Contos de Arenda

3 A Cidade Suporte


Notas iniciais
Escrevendo o capítulo notei que ficaria grande demais, então vai aí metade dele e mais breve possível o quarto.

Um som abafado e um ardência invadiram aquele vazio sem sentido, uma brecha de luz se formava em seu centro, se expandindo horizontalmente até os olhos do Pegazu se abrirem por completo, a luz solar iluminava o elfo a sua frente que lhe dera um tapa para despertar do profundo sono ou breve desmaio, – Você esta bem? – o ser a sua frente questionava com expressão séria, acenou com a cabeça o príncipe caído que o observava no momento se retirar e ir de encontro ao outro corpo estirado logo ali.

—Você tem que deixar assas coisas pra mim. – Disse enquanto caminhava ao resgate do outro homem inconsciente.

—Deixar? – A expressão de duvida lhe preencheu o rosto. – O que quer dizer com isso?

—Você não nasceu pra isso garoto – Tentava despertar Edmond agitando seu corpo. – um príncipe em seu castelo, aqui fora é só mais um.

—E você quer que eu fique parado olhando? – Já tinha revolta em sua voz.

—Garoto, não é jogo, eu não esperava participar disso tudo mas já que o caso – puxava o braço do homem ao chão – deixe-me ser quem toma partido em atitudes agressivas, e guarde suas energias pra diplomacia real.

—Você não entendeu nada mesmo não é? O futuro rei de Toru deve conhecer o mundo em todos seus âmbitos, eu não vim pra cá apenas para observar paisagens e conhecer outros reinos, todos sabem que o príncipe deve enfrentar a vida da forma como puder, não ache nem por um momento que você esta aqui para ser meu guarda-costas, você será mais uma aprendizado para mim, espero que lide com isso da forma mais positiva possível.

—Espero que você lute melhor que isso. – Maedhros tinha Edmond em suas costas ainda inconsciente.

O arqueiro levava o corpo para a fenda a qual os levaram aquele lugar enquanto o garoto humano observava a majestosa cocatriz que ali jazia, seu bico danificado o fez lembra de seu golpe desesperado, ele sentira que havia influenciado naquela vitória mas não teria coragem de tirar aquela vida mesmo sabendo dos perigos. A saída daquele local fora mais tranquilas o labirinto não parecia mais tão complicado e o sol já tinha um tão alaranjado que dava um brilho especial as cordilheiras as quais ele utilizava de esconderijo, o acampamento fora montado novamente, nenhuma palavra fora proferida aquela noite, o tio do príncipe ainda se encontrava inconsciente, as estrelas não sorriam para eles, as nuvens que escondiam os céus davam uma sensação de solidão, aquele fogo não tinha o calor que lhe aqueceriam a alma, sentindo a brisa leve, deitado ao chão, fitando a imensidão celeste, com a cabeça sobre um pequeno tronco, Pegazu cerrou seus olhos.

Ao leste despertou o magnânimo astro luminoso, suas vibrações acariciavam a vida, as flores desabrochavam e plantas se enverdeciam, com bocejares os cervos despertavam e as montanhas nevadas o refletiam ao longo de sua lenta trajetória despertou o filho do rei que permanecera na mesma posição por toda madrugada, algum lugar fora de sua visão ouvia-se um ajustar e empacotar de objetos, tirando seu corpo do chão e trazendo a perspectiva se deparou com Edmond que ajeitava a sela de seu animal em seguida o alimentava com frutas.

—Já está partindo tio? – Questionou o garoto com tom sereno.

—É uma longa jornada até Toru. – Disse acariciando sua montaria. – foi de fato uma caçada emocionante, é uma pena que não consegui ver muito, era um belo animal, isso se for mesmo um animal. Sabe filho se me permite aconselhar, sugiro que siga para Jumida, fica a noroeste daqui, uns trinta quilômetros eu acho, é um lugar interessante pra começar a entender como o mundo funciona ou quase isso, tenho que partir agora, provavelmente precisarei de um médico. Boa sorte! –Bradou com um sorriso e tomou sua montaria a cavalgar manhã a dentro.

Pegazu não perdera tempo e logo preparou sua montaria de mesma forma, Maedhros que estava sentado em um alto galho de árvore, desceu em um salto e tomou mesma atitude, com o sol apenas de suas ações também iniciaram sua viagem, quanto mais ao norte adentravam mais a paisagem perdia sua característica natural, a vegetação de baixo das ferraduras dos cavalos se tornaram estradas de terra batidas, com o correr bifurcações surgiam com suas placas indicavam pontos de interesse,Darena, Akmir, Jumida e Noraii eram os nomes mais frequentes nas placas.

—Maldita torre! – Sussurrou o elfo com expressão fúnebre.

—Como? – Questionou com um tom curioso.

