Contos de Arenda

2 A Caçada Selvagem


Notas iniciais
As vezes eu questiono minha integridade mental quando escolho este títulos de capítulo

Deixando o castelo e caminhando entre as casas que compunham aquela cidade, Pegazus e Maedhros eram acompanhados por uma procissão de guardas e arqueiros liderada por Perfecta, crianças corriam nas periferias da estrada tentando ver o príncipe, algumas pessoas aplaudiam e outras gritavam palavras de benção, se aproximando do grande portal à saída da cidade onde se encontravam estruturas maiores que as demais, pessoas estavam no topo destas estruturas jogando pétalas de flores em seus dois honrados assim como folhas de bananeira. Fora da cidade os guardas se aproximavam ordenadamente de seu alteza faziam reverências e se retiravam em grupos de quatro em quatro homens, seguidos pelos arqueiros que além das reverências apertavam as mãos do elfo lhe desejando boa sorte, por ultimo Perfecta se aproximou de seu irmão enquanto todos os outros retornavam a cidade, dava passos confiantes e com aquele mesmo olhar sem sentimento que estava acostumado, chegou bem próximo de dele e pois a mão em seu ombro e o puxou pelo pescoço até suas testas se tocarem, ela tinha um olhar de fúria e seus olhos cor de madeira dava mais ênfase a isto, milhares de coisas se passavam pela mente de Pegazu mas todas envolvendo algo que ele possa ter feito de errado. – Se cuida. – Naquele mesmo tom de desânimo de sempre, porém aquilo fora diferente para o príncipe, aquelas palavras significavam algo, diferente de todas as outras sem emoção que já foram proferidas por ela. Perfecta deu-lhe as costas e caminhou de volta ao portal da cidade.

—Ei não esqueça de mim! – Falou a voz rouca e meio desafinada atrás dos dois, um homem de meia idade com cabelos e barbas longos e desgranhados, olhos pequenos e feições sorridentes, vestia roupas que pareciam ser improvisadas, em sua mão um usual cantil cheio de vinho, aquele era Edmond Aeris irmão de Pezaris, junto a si trazia dois cavalos negros, um vestia uma sela muito bonita com diversos bolsos e detalhes em metal, o outro de aspecto mais simples. O homem que tinha a aparência mais provável de um vagabundo do que um membro da família real desceu de seu cavalo e fora abraçar seu sobrinho – Grande dia em Zuzu!

— Grande odor! – Disse Pegazu em um tom cômico e com um sorriso. – quanto tempo que não te vejo tio, como estão as caçadas?

—Sem dúvida, algumas monótonas, devo admitir, sinto falta do tempo em que me faltava conhecimento de todas estas espécies emaranhadas por estas matas mas agora, é tudo muito parecido, a não ser… – Os pequenos olhos se expandiram o máximo que a pela dura os permitiam. – há uns meses eu vi uma criatura nas elevações ao leste, tenho que admitir que era algo incomum ou talvez fosse este vinho barato.

—Não tenho dúvida que suas bebidas possam ter afetado sua visão, – Pegazu olhava a extrema direita, lembrando das confusões causadas com a bebedeira do tio. – mas como parecia esta criatura?

—Era uma ave, mas parecia ser incapaz de voar, era bem grande, pelo menos eu acho, e tinha cores bem variadas.

—Sem dúvida incomum tio…

—Isso poderia ser interessante! Eu fazer parte do seu início, sem dúvida.

—Do que esta falando tio? – O garoto tinha uma das sobrancelhas baixadas com expressão de duvida

—Este animal, uma boa caçada, poderia ser interessante, um aprendizado para começar a sua vida aqui fora.

—Mostrar superioridade a uma criatura irrancional, – A voz fria que até então não proferira um único suspiro , fazendo os olhares rapidamente focaremo elfo. – me parece uma forma esplendorosa de engrandecimento.

—HAHAHAHA! – Edmond gargalhava de forma descontrolada. – Seu amigo é engraçado!

—Fato. – A palavra acompanhava com perfeita harmonia com sua expressão vazia

—Acho que podemos ir sim. – Pegazu observava com curiosidade Maedhros.

—Então vamos, sem tempo aperder!

