Notas iniciais
Sinopse: Hayang é um garotinho de sete anos que pela primeira vez tem o grande questionamento: De onde vem os bebês? Por viver em um mundo magico ele acha que possa criar um para não se sentir mais sozinho quando os pais estiverem longe. Logo ele decide que pedirá a ajuda dos seus tios que não sabem como agir perante a situação. Será que o meio Orc e meio Elfo Hayang conseguirá o que quer?

Em um mundo aonde criaturas mágicas existem, Elfos, Magos, Orcs entre tantos outros foi onde o pequeno Hayang nasceu. Filho de dois bravos guerreiros que no passado salvaram o mundo junto de seus amigos, o pequeno meio Orc e Elfo — Sim Hayang era metade de ambas as raças — carregava o legado da justiça desde antes de aprender a falar.

A família vivia bem, moravam em uma enorme casa na cidade portuária de Limod – local onde seus pais começaram a namorar, era algo significante para ambos os homens – e recebiam constantes visitas de seus antigos parceiros.

Tia Minthy – como Hayang chamava – era uma Elfa com cicatrizes de batalhas no rosto e no corpo, usava os cabelos curtos e tatuagens élficas. Ela era a “tia maneira”, lhe trazia presentes quando o visitava e lhe contava algumas histórias sobre seus pais.

Bobo Eicho, era como o garoto chamava o humano. Ele tinha cabelos brancos, pele morena e um bigode que se orgulhava de estar crescendo – meio tardio comparado a outros humanos. Eicho sempre estava atrás de um "rabo-de-saia", embora tivesse muito amor para dar, poucas o queriam. Era engraçado e dava dinheiro para Hayang em troca de alguns pequenos favores.

Padrinho Doux era um Mago muito amigo do seu pai Fang, eram praticamente irmãos segundo o pai. Hisirdoux era seu padrinho, a pessoa mais confiável para cuidar de Hayang caso algo acontecesse com seus pais que viviam de missões da guilda da cidade. Doux tinha longos cabelos negros amarrados em um rabo de cavalo, uma longa barba que lhe fazia cocegas quando lhe beijava a testa. Ele estava sempre ocupado dando aulas na escola de magia no lugar de seu antigo mentor Merlin, mas quando vinha visitar lhe encantava com magias para dar vida aos seus brinquedos.

O Estranho K era o apelido que o garotinho deu a um colega misterioso de seus pais, segundo a Tia Minthy eles batalharam juntos para salvar o mundo. Knox era seu nome verdadeiro, um humano mascarado que tinha hábitos estranhos, fedia bastante e nunca deixava ninguém ver seu rosto. Knox sempre deu medo em Hayang, quando visitava seus pais era apenas para aproveitar que estava de passagem na cidade e não pagar um quarto em uma estalagem. Contava histórias bizarras e lhe encarava com seus grandes olhos deixando o pequeno nervoso – Hayang suspeitava que era de proposito, pois, seu pai Hayan sempre brigava com Knox o fazendo rir logo em seguida.

Papai Fang era um meio Orc alto e musculoso, tinha uma cicatriz abaixo do olho esquerdo e uma babar bem cuidada – Segundo Hayang era macio de alisar. Extremamente engraçado e bom de briga, Fang sempre estava pronto para defender sua família.

Já o papai Hayan era um meio Elfo com cicatrizes no rosto e cabelos loiros ondulados. Embora tenha um rosto de anjo o homem era extremamente ácido – nunca na frente de seu filho – ao ponto de colocar medo em qualquer um. Se Fang estava sempre pronto para defender sua família, Hayan estava duas vezes mais para proteger seu filho.

[...]

Certa vez, em um momento raro onde todos os amigos estavam reunidos na casa dos pais de Hayang, o garotinho teve pela primeira vez um questionamento que trouxe certa confusão.

— Hayang você ta esperando seus pais? – Perguntou uma garotinha humana de cabelos negros e olhos verdes.

O pequeno que estava sentado na frente da escolinha observando o movimento de pais e crianças na hora da saída da escola parou para observar a colega que acabara de chegar.

— Não, eles estão ocupados em uma missão.

— Então com quem você vai?

— Padrinho Doux está vindo me buscar – Deu de ombros – Ele e meus outros tios estão em casa, vão passar o fim de semana.

