Notas iniciais
Sinopse: Quando a missão é completada e o grupo de guerreiros finalmente podem retornar para suas casas, Fang convida Hayan para conhecer seus pais, o problema é que o Meio Elfo fala muitas vezes sem filtro e isso os deixa em certas situações constrangedoras.

O vento batia fortemente nos rostos dos heróis enquanto o Dragão os levava de volta para o Reino de Camelot. A batalha foi extremamente difícil, nem o próprio Rei acreditou quando o grupo contou sobre como derrotaram uma horda de Criatura das Trevas.

De qualquer forma, a missão fora cumprida e o Reino poderia viver em paz. Ao receberem o dinheiro prometido e comemorarem por estarem ricos os companheiros se entreolharam, suas feições de felicidade sumindo pouco a pouco. Era finalmente chegada a hora do adeus.

— O que pretendem fazer com o dinheiro de vocês? — Hayan um Meio-Elfo de cabelos loiros e cicatrizes no rosto perguntou ao saírem do castelo.

— Vou voltar para a escola de magia — Respondeu Hisirdoux, um homem de longos cabelos pretos amarrados em um rabo de cavalo e uma barba bem feita — Meu mentor Merlin aguarda meu retorno e tenho ótimas notícias para lhe dar — Levantou o saco de moedas indicando que aquela era a boa notícia.

— Eu voltarei para minha vila, estou com saudades dos meus pais e do meu avô — Minthy uma Elfa de cabelos curtos negros, cicatrizes no rosto e tatuagens élficas no corpo respondeu logo após o Mago — E da minha Doninha, claro! — Acrescentou por fim, sua voz transbordava amor e saudades.

— Não decidi o que vou fazer — Knox um humano mascarado comentou pensativo.

— Você poderia tomar banho, comprar roupas novas, sabe viver feito gente — Eicho um jovem de pele negra e cabelos platinados respondeu ao amigo — Você fede tanto que esses corvos que te segue já tem até nome — Apontou para cima onde duas aves voavam atraídos pelo mau odor do homem.

— Talvez eu faça isso mesmo — Deu de ombros.

— Bem, eu vou comprar uma casa, viver bem finalmente longe das ruas — Eicho sorriu sonhador.

— Já eu, voltarei para casa, quero abrir uma taverna na minha cidade natal — Falou Fang, um Meio-Orc de cabelos negros e barba rala — E você Hayan?

O loiro olhou para o grupo que esperavam sua resposta. Ele ainda estava de mãos dadas com o Meio-Orc que durante a jornada tornou-se seu namorado. Fang sentiu a mão do rapaz apertar a sua, estranhou. Hayan não tinha um lugar para ir, ele nem ao menos esperou que saísse vivo da missão que o Rei lhes dera. Poderia procurar sua mãe quem sabe? A anos não a via, não desde que seu pai acabou com a família e ele teve que se virar muito cedo sozinho. Talvez ela nem estivesse viva.

— Você poderia vir comigo.

A voz de Fang chamou sua atenção. Eles ainda continuavam com as mãos unidas enquanto caminhavam pelas ruas, alguns humanos lhes olhavam torto enquanto Eicho mostrava o dedo do meio para os que torciam os rostos.

— E-Eu posso?

— Sim claro, quer dizer, eu queria lhe apresentar aos meus pais — Sorriu corado. Hayan ficou rubro com o convite. Com um sorriso ele balançou a cabeça concordando em acompanhar o namorado de volta a sua cidade natal.

Depois de dois dias de puro descanso em uma pousada o grupo estava bem dispostos para suas jornadas. Roupas limpas e novas, mantimentos e cavalos. Não teve como não ficarem triste ao se despedirem, afinal passaram três meses inteiros convivendo lado a lado.

— Espero um dia reencontra-los – Hisirdoux sorriu apertando a mão de Hayan.

— Eu também meu irmão! – Fang puxou o Mago para um abraço lhe tirando do chão.

