Contos da Seleção - Parte Dois
7 A Primogênita - Capítulo 7
Shae
Os rebeldes chegaram de avião e foram trazidos ao castelo em um carro oficial. Eu e meu pai fomos recebê-los nos jardins, tensos. Ele pela minha segurança e eu pela minha credibilidade. Lá dentro, a sala de conferência já esperava por nós.
–Como você acha que eles vão ser?
Perguntei, inquieta. Papai deu de ombros.
–É difícil prever. Desde que assumi me encontrei com muitos rebeldes, mas eles são sempre diferentes uns dos outros. Podiam ser 8 antes, ou 4, ou até mesmo 2.
Respirei fundo, tentando parecer tão régia quanto ele. Inflei o peito, tentando imitar sua postura, mas acabei desistindo. Papai pousou as mãos sobre os meus ombros, massageando-os.
–Não se preocupe. Você vai se sair bem.
–Vou, é?
–Vai sim. Você criou essa solução. Você é genial. Não se sinta diminuída por nada que esse democratas disserem.
Uni as sobrancelhas.
–O que eles vão dizer?
–Eles não acreditam na nossa credibilidade. Tentam nos atacar com palavras, pedir coisas impossíveis. O truque é aceitar o aceitável para demonstrar boa fé.
Antes que eu pudesse fazer mais perguntas, o carro chegou, buzinando. Meu pai se sobressaltou, mas eu não. Não precisava nem olhar para saber que um dos meus meninos estava dirigindo. Papai me lançou um olhar desconfiado e eu sorri, dando de ombros.
Os rebeldes não são bem vestidos como os antigos 2, e também não parecem miseráveis como os 8. Não sei o que pensar. São tipo de pessoa que eu facilmente encontraria na Twenty Five julgando a música como 2 ou 5, bebendo até cair. Mas também poderia ser um dos meus guardas, nos seus uniformes brilhantes.
Era um grupo grande. 20 ou 25, todos parecidos, como se fossem da mesma família. Percebi que não eram os traços que os tornava parecidos. Era a dureza das expressões. Todos pareciam estarrecidos com a grandeza do castelo. Imaginei como devíamos parecer tolos para eles. Todo aquele luxo frente às suas vidas desgastadas. Um senhor grisalho veio à frente e estendeu a mão para meu pai.
–Rei Maxon. Meu nome é Donaghan Hugh. Estamos muito surpresos pelo seu convite.
–Será um prazer negociar com o senhor. Permita-me apresentar minha filha, Shae.
–Princesa Shae. – Ele assentiu, mas não estendeu a mão. Percebi sua relutância em ter que brincar de diplomacia e imaginei se tinha algo a ver com o fato de eu ser mulher, já que não há nenhuma atrás dele, com o grupo. – Tão linda quanto na televisão.
Porque eu acho que você está mentindo? Tenho um mal pressentimento. Não há modo de voltar, de colocar as palavras de volta na minha boca. Aquilo tinha sido ideia minha e eu precisava levar até o final.
–Muito obrigada, Sr. Hugh. É um prazer tê-los no castelo. Por favor, sigam-nos.
Nós passamos pelas portas, sendo seguidos de perto pelos nossos guardas. Os rebeldes foram revistados – rotina, conforme explicamos – e seguimos em frente até a sala de reuniões. Estava prestes a passar pelas portas abertas pelos sentinelas quando ouvi Donaghan limpar a garganta.
Olho para ele por cima do ombro. Sua expressão é difícil de definir com exatidão, mas não é nada boa.
–Algum problema?
Perguntou meu pai.
–Não vi até aqui para discutir o assunto com crianças.
Senti um rubor subir até o meu rosto, mas definitivamente não era timidez.
–Ora, eu não sou nenhuma criança. Eu sou a princesa herdeira de Illéa, e se não fosse por mim seu movimento jamais teria alcançado essas muralhas.
Senti a mão do meu pai sobre o ombro.
–Shae. Basta.
–Mas senhor...
–Você se lembra do que conversamos agora há pouco? Quando atingir a maioridade, pode vir conosco. Deixe essa comigo.
Aceitar o aceitável para demonstrar boa fé. Queria espernear, argumentar. Tinha sido minha ideia, afinal! Além disso, queria gritar com meu pai por não me defender. Mas isso só serviria para provar o ponto daquele rebelde.
–Vocês, garotos, se divirtam. – Disse, entre dentes. Meu pressentimento ficava pior a cada segundo. Enquanto o grupo entrava, segurei o braço do meu pai. – Tome cuidado com eles, pai. Por favor?
–Não se preocupe com seu velho pai, Shae. Vai dar tudo certo.
Mas não senti nada disso quando a porta se fechou atrás dele. Fiquei algum tempo parada ali, encarando a porta, até que um dos guardas se sentisse incomodado.
–Está tudo bem, senhorita?
Pisquei, olhando para ele. Não era nenhum dos meus garotos.
–Sim. Sim. Eu só... Eu vou indo. Por favor, fiquem atentos.
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