A cavalgada para o leste fora bastante incomum para o jovem príncipe, que teve maior parte de seu aprendizado em montaria em locais controlados, já o arqueiro-de-batalha não demonstrara emoção com a viagem, já tinha visto muito daquele mundo e pouco lhe impressionava em relação as coisas boas e nem mesmo as ruins, cavalgaram por toda manhã e grande parte da tarde pelas pradarias que compunham boa parte do extremo sul do continente, ao longe era possível se ver altas montanhas e até mesmo a majestosa Lakuna, a montanha mais alta daquele continente, seu pico nevado e elevações rochosas e as nuvens que os acobertavam encheram os olhos de Pegazu, a grama ali fora era mais verde com pequenas flores brancas que brotavam entre elas, subindo e descendo colinas era possível se admirar mais da natureza, uma grande arvore era vista perto dali, mais alta mesmo que os muros de Toru, entre as folhagens na copa da arvore haviam criaturas os observando. Com mais algumas horas de viagem o sol já se pusera a deitar no horizonte, momento este que Edmond parara sua montaria e começara a remover diversos utensílios de sua carga, Maedhros também parou seu cavalo de imediato, pareceu ter boa intimidade com o animal, passou a mão nos pelos de seu pescoço um carinho discreto que passou desapercebido pelos demais, já Pegasu teve dificuldade em controlar seu equino que passou demasiadamente o local em que seu tio agora preparava um acampamento. A noite caiu rapidamente esbanjando milhões de estrelas e um céu escuro como um abismo sem fim, não havia uma lua presente mas o brilho das estrelas eram o suficiente para trazer conforto, o caçador preparou uma fogueira que estalava, sobre ela estava cozinhando pequenos animais, fruto de uma recente caça, três tendas foram montadas ao redor, neste momento os três estavam sentados envolta do fogo, era uma noite fria e por mais que fosse tamanha a calma que os olhos de Pegazu demonstrava, seu coração estava afundado em medo, era noite em um lugar inóspito, sons estranhos iam e viam e por mais confortante que as explicações que seu tio dava em relações a tais barulhos na escuridão, eram simplesmente ignorados pelo fato dele continuar sendo seu tio bêbado, Maedhros também admirava o vazio que a luz do fogo não tocava, seu arco estava em punho porém tinha aquela usual expressão. Com o tempo passando e anoite se aprofundando, o cansaço já fazia parte do jovem príncipe, ao seu lado o corajoso caçador caíra no sono sem mesmo aproveitar o conforto de sua tenda.

—Não irá se deitar? – A voz do filho do rei falhara um pouco.

—De fato não sei o tempo que isso durará, – Afirmou Maedhros ainda fitando o horizonte imaginário. – acho que eu ainda não o propósito desta missão, supostamente devo lhe proteger, mas isso não é só mais uma missão, não é mais um acampamento da academia, apenas meus esforços em algum momento não serão o suficiente. Enfim… não conseguirei dormir no momento, no entanto minha raça não precisa dormir todas as noites pra ter energia no dia seguinte, junte-se ao seu tio amanhã será um longo dia.

Pegazu observou o elfo que neste momento analisava cada uma de suas flechas, questionou-se brevemente em relação a seus valores mas logo tornou a abrir sua tenda e repousar.

Uma imagem borrada exibida com um grande lago, uma estrutura abandonada ao fundo parecia lhe observar, o ambiente lhe parecia estático a não ser pela grande criatura que se encontrava ao longe em sua visão periférica, indistinguível mas claramente com grandes asas e um grande são como o soar de uma imensa trompa. O céu daquela manhã despertara em tons esmaecidos, aves voavam para o sul e uma brisa forte dançava com as arvores e com o farfalhar dos milhares de galhos e folhas despertou Pegazu do profundo sonho, se questionava sobre seus sonhos em seu humilde presente aposento, também já era possível sentir uma pontada de saudade de sua cama e sua casa, saber que aquele era penas o inicio não o confortava. Fora de sua tenda Edmond já se encontrava carregando seu cavalo com toda sua tenda desmontada e provisões, – Você dorme de mais! – disse ele com o esperado tom cômico e uma pequena risada em seguida dando um grande gole em seu cantil, não permaneceram ali por muito tempo, rapidamente foram servidos alimentos secos e frutas, caminharam um pouco mais até encontrarem um pequeno lago o qual se banharam, e já se puseram vagar livremente por aquele mundo, o caminho não mudara muito, com visões de montanhas ao fundo e grandes pradarias por perto, o vento frio em seus rostos os faziam evitar olhar diretamente para frente, alguns minutos adiante ouviu-se um grito vindo ao longe chamando a atenção do grupo, o som era agudo e não dizia nada compreensível, tal som agudo era entoado diversas vezes e por diferentes criaturas, junto a elas ouvia-se também o bater de dezenas cascos, tais criatura corriam descendo as colinas, cavalgando em suas quatro patas e com seus cascos sem marcas, pelos em sua maioria castanhos assim como seus cabelos, os torsos os quais saiam dos supostos pescoços equinos eram nus ou alguns com enfeites de plantas e flores, os centauros corriam em direção opostas aos homens de Toru, festejavam e gritavam, atiravam flechas que se guiavam a própria sorte também sorriam despreocupadamente ao correr, Maedhros observava a estranha movimentação boquiaberto, aqueles selvagens vivendo sem rumo era uma ideia que ele jamais pudera conceber, admirando as flechas que faziam curvas no céu e tornando a descer e penetrar o solo. Pouco mais adiante se aproximavam de uma elevação no solo com uma cicatriz, uma rachadura que se estendia do chão ao topo da elevação que crescia gradualmente até se tornar alta como um castelo, formando um caminho que serpenteava rocha a dentro, aquele era o local a qual Edmond que liderava aquela comitiva, adentrou a estreita ravina e seguiu montanha a dentro, as paredes permitiam de forma dificultosa a passagem de uma montaria por vês.