Hayan riu do ato do namorado e do desespero de Doux. Eicho não pensou duas vezes antes de se juntar ao abraço puxando Knox, Minthy acompanhou o amigo e Hayan também, logo todos estavam em um abraço grupal.

— Escrevam para mim ta? – Minthy pediu ao casal, as lágrimas nos olhos, Hayan também chorava ao abraçar a amiga.

— Knox e eu estamos indo para o mesmo lado – Eicho comentou ao terminar de abraçar todos – Visitaremos vocês.

— Eu não vou visitar ninguém – Knox anunciou.

— Cala a boca, vai visitar sim – Eicho repreendeu o colega.

— Até mais pessoal! – Fang acenou quando todos subiram cada um em seu cavalo.

— Tomem cuidado no caminho! – Hayan alertou, ele sabia que todos eram bem capazes de se defenderem sozinhos.

E então cada um partiu deixando o casal para trás nos portões do Reino. Fang tocou o ombro do loiro indicando que era hora de irem, eles subiram nos cavalos e partiram estrada a fora.

A viagem durou alguns dias, os dois aproveitaram o momento para fazerem tudo o que não poderiam na presença dos colegas, quase como uma espécie de lua de mel. Quando chegaram em LionHorn já estava anoitecendo.

A cidade era pequena com poucas casas e enormes campos de plantação. Ao adentrarem as pessoas paravam para olharem os viajantes, muitos reconhecendo Fang e ficando surpresos com sua volta. Passaram pelo centro e pela pequena igreja de adoração a Deméter o deus das colheitas, passaram pelas fazendas e por fim no finalzinho da cidade em uma casa afastada das demais foi onde pararam.

— Chegamos – Fang anunciou ao namorado que rapidamente desceu do cavalo para ficar ao seu lado.

Subiram os pequenos degraus da entrada da casa de mãos dadas, latidos puderam ser escutados vindos de dentro do lugar e a voz de uma mulher repreendendo o cachorro. Hayan sentiu as mãos de Fang estremecerem e os olhos do Meio-Orc transbordarem lágrimas. Bateram na porta e segundos depois ela foi aberta por um homem de cabelos negros e barba por fazer, ele olhou para Fang espantado. Hayan notou que o namorado era muito mais alto que o humano em sua frente.

— Fang! – O homem abraçou o filho que o correspondeu – Você está de volta!

— Pai! Eu senti saudades.

— Querido que é que está na porta?

— Mãe? Sou eu!

— Fang?! – Uma Orc apareceu segundos depois com olhos arregalados.

Mãe e filho se abraçaram felizes, a mulher beijava seu rosto com carinho enquanto fazia mil e uma perguntas para saber se o rapaz estava bem. Hayan notou o tamanho da Orc, tão alta quando Fang.

— Que mulherão! – Deixou escapar sem querer chamando atenção dos demais – Desculpe.

— Pai, mãe! Este é o Hayan meu namorado – Fang apresentou sorridente.

— Muito prazer em conhece-lo! – A Orc sorriu amigável indo lhe dar um abraço, Hayan foi tirado do chão por ela – Se eu soubesse que era só passar uns meses fora para Fang se apaixonar eu já teria feito isto a muito tempo!

— Mãe!

— Eu concordo com sua mãe! – O humano riu ao aperta a mão de Hayan extremamente receptivo ao rapaz – Muito prazer jovem.

— O prazer é meu senhor – Hayn sorriu sentindo-se acolhido – Se me permite dizer agora entendo de onde o Fang tirou tanta beleza. Comeria vocês dois fácil.

— Que? – O casal arregalou levemente os olhos.

— Hahaha! Ele ta brincando gente, calma o Hayan tem esse tipo de piada mesmo – Fang forçou uma risada olhando para o namorado com uma expressão de pavor.

— Eu não to brincando não, eu traçaria facilmente, digo eles são muito gostosos! Não tem como não gostar – Hayan continuo assustando ainda mais Fang e deixando seus pais extremamente surpresos.

