Contos de Fallen

3 O diário de Cameron Briel Parte-1


Notas iniciais
Esse seria o quarto capítulo, mas como vocês pediram, eu decidi adiantá-lo. Eu também tive que dividir a história dele em três partes por que essa foi a que mais me intrigou... Espero que vocês gostem.

Não faço a menor ideia do que eu estou fazendo. Nunca entendi o motivo de alguns mortais escreverem em diários, porém, aqui estou eu, escrevendo coisas aleatórias sobre o que aconteceu comigo nos últimos dezessete anos.

Acho melhor eu aproveitar que estou escrevendo neste diário para tentar organizar meus pensamentos.

A verdade é que eu sempre senti inveja do Daniel. Do amor que o Daniel e a Luce compartilham. Sempre achei uma injustiça ele poder viver esse amor, mesmo ele perdendo a Luce, ele sempre sabia que poderia vê-la de novo.

Já eu, nunca tive essa sorte. Se é que isso é sorte.

***

A vida não é justa. O destino não é justo. Nada neste mundo é justo.

E falando em injustiça, hoje eu vi o Daniel. E a Luce. Eles estavam passeando de mãos dadas, tenho que admitir que nunca havia visto o Daniel tão feliz.

Vê-los juntos hoje me fez questionar (mais uma vez) o que ele tem de tão especial? Por que o trono, que se acha tão justo e soberano, proporcionou a eles uma segunda chance, enquanto eu nunca tive a oportunidade de expressar o que eu realmente queria. Como eu me sentia. Enquanto o Daniel tinha a chance de reviver o seu romance com a Luce, eu não pude me despedir da Lilith.

Enquanto eles podiam se reencontrar após alguns anos, eu tive que conviver com a dor da minha perda.

E foi por causa dessa dor e dessa injustiça que eu atormentei o Daniel por tanto tempo. Mas, ao vê-lo hoje, ficou óbvio que não há nada neste mundo que vá separá-los. Eles realmente foram feitos um para o outro. E isso fez uma pergunta surgir em minha mente, e até agora continua lá.

Será que Lilith era o meu "amor verdadeiro"? Ou o que eu vivi com ela foi total e completamente platônico?

Isso eu nunca vou saber.

***

Estou sentado em uma nuvem, em cima de Las Vegas. Enquanto eu estou tentando entender o que está se passando em minha cabeça, várias pessoas que estão completamente alheias a minha existência, estão vivendo suas vidas abaixo de mim. Perdendo e ganhando dinheiro. Ficando bêbados e se casando com pessoas que nem conhecem... Enfim, destruindo suas vidas como só os mortais são capazes de fazer.

A verdade é que desde o julgamento de Lucinda e Daniel a minha vida tem sido solitária.

Nos últimos dezessete anos eu passei a maior parte do tempo viajando pelo mundo e evitando ao máximo ficar na presença de qualquer anjo ou demônio. Eu precisava de um tempo para pensar, e ainda preciso desse tempo. Para ser sincero, nem sei se algum dia vou querer ficar na companhia de alguém de novo.

A solidão combina comigo.

***

É estranho eu escrever como se estivesse conversando com alguém, mas creio que eu deveria te contar que eu acompanhei o crescimento deles. Luce e Daniel, eu quero dizer. Fiquei curioso quanto ao que ia acontecer com eles, já que iam reencarnar e poderem ter uma vida longa e feliz.

E eles conseguiram. Cresceram como pessoas normais, sem nenhuma lembrança de nada que havia acontecido antes, e como era de se esperar eles se conheceram e agora estão apaixonados.

Eu também estava lá quando eles se conheceram. Me escondi em meio as nuvens e pude acompanhar mais uma vez aquela cena. Também notei que a Ariane, o Roland, a Anabelle e até os nephilim amigos da antiga Luce também estavam acompanhando a cena. Os nephilim, Shelby e Miles, se me lembro bem, estavam mais velhos, o tempo já tinha começado a mostrar seus sinais, e Shelby estava grávida e feliz, mesmo que seus olhos estivessem em pouco tristes, provavelmente por causa da saudade que ela sente da Luce.

Senti vontade de ir lá e falar com eles. Mas depois eu pensei melhor e saí de fininho. Por mais que eu sinta falta de conversar com alguém que me entenda, eu estou apreciando esse meu momento solidão.

***

Estou em uma pousada pequena em algum lugar da França. Sinceramente, não me lembro de como vim parar aqui, esse diário está me fazendo entrar em uma onda de nostalgia que não conseguia mais sair. Me lembrar de quando vi Luce e Daniel se apaixonarem de novo e que aquela cena me fez lembrar de todos os planos que eu havia feito com a Lilith, e que, agora, mais que nunca, eles jamais iriam se realizar. Então essa nostalgia começou a se dissipar e eu me vi aqui. Mas os sinais da nostalgia ainda estão muito presentes em meu cérebro.

E pensar que eu perdi a única pessoa que realmente amei, por causa de um único e mísero detalhe, que foi o fato de eu não poder pisar na Capela que ela sonhava em se casar.

Amanhã vou para Paris. A única cidade que ainda não visitei. Mas de uns dias para cá, venho me sentindo um tanto... atraído pelo local. Como se eu precisasse estar lá.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado.