Notas iniciais
Crisântemo: Um tipo de flor. (Foto: http://www.mundodeflores.com/images/crisantemos.jpg?phpMyAdmin=9ea091c51a5aa3cf876fb3cf0a5f7f3d ). Mistériozinho pra vocês hehe Boa leitura!

Mais um belo dia raiava. O sol aquecia e iluminava á todos novamente, sem mesmo que eles notassem a grandeza do que possuímos em nosso mundo e á anos-luz de distância de qualquer lugar que conhecemos.

Abri as cortinas de casa e respirei fundo. Ao observar as árvores e passarinhos procurando insetos pelo quintal onde Crisântemos vermelhos floresciam por toda a parte, sorri.

Após escovar os dentes e escolher uma roupa confortável, preparei o café da manhã com os diversos alimentos encontrados nos armários. Em pouco tempo, a mesa estava repleta de frutas, cereais e pães. O acolhedor cheiro de café chamava-me cada vez mais para apreciá-lo, acompanhado de um pouco de leite.

Saí de casa para uma caminhada matinal, como de costume. Muitas pessoas partiam em direção aos seus locais de trabalho ou escola, na maioria das vezes apressadamente e um ou outro com seu café da manhã ainda em mãos para poupar o precioso tempo que lhes escapava com uma velocidade impressionante.

Entre tantos rostos e expressões diferentes, uma em especial me chamou a atenção: Sua face parecia coberta por uma tristeza contagiante e incômoda. Todas as garotas que passaram por mim nesta manhã pareciam-me muito bem. Podiam não demostrar enormes sorrisos, mas também nada parecia as chatear, ao contrário da que eu aproximava-me cada vez mais, com uma significativa curiosidade e pensando na possível possibilidade de ajuda-la.

Após correr um pouco mais, parei minha caminhada rotineira. A garota de cabelos castanhos não moveu sequer um músculo quando sentei ao seu lado, arrumando um cadarço que por desobediência desamarra-se no meio do percurso que para ele havia sido um tanto turbulento.

–Bom dia! –Dirigi-lhe a palavra, mas não obtive nenhuma resposta ou olhar, contudo, insisti. –Está bem?

Dessa vez, ela olhou em direção á mim e apenas pelo seu triste e marcado olhar já soube a resposta, palavras não seriam mais necessárias para confirmações. Abaixei a cabeça, mas logo dei continuidade à conversa, para qual, até o momento, apenas eu havia contribuído.

–Acredito que não esteja muito bem... Posso fazer algo para ajuda-la?

–Me deixe em paz... Sussurrou ela. –Quero ficar sozinha, por favor.

–Você tem certeza? Ao olhar para alguém como você, não é o que parece.

–O que está tentando dizer?

–Quero dizer que você parecer ser alguém que foi chateada por algum motivo, mas olhe para o dia! –Sorri. –Está tão bonito, para alguém não apreciá-lo, algo realmente ruim deve ter acontecido.

–Olhe... Desculpe-me por qualquer coisa, mas eu preciso ficar sozinha, tudo bem?

–Mas eu quero ajuda-la! Tenho certeza que há, em algum lugar, um magnífico sorriso disposto a surgir á qualquer momento. Apenas precisamos encontrar o que está em seu caminho e dar a volta.

–Você não está entendendo... Eu não quero receber ajuda. –Falou ela, dessa vez em um tom alto, mas logo o abaixou novamente. –Não há uma maneira de me ajudar...

Estudei silenciosamente os traços de seu delicado rosto, que agora, virado para frente, encarava o chão, onde brotavam pequenas folhas verdes que ainda estavam molhadas pelo orvalho da manhã. Após algum tempo, voltei à conversa que parecia ter sido esquecida.