— Mas quer sabe, o Fang também é ótimo na cama, ele puxou isso de quem? Deixa, imagino que de ambos, vocês devem ser os mestres em fazerem isso, quer dizer, é só olhar o filho de vocês. Que homem em! – Hayan foi até o namorado abraçando seu peitoral.

Fang não sabia nem mais para onde correr quando ouviu o loiro proferir tudo sem filtro algum, um silêncio se instalou no ambiente antes de risadas estourarem nos lábios dos pais do Meio-Orc. Fang se espantou mais ainda com a situação enquanto Hayan ria junto com os sogros.

— Gostei desse rapaz! – A mulher deu um tapa nas costas de Hayan que quase perdeu o equilíbrio.

— Vamos entrando, aposto que vai adorar dividir o quarto com o Fang é espaçoso afinal já viu o tamanho dele? – O homem guiou Hayan casa a dentro.

Fang ficou aliviado ao ver que seus pais não se incomodaram com o jeito do Meio-Elfo. Com a ajuda de sua mãe retiraram os mantimentos restantes das garupas dos cavalos e logo depois suas selas deixando os animais descansarem com água e comida.

Os dias que seguiram foi os mais divertidos da vida do casal. Hayan divertia-se com os sogros, adorava as histórias que contavam sobre o moreno o que deixava ele muitas vezes envergonhado. Quando menos esperaram haviam se passado um mês, estar na presença daquelas pessoas fez o loiro sentir ainda mais saudades de sua mãe, dia após dia ele analisava seu colar, a única coisa que havia restado dela depois de sua partida.

Naquele dia não foi diferente, o sol surgia pela janela aberta do quarto de Fang. Hayan sentado na cama apenas de cueca tinha em suas mãos o colar. Fang remexeu-se na cama a procura do corpo do namorado para lhe abraçar, quando não o sentiu ao seu lado ele abriu os olhos vendo-o sentado na ponta da cama meio cabisbaixo.

— Aconteceu alguma coisa? – Beijou seu ombro antes de abraçar sua cintura trazendo-o mais para si.

— Eu estive pensando – Hayan encostou o corpo no peito do namorado – Há anos não vejo minha mãe, estou com saudades e eu gostaria de lhe apresentar a ela.

— Tudo bem, nós vamos visita-la – Fang beijou o topo de sua cabeça.

— É que eu não sei onde ela está. Não a vejo desde pequeno, ela pode estar literalmente em qualquer lugar, pode levar meses, anos, eu não quero fazer você passar por tudo isso de tempo, talvez nem a encontremos.

— Hey calma. Nós vamos atrás dela, dure o tempo que durar, eu vou com você – Segurou o rosto do Meio-Elfo para olhar nos seus olhos – Quero conhecer a outra pessoa que você ama.

Hayan sorriu apaixonado, sem demorar selou seus lábios com os do mais alto que retribuiu prontamente.

— Vamos preparar o café da manhã para meus pais – Fang levantou-se já indo em direção a porta.

— Mas você vai ter que vestir uma roupa primeiro – Hayan analisou a bunda do namorado – Se bem que eu gosto dessa visão.

— Hayan...

— Ué, só estou falando a verdade. Aliás, quando casarmos você vai ter que andar nu pela casa todos os dias.

Hayan vestiu suas roupas rapidamente enquanto Fang parecia meio bobo vestindo suas calças.

— Que demora em eu vou na frente.

Quando estava vestido por completo Fang olhou-se no espelho e sorriu apaixonado.

— Ele falou em casamento...

Da sua cômoda tirou uma caixinha que havia trago de Camelot, nela continha um anel que comprará para pedir Hayan em casamento, analisou o acessório e o guardou no bolso, logo em seguida saiu do quarto indo auxiliar seu amado na cozinha.

FIM.

Notas finais
Qualquer erro ortográfico por favor avise! Obrigada por ler até aqui e nos vemos no próximo capitulo!