—Torre Noraii, me tirou algo de valor.

Pegazu o observou atentamente, até então não havia visto o companheiro de viagem demonstrar emoções, mas aquela torre parecia realmente lhe assombrar. Cada vez mias a estrada se inclinava e seus cavalos perdiam velocidade a colina a frente tinha altura relevante mas a cada passo revelava a vista que a planície escondia, um tumulto era ouvido mesmo de tão longe um grupo de Orcs brigavam entre si mesmo a distancia dificultando a vista parecia ser bem violento e ao desviar o olhar para outra direção o destino aguardado estava ali localizado um vilarejo humilde a primeira vista, descendo a colina e se aproximando os detalhes do lugar iam se aprimorando, grande parte das construções feiras de pedra cortada para as paredes e telhados feitos de madeira e palha o único destaque era grande casa no centro, construída com fortes troncos, grandes janelas e uma portaria a frente de sua varanda com belos entalhes, ao derredor demasiadas plantações de várias especies, todos pareciam trabalhar, homens espalhavam semente e aravam, mulheres colhiam e regavam, no interior o tilintar dos martelos nas forjas, carregamento de material para la e para cá, alguns lavavam tecidos e outros se reservavam apenas a trabalhar na casa do centro. Na entrada do vilarejo um grande portal com grandes letras “Jumida” e um subtitulo logo a baixo “Orgulhosa por servir o Forte Akmir e a Trindade”, os dois viajantes amarram suas montarias e seguiram em direção aquele lugar, as pessoas se quer os olhavam Pegazu tentou abordar um homem que carregava um grande jarro d’água porém fora severamente ignorado, todos pareciam ter expressões vazias e absoluto foco em suas atividades, suas roupas eram surradas e rasgadas e alguns não possuíam sapatos, decidiram então se dirigir a grande casa no centro do vilarejo, porém sua atenção fora interceptada por um som que vinha de um beco entre o armazém e o alojamento, um jovem rapaz estava se esgueirando por ali, proferindo assovios que apenas chamou a atenção dos viandantes de Toru, Pegazu sentiu grande aflição naqueles olhos que os observavam, logo o estranho retornou para seu esconderijo, o que desviou a trajetória do príncipe que seguia agora em direção ao garoto misterioso.

—Tem certeza? – Comentou Maedhros em um tom causal.

—Ele esta precisando de ajuda

—Como sabe?

—Eu vi!

Seguindo em direção da ultima aparição daquele garoto, Pegazu tinha um sentimento estranho dentro de si, aquelas pessoas que trabalhavam tão intensamente sem se importar com o redor, nenhum som além do de trabalho era ouvido, suas vidas pareciam ter sentido apenas em continuar trabalhando, mas aquele que o chamara logo a pouco e desaparecera tinha olhos vividos mesmo que angustiantes, algo dentro de si o motivava a saber mais sobre aquele lugar. Chegando aquela viela estreita entre duas construções precárias, apenas se deparou com um estranho e pequeno buraco na parede do alojamento, aparentemente difícil seria de se passar uma pessoa por ali, mas se seus olhos não o traíram aquele era de fato um garoto magricela que poderia se esgueirar por frestas com maior facilidade, resolveu então sair do beco e verificar a porta frontal, era de madeira grossa porém velha e gastas, de madeira pobre, uma corrente com um pesado cadeado à selava, tentou observar através de uma falha nas dobradiças e se deparou com um lugar muito escuro, o pouco que conseguia ver com auxilio dos raios de luz que penetravam o comodo por rachaduras no teto, era um lugar sem manutenção e precário, diversas camas de palha pelo chão de terra que era moradia de diversos insetos e animais rastejantes, tendo a parte superior também dominadas por aranhas e pássaros que cuidavam seus ninhos, –Posso ajudá-los – a voz altiva que ecoou atrás dos dois fez com que Pegazu estremecesse, ao se virar lentamente se deparou com o grande homem que bloqueava a luz solar, tinha em suas mãos uma lança curta e armadura fina de couro, a olhar por trás de seu elmo de mesmo material era severo assim com sua feição maligna e uma grande cicatriz que que atravessava seu rosto, atrás dele haviam três outros homens de menor porte, carregando mesmo tipo de arma e armadura porém sem elmo.

—Nós somos viajantes, – A voz do príncipe falhara e tinha um tom cômico. – estávamos procurando algum lugara para ficar e encontramos este vilarejo.

—A nobre Dama viram vocês chegando, atrapalhando os aldeões, ela quer vê-los

—Não desejamos causar nem um problema, – Levantava as mãos defensivamente. – nós podemos partir se estivermos atrapalhando.

—A nobre Dama deseja vê-los!

Os guardas que estavam na retaguarda do maior homem se deslocaram a ficar atrás dos viajantes e seu líder deu de ombros e começou a caminhar e os demais o acompanharam, Maedhros não acompanhava o seu aliado em tensão, nada parecia lhe impressionar, nem mesmo os homens armados o cercando e a visita a uma entidade desconhecida, subiram as escadas da grande casa e adentraram suas lindas portas de muiracatiara esculpida com antigas histórias, ao pisar no primeiro comodo tiveram uma experiencia diferente da visão do escuro alojamento dos aldeões, todo interior era belo em decoração, uma mesa ao centro acomodava uma aparente funcionária da casa, os diversos lustres com velas acesas mesmo a luz do dia refletia divinamente na madeira polida e no assoalho, duas escadas contornavam a mesa uma pela direita e a outra ma esquerda que davam em um acorredor suspensa que dava passagem à alguns outros cômodos e tinhas suas paredes tomadas por artes em telas com exuberantes molduras, o homem mais alto se dirigiu a mulher que estava sentada atrás da mesa e preferiu algumas palavras inaudíveis devida a distancia a mulher se pôs de pé e caminhou a uma porta que se encontrava em sua extrema direita e fora seguida pelo homem que fez um sinal com sua mão no ar para que os demais o acompanhassem, poucos passos foram dados até adentrar aquele escritório que era milimétrica mente ajustado, o tapete era de roxo de dimensões perfeitas localizado no centro daquela sala, haviam duas estantes que eram maiores que o grande homem que os escoltavam, repleta de livros e organizados por tópicos uma grande janela atrás da escrivaninha iluminava o interior, uma grande pena multicolor se estendia ao alto apoiada em seu suporte combinando à mesa um grande livro estava sendo preenchido no exato momento pela mulher a qual sentava atrás da escrivaninha, esta mulher tinha um tom muito refinado e vestia roupas de fina costura, seu rosto com características joviais destoavam de seus cabelos grisalhos, o olhar era de diligência e desafio e caminhavam entre Príncipe Pegazu e o Arqueiro Maedhros, a recepcionista chegara a um próximo a mesa.

—Saiam! – Exclamou a Dama em bom tom,sua voz era pacifica, autoritária e com um leve tom rouco, tendo em seguida todos exceto os vindos de Toru saído da sala. –Não é comum termos visitantes no campo de meu Senhor, Fundada há duas gerações e meia este lugar foi por ideia do avó de meu Senhor porém em idade mais avançada, mal pode viver para ver sua obra com todo esplendor, além deste lugar ter como objetivo ser o ponto mais próximo de comércio para o forte militar Akmir, logrando exito em seu objetivo a Trindade teve o prazer em nos tornar apoiadores oficiais do forte em todos os quesitos necessários para os soltados la existentes, sendo assim, visitantes? Não recebemos mesmo, mas ladrões, é de fato um problema a se considerar, felizmente eu tenho muita atenção nas propriedades de meu Senhor, e quando há inconveniência… – a Dama fechou seus olhos e tomou um longo suspiro. – minha milícia tem o prazer de lidar com afinco com o que foge dos padrões estabelecidos aqui em Jumida, porém meus guardas revistaram suas selas e viram algo de fato interessante, mas eu duvido que seja interessante como o que estou vendo agora, – Seus dedos pálidos e magros acariciavam a florida porcelana que contia seu chá. – o broche real não cai bem em qualquer pessoa e nem é algo que se consiga facilmente, presumo que a mão e a espada sejam o que dê brilho a cidade de Toru, e você sendo um jovem viajante, tenho em vista que trabalha muito próximo a realeza, isso se não ainda mais, – A mulher lançara um olhar desafiador, mas os dois continuaram com expressões intactas. – tenho uma oferta para vocês, não é muito mas tenho certeza que acharão satisfatório.

—Pode dizer. – Pegazu tinha a voz falhada devido o tempo que permanecera em silencio, seu interior se encontrava em dúvidas e receios, mas suas expressões continuavam resistentes.

—Proporcionarei abrigo e bons alimentos aos senhores, tendo em vista que são merecedores nobres, terão direito aos serviços da casa, mas peço-lhes que não incomodem nossos operários, eles são muito ocupados, em troca peço apenas que levem uma carga à Akmir por nós, e claro, pagaremos uma justa quantia.

—Por que precisa de nós? – O que até então não proferira uma palavra indagou.

—Infelizmente nossos cavaleiros partiram em reconhecimento de uma área e até então não regressaram nos deixando sem cavalos e guerreiros a altura de uma estrada sem supervisão da Trindade, acredito que vocês estão aptos para atender nossas necessidades que exigem ação emergencial, tenho certeza que serão bem visto aos olhos de nosso Senhor.

—Nós aceitamos! – Respondeu Pegazu rapidamente animada voz, tendo logo imediatamente recebido olhar de reprovação de seu companheiro.

