Contos de um Futuro inexistente
3 Noite estrelada
Notas iniciais

Passos apressados eram ouvidos de um lado para o outro, no chão uma doninha suspirava cansada ao observar sua dona caminhando desesperada pela casa.
— Querida eu acho que você já fez mais que o suficiente – Um senhor de longos cabelos grisalhos e tatuagens élficas comentou ao ver sua neta indo e vindo a todo momento – Está aí desde muito cedo, essa casa nunca esteve tão limpa em tantas centenas de anos.
— Eu sei vovô, mas é qu-
— É que seus amigos estão vindo nos visitar – Interrompeu uma Elfa de lindos cabelos ruivos que acabará de adentrar na cozinha.
— Isso mesmo, mamãe. E não só isso nós n-
— Vocês não se veem a quase dois anos – Desta vez que interrompeu foi um Elfo de cabelos pretos e tatuagens élficas espalhadas pelo rosto e corpo.
Minthy fez uma cara emburrada ao verem seus pais se divertirem com a situação. Astra a doninha de estimação imitou o geste da Elfa como se concordasse com a dona.
— Desculpe querida – Seu pai adiantou-se – Mas é que você vem repetindo isso a quase três meses.
— Já planejou tudo, inclusive nos fez rever cada item da sua lista – Sua mãe completou – A comida está pronta, os quartos de hospedes preparados.
— Mas e o festival? – Minthy encarou os três com desespero. Ela fez de tudo para que os antigos companheiros viessem justamente no dia do festival da vila.
— Sem previsões de chuva – Seu avô lhe acalmou – O festival vai acontecer normalmente.
— Tudo bem, então... Eu acho que não tem mais nada a fazer – A Elfa mais nova deu-se por vencida.
— Sim filha, descanse, vai ficar tudo bem – Seu pai lhe puxou para a sala lhe fazendo sentar no sofá.
— Nós estamos aqui e vamos lhe ajudar – Seu avô sorriu acolhedor.
— Tudo bem... Acho que posso fazer isso.
Aproveitando que sua dona havia finalmente parado, Astra correu para deitar-se no colo dela e receber um pouco de carinho. Minthy suspirou cansada, ela estava a tantas horas organizando tudo mal havia tomado café da manhã.
Enquanto alisava Astra batidas foram ouvidas na porta e antes mesmo que sua mãe abrisse Minthy passou por ela animada segurando na maçaneta e abrindo-a revelando um grupo de cinco pessoas.
— Eu já falei pra me solta Eicho!
— Não vou fazer isso, você vai bater nele!
— Pode soltar essa mocinha.
— Knox não provoca! Hayan para de se debater!
Minthy olhou sem reação para a cena em sua porta. Eicho um humano de cabelos platinados segurava Hayan um Meio-Elfo de cabelos loiros e cicatrizes no rosto enquanto Knox um humano mascarado – ele não tirava sua máscara por nada – parecia se divertir com a confusão que muito provavelmente ele arrumará.
— Oi Minthy! Onde fica o banheiro? – Fang um Meio-Orc perguntou chamando sua atenção – Quer saber deixa que eu encontro – E adentrou a casa desesperado.
— Fang não entope o banheiro da Minthy! – Hisirdoux um mago de cabelos longos e barba pretos gritou por cima do ombro da Elfa – Ele vai largar uma bomba no seu banheiro Minthy – Deu de ombros lamentavelmente.
— Querida, esses são seus amigos? – Sua mãe perguntou atrás dela e antes mesmo que a Elfa pudesse responder Hayan foi mais rápido.
— Puta que pariu que deusa é essa?!
Largando-se do aperto de Eicho o Meio-Elfo se aproximou da casa tomando as mãos da ruiva para logo em seguida depositar um beijo. Kade pai de Minthy olhou aquela situação indignado enquanto Mirana parecia confusa.
— Muito prazer em conhece-la, sou Hayan e a senhorita?