—Tem certeza que este é o local correto tio? – A voz do príncipe ecoou até a superfície

—Não se preocupe garoto é um lugar seguro, e o mais importante, abriga a ave a qual os disse.

—Estou começando a achar que esta ave é tão real os elfos do céu que você perseguia.

O caminho fazia curvas inesperadas e até mesmo bifurcava, e sempre ao chegar nestas bifurcações Edmond gritava “Esquerda” o que fazia Pegazu suar frio, a integridade de seu tio era completamente questionável a julgar que a cada minuto que passava sem cantil servia-lhe a boca, mais uma curva e mais uma divisão de caminho, desta vez uma trifurcação, Pegazu ficou ainda mais nervoso, já perdera completamente noção do caminho de volta e seu tio bambeava em cima de seu cavalo, – Agora no meio! – ele gritou desafinado, desta vez o caminho não se estreitava apenas nas laterais como também verticalmente o que obrigou-os a deixarem suas montarias, o caminho lhes exigiu dobrarem suas colunas porém por um breve momento, ao passarem por uma fissura seus pés tocaram uma vegetação baixa, ao redor não era mais apertado e sim bem amplo, uma grande cúpula natural que se estendia até o topo da montanha o qual era possível se ver o céu através de uma passagem circular na parte superior daquele lugar, a vegetação baixa e arvore única que crescia ali perto, a luz que descia pela pequena brecha e refletia nas paredes rochosas concedendo uma iluminação grandiosa aquele local.

—Enfim chegamos! – bradou o homem corpulento

—Um ótimo lugar para um piquenique. – Disse Maedhros em tom frio.

—Então cadê sua ave tio?

—Acalme-se garoto. – Tomando mais de seu néctar. – já avistei onde nosso amigo se esconde. – disse ele apontando com seu dedo gordo.