Agradecendo se despediram da estranha mulher que acabaram de conhecer, prontamente a servente da casa se ofereceu para lhes mostrarem seus futuros aposentos, em um corredor ali mesmo no térreo, caminharam entre pequenas mesas intervaladas cada uma contendo uma flor em um pequeno jarro em seu centro algumas portas foram se passando até a mulher entra na porta que se encontrava no extremo do corredor, era realmente um grande quarto com duas camas de aparência bem confortável, havia uma mesa com pergaminhos e tinta criados-mudos e uma mesa com frutos secos, nozes e água, a janela escancarada, revelava uma bela imagem das colinas que os rodeavam, os cantos dos pássaros era deprimente naquela região e estar naquela casa lhe dava uma sensação estranha como um frio na alma, a mulher que os trouxera agora já não estava mais presente.

—O que você esta fazendo? – Questionou Maedhros com frieza.

—O que quer dizer?

—Não é possível que seja tão tolo, eles estão nos vigiando o tempo todo, ficar aqui é o pior erro que alguém poderia cometer.

—Maedhros eu sinceramente preciso ajudar quela pessoa que vi hoje mais cedo, ela parecia tão assustada.

—Se ficar parando pra ajudar cada um que vê por ai não sairá do lugar.

—Essa é minha viajem, meu pai me incentivou a conhecer os problemas deste mundo, e eu preciso saber o que lhe afinge, se preferir me espere fora da cidade com seu cavalo e eu lhe encontrarei.

O silencio foi a resposta do elfo. Com o dia passar e a noite cair, o som de trabalho fora se apaziguando e todos se dirigiam ordenadamente aos armazéns, alguns deixavam suas colheitas do dia outros deixavam suas ferramentas em seus devidos suportes de fácil acesso localizados aos redores do armazém, os ferreiros separavam o resultado de sua forja em categorias e em momentos todos se punham a adentrar o grande alojamento que era aberto por um agente da milicia, Pegazu observava tudo atentamente daquela bela varanda, esquadrinhava cada rosto cansado com a luz da lua cheia os destacando, agora era possível se ouvir murmúrios em baixo tom provenientes da multidão que caminhava em único rumo, pouco a pouco a multidão diminuía e luzes no interior do grande dormitório eram estabelecidas, se alimentavam de pão e bebiam água, com um giro com olhar lhe veio a impressão de um sorriso emitido por uma criança que ali dentro corria, mas ao repousar seu olhar sobre ela novamente já não existia tal expressão. Em suas costas naquela varanda uma lamparina se aproximava e passos leves se dirigiam a ele.

—Não é o que se espera de uma vida não é mesmo? – A voz de Maedhros estava calma porém diferente do padrão monótono e sem vida.

—Parecem apenas vagantes, vivem porém sem viver, seus olhos estão imersos no vazio e seus corações mal pulsam, em suas veias o sangue não corre mais por esta petrificado em aceitação.

—E você ainda vê esperança aqui?

—A situação dos aldeões é difícil, em meus estudos durante a juventude presenciei atitude similar nas folhas envelhecidas de meus livros de história, outrora chegaram desesperados a estes estabelecimento, alguns sem alimento ou água, alguns tinha problemas ainda maiores, após vagarem sem esperança ou rumo encontraram isso aqui, o “paraíso” – O garoto baixou sua cabeça em um sorriso triste. – estão de fato em uma condição impossível de se reverter, os governantes daqui sabem bem jogar este jogo.

—Ainda me questiono por que estamos aqui, cumprir uma tarefa pra essa gente, não precisamos disso, sei que formos deixados sem muitas provisões aqui fora, mas não é minha primeira vez Alteza, temos diversas outras maneiras de providenciar o que precisamos.

—Eu até concordaria com você Maedhros, mas esta manhã eu vi aquele olhar de medo, e simplesmente tomei por mim como missão fazer algo a respeito, aquela pessoa está esperando uma oportunidade única em sua vida, provavelmente esta milicia toma conta muito bem de cada um dos camponeses , e se este é único que tem este sonho de liberdade, eu acho justo que eu o ajude. Tente não chamar muita atenção por aqui. – Falou Pegazu enquanto desceu os degraus da varanda.

O garoto seguia em direção ao grande dormitório assim que notou que os guardas se dispersaram, a brisa fria causava uma sensação de desconforto em seu estomago que o desencorajava, a cada passo sentia seu destino mais longe e ao redor sob a escuridão vinha-lhe a sensação de mil olhos o observar, mas seu medo o traia aquele momento, alguns guardas se retiraram a descansar e alguns outros se encaminharam as torres de vigia outros guarneceram suas rondas programadas e Pegazu estava a poucos passos do alojamento.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem e obrigado!