Contos de um Futuro inexistente
4 Escolta - Part 1
Notas iniciais

Era para ser uma missão simples, escoltar um trio de garotas de um bordel élfico para o local onde foram contratadas. Fácil e rápido, afinal quem iria querer atacar strippers no meio da floresta?
“Afinal elas nem tem tudo isso de dinheiro... Ou honra” — Pensou Hisirdoux segundos depois de serem emboscados por um grupo de bárbaros.
— Me entreguem o que é meu! – Gritou o que parecia ser o líder, alto, musculoso, cabelos ruivos e longa barba. Vestia um casaco feito de pele de lobo e na mão segurava um machado de forma ameaçadora.
— A gente nem te conhece! – Eicho um humano de cabelos platinados gritou em resposta enquanto apontava sua lança para dois bárbaros que apareceram a sua esquerda na floresta.
— Elas me roubaram! – O líder apontou para as três moças que pareciam assustadas — E se não me entregarem agora irão pagar com suas vidas!
— Do que eles estão falando?! – Knox um rapaz que sempre usava máscara perguntou para uma das mulheres.
— E-Eu não sei – Seline uma Elfa de cabelos coloridos respondeu nervosamente.
— Vocês estão nos confundindo! – Gritou uma Meia Elfa de cabelos loiros chamada Agnes.
— Confundindo? Eu reconheço essa desfrutada de longe! – Latiu o líder com os olhos fixados em uma Elfa em especifico.
— Não sei do que está falando – Violet a mais alta do trio revirou os olhos cruzando os braços.
— Hora sua! Foda-se, homens ataquem!
— Calma ae meu senhor, talvez tenha ocorrido um engano, elas estavam o tempo todo com a gente! – Hisirdoux um mago de cabelos longos e barba preta tentou conversar, sem sucesso.
— Foda-se! – Knox puxou seu Arco e cravou uma flecha certeira na garganta do inimigo mais longe.
A batalha começou. Oito contra três, não era injusto, afinal aqueles eram os heróis que salvaram o mundo a cinco anos atrás. Apenas haviam pegado um serviço simples na guilda para relembrar os bons tempos e terem uma “aventura dos rapazes” – como Eicho chamava o reencontro.
Enquanto Doux com seu cajado conjurava uma magia de paralisia Knox acertava suas flechas nos inimigos mais distantes e Eicho protegia as mulheres do líder que atacava sem parar.
Minutos depois todos estavam no chão, mortos. As Elfas pareciam aliviadas, mas Doux não tinha essa sensação.
— Agora digam o que foi que vocês fizeram?
— Do que está falando? – Agnes perguntou.
— Vamos lá, a gente não é besta – Knox retirou uma das flechas do corpo caído e verificou se ainda estavam boas para uso – Vocês roubaram alguma coisa, nos digam.
— Não acreditam na gente? – Seline fez uma expressão de indignação.
— Olha, se não quisermos mais pessoas nos seguindo, precisamos saber – Eicho esclareceu.
— É bem estranho que três strippers tenham pedido segurança na guilda. Afinal o que teriam de valioso? – Hisirdoux complementou.
— Que tal a nossa vida, só para começar – Violet fechou a expressão.
— Não quero saber de brigas! Anda, digam logo – Eicho interrompeu.
— Ou deixamos vocês aqui mesmo e vamos embora – Knox deu de ombros, vindo dele nada poderia soar como um blefe, o mascarado realmente faria.
— Violet... – Seline chamou pela amiga — Mostra pra eles.
Com raiva a morena retirou do bolso da calça um pedaço de papel dobrado. Ao abrir revelou um mapa com a localização de uma caverna marcada com um X.
— Então é isso? – Knox revirou os olhos.
— O que esperava? – Violet tentou puxar de volta, porém Eicho foi mais rápido segurando seu pulso.
— Um mapa do tesouro! – Doux agarrou o papel – E com a localização do lugar que fomos mandados levar vocês. Expliquem.
— O que tem para explicar, é um tesouro – Agnes puxou o mapa para ela e o dobrou.
— E para esses caras estarem tão raivosos. Deve ser verdadeiro – Eicho concluiu.
— Claro que é, escutei atentamente quando falaram que é aí que escondem todo o roubo às carroças – Violet cruzou os braços com um sorriso convencido.
— E vocês pretendiam roubar... – Conclui Knox.
— Sabem o ditado, ladrão que rouba ladrão... – Seline deu de ombros.
— Esqueçam, estamos voltando – Doux começou a fazer o caminho de volta.
— Ei! Vocês não podem voltar! – Agnes segurou o pulso do mago – Contratamos vocês, estão em serviço!
— Não me digam que os “heróis” estão com medo – Violet fez aspas com os dedos.
— Olha aqui, não estamos com “medo” – Eicho imitou o ato da mais alta – Apenas que esse não foi o combinado, vocês mentiram para pagar um valor bem mais baixo, essa missão é mais perigosa do que uma simples escolta de cidades.
— Então pagamos quando encontrarmos o tesouro – Seline sugeriu.
— Por mim tudo bem – Knox fez um sinal positivo.
— Você sempre concorda tão rápido – Eicho revirou os olhos irritado.
— Tudo bem, apenas porque vamos ter uma parte desse ouro – Doux soltou-se do aperto da mais baixa – E vai ser uma parte generosa.
— Todos de acordo? Então vamos nessa! – Eicho começou a caminhar.
— Certo! – Knox imitou o amigo.
— Não concordamos com isso, nós que arranjamos o mapa, o ouro é nosso!