— Entendo...

Então o silencio se fez presente, a garota brincava com sua boneca de pano enquanto Hayang observava atento os pais irem e virem, ele tinha esperanças de ver cabelos loiros ou negros entre a multidão indicando que eram seus pais, o pequeno não gostava quando eles ficavam longe.

Tudo bem neném não chora, eu vou te dar a papinha— A garotinha ao lado falava para a boneca chamando sua tenção – Sabe Hayang, eu queria que minha bebê fosse de verdade.

— A boneca?

— Sim! Onde será que eu arrumo um bebê de verdade para mim?

Hayang e a coleguinha ficaram pensativos, pela primeira vez pensando, de onde vem os bebês?

— Acho que deve ter um lugar aonde fazem, sabe, que nem na loja de brinquedos onde fazem as bonecas – Hayang explicou depois de um tempo.

— Sério? Será que conseguimos fazer um então? Você me ajuda?

— Ajudo!

Os dois se encararam esperançosos, se conseguiam fazer brinquedos na aula de artes, com certeza conseguiriam fazer um bebê e então Hayang não se sentiria sozinho quando seus pais saíssem de casa para fazer missões.

— Docinho hora de ir! – Uma mulher de cabelos longos pretos e olhos castanhos falou chamando a tenção das crianças.

— Já vou mamãe! – Docinho olhou para Hayang e antes de ir soltou um – Não esquece que você prometeu me ajudar com o bebê!

O garotinho fez um sinal positivo com o dedo, mais do que Docinho ele estava super focado na tarefa de ter uma companhia. Observou a menina ser abraçada pelo pai, um homem ruivo de olhos verdes, Docinho e seus pais então partiram deixando o meio Orc e Elfo esperando pelo Mago – que estava atrasado.

— Hayang desculpe o atraso! – Hisirdoux apareceu de repente.

— Tudo bem padrinho, eu já estou acostumado, papai Fang sempre se atrasa – Segurando a mão do homem Hayang começa a caminhar.

— Seu pai é um bobalhão mesmo – Doux revira os olhos.

— Padrinho eu tenho uma pergunta.

— Manda.

— Como é que se faz um bebê?

— É o que?! – A voz do mago afinou um pouco, ele encarou o pequeno nervoso.

— Eu disse pra a Docinho que faríamos um bebê sabe.

— Você disse o que pra quem?! – A cara de Doux era impagável, sua mente dava voltas com a pergunta.

— Pra Docinho, nós queremos um bebê!

— Garoto... E-eu, bem... Isso não é o tipo de coisa que eu... Bem...

Hayang olhava extremamente atento para Doux que cada vez mais ficava nervoso, como ele diria aquilo para ele? Ele não era o pai, não queria essa responsabilidade, então foi aí que ele pensou em passar ela para outra pessoa.

— É que eu não sou bom em explicar, acredite a Minthy é melhor nisso do que eu. Pergunte a ela.

— Tudo bem – O pequeno aceitou de bom grado deixando o homem aliviado, afinal Hayang preferia realmente uma boa explicação para fazer seu bebê do melhor jeito possível.

[...]

Ao chegar em casa Hayang correu logo para o quarto onde sabia que a Elfa estava hospedada, abriu a porta com tudo sem mesmo bater, assustando a mulher que lia um livro em cima da cama.

— Meu deus menino, que correria é essa?

— Tia Minthy me ensina a fazer um bebê! – Hayang pulou na cama animado.

— Fazer o que?! – Minthy arregalou os olhos, deixando seu livro totalmente de lado e sentando depressa na cama.

— Sim, eu quero um bebê! – O menino pulava animado.

Minthy assustada segura nos ombros da criança e a faz sentar-se em sua frente, Hayang notou que ela tremia e estranhou.

— Repete pra tia, o que você quer?

— Eu quero um bebê!

— Um bebê?! De onde você tirou isso?! – Minthy agora parecia extremamente séria – Foi aquele safado do Eicho não foi? Ah mas eu mato ele! Onde já se viu ficar falando besteira pra crianças!

— Não tinha Minthy eu disse pra Docinho que faríamos um e-

— Você vai fazer o que?! Ah mas é agora que eu acabo com a raça daquele tarado!