— Mirana... Ivory. Mirana Ivory o prazer é meu – A mulher parecia desconcertada com a situação.
— E eu sou o kade, MARIDO dela e PAI da Minthy – O Elfo abraçou a esposa.
Hayan não deu muita importância para o que o homem dizia e logo foi fazer carinho na doninha que parecia assustada com tanto estardalhaço na chegada do grupo.
— Me desculpem senhores algumas pessoas podem ser ignorantes as vezes – Doux adiantou-se apertando a mão do Elfo mais velho – Desculpem meus companheiros.
— Não tem problema jovem, como se chama?
— Hisirdoux professor de magia na escola de bruxos, meu mentor foi Merlin III o senhor deve conhecer, muito bom mago era braço direito do rei Arthur e...
Então Doux começou um longo monologo enquanto Hattori o avô de Minthy tentava soltar sua mão do aperto que o mago oferecia. Sem muito sucesso o senhor continuou ali tendo sua mão balançada freneticamente de cima para baixo.
— Galera quem precisar ir no banheiro, não precise – Fang surgiu novamente de dentro da casa com uma expressão de alivio – Prazer senhor e senhora pais da Minthy, ficamos muito feliz de nos receberem aqui.
— O prazer é nosso...
— Fang você empesteou todo o ambiente – Knox reclamou ao entrar na casa sem ser convidado – O que você fez lá? Igual na ultima vez que você detonou com o quarto do Hayan.
— Querida eu acho que vou abrir a janela um pouquinho – Kade sussurrou para sua esposa que também começou a se incomodar com o cheiro – Ta calor aqui ne gente?
— Ta vendo o que você fez? Eu ajudo o senhor – Knox foi até o Elfo que segurou a vontade de vomitar. O mascarado fedia igualmente.
— Hey Minthy! – Eicho chamou sua atenção para ele – A quanto tempo em?
O platinado sorria de braços abertos, Minthy soltou uma risada antes de abraçar o amigo e confessar:
— Eu estava com saudades de vocês, loucos.
Depois do almoço Minthy mostrou os aposentos dos colegas para poderem descansar da viagem, horas depois os levou a um passeio pela vila onde mostrou cada canto dela e sua história. Os Elfos eram todos muito gentis e receptivos, muitos se divertiram com a confusão que era o grupo da jovem.
No cair da noite todos foram para uma enorme fogueira onde toda vila estava reunida dançando e cantando músicas élficas. Hayan e Doux comiam um porco assado perto das enormes mesas repletas de comidas enquanto Fang e Knox brindavam e bebiam com alguns desconhecidos. Já Eicho paquerava uma Elfa que parecia entendida.
Minthy que trançava os cabelos de uma das crianças da vila observava tudo contente, era bom ter seus amigos reunidos novamente.
— Terminei.
— Obrigada Minthy! – A garotinha sorriu antes de correr e se juntar com os colegas na roda de histórias que um senhor Elfo contava.
De repente Eicho apareceu chamando a Elfa para dançar, todos estavam reunidos perto dos bardos. Hayan e Fang dançavam coladinhos ao som da música, Doux e Knox se divertiam mais ao lado dançando enquanto rodopiavam e cruzavam os braços indo e vindo. Minthy se juntou com Eicho para dançar junto e os companheiros logo estavam em seu próprio mundinho dançando em uma ciranda.
— Esses amigos dela são... Excêntricos – Hattori comentou vendo sua neta ao longe.
— De fato pai – Kade concordou – Mas veja, veja como ela sorri.
— Nunca vimos a Minthy tão feliz assim – Mirana comentou observando atentamente sua garotinha sorrindo abertamente – Eu fico feliz que ela tenha encontrado pessoas tão boas para ela.
Concordando com a ruiva os dois homens observaram sorridentes – contagiados pela felicidade de Minthy – a Elfa se divertir com os amigos debaixo daquela noite estrelada.
FIM.
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