–Foi uma pessoa, não é mesmo? –Ao falar aquilo, senti que a tristeza da menina conseguiu aumentar pelo menos um pouco, ao ouvir as palavras que quebraram o ar de tranquilidade. –Não contava que pudessem ter feito aquilo... Não aquela pessoa. Não com você. Decepcionaram-na no momento em que pensou que tudo poderia ficar bem, assim como um dia já foi.

–Como você sabe disso? –Seus melancólicos olhos encaravam os meus.

–Você não é a única com problemas com quem já conversei numa manhã como esta.

–Você trabalha com psicologia?

–Bem... A diferença entre psicólogos e eu, é que eu procuro meus pacientes ao invés de eles procurarem alguém para desabafar. E também que todas as minhas sessões são de graça, afinal, já possuímos nossos sentimentos e não podemos comprar novos pela internet, não é mesmo?

A grama, agora com um pouco menos de orvalho, parecia interessante novamente para que a fitassem.

–Todos eles eram pessoas boas, assim como você parece ser. Eu queria poder fazer algo.

–Por que você se importa tanto? Quem é você?

–Eu?... Eu sou apenas alguém que não suporta ver um rosto triste e não poder mudar aquilo, ou pelo menos tentar. Você já passou por isso? É terrível! Causa um mal estar horrível e um peso imenso na pobre consciência. Imagina se começarem formigamentos e coceiras por todo o corpo, até fazer-me parar em um sanatório com pessoas falando com paredes e maçanetas de portas?!

Arranquei-lhe um pequeno riso, mas quando percebeu que o havia libertado, logo tratou de ficar séria novamente.

–Eu não entendo... –Falei. –Qualquer um pode ser ajudado, caso queira.

–Não acredito que possa fazer algo por mim.

–Por que não?

–Escuta... –Respirou fundo e aumentou seu tom de voz novamente, mas dessa vez, lágrimas insistiram em acompanhar suas palavras. –Você pode até tentar me ajudar com frases motivadoras ou me fazer rir, mas nada muda o fato de que alguém fracassado como eu, nunca poderia melhorar. Eu sinceramente não sei o que ainda estou fazendo aqui, se tudo o que tento fazer é inútil, tanto para mim quanto para outras pessoas, não há motivos para que alguém queira me acompanhar, minha existência é em vão e sempre irá ser!

Não sei ao certo quantos minutos se passaram, só sei que apenas ouvi alguns soluços, que foram perdendo a força.

–Não há nenhum sofrimento que não possa ser curado. –Falei tranquilamente.

–Se o que está dizendo é verdade... — Disse ela, após pensar um pouco. –Então me mostre. Eu já não quero acreditar em mais nada.

Caminhamos para a minha casa, onde pedi para que a garota se sentisse à vontade, enquanto preparava um chá morno. Ofereci a bebida, que foi degustada calmamente, fazendo com que seu organismo se aconchegasse, fazendo-a parecer muito melhor do que naquela mesma manhã.

Quando restaram apenas algumas gotas na xícara, abracei-a de modo que a confortasse ainda mais. Segurei a xícara de chá rapidamente, evitando que a mesma caísse e se espalhasse pelo carpete da silenciosa sala de visitas.

Carreguei a garota, que agora encontrava-se em um sono profundo, até um cômodo específico e mais tarde a levei para o quintal.

Cavei durante um tempo, sem me importar se iria demorar ou não, apenas queria um trabalho bem feito e com carinho. Carreguei a menina atenciosamente e a desci ao chão com a máxima delicadeza possível. Ao enterrá-la pude sentir um imenso alívio, pois havia conseguido livrar mais uma pessoa de seus piores problemas, certificando-me de purifica-la, retirando os principais órgãos que a fizeram sofrer tanto, seu coração e sua perturbada mente.

Após guardar a pá que me ajudara no serviço, admirei o novo amontoado de areia que agora contribuía para o merecido descanso de alguém que tanto o desejou.

Sorri. A terra que cobria a doce menina ainda estava completamente marrom, mas com o tempo, novos Crisântemos vermelhos floresceriam por toda a parte.

Notas finais
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