Sem pensar duas vezes a Elfa levantou da cama e foi ao quarto ao lado, sem nem ao menos bater ela entrou com tudo com Hayang ao seu encalço. Eicho que estava hospedado no quarto assustou-se ao ver a mulher na sua frente com cara de brava.

— Ah, oi? Veio tomar banho comigo? – Mesmo assustado ele não perdeu a oportunidade de tentar lhe paquerar.

Só então que Minthy percebeu que ele estava apenas com uma toalha presa a cintura, suas bochechas ficaram levemente rubras, mesmo assim ela não se abalou e encheu a mão para lhe desferir um forte tapa, Eicho caiu para trás confuso.

— Na próxima vez, vá contar suas histórias poderes para outra pessoa! – Minthy virou de costas sem dar a chance de o homem dizer algo, antes de sair lhe mostrou o dedo do meio – Seu tarado nojento!

— O que acabou de rolar aqui? – Eicho questionou-se levantando do chão de vagar, sua bochecha ardia.

— Também não sei – Hayang responde chamando a atenção do moreno que até então não havia notado sua presença.

— O que você ta fazendo aqui? – Eicho agora irritado que a criança presenciou esse tapa começa a empurrar ele para fora do quarto.

— Bobo Eicho, você sabe fazer bebês? – Hayang pergunta segurando na cama para não ser expulso.

— Se sei fazer bebês? Meu querido, eu sou o mestre de fazer bebês! – Eicho solta o garoto e alisa o bigode com um sorriso convencido – E não me chame de bobo!

— Pode me ensinar bobo Eicho?

— Ta maluco?! Comeu comida estragada foi? E não me chame de bobo!

— Eu preciso de ajuda, eu disse pra Docinho que faríamos um bebê juntos...

— Você o que?! – Eicho segura a toalha com força, o espanto foi tanto que ela até poderia cair.

— Por que todos ficam desse jeito? Eu só queria um bebê...

— Garoto, por favor, pare de falar besteira.

— Mas bobo Eicho eu quer-

— Pare de me chamar de bobo! – Irritado Eicho começa a empurrar o pequeno para fora do quarto – Calma, antes de ir. Ta com a parada?

Hayang mexe no bolso e tira de lá uma calcinha rosa que roubou do quarto de Minthy assim que ela saiu atrás do platinado, entrega a Eicho que lhe entrega duas moedas de ouro.

— Muito bem, agora vaza – O homem espera o menino sair de vista para poder fechar a porta — Aonde já se viu, fazer um bebê! É cada uma...

[...]

Sem ter mais para onde recorrer, Hayang encara o Estranho K que está concentrado no almoço. O pequeno tinha certeza, se tinha alguém que poderia lhe dizer como fazer um bebê, esse alguém era Knox. O mascarado falava de tudo sem muitos filtros, coisa que seus pais odiavam, então definitivamente ele era uma boa opção – seria a primeira se o garotinho não tivesse tanto medo dele.

— Por que me encara tanto? – A voz grossa de Kanox reverbera na cozinha fazendo o pequeno tremer – Estou de costas, mas consigo ouvir seus passos.

— E-Eu... É que...

Novamente aquele olhar amedrontador, Hayang estava começando a se arrepender de ter ido até ali, mas valeria a pena, afinal ele cumpriria sua promessa e ainda teria companhia para os dais que os pais estivessem ocupados.

— É que eu... Queria saber co-como, que se faz um be-bebê...

— Como se faz um bebê é?

Hayang se surpreendeu ao notar a voz levemente surpresa do homem, diferente dos demais ele não pareceu se incomodar muito com a pergunta.

— Por que você quer saber isso?

— Eu prometi para minha amiga, a Docinho, que ajudaria a fazer um bebê...

— Entendo. Já está nessa fase? – Knox deu de ombros voltando-se para a comida – Você é mesmo igual seu pai Hayan – Ele solta uma risada maliciosa – Bem, já que quer tanto saber eu vou contar.

Hayang sorriu, finalmente, finalmente alguém iria dizer como ele faria um bebê!

— Vai contar é meu ovo!

De repente a voz de Hayan se fez presente, o adulto e a criança olharam para trás se surpreendendo com Fang e Hayn que voltaram mais cedo da missão.

