Travis tremia de ânsia e eu começava cada vez mais a imaginar o quão importante isto devia ser para ele.
“É, eu também acho. Nem a minha mãe nem o resto da equipa têm o hábito de esperar pelos clientes...” Lola reclamava juntamente com Travis , e por momentos pareceu-me tê-la ouvido dizer “...a minha mãe...”
“Lola... A tua mãe?” Tive de ter a certeza que tinha ouvido bem.
“Sim. Acho que já te tinha dito que a minha mãe é manager de bandas. Estou espantada porque ela decidiu contratar-vos já que não se dá muito bem com o Travis, mas ... digamos que a minha mãe é uma mulher cheia de surpresas...”
Lola tinha uma expressão de contentamento na cara. Isto era muito estranho... Eu sabia que a mãe dela não se dava bem com o Travis, e eu quase que aposto que a Lola teve a ver com o facto da Maggie nos ter contratado... Caso contrário, porque haveria aquela mulher de tentar ajudar uma pessoa que odeia assim de repente?... Travis não parecia desconfiar de nada. Estava tão cego pela felicidade que nem ligava ás evidências... nem ele nem ninguém, eu parecia ser a única desconfiada. “se calhar estou só a exagerar...” pensei.
***
Os escritórios da empresa onde a mãe da Lola trabalha situavam-se num grande arranha-céus mesmo no meio da cidade. Um daqueles lugares que, só de olhar, nos fazer pensar que o que estamos a fazer é a sério e não há maneira de voltar atrás.
Entrámos os 6 na recepção e fomos imediatamente encaminhados para o vigésimo terceiro andar onde a ilustre Maggie Sanders (como lhe chamavam) nos ia receber. Lola ia à frente e andava rápido e com segurança Ela já devia conhecer aquele sítio como a palma da sua mão.
Passavam por nós homens de fato e mulheres equilibradas nos seus saltos altos que pareciam estar mais concentradas em quantas fotocópias teriam de tirar do que prestar atenção a um grupo de jovens que pareciam baratas tontas. Chegámos à frente de uma porta que tinha escrito “Sanders”. Lola bateu à porta e pediu autorização para entrar. Maggie mandou-nos sentar num sofá e dirigiu-se rapidamente para a nossa frente.
“Travis... há quanto tempo...” A mulher de cabelos negros e bastante baixa estendia a mão ao Travis que a apertou com um ligeiro sorriso na cara. “Bem, acho que já todos sabem porque é que estão aqui... E espero que também saibam que um compromisso como o que estão prestes a tomar não é para ser levado de ânimo leve.... Eu e a minha equipa gostámos bastante da vossa apresentação e achámos deveras interessante patrocinar-vos. Existem alguns assuntos que temos de tratar, mas o mais importante é saber se todos aceitam assinar um contrato de 1 ano com esta empresa...” Toda a gente acenou em conjunto, cheguei a perguntar onde estava o resto da equipa e se não devia haver mais formalidade num compromisso como estes. “Eu já conheço o Travis há bastante tempo, não há necessidade de tantas formalidades, apenas preciso que assinem uns papéis...” A mulher virou-nos as costas e pegou em alguns envelopes que distribuiu por todos nós, deixando James e Lola de parte
“Ela não faz parte...” Travis olhou para mim quando Maggie me entregou um envelope.
“Desculpem, pensei que sim! Quando vos vi no concerto estava o Travis, o Jay o Ben e a Jen, estou errada??” Maggie estava espantada.
“Não. A Jen foi só substituir o James porque ele não conseguia tocar guitarra.” Travis olhava para mim com desprezo. Odiei-o nesse momento.
“É verdade.” Lancei um olhar furioso a Travis e entreguei o envelope a Maggie. Ele tinha feito de propósito. Aproveitou-se da minha ajuda e agora ia ficar com os louros só para ele sem que eu pudesse fazer nada...
Maggie olhou para nós os dois e baixou a cabeça. “Bem... tenho muita pena, mas sendo assim... as coisas já não funcionam da mesma maneira... eu e a minha equipa gostámos do grupo que vimos, o que continha a Jen... lamento, mas ou aceitam o contrato formando uma banda com a Jen ou... a nossa reunião acaba por aqui...”
Travis tinha um olhar de raiva e levantou a voz “Como assim acabou a reunião!? O James é tão bom ou melhor do que a Jen! Nós não podemos retirá-lo da banda!”
“Lamento. Ou ficam com a Jen, ou a nossa oferta é cancelada...” Maggie falava implacavelmente Ia jurar que na voz dela existia uma pequena certeza em que Travis não ia recusar o que lhe estavam a propor.
“Não, eu é que lamento. Pode ficar com os envelopes, nós estamos a sair.” Travis fez sinal para o seguir-mos e Lola olhou para a mãe quase a suplicar para que abrisse uma excepção. Maggie não se moveu e Travis bateu com a porta.
