Contos da Seleção - Parte Dois

14 O Chefe da Guarda - Capítulo 4


Notas iniciais
Capítulo curtinho

Tristan

–Ei, veja só quem está de pé.

Fiz o possível para sorrir enquanto entrava no quarto que meus pais dividiam no palácio. Meu pai estava próximo à janela, abraçado à minha mãe. Ele se afastou dela, sorrindo para mim.

–Pronto para outra, velho?

–Venha cá que eu te mostro o velho.

Fui até ele e fui recebido por um abraço caloroso. O ferimento a faca no ombro esquerdo ainda estava enfaixado sob a roupa, mas não parecia incomodá-lo tanto quanto antes.

–Pronto para voltar à ativa?

–É sobre isso mesmo que nós queríamos falar com você.

Ele bagunçou meu cabelo, como fazia quando eu era pequeno. Minha mãe assistiu, sorrindo, indo se ocupar em guardar algumas roupas dobradas em pilhas sobre a escrivaninha enquanto conversávamos.

–O que foi?

Meu pai respirou fundo.

–Sua mãe e eu... Nós estivemos pensando e... Nós decidimos que é melhor que eu não volte para a guarda.

–O quê? Por quê?

Ele deu de ombros e então fez uma careta de dor. Mamãe olhou para ele, por cima do ombro, como se pudesse sentir que ele precisava dela e fez menção de vir na nossa direção, mas ele a dispensou com um gesto.

–Já não tenho idade, Tristan. E depois disso... Não sei se vou voltar à mesma forma de antes. – Ele esfregou o local do ferimento com cuidado. – Maxon me ofereceu um lugar entre os seus conselheiros, então nós não precisamos ir embora. Além disso, — Ele pousou a mão no meu ombro. – Você está se saindo tão bem... Não acho que os outros vão se importar.

Balanço a cabeça.

–Não, eu imagino que não, mas... Eu não sei se posso assumir a guarda definitivamente. Eu não faço ideia do que estou fazendo.

–Um segredo? Eu também não fazia. Mas você vai descobrir logo. Dê uma chance. Não há nada que você não consiga fazer se quiser, filho.

Suspiro pesadamente. Você não faz ideia, pai.