Sob os protestos das Elfas os três Humanos continuaram a caminhar ignorando tudo que falavam. Horas depois ao cair da noite eles montaram acampamento próximos a um riacho. Conversaram pouco e apenas entre si, as Elfas ignoravam os Humanos e vise e versa.
— Ei você.
Uma voz sussurrou perto de Knox que observava atentamente a fogueira queimar, ele era o vigia da madrugada. Ao virar-se deparou-se com a Elfa de cabelos coloridos.
— Algum problema? – Sussurrou de volta.
— Pode me acompanhar? Estou apertada – Seline pareceu envergonhada sob a luz da fogueira.
— Tudo bem.
Os dois caminharam por alguns segundos em silêncio. Tudo estava um completo breu, mas na distancia dava para ver a luz da fogueira em um ponto da floresta, resolveram parar por ali. Knox virou-se de costas para Elfa.
— Acho que paramos em um lugar onde tinha uma carcaça de algum animal – Seline comentou quando estavam voltando – Estava fedendo.
— Era eu – Knox revirou os olhos, todos reclamavam do seu cheiro.
— Ah... Tomar banho faz bem sabia?
— Não sou fã – O mascarado apertou o passo obrigando a mulher a fazer o mesmo para lhe acompanhar – Chegamos, boa noite.
A Elfa observou o Humano sentar frente a fogueira de forma emburrada. Achou graça, parecia uma criança.
— Eu perdi o sono – Esclareceu ela quando teve o olhar do homem sobre si ao sentar do seu lado.
Ficaram alguns minutos em silêncio apenas na companhia dos sons da floresta e do ressoar das respirações dos companheiros que dormiam a alguns metros mais atrás.
— Eu também não gostava...
— O que? – Knox encarou a Elfa.
— De tomar banho – Admitiu – Quando pequena, eu odiava, passava dias tentando me esconder dos meus pais..., mas sempre descobriam.
— Deve ser o cheiro.
— Sim dever ser – Seline riu deixando o mascarado surpreso – Enfim, no final eu sempre acabava apanhado. E tomando banho... Talvez mais apanhando do que fazendo a segunda parte. Meus pais batiam muito em mim.
Knox ficou sem jeito, não esperava uma conversa com a mulher de cabelos coloridos, principalmente uma revelação dessas.
— Sinto muito.
— Tudo bem, não acontece mais. Eu fugi de casa e conheci o bordel – Seline observou tristemente as chamas da fogueira – Dançar lá era bem melhor do que apanhar.
— Você gosta? – Knox tentou puxar assunto, ao receber um olhar confuso ele completou – Do bordel, você gosta de trabalhar lá?
— Não é de todo ruim, eu danço, o que gosto muito – Esclareceu – Tenho amigas verdadeiras – Olhou para trás observando as companheiras dormindo alheias a tudo – Não recebo muito, mas da para sobreviver, é uma vida, talvez não a que sonhei, mas é algo... – Completou — Se você ignorar os comentários e todo o resto.
— Nesse mundo há muito preconceito – Knox soltou com nojo – Sei como é.
Ficaram alguns segundos em silêncio.
— Mas qual é dessa máscara?
— Meu passado envolve algumas coisas que as pessoas sentem nojo e que por isso me sinto mais a vontade com a máscara.
— Deve ser uma droga.
— Você aprende a conviver com isso – Da de ombros.
As horas vão passando e os dois continuam a conversar. Knox nunca havia falado tanto na sua vida quanto naquela madrugada, pela primeira vez sentiu-se confortável na presença de alguém, o mais próximo disso foi Eicho que ignorou seu odor e embarcou em algumas de suas loucuras no passado – o que fortaleceu a amizade entre eles. Já Seline estava surpresa que o mascarado insensível poderia ser alguém que era compreensível e respeitoso. Não tinha preconceitos e não ligava para o tipo de trabalho que ela tinha, tirando Jace — irmão de Violet – Knox foi o único homem que não a tratou diferente e nem tentou se aproveitar dela.
Quando a fogueira já estava no seu finalzinho e os raios de sol surgiam, Seline e Knox dormiam tranquilamente sentados, costas com costas, a de cabelos coloridos tinha uma das mãos sobre o nariz e como o vento sobrava para outro lado o cheiro do humano não lhe incomodou tanto assim. O sono foi interrompido por um banho de água gelado que pegou os dois desprevenidos.
— Mas que porra?! – Knox levantou-se assustado.
— Bom dia Knox, foi mal cara eu queria apagar a fogueira – Eicho respondeu.
— Atchim!
— Seline, você ta bem? – Knox ajoelhou-se na frente da Elfa que tremia de frio.
— Tu-tudo be-bem...
— Que porra você fez? – Violet perguntou irritada ao ver o estado da amiga.
— Eu não vi, juro pelos deuses! – O platinado desesperou-se – Pensei em dar um banho no Knox e... Desculpe.
— Idiota! – Agnes que acabava de se levantar de onde esteve dormindo bufou com raiva.
— Tudo bem Seline, vem cá eu te aqueço – Violet chamou a amiga para um abraço, logo Agnes juntou-se as duas para acelerar o processo.
— Eu só...
— Mandou mau em meu amigo – Hisirdoux fingiu decepção.
— Não foi a intensão...
— Cala a boca – Knox murmurou espremendo sua capa que estava encharcada, ele também tremia de frio.
— Tudo bem pessoal, vamos andando falta pouco – Doux chamou a atenção de todos.
Logo eles juntaram tudo que tinham e voltaram a andar, Knox parecia irritado e Seline tentava explicar as amigas como ela foi parar naquela situação. Eicho sentia-se mal pela brincadeira e Hisirdoux apenas queria terminar sua missão.
CONTINUA...
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