Contos de Ainor
2 Capitulo 2- Reino de dragões
Os dragões eram os soberanos indisputados do mundo, no princípio eram isolados, mas aos poucos foram se agrupando em reinos cada vez maiores, criando alianças e travando guerras entre si até que restavam poucas dinastias de dragões no mundo, os que restavam dominavam áreas enormes, como “os asa de gelo” que dominaram dês desolação gelada ao extremo norte até as beiradas dos campos amarelados de Ainor, eles não permitiam o voo de outros criando nevascas tão fortes que derrubavam os invasores dos céus, também os “garra de prata” que se estenderam por todas as montanhas no continente ao sul, eles notaram que a energia vinda do toque de Ominus os permitia também criar magia, e os” chifre de ébano”, um império de dragões vermelhos guerreiros.
O chifre de ébano estabeleceu seus ninhos em gigantescos pilares rubros que ficavam no deserto das lanças rubras, chamado assim pelos próprios pilares que se assemelhavam a lanças apontadas para as estrelas, os dragões rasgaram e moldaram o interior dos pilares para comportar o exército de milhares, criando vastos salões com sulcos na rocha que seria os seus ninhos, amavam o ouro e joias preciosas para enfeitar os seus ninhos. No maior salão residia Yonix, o rei dos dragões vermelhos, ironicamente ele não era um dragão vermelho e sim um dragão negro, sua tribo avia sido atacada pelos dragões vermelhos centenas de anos antes, e Yonix retalhou com tanta fúria, que ao matar o antigo líder dos vermelhos ele intimidou todos a tornarem ele o novo líder, e agora ele é o rei, e ele deseja unir todos os dragões sob o seu comando de impiedoso, e sua expansão implacável esta levando-o cada vez mais ao norte, e agora ele deseja as montanhas deslodas do norte e os dragões azuis e brancos que residem sob elas.
Yonix se senta em um trono de rochas vermelhas dos pilares do deserto, um trono cravejado de rubis e turmalinas, em meio a um salão redondo com ouro espalhado pelo chão e paredes em grandes pilhas malformadas e derretidas, Yonix é um dragão negro como fuligem com a cabeça reptiliana levantada em alerta, com uma mandíbula retangular, alguns dentes saltados pingando uma saliva venenosa de tom esverdeado que ao encostar no ar se tornavam pequenas chamas verde claro, olhos de cor âmbar que reluzia junto ao ouro do salão, a parte posterior de seu crânio era revestida de pequenos chifres e os mais a fronte eram levantados como uma coroa de cálcio branco, de seu papo até a parte inferior de sua barriga se estendiam escamas de tom grafite mais macias que as que ficavam em suas costas, mas não se deve pensar que eram frágeis pois ainda eram mais fortes que qualquer armadura utilizada por um guerreiro, suas narinas largavam finas trilhas de fumaça vinda de seu interior flamejante. Ele se aconchegava em seu trono rubro com as patas abaixo de seu tronco e as asas recolhidas sobre as costas, o rabo passava e se estendia até a ponta cair da beirada do trono, sua cabeça apontava para a entrada em vigia, saberia o exato momento de alçar voo.
Ao distante norte, em meio a Floresta boreal com suas arvores coníferas verde escuro e neve se erguia uma montanha, a face cinzenta se misturava a neve e lama infértil, e nesta montanha os dragões azuis e brancos aguardavam preparando feitiços e rituais, sabiam da vinda de Yonix através clarividência, o chamavam de tirano louco, seu povo se matava dentre si e ele nada fazia.
A montanha era guardada por barreiras místicas, uma incessante tempestade de gelo e um gigantesco portão de aço negro guardava a entrada da montanha, ele era tão forte quanto as escamas daqueles que o forjaram, alguns dragões brancos serpentearam por entre as arvores e se esconderam na neve, em um paciente e angustiante aguardo para a achegada das legiões vermelhas.
Yonix saiu de seu trono em um voo rasante, atravessando as pilhas de ouro e como um berrante ele rugiu ao chegar a saída dos salões que ficavam nas partes mais altas das lanças rubras, e seu interminável exercito o seguiu, em um aterrorizante voo levaram um dia até chegarem as densas nuvens do norte, sequer chegaram e alguns mais jovens e fracos bateram contra paredes de luz branca e caíram em direção a neve, outros simplesmente desceram dos céus com toda fúria, e foram surpreendidos por baforadas de gelo cortante vindo dos que se escondiam em meio as arvores, as primeiras lutas começaram, com mordidas e patadas de força horrenda dilacerando uns aos outros e continuaram até as que a branca e resplandecente neve estive com um tom escarlate.