— Ora Hayan, não quer que seu filho saiba como ele foi feito? – Knox riu, ele adorava provocar.

— Ele só tem sete anos Knox – Fang interveio com raiva – Você não vai falar nada, e que história é essa de bebê?!

— Eu disse para Docinho que faríamos um bebê.

Os pais arregalaram os olhos, surpresos com o que o filho falará, mas logo notaram a inocência de sua fala, se entreolharam cientes de que deveriam conversar.

— Hayang por que não subimos para o seu quarto? Vamos conversar direito sobre isso – Hayan sorriu mostrando que não estava com raiva.

Para não perder a oportunidade de brincar com o casal Knox se adianta.

— Na verdade Hayang você e sua parceira tem que ficar pelados e ai voc-

Hayan da um chute entre as pernas do mascarado lhe calando.

— Cala a porra da boca Konx, se não eu juro que vou te castrar!

— Vem filho, vamos subindo – Fang segura na mão do pequeno lhe guiando para o quarto.

Chegando no quarto os três sentam-se na cama, Hayang estava nervoso, não era comum seus pais se juntarem para falar com ele assim, apenas quando ele brigava na escola.

— Eu estou encrencado?

— Bom, isso depende da sua resposta – Fang responde sinceramente – Conte para a gente, de onde veio essa história toda?

— E Hayang, não minta, queremos todos os detalhes.

Sobre o olhar um pouco severo e preocupado dos seus pais, o garotinho contou todos os detalhes de sua conversa de mais cedo, também explicou que tentou obter respostas dos tios, sem muito sucesso.

— Ah então é isso! – Fang sorriu aliviado.

— Bem filho, você é novo demais para esse tipo de conversa, é algo muito sério que só adultos fazem, um bebê da muito trabalho para uma criança cuidar – Hayan explicou enquanto alisava os cabelos rebeldes e loiros do filho.

— Entendi.

— Uma coisa que não entendo. A Docinho querer um bebê para brincar de boneca tudo bem, mas por que você queria um bebê Hayang? – Fang questionou curioso.

— Eu... Me sinto sozinho – O pequeno olha para o colchão evitando o olhar dos pais, suas bochechas estão levemente avermelhadas de vergonha – Quando vocês saem eu fico só... Queria alguém pra não me sentir assim.

— Oh meu pequeno! – Hayan e Fang abraçam o garoto – Desculpe, não sabíamos que você se sentia assim – Hayan alisa o rosto do filho que tem os olhos cheios de lágrimas.

— Desculpa por isso garotão – Fang sorri enxugando uma das lágrimas que caiu do rosto do filho – Prometemos não te deixar sozinho ta bem? Você é tão forte, meu pequeno guerreiro.

— Sempre que sentir alguma coisa, conte logo para gente tudo bem? – Hayan sorri vendo que o filho parece bem melhor.

— Certo.

— Agora vá lá almoçar, nós já alcançamos você – Fang pede e o pequeno obedece saindo do quarto. Os pais o acompanham com o olhar.

— Você tinha imaginado isso? – Hayan comenta – Ele se sentia sozinho...

— Eu me sinto horrível, não sabia que ele se sentia assim.

— Vamos mudar nossas missões, talvez pegar umas mais simples que não demorem tanto.

— Ou talvez possamos fazer um irmãozinho... – Fang sorri ao ver o marido corado – Gostou da ideia?

— Você é um bobão sabia? – Hayan esconde o rosto no ombro do meio Orc que ri.

— Um bobão que você ama – Ainda rindo ele puxa o rosto do meio Elfo para lhe encarar nos olhos – Eu te amo.

— Eu também te amo.

Olho no olho, corações acelerados, os dois se beijam apaixonadamente. Durante o beijo sorrisos são exibidos demonstrando toda a felicidade que ambos sentem.

— Ta afim de fazer o bebê agora? – Hayan pergunta com um sorriso maroto.

Antes mesmo que Fang possa responder eles escutam Doux chamando-os para almoçarem.

— Mais tarde com certeza.

Ao levantar Fang estende a mão ao marido que prontamente aceita e juntos os dois vão para a cozinha onde almoçam na companhia das pessoas que eles mais gostam no mundo.

FIM.

Notas finais
Qualquer erro ortográfico por favor avisem! Obrigada por ler e até o próximo capitulo!