Próximo a árvore que se encontrava ao lado oposto dos viajantes naquela redoma, uma caverna se passava desapercebida a uma rápida vista, tinha um formato triangular e irregular, era impossível se ver seu conteúdo devida a escuridão que ela guardava, Edmond esquadrinhava o mato incessantemente e apenas se satisfez ao encontrar pequenas rochas, arremessou uma que batera na parede rochosa ao lado da caverna tentara uma segunda e terceira vez porém sem exito , suas mãos tornaram a ficar vazias e imediatamente ele retornou a fissura na rocha o qual eles adentraram aquele local, houve sons de objetos sendo atirados a esmo e até mesmo algo se quebrando e ele retornara com algo em mãos, uma balestra de entalhe majestoso, madeira lustrada e palhetas de metal de uma boca de leão em sua ponta se apresentava a ponta de sua seta carregada, Edmond se posicionou em uma angulação a mirar a caverna, colocou sua arma em posição com firmeza e pôs seu olho à mira fitando seu alvo, o homem tratava a situação de forma mais séria do que se podia esperar dele, não parecia mais o bêbado abobado e sim um verdadeiro caçador, com o puxar do gatilho e a corda liberta o virote fora projetado para fora da boca do leão, faz um rápido voo quase imperceptível ao interior da caverna porém o som que o projétil emitiu ao golpear seja la o que aguardava remeteu apenas a metal recocheteado na rocha sólida, Pegazu observava com fervor esperando um momento de emoção que fora desvanecendo a medida que o silencio retornara a cúpula na montanha. – É! Acho que eu estava enganado. – Soou a voz desanimada do irmão do rei, um grande suspiro tomou e começou a se aproximar do local o qual esperava tamanho prêmio, Pegazu sentou-se a grama e desembainhou sua lâmina e começou a cortar plantas que julgava não ser do seu agrado, Maedhros ainda fitava o mover de Edmond que se aproximava da caverna a cada passo, era possível se ouvir um som de arrastar como se algo se movesse la dentro, duas pequenas luzes amarelas se ascenderam enquanto o caçador se encontrava apenas a uma distancia de dois homens da caverna em algo se movia neste momento, ao se erguer para fora dela a criatura se mostrou, as duas luzes amarelas eram seus grandes olhos, uma grande massa cristalina a frente deles era moldada como um feroz bico que poderia devorar um rosto humano, seu longo pescoço se projetou após com comprimento proporcional ao grande crânio que se mostrava, suas penas eram vermelhas e douradas, seu corpo era equiparável a aves de solo com pequenas asas, as pernas eram finas com garras de material semelhante ao do bico e de suas costas saía uma longa cauda escamosa. Os olhos de Edmond se abriram completamente, a criatura era maior que ele e nunca fora visto nada igual em suas batalhas, um passo atrás seguido de outro, tentava engatar outro virote mas suas mão vacilavam, a criatura tornou o bico para cima esticou seu pescoço ao máximo e emitiu um estrondoso som agudo, o homem não suportou tamanha força sonora e largou sua arma quando perdera a visão devido ao baque assim como seus ouvidos zumbiam, Pegazu que neste momento observava seu tio também fora afetado com menos intensidade porém seu corpo fora jogado ao chão completamente, Maedhros tinha as mãos em suas orelhas e tentava afastar aquela dor, a criatura com o mover da cauda golpeou homem que estava em sua frente que imediatamente fora arremessado por uma distancia e caíra inconsciente, a criatura tornou se olhar ao elfo que permanecia de pé, esticou seu bico a frente e com severas pisadas se pôs a correr, a ponta de seu bico contra o ar gerava um pequeno redemoinho de vento que era quase impossível de se ver, com o efeito sonoro se desfazendo lentamente o arqueiro conseguiu se jogar ao lado fazendo com que a cocatriz descontrolada o errasse, Pegazu se pôs de pé em um salto com uma expressão séria, o garoto vibrava em raiva com o ataque a seu tio, tornou a espada a sua bainha e disparou em direção a criatura segurando a bainha com uma mão e a empunhadura com a outra, a criatura notando sua investida tomou-lhe como seu próximo alvo, seu bico de cristal se iluminara em tom de laranja como um crepúsculo, tamanha era a energia que modificou todo o tom do ambiente, Pegazu estava a poucos metros da cocatriz quando ela projetou de sua boca uma grande massa de chamas, o espanto lhe veio a tona e seu coração acelerara de forma que nunca imaginou ser possível, com a morte diante de seus olhos suas ações fugiram de sua consciência, puxou sua lâmina em direção ao fogo, o calor invadiu seu ser mas as chamas não o tocaram, a lâmina de seu pai cortaram as chamas fazendo-as se dividirem, além do fulgor fitou uma vez mais seu inimigo que emitia sons e pisoteava o chão lentamente, o príncipe tornou a investida desta vez com um grito de batalha, cortando os a grande velocidade a pontiaguda flecha de aço perfurou a asa do animal que urrou de dor, Pegazu aproveitou a distração de seu oponente desferindo um golpe em seu bico que o rachou, a fera automaticamente retribuiu o golpeando com a cauda que o arremessou, aproveitando o movimento da cauda a criatura lança se seu ferrão veneno em direção ao elfo que rapidamente se desvencilha, ao tocar o chão a substancia toxica em contato com a vegetação desvanece sua coloração natural tornando ao cinza sem vida como rocha seca das montanhas, Maedhros admira a fuga de um tragico destino enquanto a criatura dispara em sua direção, a cocatriz disfere ageis investidas com o bico dificultando a esquiva do elfo que tenta engatar a próxima flecha em seu arco, Maedhros a cada esquiva precisa sente um cansaço cada vez maior, a noite sem dormir estava lhe fazendo falta, ao ficar encurralado entre a criatura e a parede pouco lhe resta fazer, escapando de mais uma bicada voraz a criatura atinge a parede agravando seu ferimento anterior, o Arqueiro-de-Batalha diante de tamanha vantagem age o mais rápido que seu treinamento lhe permitira colocando duas flechas posicionadas e disparando contra o bico do monstro a sua frente que o fez se despedaçar, a criatura ficara sem foco, fora jogada ao chão com tamanha dor porém suas pernas continuava a correr e atacar seu oponente, com a visão turva ela via apenas seu algoz que se aproximava a passos calmos, o elfo com uma adaga na mão levou ao pescoço da deplorável criatura que se debatia, e com um gentil corte silenciou seu sofrimento.

Notas finais
Agradeço por ler, aceito comentários, sugestões e uma namorada seria bom também.