Os invasores mais velhos não se importaram, apenas continuaram seu voo dentre a forte tempestade, alguns caíram em uma dor agonizante com as asas perfuradas pelo gelo sendo assim alvos fáceis para os que se escondiam em meio a neve da floresta, ao chegar ao portão de aço, os que estavam mais a frente tentaram derreter o portão com a rajadas de fogo enquanto os outros observavam com notável impaciência, percebida pelos rugidos e eventuais bolas de fogo cuspidas em direção ao portão mas tanto estas quanto as baforadas flamejantes se provaram nada maior que futilidades.
A impaciência e confusão dominara a mente dos dragões invasores, alguns tentaram algar voo, mas não conseguiram, a tempestade se intensificará e isto enfraqueceu as chamas do peito dos dragões.
Neste breve momento os dragões azuis surgiram das laterais da montanha e sobrepujaram os invasores se utilizando de rajadas de gelo e um frio cortante, mas não demorou até que os rubros recobrassem as forças e retalhassem, usando fogo, que ao se encontrar com o gelo criou uma densa névoa opaca. Agora apenas se viu luzes fantasmagóricas vindas das rajadas de fogo, se sentia o frio do gelo cuspido pelos azuis, e a terra da entrada da montanha se enchia de sangue, dos cortes de garras draconicas curvadas do tamanho de espadas.
Uma sombra surgiu em meio as nuvens tempestuosas assolando a batalha, e em uma bola de chamas verdes Yonix desceu para a batalha dispersando as nuvens, as labaredas verdes queimavam com violência, e um voo rasante incendiou parte da floresta, queimando os que lá estavam os que não morriam para as chamas eram envenenados, na entrada poucos azuis ainda resistiam contra as intermináveis hordas de vermelhos, não avia mais arvores em frente a montanha, só terra seca e carcaças, os vermelhos ganharam a vantagem, mas os azuis ainda lutavam.
Encurralados contra o próprio lar, lutaram até que caíssem exaustos, os portões de aço baixaram em um movimento brusco, um vulto estava em seu interior, gigantesco, do tamanho de Yonix, se via Is’sevix o antigo, ele estava atrás do portão a recitar palavras arcanas incompreensíveis para a legião vermelha desprovida de magia, e com uma voz feita de luz estelar e abriu um buraco em meio os ranques invasores, um flash cegante de chamas prateadas foi visto pelos poucos azuis que restavam e em seguida somente cinzas flutuantes se desfazendo na brisa, o antigo respirou fundo novamente e obliterou os restantes, Yonix via sua legião alçar voa em direção aos céus em forma de cinzas, ele ficou catatônico frente um oponente digno, ele mesmo já avia vencido batalhas sozinho mas jamais lutado contra um que se igualasse em poder. Tal força não deve ser minha inimiga, deve me ajudar a comandar este mundo de caos pensou Yonix, mas ao falar tal para seu adversário foi confrontado com as palavras, Este mundo de caos não é seu para comandar senhor dos vermelhos, e tão pouco meu, somos pequenos dançarinos de uma dança cósmica maior. Yonix se enfureceu, não avia lutado e matado para ser tirado de sua gloria, sabia oque seria melhor para todos, a ordem que traria seria melhor então respirou fundo respirou fundo, as narinas pararam de fumegar, o veneno parou de pingar e então com um rugido uma torrente de chamas acertou Is’sevix, que recuou dois passos, mas ainda assim as chamas toxicas não foram pareis para a voz de luz prateada, a tempestade se calou perante o rugido de Yonix, mas ele não se tornou cinzas e sairá voando com a brisa, apenas desaparecera sob o novo olhar das estrelas que brilhavam através do buraco nas nuvens, algo entre o brilho das estrelas no infinito abismo negro, incomodava Is’sivix, ele ao imitar as suas chamas se sentia seguro mas agora sob a luz delas se sentia um tolo, como se zombassem dele, mas não as estrelas pensou fitando a escuridão, algo mais distante, algo além ria dele com um sorriso de escárnio, por um breve momento pensou que era seu inimigo, o tirano louco, mas não se pós a ponderar, o veneno que o atingira era forte, ele precisava descansar.
O grande dragão branco foi carregado por seus súditos azulados para dentro do covil sob a montanha, agora dentro da montanha avia os últimos dragões ao norte do mar, a guerra os reduzirá drasticamente, agora o mundo parecia vazio novamente, os espíritos de ordem e caos começaram a pensar que ficaria vazio novamente se puseram a ponderar.
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