Olívia havia recebido um convite para cantar em um filme de Western que se passava no México e ela era a moça que animava o bar cantando Mariachi. Na semana seguinte ao convite, ela começaria a ensaiar e fazer a prova dos vestidos. Apesar de não gostar de aparecer nas telas ela estava ciente que não apareceria tanto a ponto de alguém se lembrar de seu rosto. Ela imaginou que se James Dean estivesse vivo teria orgulho dela.

No dia da gravação, Olívia se escondeu em seu camarim por ter dado de cara com Clark Gable. Ela lembrou-se que já havia se encontrado com ele anos antes e teve medo que ele reconhecesse “Anne Masterson“. Ela havia tirado documentos novos alegando ter perdido tudo em um acidente e agora ela era Olívia Weiss. Respirou fundo e saiu do camarim disposta a jurar de pé juntos que não o conhecia.

Quando não estava gravando, Olívia se unia a outros figurantes e jogavam cartas e fofocavam. Nesta rotina, ela fez amizades que favoreciam uns aos outros em convites de festas ou “arrumar maridos ricos”. Olívia colocou uma colega de jogo para dançar em alguns papéis que precisavam de dançarinas já que ela era péssima em dança e não gostava de dançar e ela, em troca, arrumava convites para festas de diretores. De todas as moças que ela conhecia ela gostava de Lucia Mills. Ela se parecia com Rita Hayworth e era uma menina animada, mas ainda muito criança para estar ali. Estava procurando um marido rico apesar de trabalhar e ganhar razoavelmente bem. No dia que Clark Gable apareceu no set de filmagem, seu grupinho começou a fofocar:

— Eu soube que ele engravidou uma atriz, Loreta Young e ela tem uma filha escondida em outra cidade.- disse Lucia – Se descobrissem eles perderiam o emprego, prestígio, tudo.

— Eu não sei por que escondem isso. – disse Olívia- Todo mundo sabe que se transa com homens e mulheres no mesmo dia nestas festas daqui de Hollywood.

— Sim, mas não é para espalhar. – Disse Lucia repreendendo-a

— Será que ele vai estar na festa de sábado? – perguntou Thomas ,um rapaz de 25 anos cuja aparência era de 19. Era o boyzinho de muitos homens de Hollywood.

— Que festa? – Olívia e Lucia olharam surpresas para ele

— Ah... vocês não receberam convite? – ele aproximou-se delas e sussurrou – O diretor vai dar uma festa neste sábado e vai ter gente muito, muito famosa e importante.

— Você sabe quem vai ? – perguntou Olívia na esperança de ver Donald.

— Eu soube que Rock Hudson iria e outra pessoa que não me lembro o nome mas deve ser alguém novo. Eu posso conseguir convite para vocês também.

— Seria ótimo. – Disse Olívia- Será que a Debbie Reynolds vai estar lá?

— Não sei mas o Gene Kelly vai. – disse ele

“Talvez Donald não vá a esta festa.” – pensou ela

Não é comum ele estar nos mesmos lugares que Gene até porque ele não era muito fã dele e nem ela.

— Eu soube que o Eddie Fischer está mergulhado em cocaína . Minha tia é enfermeira e atendeu ele duas vezes, apagado por dias no hospital. – Disse Lucia. Ela levou o dedo até a boca em sinal de silêncio — Morreu aqui a história.

Naquela mesma noite, Olívia estava fazendo sua salada ouvindo uma estação de rádio e remoendo o que ouvira sobre Eddie Fischer. Olívia se questionava se era possível ser feliz no casamento em uma época tão cheia de hipocrisias e tabus. Debbie era uma mulher com o coração lindo e cheia de luz própria e onde ia era amada por quem era. Olívia se lembrou de ter ouvido a notícia da tragédia da morte de sua filha Carrie Fischer dia 26 de Dezembro de 2016 e o dela no dia seguinte. Ela ficou conhecida como “A mãe que morreu de tristeza”.

Se uma mulher como ela viveu este inferno com um marido viciado e que em breve iria abandoná-la para ficar com sua BFF Liz Taylor, o que Deus tinha reservado para Olívia? Não que ela culpasse Deus pelo mau comportamento do homem mas ainda assim, Olívia se perguntava se um dia ela seria feliz pois a única certeza que ela tinha era que não seria eternamente jovem e tinha medo de ser como algumas mulheres velhas e influentes em Hollywood: pagar por sexo com homens jovens que estão chegando e tentando a vida na fama.

Olívia percebeu que estava ficando igual àquelas mulheres velhas mal amadas e
mal comidas quando começou a pensar em frases como: “Não existe príncipe encantado” ou “não se pode ser feliz no amor e no jogo”. Ela estava sentindo na pele que ser uma mulher solteira e sozinha no mundo não era nem de longe o que as feministas diziam que era (empoderador) e amigos não substituíam a falta que uma família faz. Porém, talvez fosse pior para uma divorciada com filhos. Em parte,Olívia entendia porque as mulheres de Hollywood trocavam de parceiros ou casavam-se várias vezes, como Elizabeth Taylor fizera: A solidão mata. Mas ela sabia que tinha um forte propósito ali, naquele tempo, e esse propósito fluía de seus dedos quando ela datilografava tudo o que descobria.