Por um lado, sentia-me culpada pelo que tinha acontecido, mas por outro agradecia. Se eu não podia ter um contrato de sonho, era bem feito que Travis também não pudesse. Era a vingança pelo que ele me tinha feito. Travis saiu a passos apressados e Lola seguiu.o a correr. James e Jay foram também. Eu decidi ficar um pouco atrás para apreciar melhor a reacção furiosa de Travis. Ultimamente, a infelicidade dele trazia-me contentamento.
“Não correu lá muito bem...” Uma voz masculina falou atraz de mim. Ben estava descontraído com as mãos nos bolsos a olhar para mim. Revirei o olhar. Como é que depois do que aconteceu antes da festa ele tinha coragem para falar comigo!? “Jen... Precisamos de falar...” Ben suspirou.
“Se o que tu e a Lola fizeram foi para me afastar do Travis, parabéns, conseguiram.”
“Jen... “
“Quem é que no seu perfeito juízo afasta as pessoas umas das outras por diversão!? Se a Lola queria afastar-me do Travis que tivesse feito isso sozinha. Mas acho que depois de eu ter recusado ter sexo contigo, claro que tu não ias perder uma oportunidade destas para me fazer sofrer não é!?...”
“O plano não era esse! Eu queria simplesmente que tu me prestasses atenção! Eu gosto de ti Jen! A Lola disse que tinha uma maneira de te fazer aproximar de mim, mas que para isso eu precisava de a ajudar a afastar o Travis de ti... Só que pelos vistos o que consegui foi afastar-te ainda mais, enquanto ela se diverte com o Travis, e a fazer pouco da minha cara...”
“E tu foste na conversa dela! Ingénuo...”
“O Travis é descontrolado, Jen... Viste a maneira como te tratou?... Podes achar que eu fui ingénuo e parvo ao acreditar na Lola, mas tu também és porque estás a ir na conversa dele enquanto ele te usa e fica com os louros do que tu fazes!” Ben agarrou nas minhas mãos. “Eu conheço-o Jen... Posso proteger-te dele...” Ben aproximou-se de mim, e num segundo, os nossos lábios encaixaram-se perfeitamente. Senti-o puxar-me com brusquidão contra ele e a língua dele a deslizar devagar na minha boca. Apertou os meus lábios com força contra os seus e senti o meu coração e a minha respiração acelerar. Agarrei com força as costas dele enquanto ele agarrava o meu rabo.
“Peço desculpa...” Uma empregada de limpeza olhava para nós vermelha e constrangida. Separámos-nos. Eu ardia em desejo e mal a empregada virou a esquina, Ben levou-me até o wc mais próximo e continuámos o que estávamos a fazer antes de ser interrompidos...
***
Travis POV
“DEIXEM-ME EM PAZ!” A mãe de Lola sempre tinha sido uma cabra comigo, mas desta vez tinha ido longe demais. Jay, James e Lola corriam atrás de mim até eu ter chegado à recepção.
“Travis, pára! Vamos falar!” Lola estava sem folgo e agarrava-me pelo braço.
“Lola, fala com a tua mãe!”
“Eu já falei! Ela não muda de ideias...” A voz dela estava frágil e trémula.
“Eu... Eu preciso de arejar as ideias!” Saí a correr para a rua. Dei um ponta pé numa lata que rolava pelo chão. Porque raio é que nada na minha vida resultava!? Uma cidade tão grande e nada me fazia feliz... Excepto talvez... a Jen... mas depois do que eu tinha feito não me admirava que ela me odiasse... Agora é que tinha reparado... nem ela nem o Ben tinham vindo atrás de mim... O pior disto é que sabia o que provavelmente os dois estariam a fazer naquele momento e não podia dizer nada porque andava com a Lola!...
Zzzzzzzzzz-zzzzzzzzzzz-zzzzzzzzzzz- o meu telemóvel está a tremer...
“Estou...”
“Travis, vira à esquerda, agora.” Maggie... o que é que ela queria agora?... Olhei para a minha esquerda. Um beco sem saída entre dois apartamentos cheirava a lixo e absorvia a escuridão, para que queria aquela mulher que eu fosse para lá? Entrei naquele lugar sem a mínima paciência para aturar conversas chatas.
“Foste rápido... É pena não seres noutras coisas hahaha” Maggie fumava um cigarro encostada a uma parede.
“Se é por causa do que eu te devo já te pedi alguns dias.”
“Não é por causa de nada disso! Mudando de assunto, já que fizeste asneira com o contrato que te ofereci...”
“Ok, já vi que esta conversa não vai dar a lado nenhum, se me permites tenho mais que fazer...”
“Au contraire, eu vou falar sobre isso, mas o que te tenho para oferecer desta vez... é outro tipo de contrato...”
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