Contos

5 Adolescente!


Notas iniciais
Tentei ser engraçada, mas eu não consigo. Nunca escrevi nada engraçado.

Eu olhava para o quarto atentamente, cada móvel vitoriano colocado propositalmente em cada espaço. O quadro com uma pintura gótica parecia tão assustador. Tons claros dos móveis e das paredes contrastavam com os quadros escuros e pôster colocados na parede contra o meu gosto. Aquele quarto era tão singelo, tão bonito, tão rico, agora parecia mais um quarto daqueles adolescentes rebeldes e era.

Como nós chegamos nesse ponto? Há pouco tempo atrás ela não passava de uma criança doce e meiga, tão inocente. Agora se tornou um daqueles monstros controlados pela mídia. E ainda pensam ser tão espertos, mas deixam ser influenciados por qualquer um e não dão ouvidos a quem deveriam dar.

A cama estava bagunçada. O tapete já não era aquele clássico que eu havia colocado, na verdade nem havia mais tapete. Havia sandálias jogadas pelo o quarto e roupas espalhadas pela cama. Para que serve o guarda roupa? Quando eu era adolescente sempre sonhei em ter tudo que essa garota tem, e já que ela tem tudo não dar valor mesmo.

E lá estava ela sentada no chão. Ela tinha aqueles olhos pretos marcados com delineador. O cabelo colorido todo bagunçado. Para ela aquilo era estilo, mas para mim não passa de uma poluição visual, ela deveria ser denunciada por isso. Por que as meninas não são mais como as de antes?

O que ela esta fazendo? Cortando os pulsos? Mas por quê? Qualquer um adoraria ter a vida que ela tem, eu sou uma boa mãe e ela tem de tudo. Na minha época uma tristeza qualquer não era depressão, era só tristeza, hoje tudo virou depressão, animais têm depressão. Isso é ridículo. Uma desilusão amorosa não matava ninguém, hoje as pessoas se suicidam. O que aconteceu com os adolescentes de hoje? Quando eles se tornaram tão dramáticos que eu não percebi?

Eu deveria ir lá? O que uma mãe faria ao ver uma filha cortando os pulsos pelo o buraco da fechadura? Eu penso que ela não iria gostar, afinal não é legal ficar olhando por trás da fechadura, ouvir detrás da porta, ler o diário ou colocar um programa espião nos computadores dos filhos. Talvez seja por isso que eles se tornaram tão dramáticos, porque eles não têm mais privacidade.

Eu não vou ajudar-la, ela não quer se matar, na verdade só quer chamar atenção, afinal se ela quisesse cortaria a jugular ou enfiaria uma faca no peito, é mais eficaz. E nem faria cortes tão superficiais, cortaria logo a veia.

Agora ela desmaiou. O que eu faço. O meu bebê.

Então eu corro e coloco-a nos braços.

Eu já estou aos prantos. Minha filha morreu, eu vi tudo e não fiz nada.

- O que foi mãe? – ela perguntou passando a mão no rosto.

- Pensei que você tivesse morrido.

- Não, eu só fiquei com nojo do sangue.

Adolescentes! Como eles me irritam.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.